Projeto de leitura | O mito da beleza | Cap. 2 – Trabalho

Esse post faz parte do projeto de leitura do livro O mito da beleza, de Naomi Wolf.

Nesse capítulo, a autora levanta a questão do uso da beleza como parte integrante do sistema econômico, uma espécie de moeda de troca. Pois, conforme as mulheres conquistavam seu espaço e adquiriam poder, mais beleza o sistema exigiu como forma de prejudicar seu progresso.

Antes, a beleza era fundamental para garantir um bom matrimônio e hoje a beleza continua sendo requisito para que a mulher conquiste algo, nesse caso agora, o próprio trabalho. Essa nova exigência mercadológica vem em resposta a competência feminina, a autora levanta vários dados em que as mulheres com ferramentas piores do que a dos homens, conseguem produzir a mesma quantidade que eles e se forem disponibilizadas ferramentas iguais, elas chegam a produzir até cinco vezes mais do que o padrão masculino. Isso fica bem claro no sistema fabril do século XIX, em que as mulheres trabalhavam bem mais e recebiam bem menos do que os homens, não existia trabalho que não pudesse ser executado pelas mulheres.

“embora as mulheres representem 50% da população mundial, elas cumprem quase dois terços do total de horas de trabalho, recebem apenas um décimo da renda mundial e possuem menos de 1% das propriedades” P. 43

E tem mais, se o trabalho doméstico realizado pelas mulheres passasse a ser remunerado, a renda familiar aumentaria em cerca de 60%. Muitas pessoas têm dificuldade de enxergar o trabalho doméstico como trabalho de fato, isso advém de uma tradição em voga por volta da década de 50, em que apenas os homens exerciam o trabalho remunerado, as mulheres apenas ficavam em casa “fazendo nada”. Embora o trabalho doméstico seja necessário e tome um tempo que a pessoa poderia investir em outra coisa, como estudos ou algum hobby. Se as mulheres cobrassem o equivalente a TODO trabalho que ela executa, o sistema financeiro estaria falido.

O trabalho doméstico é tão desvalorizado que quando uma mulher tem recurso financeiro para tal, a primeira coisa que ela faz é contratar uma mulher mais pobre para exercer uma atividade que ela não quer realizar a troco de nada. Ao diminuir a sobre carga do trabalho feminino, aumentando, assim seu nível de produção, foi necessário criar um novo grilhão que tornasse a mulher insegura e lutando por algo inalcançável, o padrão de beleza.

Vistas como uma mão de obra baseada em submissão e beleza, algumas profissões foram estabelecidas pautadas nesses critérios, como recepcionistas, secretárias, comissárias de bordo… Em que a beleza é quesito fundamental. E quanto mais sucesso profissional uma mulher possui, quanto mais ela ascende em sua carreira, mais cuidado com a beleza a sociedade exige dela. Parece algo que foi estruturado para desestabilizar o emocional delas, “você pode até ter chegado ao todo da carreira, mas nunca será magra ou bonita o suficiente”.

Isso leva a outro ponto de discussão, as mulheres trabalham mais, recebem menos e ainda precisam gastar parte do dinheiro com produtos de beleza (cremes e maquiagem) para garantir o seu status quo no ambiente de trabalho. As empresas querem recepcionistas lindas, mas não bancam a make da Mary Key para as funcionárias, tem que sair do bolso delas. E o pior, as profissões tidas como femininas ainda são sexualizadas, diminuindo ainda mais a credibilidade do trabalho feminino.

A autora relata, ainda, vários casos em que as mulheres perderam o emprego ou foram sentenciadas judicialmente por ter engordado, perdendo as características necessárias ao seu cargo.Vocês já repararam que nos jornais, em geral, os apresentadores são: um homem mais velho com ar de sabedoria e maturidade e ao lado uma mulher jovem que ao envelhecer é trocada por outra mais nova?

Engraçado que enquanto algumas mulheres perdem o emprego por estar fora dos padrões de beleza, quando essa mulher é muito bonita, logo se tem no imaginário popular que ela só conseguiu o emprego por causa desse atributo. Nunca se leva em consideração a competência?

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O mito da beleza | Capítulo 1

Olá, leitores!

Nesse primeiro capítulo, a autora traça uma linha de raciocínio para explicar o que é o Mito da Beleza, como ele surgiu e qual o seu papel na sociedade atual. Podemos perceber que a autora opta por falar sobre uma classe média branca que se enquadra nessas características de luta para sair da efemeridade da vida no lar e ganhar seu espaço no mercado de trabalho.

Desde o renascimento do feminismo, as mulheres ganharam espaço no mercado de trabalho e quebraram tradições quanto ao seu papel social, mas estariam as mulheres realmente livres?

Historicamente, a família era um sistema de produção e a mulher contribuía com sua força de trabalho colhendo verduras ou ordenhando a vaca para vender leite no mercado. Com a Revolução Industrial, as mulheres passaram a ser “domesticadas” devido a sua ociosidade. Mulheres alfabetizadas passaram a gastar o seu tempo com revistas femininas, com beleza e com os cuidados de casa.

As revistas de 1830 e 1840 começaram a estabelecer o “padrão desejado de beleza” e a “preocupação com a beleza” passou a ser algo natural para o universo feminino. A partir daí o estereótipo almejado pelas mulheres tornou-se algo utópico, sendo o ideal de dona de casa perfeita ou a mulher contemporânea que além de ter várias responsabilidades ainda precisa se desdobrar para ter o corpo de uma modelo de 20 anos. Isso provoca uma insegurança enorme nas mulheres que não conseguem atingir tal padrão de beleza, aumentando o auto ódio e a incessante jornada de tentar burlar o curso natural da vida, a velhice.

Uma mulher que equilibra seu tempo entre o trabalho, os estudos e a família, sim, aquela típica mãe de comercial de margarina, pode esconder uma sub-vida de opressão e de ódio ao próprio corpo.

O envelhecimento natural parece um vilão na vida das mulheres. Enquanto os homens mais velhos ganham o título de charmoso e de maduro, mas mulheres que não escondem seus sinais da idade é tida como desleixada. Essa imagem culturalmente enraizada advém de um medo coletivo de mulheres sábias e não é à toa que as bruxas, com sua figura de mulher velha, era vista como má e precisava ser queimada na fogueira.

A 2° onda do feminismo libertou as mulheres da domesticação no lar, mas a sociedade arranjou um jeito de continuar oprimindo as mulheres, agora as tornaram refém de uma neura em relação ao corpo que desgasta o psicológico e o emocional dessas mulheres que estão ocupando o seu espaço no trabalho, nas universidades e nas relações familiares. Quando as mulheres enfim conseguem caminhar com seus próprios passos, a sociedade exige algo mais… além de fazer tudo isso, você ainda precisa parecer uma modelo.

E não é de se admirar que quando alguém que atacar a luta das mulheres ou desmerecer algum trabalho seu, logo atacam a aparência física. “As feministas são masculinas” ou “A fulana pode até ser boa no que faz, mas precisa ser mais feminina”. Isso porque o mito da beleza atua como ferramenta de controle social, uma vez que as mulheres romperam com suas antigas amarras.

Projeto de Leitura | O mito da beleza

Olá, leitores!

Hoje trouxe para vocês um projeto de leitura conjunta para o livro O mito da beleza, da Naomi Wolf.

Esse livro foi escrito em 1991, mas mesmo depois de quase 30 anos ele permanece atual e presente no cotidiano de todos.

As lutas feministas muito avançaram ao longo dos anos e diversas conquistas foram realizadas. Hoje, muitas mulheres conseguiram se libertar da opressão do fogão e sair à luta de seus direitos e de seu espaço, mas infelizmente a maioria ainda é escrava do espelho. Por isso, a leitura desse livro é fundamental.

O intuito da autora ao escrever esse livro foi tentar desconstruir os mitos pessoais de beleza que nos colocamos como meta e mostrar que a mulher pode escolher a aparência que deseja ter sem obedecer a imposições do mercado e da indústria da beleza, ou seja, proporcionar uma consciência de beleza para que a mulher possa distinguir o que lhe está sendo imposto e decidir se realmente quer acatar ou tal tal característica.

Falar sobre o mito da beleza é necessário, pois esse padrão idealizado é responsável pela morte de jovens na mesa de cirurgia plástica clandestina ou pelo desenvolvimento de distúrbios alimentares.

Tem-se no imaginário popular de que as mulheres que criticam o mito da beleza estão fora do padrão (são gordas, feministas, feias, lésbicas, não brancas), mas a luta pelo fim dessa opressão é de todos, pois hoje até mesmo os homens estão sendo escravizados pelo ideal de beleza, cada vez mais vemos revistas masculinas que impõem um estilo, um corpo padrão, sem contar que os procedimentos estéticos também os alcançaram.

É incrível como o ideal de beleza sempre foi e sempre será inalcançável, pois ele é mutável ao longo do tempo. Isso porque ele sempre será usado contra as mulheres. Vejam só, se uma mulher resolve se dedicar a algo que não seja a beleza, podemos citar o seu lado profissional ou acadêmico, mesmo que ela seja a melhor naquilo, se ela não estiver no padrão de beleza, justamente isso será apontado “mas bem que ela poderia usar umas roupas mais femininas”, “ela se garante, mas deveria fazer as sobrancelhas”.

Então, é isso. Tudo o que eu comentei aqui está na apresentação e na introdução desse livro. Se vocês se interessaram, convido-os para participar desse projeto de leitura. 🙂

Vamos ao cronograma:

Cronograma semanal

Os livros para os clubes literários em fevereiro

Olá, leitores!

Hoje vou mostrar os três livros que pretendo ler em fevereiro para os clubes literários que estou participando.

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  1. VOX, de Cristina Dalcher (Net Book Club)
    O primeiro livro é o VOX, uma distopia em que as mulheres só podem falar 100 palavras por dia. Vamos ler para o Net Book Club, grupo de leitura no Instagram organizado pela Cláudia, do blog A mulher que ama livros.
  2. Maria Bonita – sexo, violência e mulheres no cangaço, de Adriana Negreiros (Leia Mulheres Fortaleza)
    O Maria Bonita leremos no Leia Mulheres de Fortaleza, ele conta a história da rainha do cangaço, estou super ansiosa para lê-lo!
  3. Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley (Clube dos Clássicos Vivos)
    O Clube dos Clássicos Vivos é um grupo de leitura organizado no GoodReads, também organizado pela Cláudia do A mulher que ama livros. Lá é um livro a cada dois meses, então eu já comecei a leitura desse e pretendo concluir agora em fevereiro.

Vocês participam de algum projeto/ clube literário?

 

Leia Mulheres | janeiro e fevereiro de 2019

Olá, leitores!

Como sempre, o final do ano é recheado de expectativas para novas metas e desafios literários. A mesma aflição de ver desafios não cumpridos e a corda bamba dos novos compromissos.

No ano passado eu quis participar do Leia Mulheres da cidade vizinha a minha, mas 365 dias se passaram e eu não fui a nenhum dos 12 encontros. “Desonra para mim, desonra para minha vaca”.

Seguimos sorrindo e bola pra frente.

Janeiro

Em 2019, o primeiro livro que será discutido no Leia Mulheres de Fortaleza é o Eu sei por que o pássaro canta na gaiola, da Maya Angelou.  O encontro ocorrerá no dia 26 de janeiro, na Livraria Cultura, às 18h.

eu sei pq o pássaro RACISMO. ABUSO. LIBERTAÇÃO. A vida de Marguerite Ann Johnson foi marcada por essas três palavras. A garota negra, criada no sul por sua avó paterna, carregou consigo um enorme fardo que foi aliviado apenas pela literatura e por tudo aquilo que ela pôde lhe trazer: conforto através das palavras. Dessa forma, Maya, como era carinhosamente chamada, escreve para exibir sua voz e libertar-se das grades que foram colocadas em sua vida. As lembranças dolorosas e as descobertas de Angelou estão contidas e eternizadas nas páginas desta obra densa e necessária, dando voz aos jovens que um dia foram, assim como ela, fadados a uma vida dura e cheia de preconceitos. Com uma escrita poética e poderosa, a obra toca, emociona e transforma profundamente o espírito e o pensamento de quem a lê.

Ah, existe um documentário na Netflix sobre a vida da autora, o Maya Angelou, e ainda resisto

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Fevereiro

Em Fevereiro, o livro em pauta será o Maria Bonita – Sexo, violência e mulheres no cangaço, de Adriana Negreiros. O encontro ocorrerá no dia 23 de fevereiro, às 18h, na Livraria Cultura.

maria bonitaA mulher mais importante do cangaço brasileiro, que inspirou gerações de mulheres, ganha agora sua biografia mais completa e com uma perspectiva feminista. Embora a mitificação da imagem de Maria Bonita tenha escondido situações de constante violência, ela em nada diminui o caráter transgressor da Rainha do Sertão.Desde os anos 1990, a data de nascimento de Maria Bonita passou a ser celebrada no Dia Internacional da Mulher. Com o tempo, ela transformou-se em uma marca poderosa, emprestando seu nome a centenas de pousadas e restaurantes espalhados pelo Nordeste, salões de beleza, academias de ginástica, cerveja, pizza, assentamento rural, música, bandas de forró e coletivos feministas.Enquanto a companheira de Lampião viveu, no entanto, essa personagem nunca existiu. A cangaceira que teve a cabeça decepada em 28 de julho de 1938 era simplesmente Maria de Déa: uma jovem de 28 anos que morreu sem jamais saber que, um dia, seria conhecida como Maria Bonita.Nos anos em que viveu com Lampião e nos subsequentes à sua morte, despertou pouco interesse em pesquisadores ou jornalistas. E foi essa lacuna de informações sobre sua vida e a das outras jovens que viviam com o bando que contribuiu para que se criasse a fantasia de uma impetuosa guerreira, hábil amazona do sertão, uma Joana D’Arc da caatinga. Essa versão romântica e justiceira de Maria Bonita, rapidamente apropriada pela indústria cultural, tornou-se um produto de forte apelo comercial ― e expandiu seus limites para além das fronteiras do sertão. Neste livro, Adriana Negreiros constrói a biografia mais completa até então daquela que é, sem dúvidas, a mulher mais importante do cangaço.

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Bom, tentarei ir aos dois encontros e deixo aqui o convite para quem quiser/puder ler e/ou participar do encontro.  ❤

Liberta-me (Shatter me #2), de Tahereh Mafi

MAFI, Tahereh. Liberta-me. Ribeirão Preto: Novo Conceito, 2013.

Olá, leitores!

Depois de exatos cinco anos de que li o primeiro volume da trilogia Estilhaça-me, dei uma chance à continuação da história. Lembro que eu não tinha gostado muito do final do primeiro livro e isso me fez desanimar em ler os próximos, mas com o projeto ‘tirando a poeira’ resolvi dar uma chance a Liberta-me.

Liberta-me acontece dentro do Ponto Ômega, uma espécie de refúgio para pessoas com dons, que nada mais são do que poderes especiais do tipo super força, invisibilidade e etc. A protagonista Juliette está tentando se adaptar a ver sua condição como algo positivo enquanto que precisa resolver sua conturbada vida amorosa.

Vamos por partes. Os personagens principais dessa história são adolescentes em uma faixa etária entre 15 e 20 anos, são bem jovens e uma das principais preocupações deles é estar com o amor da sua vida e coisas do tipo. A Juliette, em específico, não tem experiência alguma em relacionamentos sociais e se vê agora tendo amigos e namorado, algo totalmente novo.

O triangulo amoroso da história é muito bonitinho e é válido lembrar que estamos lidando com um livro jovem adulto, então o seu foco principal é sim o romance e o cenário distópico é só o pano de funo. Entendo a proposta da autora, mas creio que isso acabou tornando a história MUITO superficial, pois a Tahereh tem um baita conteúdo a explorar que são pessoas com poderes especiais numa sociedade distópica e enquanto o mundo está um caos, estamos presos no Ponto Ômega compartilhando os conflitos internos da Juliette sobre não poder beijar o namorado. Bem desestimulante em certo aspecto.

Ok, mas deixando de lado a falta que senti em ler sobre formação social e política desse cenário que a autora propôs, temos a mente da Juliette que é depressiva e insegura. A partir dessa perspectiva acompanhamos seu romance que mais parece novela da Globo, mas não digo isso em um sentido pejorativo, pelo contrário, a narrativa da autora é tão viciante que eu PRECISAVA virar as páginas para saber o que aconteceria em seguida.

Então, senti falta de vários elementos que enriquecessem a história, mas entendo a proposta da autora e concluo dizendo que como romance jovem adulto esse segundo livro é maravilhoso, mas como distopia nem tanto.

O que teremos no Clube de Leitura feminista de Fortaleza para 2018

Olá, leitores!

Como falei para vocês no vídeo de metas para 2018, pretendo participar do Clube de Leitura Feminista de Fortaleza no ano que vem, então resolvi trazer a lista dos livros que serão lidos nos próximos meses.

Janeiro: Mulheres, raça e classe – Angela Davis

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Fevereiro: Mulheres, cultura e política – Angela Davis


Março: Reivindicação dos direitos da mulher – Mary Wollstonecraft

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Abril: História secreta da mulher maravilha – Jill Lepore

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Maio/Junho: Mulheres que correm com os lobos – Clarissa Pinkola

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Dos livros propostos para os primeiros encontros, eu já estava planejando ler em breve. Os dois da Angela Davis já comprei na Amazon e estou esperando chegar, o da Jill Lepore ganhei no meu aniversário desse ano (que sorte!) e os outros dois tentarei adquirir em breve. 🙂

Aos poucos trarei mais notícias sobre os encontros, mas posso adiantar que a primeira reunião acontecerá no dia 13 de janeiro, às 18 h, lá na Livraria Cultura do Varanda Mall.