Ontem eu chorei…

Sempre fui uma entusiasta da Educação formal. Meus olhos brilham ao entrar numa sala de aula, amo ensinar e aprender. Quero muito trabalhar lecionando em algum futuro próximo.

Essa minha paixão me deixou mal, super mal, nesse último final de semana. Isso por causa do cenário político atual do Brasil, o corte de verbas para a Educação me fez chorar sem esperança para o futuro.

Do que adiantaria minhas horas sentada numa cadeira estudando geografia se é capaz de nem existir mais Universidade quando eu conseguir entrar na Licenciatura?! Não consegui mais estudar, sempre que sentava me batia essa ansiedade. Repousei o lápis e fui me distrair.

Hoje, segunda-feira, me vejo como uma resistência melancólica. Preciso de força.

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‘Tempo, mano velho’

Você já parou para imaginar “o que eu estaria fazendo agora se fosse 20 anos atrás?”, calma, vou explicar.

Quando estou nas redes sociais, principalmente rolando a linha do tempo do Instagram ou aguardando alguém responder a uma mensagem no WhatsApp, me sinto perdendo um valioso tempo e a sensação de “eu poderia estar fazendo outra coisa” toma conta de mim.

Dá pra imaginar o que as pessoas por trás dos perfis estariam produzindo na vida real se não estivessem dedicando tanto tempo para atualizar as redes sociais? Quanto tempo uma InstaFIT gasta tirando fotos e falando do seu treino ou do que está comendo? Não teria mais tempo para o treino ou o concluiria mais rapidamente se focasse na sua atividade? O tempo gasto no Studygram para escrever um texto motivacional ou para escolher as canetas que comporão a foto, não influenciaria no rendimento do estudante caso estivesse estudando ao invés de estar se preocupando com essas mesquinharias que as redes sociais impõem ?! Será que todo o tempo que gastamos nas redes é realmente necessário?

Certa vez escrevi sobre ter tempo para ler e os pequenos deslizes que roubam o nosso tempo (você pode conferir AQUI). A questão do tempo perfaz a realidade da nossa sociedade atual, gastamos tempo com coisas sem muita importância e nos encontramos atolados e sobrecarregados nas responsabilidades.

A nova temporada da série que assisto saiu na semana passada e gastei todo o meu final de semana “maratonando” para ficar por dentro da continuação da saga. A consequência? Deixei de estudar o que tinha proposto no meu cronograma, agora preciso realocar essas horas de estudo durante minha semana já tão abarrotada de coisas.

E se esse final de semana fosse há vinte anos? Eu não teria Netflix, talvez tivesse sentado para estudar e cumprido os meus objetivos, não existiria o Smartphone para roubar minha atenção, nem parte do meu tempo. Qual seria a possível distração da época? Nos tornamos menos produtivos pelo excesso de tecnologia no cotidiano? Só me vem em mente a imagem da Rory Gilmore, que foi a inspiração de estudo para muitas jovens na década de 90, poderíamos ser tão disciplinada como ela?

É certo que a inserção da tecnologia alavancou o desenvolvimento humano, realizamos tarefas com mais praticidade e agora temos o mundo de informações e possibilidades na palma da mão. Quando, mais especificamente, começamos a nos afogar nessa maravilha que possuímos hoje?

Sinto a necessidade, cada vez mais recorrente, de administrar melhor o meu tempo para deixar de lado essa angústia de desperdício ao acessar as redes sociais. Preciso mesmo compartilhar que estou na academia, que estou estudando, que comprei um livro novo e que tomei sorvete?

A tal da sociedade do espetáculo além de roubar as relações interpessoais reais também toma mais tempo do que devia só para “assistir” o outro, o que nos torna diretamente menos protagonista da nossa própria vida. Podemos investir melhor o nosso tempo? Será que realmente é só uma breve checada no celular?

Desde que sentei para escrever esse texto, parei várias vezes para checar o Instagram sem necessidade alguma. Eu preciso melhorar. Poderia ter concluído o texto mais rapidamente ou ter escrito mais alguma outra coisa, sei lá.

Sou fruto do que a cultura pop me proporciona

Enquanto eu estava no corredor da tentação da Riachuelo (entenda corredor da tentação como aquele mini labirinto cheio de produtos em que você caminha lentamente até chega ao caixa), fiquei ensandecida com a quantidade de itens legais e “baratinhos” que tinha ali. Fones de ouvido da mulher maravilha, porta óculos do Harry Potter, lancheira do Star Wars, dentre diversos outros produtos inspirados nos personagens dos filmes atuais e retrô que estão na moda.

Itens tão baratinhos que fui pegando aos poucos e quando me dei conta estava com cinco produtos em que a soma já chegava próximo a R$ 100,00, refleti, então, o que eu realmente queria, para diminuir aquela quantidade. Primeiro pensei na utilidade dos produtos, o que eu realmente iria utilizar no meu cotidiano, descartei os mini pegadores do Star Wars que só serviriam para ocupar espaço na minha gaveta porque com certeza eu morreria de pena de usá-los. Logo em seguida parei para pensar nos personagens que realmente tinham relação com a minha personalidade, os que eu realmente me inspiravam.

Essa rápida seleção me deixou em choque ao perceber que nenhum desses itens eu realmente precisava. Tenho bolsinhas, fones de ouvido, lancheira, garrafinha na medida do que preciso em casa, então para que eu levaria mais um? Se por causa de uma figura que eu gosto, qual a lógica de levar para casa? Eu não preciso de um objeto com uma figura para me lembrar que eu gosto de uma saga, eu apenas gosto e me identifico com ela por N motivos.

Meu consumismo me levaria a comprar quase cem reais em produtos que eu não estou precisando só por causa de personagens da cultura pop que eu gostei de assistir. Sério, cem reais em livros me levaria a universos incríveis e me proporcionaria muito mais diversão do que a garrafinha da Corvinal e a bag do Darth Vader.

Nesse mesmo dia comprei marcadores de página em tecido da Frida Kahlo e do símbolo do feminismo, fiz as mesmas indagações e cheguei a conclusão de que os marcadores eram realmente úteis, pois eu usaria com frequência. Sobre as imagens que estão em “alta”? Ambas me trazem mensagens de determinação, luta e coragem, não são apenas figuras vazias.

Desconstrução de uma leitora

Em 2018 não estipulei lista de livros a ler, muito menos números de volumes ou de páginas. Estou em processo de libertação do quantitativo e em busca do qualitativo.

Não quero mais a bendita meta de ler um por semana ou a de ler 50 páginas por dia, estou mais em busca do prazer da leitura, nem que ela utilize dois meses no mesmo livro, não me importo.

A grande questão não está centrada em elevados números de livros lidos, já que eu nunca concluí 60 lidos em um ano e considero 100 um número inalcançável ao levar em consideração minha rotina. O cerne dessa transformação que busco é simplesmente me desapegar dos “lidos” e aproveitar os “lendo”.

Ler um excelente livro de 300 páginas que me trouxe muita reflexão ao longo de um mês é muito mais saudável para mim do que ler 6 livros que resultaram em 600 páginas que engoli para bater metas que estipulei por motivo de: sei lá, talvez para mostrar uma pilha de livros no instagram ou atualizar o meu Skoob.

Nunca deixarei de invejar quem consegue ler 100 livros durante o ano, eu estaria no céu se conseguisse o mesmo feito com louvor, mas não rendo tanto assim. Aqui vem o clássico “cada um tem o seu próprio ritmo/ tempo / necessidades”.

E esse povo de humanas que não pode ver questão problematizável que já começa a auto-desconstrução. Desculpa aí, mas meu lado leitor ainda está em (re)formação como tantos outros aspectos por aqui.

Minha tatuagem literária

Olá, leitores!

Pois é, fiz uma tatuagem na parte de trás do braço, escolhi uma pilha de livros com uma xícara e café em cima e a frase “felicidade clandestina”, que é o título de um conto da Clarice Lispector.

Significado

A pilha de livros e o cafezinho são itens óbvios: paixão e hobbie.

O principal motivo de eu ter escolhido esse título em detrimento de tantos outros foi a última frase do conto: “Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante”, sem contar que a Felicidade Clandestina me remete muito ao período em que eu lia escondida porque meu pai costumava me dizer que esses livros não me levariam a lugar algum, um período de adrenalina e deleite em palavras que resultou no meu primeiro blog literário (há males que vêm para o bem). ❤

tatuagem literária
Sim, esse caninho de PVC é meu braço. 🙂

 

A tatuadora

Fiz com a Marina Tavares, aqui mesmo em Maranguape, R. Manuel Paula, 227 (altos), e super indico o trabalho dela, além de estilosa, é competente, profissional e muito dedicada. ❤

A dor

Pensei que fazer tatuagem doesse bem mais. Entendo que esse nível de dor oscila a depender do local onde a tatuagem está sendo feita, mas o que eu senti foi como arranhões ou rápidas furadas de agulha, nada que me fizesse achar que meu braço cairia. E outro detalhe, quando começava a doer um pouco mais, ela parava e recomeçava, o que deu certo alívio. A letra mais próxima ao meu cotovelo foi a que eu mais senti, deu até aquele reflexo na perna, me senti o Chaves.

Cuidados

Estou lavando com asseptol diluído em água (coloquei já misturado em um borrifador) três vezes ao dia e usando uma fina camada da pomada Nebacimed. Uso plástico filme quando vou dormir ou andar de ônibus (medo de alguém passar com a mochila e levar parte do meu novo xodó, rs).

Ainda estou em processo de cicatrização, mas estou muito feliz com o resultado. Agora tenho uma tatuagem literária para chamar de minha.  ❤

 

Comprei um Kindle | Primeiras impressões

Olá, leitores!

Sempre fui defensora dos livros de papel, meu projeto de biblioteca é a prova disso. Achava que seria impossível ler sem sentir aquelas páginas passando entre meus dedos, observar o volume do livro correndo da direita para a esquerda conforme eu viajava, impossível seria viver sem cheiro de livro, pior ainda viver sem as cores que compõem a minha estante.

Quase todos os sentimentos de leitor apaixonado ainda permanecem por aqui, mas por incrível que pareça, eu fui capaz de concluir livros incríveis no formato digital e ainda desejo ter as obras em papel na estante. A paixão pelos livros não acaba quando se dá uma chance ao e-book, muito pelo contrário, ela amplia seus horizontes.

As flags são ótimos companheiros de leitura, bem como o bloquinho de notas em dupla com o lápis para eventuais anotações. Adereços não compatíveis com o formato digital, certo? Mais ou menos. O recurso de marcar e comentar passagens dos livros que o Kindle oferece é tão mais rápido e prático que eu cheguei a sentir falta da praticidade quando voltei ao papel (Estou me tornando preguiçosa devido ao mundo digital? Talvez sim, talvez não, assunto para outra pauta).

Além da facilidade para fazer anotações, mais dois detalhes que me encantaram foram: as inúmeras imagens de proteção de tela ❤ e a leveza do aparelho.

O fato é que o leitor digital me proporcionou ter vários livros que me custariam meses de salário, bem como espaços intermináveis na minha estante. Claro que as melhores leituras permanecem na minha lista de desejados, pois a paixão pelo livro de papel é incomparável.

Comprei meu Kindle usado, bem mais em conta, apenas para ver se eu me daria bem com o aparelho, se conseguiria ler no formato e tal. O resultado tem sido positivo, coloquei vários livros nele, vamos ver se continuarei com a mesma empolgação ao longo dos meses (se não é apenas frenesi de brinquedo novo).

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O que eu aprendi com How I Met Your Mother

Estou maratonando How I Met Your Mother por motivo de vai sair muito em breve do catálogo da Netflix.

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Os quatro personagens (sim, quatro, o Barney não conta) me encantaram, me deixaram com vontade de morar em Nova York e de ter amizades tão descontraídas quanto à deles… O de sempre quando se está viciada numa série. Até aí tudo ok.

Em um episódio específico da quarta temporada (vocês podem querer me matar por não lembrar o número do episódio) Lily dá uma lição em Ted, que quer planejar tudo em sua vida, desde a carreira aos encontros amorosos, ela fala pra o ele que a vida é feita de improvisos e que muitas vezes nós temos que pegar o que a vida nos oferece, usa como exemplo os sonhos de todos os amigos e como a vida os levou a caminhos tortuosos que… Bem, que deram certo de alguma maneira e isso não é motivo de vergonha.

Essas palavras da Lily caíram como uma luva para uma série de pensamentos que tenho tido sobre estudos, profissões e carreiras. Nós sempre recebemos incentivos e cobranças de que TEMOS que fazer faculdade e TRABALHAR na área de formação, ou melhor, temos que nos formar no curso dos nossos SONHOS e que todos nós temos um. Essa ideia é uma ilusão.

Às vezes você não se identifica com nenhum curso das faculdades próximas, outras vezes você se forma e detesta o trabalho ou até mesmo nem chega a trabalhar na sua área de formação, em tantas outras você sonha em fazer um curso X mas opta pelo Y por pensar no retorno financeiro e fica infeliz, ou você faz realmente o curso dos sonhos mas tem que fazer outro porque ele não deu o bendito retorno financeiro.

É engraçado como é forte essa coerção de que sonho, formação e dinheiro devem estar atrelados. Mas não podemos esquecer pessoas bem sucedidas que nunca concluíram um curso Universitário (Steve Jobs, só para ilustrar), trabalharam e conseguiram muito dinheiro. Em tantas outras vezes a pessoa é muito boa em algo e até estuda esse algo independentemente, mas é formada e trabalha com outra coisa porque não quer misturar o hobby ao profissional.

Parei para refletir nessa linha e percebi que cada um deve achar suas características, seus gostos, testar possibilidades e só então resolver como vai levar a vida. Frustrei-me durante muitos anos com esse tipo de coisa, mas hoje me sinto um pouco mais resolvida (pelo menos assim espero). Decidi que não vou parar de estudar para me qualificar profissionalmente e até mudei totalmente minha área de atuação, mas em paralelo jamais deixarei de estudar outras coisas que não se misturam com o meu emprego. Bom, eu gosto de estudar, gosto de ler Literatura, gosto de aprender, gosto de trabalhar com serviços administrativos e burocráticos. Eu sou assim e demorei a me encontrar.