A degradação do homem em valor econômico por meio das redes sociais

Estou tentando sair das redes sociais, o que não é tão fácil assim para mim já que minha adolescência girou em torno de escrever em fotologs aos finais de semana e interagir com outras pessoas que também gostavam da plataforma. Seguir a tendência das redes sociais foi algo natural.

A decisão de sair das redes veio de um sentimento de vício. Uma sensação de eu TENHO que postar isso, eu PRECISO mostrar aquilo e etc. Comecei a me sentir obrigada a alimentar aquela rede, a trabalhar de graça para marcas e para o Zuckenberg.

Deletei o Instagram e vez ou outra me pego com uma súbita vontade de postar um stories, mas me controlo. Para me manter firme, tenho procurado livros e artigos em sites com a experiência de pessoas que passaram pelo mesmo e estão tentando se livrar do FOMO e aderindo ao JOMO.

No momento estou lendo dois livros que criticam o uso de meios de comunicação em massa, que são: Dez argumentos para você deletar agora as suas redes sociais, do Jaron Lanier, e A sociedade do espetáculo, do Guy Debord.

A Sociedade do Espetáculo

Em A sociedade do espetáculo, o autor fala sobre a inserção da televisão como o principal meio de comunicação em massa e meio manipulador da sociedade (é um livro de 1997). Já ‘Dez argumentos’ traz um panorama mais atual sobre as redes sociais do momento. Mesmo que a tecnologia tenha evoluído muito num curto espaço de tempo, ambos os livros ainda conversam bastante.

Debord teoriza sobre a inserção da imagética na sociedade, pois as pessoas deixam de viver o real para pautar-se na imagem que lhes é oferecida. A vida deixou de ser vivida para ser mostrada e a essência do ser se transformou no ter. No item 17, ele escreve:

A primeira fase da dominação da economia sobre a vida social levou, na definição de toda a realização humana, a uma evidente degradação do ser em ter. A fase presente da ocupação total da vida social pelos resultados acumulados da economia conduz a um deslizar generalizado do ter em parecer, de que todo o “ter” efetivo deve tirar o seu prestígio imediato e a sua função última

Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais

E essa degradação do ser é ainda mais visível hoje, com toda essa necessidade de compartilhar e viver em função da imagem irreal que nos é transmitida. Lanier ressalta que as redes sociais pautam-se num sistema de recompensa esporádica para manter essas postagens sempre circulando em troca de um pouco de satisfação.

Estamos lidando aí com uma degradação dupla, onde primeiro temos a substituição do ser em ter e depois do ter em aparentar ter. Assim, as instituições econômicas lucram horrores em cima das cobaias que estão sendo remuneradas com as espaçadas esmolas de endorfina.

ser -> ter -> aparentar ter -> lucro para as instituições econômicas

Cansei de ser influenciada e enganada. Notei que comprava alguns livros por indicações no Instagram e me arrependia amargamente depois porque eram títulos que eu jamais compraria se estivesse passando numa livraria e eu acabava detestando a escrita do autor ou a história era absurda demais. O exemplo mais gritante disso foi o Bom dia, Verônica, que foi tão bem comentado em vários perfis e tornou-se a pior leitura da minha vida.

Sair das redes sociais foi o primeiro passo que tomei para buscar a minha essência interior de volta. Quero ser mais eu, sem influências externas e sem querer mostrar para o outro. Para tanto, resolvi elencar algumas mudanças:

  • Escolher minhas leituras de acordo com o que estou pesquisando ou lendo no momento sem ser levada por hypes das redes sociais (por exemplo: quero ler os clássicos da literatura brasileira, não o Raphael Montes, quero dar andamento ao Estudo Perene, não a trilogia d’O ceifador);
  • Encontrar o meu Ikigai (depois vou falar mais sobre isso aqui no blog);
  • Escrever no meu diário as coisas bacanas do dia, não postar nos stories;
  • Manter a escrita ativa com caderno de resenhas, de receitas e do que mais eu sentir vontade;
  • Observar e cuidar das minhas plantas e dos insetos do jardim ao invés de passar alguns minutos rolando o feed de alguma rede social;
  • Reencontrar amigos para tomar um café, não apenas trocar breves mensagens em aplicativos.

Ainda não saí radicalmente das redes sociais, ainda mantenho o LinkedIn e o WhatsApp por motivos profissionais e de comunicação familiar. Também estou mantendo este blog para postar meus textos mais longos sobre leituras e coisas da vida.

A soberba e o Instagram

Olá, leitores.

Talvez soe um pouco estranho, principalmente hoje em dia, ter um blog e não usar as páginas das redes sociais para promovê-lo e interagir com o público.

Pois bem, antes que me chamem de antiquada ou algo parecido, preciso ressaltar alguns fatos sobre mim: 1) passei a minha adolescência escrevendo e interagindo em blogs aos finais de semana (internet discada, um beijo) na época do fotolog.net; 2) mesmo não sendo da geração que já nasceu imersa na internet, me sinto um pouco parte dela por ter a rede como meu principal lazer durante muitos anos da minha vida.

Claro que de lá pra cá a internet e a forma de usá-la mudou bastante. Hoje vivemos o boom das redes sociais, o que gerou pessoas tão viciadas nisso que não conseguem passar nem 1 hora sem rolar o feed. Graças a Deus que não me encaixo nesse nível de vício, pois a minha decisão teria sido bem mais difícil.

O que me fez refletir sobre a minha maneira de usar as redes sociais foi um pequeno trecho de um livro que estou estudando, o A vida intelectual, onde o autor fala sobre os malefícios da soberba na vida de estudo.

Basicamente, a soberba é o pecado contrário a virtude da humildade e ela faz com que muitos estudiosos só busquem uma vida de estudos esperando palco e reconhecimento, não o fazem verdadeiramente de todo o coração. Como eu já vinha refletindo bastante sobre o Instagram, acabei por adaptar esse pensamento ao uso das redes sociais.

Pense comigo…

Quando estou postando alguma foto no Instagram é para mostrar para outras pessoas alguma conquista pessoal que tive, algum momento bacana. Muitas pessoas, inclusive, ainda estão na onda do “ostentação” e etc. No caso do meu blog, quando posto as minhas leituras mensais ou os livros novos que chegaram por aqui, estou buscando corações e reconhecimento por meu esforço, não estou fazendo genuinamente, como é o caso do estudioso que quer aplausos, pois esses são os tipos de posts que geram mais engajamento.

Daí o tal do algoritmo sufoca os produtores de conteúdo a TER QUE POSTAR todos os dias, mesmo que a pessoa não tenha produzido algo de profundidade, ela precisa dar bom dia para os seguidores e fazer posts salváveis e mil obrigações a mais com a intenção de aumentar a sua visibilidade.

Acaba que até o processo criativo passa por um momento de stress desnecessário porque precisa gerar resultados pra ontem. O que vem depois? No mínimo, uma leve crise de ansiedade e postagens rasas.

E quando estou consumindo?

Bom, aí é que a coisa fica ainda mais delicada. Não sei se você lembra do começo da internet, em que nós precisávamos entrar nos sites e blogs se quiséssemos ver as novas atualizações daquela página que gostávamos. Já falei algumas vezes o quanto eu sinto falta disso!

Pois bem, agora você não precisa mais, uma vez que tornou-se um ser passivo. Sim, um mero receptáculo do algoritmo.

E tal passividade torna-se ainda mais superficial com os deslizes entediados pelo feed. As postagens já são feitas sob pressão e muito provavelmente um percentual das pessoas que as receberam só deram coração porque a composição da foto ficou legal e um ínfimo número de pessoas lerão o que foi escrito.

E mesmo quando estamos interessados em ler o que está abaixo da foto bonitinha, ainda aparece outro fator: a qualidade daquilo que você está lendo. Aqui não me refiro nem ao post produzido sob ansiedade e pressão, mas ao tipo de conteúdo que você resolveu consumir.

Analisando bem o seu feed hoje, sendo bem sincero, o quanto dele é formativo e edificante e o quanto é meramente informativo, estético e vão?

Ao pensar um pouco sobre essas questões, resolvi me afastar mais uma vez das redes sociais, pois sinto que preciso trabalhar a minha humildade e o meu real poder de escolhas. Quero acessar os sites e blogs do meu interesse na hora que eu quiser, não apenas ficar recebendo passivamente uma maçaroca de imagens que em nada me agregam. Decidi que farei, na página do blog, apenas pequenos posts com o intuito de agregar conhecimento ao próximo, nada de marketing digital para conseguir seguidores e corações de reconhecimento.

Economia, mulher e queima de livros

Nessa semana terei que assinar o contrato para a redução do salário e de tempo de trabalho por causa da pandemia do coronavírus, um problema de saúde que interferiu na vida de modo geral, seja social ou economicamente. Essa Medida Provisória brasileira de redução dos salários visa auxiliar as empresas para manter o empregos mais essenciais para que ela não pare completamente.

Em 1837, nesse mesmo 10 de maio, os Estados Unidos sofreu enormemente com a alta do número de desempregos, período que ficou conhecido como “Pânico de 1837” e hoje, 2020, estamos vivendo algo parecido, embora não pelas mesmas razões.

Tentamos ao máximo nos agarrar aos nossos empregos, quem consegue trabalhar de casa, no tal do Home Office, o faz de maneira intensa, pois é exaustivo ter serviços domésticos e laborais tudo no mesmo local. Uma sensação horrível de que não estamos largando o horário de trabalho nunca.

Os governantes estão fazendo jogo de cintura para conseguir contornar da melhor maneira a crise econômica, liberaram auxílios financeiros e investiram no que acharam mais condizente com a realidade do país. É claro que o momento também revelou (ou apenas ressaltou) a verdadeira cara desses tais governantes, seja por não ligar para o número de mortos (e quem esquecerá do famoso ‘e daí‘?) ou por desviar os insumos de outros países em estratégias rasteiras.

E por falar na atitude mesquina do Trump, é válido ressaltar também que hoje seria o aniversário de Mary Anne MacLeod Trump, a mãe do atual presidente dos Estados Unidos, que caiu justamente no Dia das Mães. Dia esse qO Que É Ser Uma Mãe Feminista - Mamãe Tagarelaue sempre causa reflexões importantes sobre a condição da mulher no núcleo familiar, levantando nas redes sociais as famosas frases ‘deseja feliz dia das mães, mas não lava a louça do almoço’.

A grande questão é que não é só no Dia das Mães que temos que dar um ‘descanso’ para essas mulheres. As mães, que perdem a sua identidade quando assumem o papel da maternidade, que deixam sua vida de lado para criar outro ser humano e até o fim da vida carrega a casa nas costas. Não adianta de nada levantar bandeira feminista e explorar a própria mãe nos serviços domésticos, é pura hipocrisia.

A Menina que Roubava Livros: Markus Zusak: Amazon.com.br: LivrosE para não fechar o texto sem indicar um livro, aproveito o gancho para falar sobre uma jovem e sua paixão pelos livros. No dia 10 de maio de 1933, na Alemanha, ocorreu o grande Bücherverbrennung, que significa queima de livros em alemão, evento que ocorreu em praça pública como propaganda da censura nazista. Claro, eu não poderia deixar de indicar o A menina que roubava livros, de Markus Zusak, que conta a história de Liesel Meminger, que ao aprender a ler de maneira torpe, utiliza a literatura como refúgio em meio ao cenário caótico e perturbador da Segunda Grande Guerra e, mais especificamente, em um 10 de maio.

Garota Enxaqueca | Problematizações e comentários

Ultimamente tenho refletido bastante sobre as interações sociais, primariamente nas redes online.

A mais recente das minhas questões pessoais é sobre grupos e conversas. É bem frequente a gente ter alguns grupos de três ou quatro pessoas que conhecemos na vida real para compartilhar coisas de interesse que temos em comum, mandamos links de vídeos, de matérias e afins.

O problema é que quando mandamos esses conteúdos, esperamos algum tipo de interação da outra parte, um diálogo, mas o máximo que conseguimos é uma curtida, uma risada ou uma figurinha. Quando ficamos só na parte da visualizada, ainda chegamos a perguntar “tu viu aquilo que mandei?”, a pessoa responde “vi que você mandou, mas não olhei” e depois isso cai em esquecimento.

A questão que aqui se desenvolve é a seguinte: se nós formamos um grupo que tem interesses em comum e uma das pessoas desse grupo compartilha algo é porque ela quer tecer uma discussão a respeito daquele tema. Se a maior reação que surge dali é uma figurinha, desculpa, meu amigo, talvez o grupo só funcione mesmo ao vivo. É tão maravilhoso poder sentar, conversar sobre vários assuntos e perder as horas de tanta opinião trocada.

Precisamos transcender as curtidas! Curtir não é uma interação, é no máximo aquele sorriso sem mostrar os dentes só para ser educada. É necessário retomar e estimular nossa capacidade de prestar atenção ao outro e de dialogar. Se você não leu, por favor, não curta, e se tiver lido, problematize, não se reduza a uma figurinha.

Imigrantes | Coração azedo e Intérprete de males

Olá, leitores!

Hoje trouxe para vocês a indicação de dois livros de contos sobre a vida de imigrantes. O Coração azedo, da Jenny Zhang, traz a história de chineses que apostaram numa nova vida na América e Intérprete de males, da Jhumpa Lahiri, que aborda a vida de indianos que saíram de seu país de origem pelos mais diversos motivos.

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Ambos os livros foram escritos por mulheres, possuem o mesmo formato (antologia de contos) e a mesma temática, mas são bem diferentes! Essa diferença, se dá, principalmente pela perspectiva dos personagens, muito provavelmente por sua origem distinta e tal, e fica bem claro quando, por exemplo, os chineses vivem uma vida miserável nos Estados Unidos, em casas que não possuem o mínimo de higiene, e mesmo assim aguentam tudo aquilo calados e na esperança de que um dia tudo irá melhorar; por outro lado, os indianos, mesmo com uma vida de classe média confortável, ainda sonham com os prazeres da vida na Índia.

Gostei bastante da experiência de leitura, ainda mais que o tom saudosista de Intérprete de males traz vários pontos culturais bem interessantes e o Coração azedo aborda o desenvolvimento de crianças que precisam lidar com um mundo completamente diferente do seu país de origem, a dificuldade da língua estranha… A construção da identidade em outro local torna-se estranha, quase impalpável em todos os casos.

Os dois livros são ótimos para quem gosta de ter contato com diferentes culturas. A questão da dificuldade da imigração, principalmente para mulheres, sejam elas crianças ou adultas é o cerne principal das obras. O choque de costumes é latente e bem verdadeiro, uma vez que as escritoras trouxeram a sua experiência no assunto para as páginas, Jhumpa Lahiri é filha de imigrantes e Jenny Zhang imigrou aos 5 anos de idade.

Gostaria, ainda de deixar outras duas indicações que lembrei durante essas leituras. A primeira delas é o Eu sou Malala, que conta um pouco mais da história e situação política do Paquistão e (um pouco) da Índia, o que é apenas pincelado em um dos contos (‘Quando o sr. Pirzada vinha jantar’) de Intérprete de males. O segundo livro é O grito de guerra da mãe tigre que aborda a cultura chinesa sobre a perspectiva da criação dos filhos e todo o rigor de exigências tão discrepantes com a educação brasileira. Ambos os livros têm resenha aqui no blog, é só clicar no título deles.

Sou fruto do que a cultura pop me proporciona

Enquanto eu estava no corredor da tentação da Riachuelo (entenda corredor da tentação como aquele mini labirinto cheio de produtos em que você caminha lentamente até chega ao caixa), fiquei ensandecida com a quantidade de itens legais e “baratinhos” que tinha ali. Fones de ouvido da mulher maravilha, porta óculos do Harry Potter, lancheira do Star Wars, dentre diversos outros produtos inspirados nos personagens dos filmes atuais e retrô que estão na moda.

Itens tão baratinhos que fui pegando aos poucos e quando me dei conta estava com cinco produtos em que a soma já chegava próximo a R$ 100,00, refleti, então, o que eu realmente queria, para diminuir aquela quantidade. Primeiro pensei na utilidade dos produtos, o que eu realmente iria utilizar no meu cotidiano, descartei os mini pegadores do Star Wars que só serviriam para ocupar espaço na minha gaveta porque com certeza eu morreria de pena de usá-los. Logo em seguida parei para pensar nos personagens que realmente tinham relação com a minha personalidade, os que eu realmente me inspiravam.

Essa rápida seleção me deixou em choque ao perceber que nenhum desses itens eu realmente precisava. Tenho bolsinhas, fones de ouvido, lancheira, garrafinha na medida do que preciso em casa, então para que eu levaria mais um? Se por causa de uma figura que eu gosto, qual a lógica de levar para casa? Eu não preciso de um objeto com uma figura para me lembrar que eu gosto de uma saga, eu apenas gosto e me identifico com ela por N motivos.

Meu consumismo me levaria a comprar quase cem reais em produtos que eu não estou precisando só por causa de personagens da cultura pop que eu gostei de assistir. Sério, cem reais em livros me levaria a universos incríveis e me proporcionaria muito mais diversão do que a garrafinha da Corvinal e a bag do Darth Vader.

Nesse mesmo dia comprei marcadores de página em tecido da Frida Kahlo e do símbolo do feminismo, fiz as mesmas indagações e cheguei a conclusão de que os marcadores eram realmente úteis, pois eu usaria com frequência. Sobre as imagens que estão em “alta”? Ambas me trazem mensagens de determinação, luta e coragem, não são apenas figuras vazias.

Desconstrução de uma leitora

Em 2018 não estipulei lista de livros a ler, muito menos números de volumes ou de páginas. Estou em processo de libertação do quantitativo e em busca do qualitativo.

Não quero mais a bendita meta de ler um por semana ou a de ler 50 páginas por dia, estou mais em busca do prazer da leitura, nem que ela utilize dois meses no mesmo livro, não me importo.

A grande questão não está centrada em elevados números de livros lidos, já que eu nunca concluí 60 lidos em um ano e considero 100 um número inalcançável ao levar em consideração minha rotina. O cerne dessa transformação que busco é simplesmente me desapegar dos “lidos” e aproveitar os “lendo”.

Ler um excelente livro de 300 páginas que me trouxe muita reflexão ao longo de um mês é muito mais saudável para mim do que ler 6 livros que resultaram em 600 páginas que engoli para bater metas que estipulei por motivo de: sei lá, talvez para mostrar uma pilha de livros no instagram ou atualizar o meu Skoob.

Nunca deixarei de invejar quem consegue ler 100 livros durante o ano, eu estaria no céu se conseguisse o mesmo feito com louvor, mas não rendo tanto assim. Aqui vem o clássico “cada um tem o seu próprio ritmo/ tempo / necessidades”.

E esse povo de humanas que não pode ver questão problematizável que já começa a auto-desconstrução. Desculpa aí, mas meu lado leitor ainda está em (re)formação como tantos outros aspectos por aqui.

Qual é a da Livraria Cultura?

Se existesse uma revista de fofoca literária, o boom da semana seria a compra do Estante Virtual pela Livraria Cultura!

Para quem não conhece, o Estante Virtual (EV) é um site que reúne sebos de todo Brasil. A plataforma é conhecida por proporcionar aos leitores livros a preços mais acessíveis e títulos difíceis de encontrar em lojas físicas mais próximas.

Pelo menos no meu caso, adoro o EV para comprar livros técnicos baratinhos, enquanto um exemplar custaria R$ 300,00 ou R$ 500,00, consigo comprar por R$ 50,00 ou R$ 120,00, sem brincadeira. O site é confiável, já comprei livro técnico que estava esgotado até na editora por menos de cem reais. Não tenho o costume de adquirir livros de Literatura por lá, pois geralmente as promoções da Amazon são mais atraentes, a não ser que só exista lá mesmo.

Os vendedores de sebos acabam vendendo mais por expandir sua clientela a nível nacional, podendo competir com outras lojas do ramo. Ainda não consigo conjecturar as mudanças que poderão ocorrer no Estante Virtual, mas a Livraria Cultura não dá ponto sem nó.

capa_edicao_116Acabei por lembrar da revista de Setembro de 2017 da Livraria Cultura (edição 116), que foi dedicada aos 70 anos da marca. O herdeiro e CEO Pedro Herz discorre sobre as diversas mudanças ocorridas na Livraria durante as sete décadas e ainda arrisca sobre o que ele espera das livrarias no futuro. Em certos momentos falou sobre o pico de venda dos livros digitais e do atual perfil dos frequentadores das filiais espalhadas em todo país.

Herz chegou a cogitar as Livrarias mais como pontos de encontros para apaixonados por Literatura do que um local para comprar livros (talvez isso seja só uma consequência de tais reuniões culturais). Um pensamento que vai ao encontro da maior vendedora de livros, a Amazon.

Isso porque, de acordo com o CEO, a maior parte da venda de livros e produtos será feita por meio de comércio eletrônico, enquanto às lojas físicas caberá o papel de socializar as experiências. “É para encontrar gente, para sair de casa, o ser humano não perderá essa característica de ter um ambiente assim, de diversão e interação,
no futuro. A loja do futuro será social, pura. E muito menos especializada; você terá muitos produtos, capazes de complementar a experiência da leitura.”

 (REVISTA DA CULTURA – set de 2017, P. 56)

A Amazon chegou ao Brasil há alguns anos e já faz a cabeça dos leitores nas mega promoções e quando se pensa em leitor digital. Não bastando ser um dos líderes no segmento, ainda ampliou sua rede para itens que leitores podem gostar, como utensílios geek para casa ou aparelhos eletrônicos.

A meu ver a Livraria Cultura enveredou pelos caminhos de sucesso da Amazon ao anunciar a ampliação de suas categorias no site, conforme campanha de marketing enviada por e-mail aos assinantes de seu feed.

A parte boa disso tudo é ter mais uma grande marca proporcionando tais produtos diversos para compras acessíveis online, mas sem deixar de lado os tradicionais ‘encontrinhos’ nas lojas físicas. Que a Cultura possa unir os benefícios dos dois mundos, o físico e o digital.

A questão que fica no ar é: “Será que o EV continuará o mesmo?”, o que vocês acham?

Artigo | Curso presencial ou EAD ?

Olá, leitores!

Hoje resolvi falar um pouco sobre a minha experiência como aluna do ensino presencial e do ensino à distância (EAD). Para quem não sabe, eu sou formada em Radiologia na modalidade presencial em uma faculdade privada e atualmente eu curso Secretariado Executivo presencial na Universidade Federal do Ceará, Processos Gerenciais na modalidade EAD em uma faculdade particular e especialização em Gestão Pública em Saúde na modalidade semi presencial pela Universidade Estadual do Ceará.

Sim, mudei de área de atuação por motivo de: me formar naquilo em que eu já trabalhava e tinha experiência. Sim, eu passei / estou passando tanto por instituições privadas quanto públicas, bem como pelas três modalidades de ensino: presencial, semi presencial e EAD.

Ensino presencial

O ensino presencial é ótimo para quem sente a necessidade de ter uma rotina fixa impondo cronogramas e datas, também é ótimo para conhecer pessoas a área e elaborar projetos voltados à área acadêmica.

Por outro lado, o esquema fixo e horários as vezes te impossibilita de aproveitar melhor suas horas pelo simples fato de que você TEM que comparecer a pelo menos 75% das aulas para não reprovar por falta, mesmo que o professor seja daqueles que mal leciona conteúdo.

Ensino semi presencial e EAD

Essas modalidades são péssimas para quem não tem a capacidade de auto-organização e não possui auto didatismo. Se você se enquadra em qualquer uma dessas duas categorias, pode pular para a opção do ensino presencial.

Por outro lado, a maravilha desse sistema está em você ter a flexibilidade de estudar nos horários mais convenientes e nos locais mais agradáveis. A parte chata é que a interação com os outros alunos é totalmente virtual e na maioria das vezes você só conversa nos Fóruns. A quantidade de atividades para postar é enorme, o que obriga o aluno a estudar pelo menos um pouco toda semana.

 

Então…

As três modalidades possuem suas vantagens e desvantagens, mas um ponto que eu gostaria de ressaltar é sobre a quantidade de conteúdo a ser estudado e os materiais disponíveis.

Eu costumo me dedicar bem mais aos cursos não presenciais, pois preciso me organizar para não perder os prazos e estudar sozinha os conteúdos. O lado ruim é que geralmente o livro texto das disciplinas é muito superficial e se você não tiver a perspicácia de pesquisar em outras referências, seu aprendizado será muito baixo, no limiar do mínimo.

Existem disciplinas no ensino presencial em que o professor ministra as aulas e dá as notas com base em seminários apenas, geralmente nesses casos os alunos mal estudam por livros, apenas se preparam para os seminários. Eu não gosto desse modelo de obtenção de nota porque eu não me sinto estudando de fato. Seminários são bons, mas nada como provas para fazer com que os alunos estudem a teoria do assunto.

Em contrapartida, o curso presencial te oferece biblioteca física para você se aprofundar nos conteúdos estudados. Nas outras duas modalidades você tem que se acostumar a estudar pela tela do computador se for atrás de bibliografia complementar (alguns cursos disponibilizam o livro base no formato físico, mas outros apenas enviam o PDF).

Ultimamente eu tenho me estimulado mais a estudar para os cursos não presenciais, até porque a maioria das disciplinas presenciais estão adotando esse modelo de apenas seminário para obter nota e só assistir as aulas já é o suficiente para se sair bem, você só precisa tirar algumas horinhas para montar a apresentação e pronto.

Se o seu foco é seguir a área acadêmica, sugiro que você opte pelo curso presencial, pois é lá onde você terá mais contato com os professores que poderão te orientar e nada como conversar pessoalmente para trocar ideias e sugestões. Não é que seja impossível fazer isso nos cursos à distância, mas é mais difícil.