Eu fui: XII Bienal Internacional do Livro do Ceará

Ontem, dia 15 de abril, aproveitei o sábado lá na Bienal do Livro de Fortaleza, o evento deveria ter ocorrido no ano passado (para cumprir a periodicidade bienal), mas devido a alguns problemas financeiros alegados na época, o evento foi prorrogado para esse ano e só digo uma coisa: super valeu a pena esperar um pouco mais.

A bienal desse ano estava maior, com mais stands de livros e com atrações imperdíveis.

No sábado, o dia que eu fui, houve três mesas que me empolgaram muito para assistir, que foram: Lira Neto e Tércia Montenegro, Socorro Acioli e Luiz Ruffato e Valter Hugo Mãe e Claudene Aragão. Uma pena enorme que não consegui pegar a apresentação do Valter Hugo Mãe, pois já era tarde e eu precisei vir embora, mas as outras duas mesas foram muito boas, divertidas e emocionantes.

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A mescla de autoras cearenses com autores sulistas foi muito gratificante, pois de um lado tivemos o lado mais frágil da literatura (não no quesito qualidade, mas no quesito visibilidade): cearense e mulher e do outro, homens sulistas, o resultado? A conversa foi tão agradável que nem deu para notar qualquer diferença, eram escritores fazendo o que todos nós, que estávamos lá, amamos: falar sobre literatura.

Lira Neto faz Jornalismo Literário e é publicado pela Editora Companhia das Letras, seus mais recentes trabalhos são: História do Samba e a Biografia de Getúlio Vargas, seu site é: http://www.liraneto.com/.

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A Tércia Montenegro escreve para o Jornal O Rascunho, é professora da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Ceará e o seu trabalho mais recente é Turismo para cegos, publicado pela Companhia das Letras. Blog pessoal da autora: https://literatercia.wordpress.com/.

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A Socorro Acioli é cearense, assim como a Tércia, jornalista de formação, tem uma coluna semanal no jornal O Povo, ministra oficinas (ateliês, como ela prefere chamar) sobre escrita criativa e a sua obra mais recente é A cabeça do santo, publicado pela Companhia das Letras. Engraçado que a Socorro escreve sobre causos cearenses e o mítico popular que é tão rico nas bandas de cá, os estudiosos enquadram sua obra em Realista Fantástico, mas nada mais é do que a realidade por aqui (Moreira Campos e Caio Porfírio Carneiro que o digam). Blog da autora (está desatualizado): https://socorroacioli.wordpress.com/.

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O Luiz Ruffato é mineiro, colunista do jornal El País, onde escreve sobre política atual, sua formação é em mecânica e quando se apaixonou pela Literatura não pensou duas vezes em trabalhar com isso. Seu trabalho mais recente é o Inferno Provisório, publicado pela Companhia das Letras. Interessante que Ruffato fez um micro guia sobre a Literatura Brasileira há um tempo e ao falar sobre a Literatura Cearense (sim, apesar de curto, o texto é bastante rico, pois enumera autores de todas as regiões brasileiras) ele elenca quatro escritoras que estão fazendo bonito por aqui e duas delas são: Tércia Montenegro e Socorro Acioli. Foi muito amor numa tarde só. Blog pessoal do autor onde ele comenta suas leituras: http://lendoosclassicosluizruffato.blogspot.com.br/.

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Em relação a compras, aproveitei pouco, pois os stands de R$10,00 estavam super-hiper-mega-power lotados, pois tinham livros que estão no auge, como O orfanato da srta. Peregrine para crianças peculiares e Star Wars. Citando esses dois títulos já deve dar para imaginar a loucura que estava por lá.

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Aproveitei para completar a série Desaparecidos da Meg Cabot, eu só tinha o primeiro volume e encontrei os outros três por R$10,00 cada (não foi no stande específico desse preço, pasmem!), o que me deixou bem surpresa já que os livros da autora são bem salgadinhos aqui no Brasil.

Comprei também três livros técnicos que poderão ser úteis na minha faculdade, que foram: Comunicação Corporativa, do Rivaldo Chinem, Marketing no Brasil, do Riccardo Morici, e A economia irracional, organizado por Paul Slovic. Para quem não sabe, eu curso Secretariado Executivo na UFC.

Havia stands de Universidades brasileiras, como a UFMG, a UFC e a UNICAMP; de editoras grandes, como a Panini e a Companhia das Letras. Sem contar nos stands temáticos: cultura italiana e espanhola, religiosos, regionalista (o cordel, como sempre, estava bem chamativo) e infantil.

A exposição de livros ficava no térreo, no primeiro andar havia salas temáticas com exposições bem interessantes, como miniaturas, robôs, fósseis e apresentações circenses, uma pena que o tempo não me permitiu visitar essa ala. O segundo andar inteiro foi usado para as apresentações dos autores visitantes. O evento está sensacional.

A XII Bienal Internacional do Livro do Ceará está acontecendo no Centro de Eventos do Ceará, do dia 14 ao dia 23 de abril. 🙂

Leia Mulheres CE | dezembro

Em 2014 a americana Joanna Walsh propôs um projeto para ler mais autoras durante o ano, intitulado #readwoman2014 (#leiamulheres2014) a ideia era ler mais livros produzidos por mulheres ao longo daquele ano.

A iniciativa deu tão certo que a ideia saiu dos Estados Unidos e perdurou pelos anos seguintes, afinal de contas por que ler mais mulheres apenas em 2014? No Brasil o Leia Mulheres vem ganhando proporções consideráveis e levando clubes do livro mensais a vários estados do país.

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Em Fortaleza o projeto tem cerca de um ano e meio, acontece sempre no último sábado de cada mês e os encontros são mediados pela Alessandra Jarreta, estudante de Letras na Universidade Federal do Ceará.

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Em dezembro (o evento ocorreu um pouco antes do último sábado por causa das festividades de final do ano) o livro discutido foi o “A guerra não tem rosto de mulher”, da ucraniana Svetlana Aleksiévitch, que traz a Segunda Guerra Mundual sob a perspectiva das mulheres que participaram do Exército Vermelho.

Ao final do evento desse mês houve amigo secreto, claro que no mês do natal não poderia faltar, em?! Ganhei o Hibisco Roxo, da Chimamanda Ngozi Adichie, o que foi só amores porque há meses eu o desejava. ❤

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Casa do papai Noel e teatro de rua em Maranguape

Hoje, 12 de dezembro, aconteceu na praça Capistrano de Abreu, no centro de Maranguape, a apresentação do espetáculo O boi e o burro a caminho de Belém organizado pelo Grupo Renascidos do Espírito Santo, da Igreja Católica do bairro Novo Maranguape. O evento trouxe a apresentação teatral que contou o nascimento de Cristo sob a perspectiva de dois animais do estábulo em que Jesus nasceu e números de dança, com grupo de coreografia e solo de ballet.

Essa apresentação marcou o segundo dia do Natal Mágico 2015 de Maranguape, que acontecerá até o dia 23 de dezembro.

Aproveitei a oportunidade para visitar também a casa do papai Noel, montada na praça Capistrano, onde crianças, jovens e adultos aproveitam para tirar uma foto com o “bom velhinho” e se encantar com a decoração natalina de sua casa.

A árvore de natal da casa do papai noel tinha aquela decoração clássica, com enfeites que remetem a data, mas recebeu um toque especial de itens artesanais em tecido, como você pode ver na foto abaixo.

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Decoração artesanal da árvore de natal da casa do Papai Noel

Quem tiver interesse em levar a criançada para tirar uma foto com o papai Noel, conhecer a casa do bom velhinho e curtir as festividades, confira a programação:

DIA 13:

18h – Marcha para Jesus

DIA 14:

19h – Orquestra Jovem de Maranguape

DIA 15:

19h – Encontro de Corais – Núcleo de Artes da FITEC e Projeto ARTE ESCOLA da Secretaria de Educação;
20h – Recital da Igreja Assembleia de Deus – teatro, danças e coral.

DIA 16:

19h – Apresentação dos alunos do curso Formação em Dança Infantil do NUDAC/FITEC, coordenado pelo professor Tiago Mattos;
20h – Apresentação do Pastoril Estrela Guia da Lagoa do Juvenal, coordenado pela folclorista e professora Terezinha Vidal.

DIA 17:

19h – Apresentação do pastoril da Escola Rio Grande do Norte;
20h – Apresentação Musical com os alunos da Escola de Música Arte e Cultura.

DIA 18:

18h:30 – Apresentação de Trovas e Poesias da União Brasileira de Trovadores – UBT,
19h30 – Apresentação do Pastoril Jesus Amado da comunidade dos Altos de Itapebussu.

DIA 19:

19h – Apresentação do grupo de violões do NUDAC – FITEC;
20h – Apresentação do pastoril Bordados de Luz da Cachoeira, coordenado pela Graça Timbó.

DIA 20:

19h- Recital natalino da Banda Maestro João Inácio da Fonseca.

DIA 21:

19h – Apresentações Natalinas com as de banda de fanfarra: Bamac, Baman e Banda Marcial José Fernandes Vieira.

DIA 22:

19h – Apresentação do grupo de sanfonas do NUDAC – FITEC e apresentação dos alunos do curso de Dança de Salão do Pólo e Atendimento Antônio Luiz Coelho.

DIA 23:

19h – Auto de Natal – Apresentação dos alunos dos corais Arte Escola e Núcleo de Artes – FITEC.

Você pode clicar nas imagens para vê-las em tamanho aumentado. 

Exposição “O Quinze, de Rachel, como eu o vi”

Durante a primeira semana de dezembro estava disponível na biblioteca do Centro de Humanidades da Universidade Federal do Ceará (UFC) a exposição O Quinze, de Rachel, como eu o vi, uma iniciativa do grupo Iluminuras.

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Informações sobre a exposição em bordado

O grupo Iluminuras tem inspiração nas tradições medievais de contar estórias por meio da criação de imagens, eles recontam a Literatura com a criação de bordados. A proposta do grupo começou como uma homenagem ao centenário de nascimento do contista cearense José Maria Moreira Campos. Em 2015, a homenagem foi aos 85 anos da obra clássica de Rachel de Queiroz, O Quinze.

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Texto feito em bordado manual
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r Retrato de Rachel de Queiroz em bordado artesanal

A exposição contou com a criação de 20 bordadeiras que participam de uma espécie de clube de leitura como base para a criação das peças. Com coordenação das professoras Neuma Cavalcante e Odalice Castro e apoio do Museus da Imagem e do Som, o clube de leitura e curso de “bordado literário”já tem o cronograma para o ano de 2016:

  • 2016.1: A casa, de Natércia Campos;
  • 2016.2: O recado do morro (Corpo de Baile), de João Guimarães Rosa.

O que achei mais bacana do grupo foi a dedicação aos autores locais, um incentivo muito bacana para ler e trabalhar artisticamente tais obras.

Ao chegar ao local da exposição o visitante logo é recebido por uma decoração caprichada feita com peças bordadas, informações sobre a obra trabalhada e elementos da cultura cearense.

 

Os quadros feitos pelas artesãs estavam dentro do auditório da biblioteca e continha uma imagem para cada capítulo do livro. Não preciso nem ressaltar que os quadros que representavam a morte do menino Josias me comoveram, essa é uma das partes do livro mais emocionantes para mim e foi muito bacana essa experiência de reviver tais sentimentos por meio do artesanato local.

Foi inspirador visitar a exposição, primeiramente por conhecer artesãs que se dedicam ao bordado usando a literatura como temática para seus trabalhos e em segundo, poder rever a estória de um livro tão maravilhoso sob outra perspectiva. Ah, claro, e por se tratar de uma obra da Literatura Cearense, que tanto anseio por conhecer mais e melhor.

Após a exposição os quadros estarão disponíveis para visitação no Museu da Imagem e do Som, localizado na Av. Barão de Studart, 410, em Fortaleza.