Não olhe para o problema

Não Olhe para Cima - Poster / Capa / Cartaz - Oficial 1

“Don’t look up” foi lançado no dia 24 de dezembro de 2021 e o assisti no dia 30 por causa da enorme repercussão que vinha causando nas redes sociais, vários comentários a respeito do negacionismo diante de evidências científicas e o paralelo com a atual situação política do Brasil.

Fui assistir com a visão direcionada a esse aspecto, mas o que realmente chamou minha atenção foi a ansiedade.

O personagem do Leonardo Di Caprio, que precisa de Xanax para controlar seus ataques de ansiedade, me remeteu profundamente aos últimos ataques de ansiedade que tive, logo peguei uma simpatia por ele. Ao final do filme (sim, vem spoilers), quando ele, a família e os amigos estão sentados à mesa aguardando o fim do mundo e conversando banalidades representou o ideal, o ponto onde quero chegar.

Aproveitar o agora com as poucas pessoas que são realmente MUITO importantes pra você e não perder a cabeça com o que você não pode mudar/controlar. Enquanto houver chance, lute. Se não há remédio, remediado está. Be happy.

É claro que o filme fala sobre diversas outros assuntos, como manipulação em massa, família, tecnologia, etc, é uma obra bem complexa e ao mesmo tempo leve.

‘Tempo, mano velho’

Você já parou para imaginar “o que eu estaria fazendo agora se fosse 20 anos atrás?”, calma, vou explicar.

Quando estou nas redes sociais, principalmente rolando a linha do tempo do Instagram ou aguardando alguém responder a uma mensagem no WhatsApp, me sinto perdendo um valioso tempo e a sensação de “eu poderia estar fazendo outra coisa” toma conta de mim.

Dá pra imaginar o que as pessoas por trás dos perfis estariam produzindo na vida real se não estivessem dedicando tanto tempo para atualizar as redes sociais? Quanto tempo uma InstaFIT gasta tirando fotos e falando do seu treino ou do que está comendo? Não teria mais tempo para o treino ou o concluiria mais rapidamente se focasse na sua atividade? O tempo gasto no Studygram para escrever um texto motivacional ou para escolher as canetas que comporão a foto, não influenciaria no rendimento do estudante caso estivesse estudando ao invés de estar se preocupando com essas mesquinharias que as redes sociais impõem ?! Será que todo o tempo que gastamos nas redes é realmente necessário?

Certa vez escrevi sobre ter tempo para ler e os pequenos deslizes que roubam o nosso tempo (você pode conferir AQUI). A questão do tempo perfaz a realidade da nossa sociedade atual, gastamos tempo com coisas sem muita importância e nos encontramos atolados e sobrecarregados nas responsabilidades.

A nova temporada da série que assisto saiu na semana passada e gastei todo o meu final de semana “maratonando” para ficar por dentro da continuação da saga. A consequência? Deixei de estudar o que tinha proposto no meu cronograma, agora preciso realocar essas horas de estudo durante minha semana já tão abarrotada de coisas.

E se esse final de semana fosse há vinte anos? Eu não teria Netflix, talvez tivesse sentado para estudar e cumprido os meus objetivos, não existiria o Smartphone para roubar minha atenção, nem parte do meu tempo. Qual seria a possível distração da época? Nos tornamos menos produtivos pelo excesso de tecnologia no cotidiano? Só me vem em mente a imagem da Rory Gilmore, que foi a inspiração de estudo para muitas jovens na década de 90, poderíamos ser tão disciplinada como ela?

É certo que a inserção da tecnologia alavancou o desenvolvimento humano, realizamos tarefas com mais praticidade e agora temos o mundo de informações e possibilidades na palma da mão. Quando, mais especificamente, começamos a nos afogar nessa maravilha que possuímos hoje?

Sinto a necessidade, cada vez mais recorrente, de administrar melhor o meu tempo para deixar de lado essa angústia de desperdício ao acessar as redes sociais. Preciso mesmo compartilhar que estou na academia, que estou estudando, que comprei um livro novo e que tomei sorvete?

A tal da sociedade do espetáculo além de roubar as relações interpessoais reais também toma mais tempo do que devia só para “assistir” o outro, o que nos torna diretamente menos protagonista da nossa própria vida. Podemos investir melhor o nosso tempo? Será que realmente é só uma breve checada no celular?

Desde que sentei para escrever esse texto, parei várias vezes para checar o Instagram sem necessidade alguma. Eu preciso melhorar. Poderia ter concluído o texto mais rapidamente ou ter escrito mais alguma outra coisa, sei lá.

Três coisas que me roubam o tempo e metas para revertê-las

Olá, leitores!

Publiquei um texto aqui sobre ter tempo para ler, pois caí numa armadilha terrível que está roubando meu tempo de leitura. Em 2018 me coloquei como meta não ter meta numérica de livros lidos e isso foi libertador, o problema da vez é que, por conta de alguns hábitos, diminui minha leitura a algo próximo a zero.

Não estou preocupada com o número de livros lidos mensalmente, mas me peguei diversas vezes pensando “Droga, se eu tivesse trazido meu livro, estaria lendo!”. Então, vamos aos três hábitos que estão me deixando incomodada por ter deixado a leitura um pouco de lado:

  1. Pokémon Go!
    O primeiro item não poderia ser outro. Comecei a jogar Pokémon Go e isso toma a minha viagem de ônibus todos os dias. Eu não jogo muito, mas jogo no único horário que eu tinha disponível para minhas leituras: viagens de ônibus. Por causa desse vício apaguei até mesmo o app do Kindle do meu celular para liberar espaço para o jogo (me sinto péssima por ter feito isso).
  2. Estudos
    Sei que diferentemente de Pokémon Go, os estudos me trarão algum retorno futuramente e é isso que tenho feito no meu horário de almoço do trabalho e nos tempos disponíveis aos finais de semana.
  3. Canais no Youtube
    Antes eu lia antes de dormir, hoje assisto a canais no Youtube. Geralmente acompanho os canais enquanto faço minhas atividades domésticas (cozinhar, varrer, lavar a louça etc), porém isso estendeu-se também aos 30 minutinhos de antes de dormir.

A pior (ou melhor, ainda não sei) parte é que eu sei como mudar essa realidade.

É difícil parar de jogar o Pokémon Go assim, do nada, pois o jogo foi um motivo que encontrei para rever amigos e sair para me descontrair, muito embora eu vivesse completamente satisfeita em me divertir com os livros antes de conhecer esse jogo. A minhas propostas para diminuir o tempo jogando são:

  1. Escolher uma viagem (ida ou volta) para cada uma das atividades, se jogo na ida, leio na volta;
  2. Reinstalar o Kindle no celular;

A parte dos estudos não tenho como reduzir, então deixa aqui no cantinho.

Quero restringir meu tempo para o Youtube ao horário de atividades domésticas novamente, pois quando sento para assistir vídeos o relógio voa sem que eu perceba.

O que anda roubando o tempo de leitura de vocês, leitores?

Desconstrução de uma leitora

Em 2018 não estipulei lista de livros a ler, muito menos números de volumes ou de páginas. Estou em processo de libertação do quantitativo e em busca do qualitativo.

Não quero mais a bendita meta de ler um por semana ou a de ler 50 páginas por dia, estou mais em busca do prazer da leitura, nem que ela utilize dois meses no mesmo livro, não me importo.

A grande questão não está centrada em elevados números de livros lidos, já que eu nunca concluí 60 lidos em um ano e considero 100 um número inalcançável ao levar em consideração minha rotina. O cerne dessa transformação que busco é simplesmente me desapegar dos “lidos” e aproveitar os “lendo”.

Ler um excelente livro de 300 páginas que me trouxe muita reflexão ao longo de um mês é muito mais saudável para mim do que ler 6 livros que resultaram em 600 páginas que engoli para bater metas que estipulei por motivo de: sei lá, talvez para mostrar uma pilha de livros no instagram ou atualizar o meu Skoob.

Nunca deixarei de invejar quem consegue ler 100 livros durante o ano, eu estaria no céu se conseguisse o mesmo feito com louvor, mas não rendo tanto assim. Aqui vem o clássico “cada um tem o seu próprio ritmo/ tempo / necessidades”.

E esse povo de humanas que não pode ver questão problematizável que já começa a auto-desconstrução. Desculpa aí, mas meu lado leitor ainda está em (re)formação como tantos outros aspectos por aqui.

Minha tatuagem literária

Olá, leitores!

Pois é, fiz uma tatuagem na parte de trás do braço, escolhi uma pilha de livros com uma xícara e café em cima e a frase “felicidade clandestina”, que é o título de um conto da Clarice Lispector.

Significado

A pilha de livros e o cafezinho são itens óbvios: paixão e hobbie.

O principal motivo de eu ter escolhido esse título em detrimento de tantos outros foi a última frase do conto: “Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante”, sem contar que a Felicidade Clandestina me remete muito ao período em que eu lia escondida porque meu pai costumava me dizer que esses livros não me levariam a lugar algum, um período de adrenalina e deleite em palavras que resultou no meu primeiro blog literário (há males que vêm para o bem). ❤

tatuagem literária
Sim, esse caninho de PVC é meu braço. 🙂

 

A tatuadora

Fiz com a Marina Tavares, aqui mesmo em Maranguape, R. Manuel Paula, 227 (altos), e super indico o trabalho dela, além de estilosa, é competente, profissional e muito dedicada. ❤

A dor

Pensei que fazer tatuagem doesse bem mais. Entendo que esse nível de dor oscila a depender do local onde a tatuagem está sendo feita, mas o que eu senti foi como arranhões ou rápidas furadas de agulha, nada que me fizesse achar que meu braço cairia. E outro detalhe, quando começava a doer um pouco mais, ela parava e recomeçava, o que deu certo alívio. A letra mais próxima ao meu cotovelo foi a que eu mais senti, deu até aquele reflexo na perna, me senti o Chaves.

Cuidados

Estou lavando com asseptol diluído em água (coloquei já misturado em um borrifador) três vezes ao dia e usando uma fina camada da pomada Nebacimed. Uso plástico filme quando vou dormir ou andar de ônibus (medo de alguém passar com a mochila e levar parte do meu novo xodó, rs).

Ainda estou em processo de cicatrização, mas estou muito feliz com o resultado. Agora tenho uma tatuagem literária para chamar de minha.  ❤

 

O que eu aprendi com How I Met Your Mother

Estou maratonando How I Met Your Mother por motivo de vai sair muito em breve do catálogo da Netflix.

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Os quatro personagens (sim, quatro, o Barney não conta) me encantaram, me deixaram com vontade de morar em Nova York e de ter amizades tão descontraídas quanto à deles… O de sempre quando se está viciada numa série. Até aí tudo ok.

Em um episódio específico da quarta temporada (vocês podem querer me matar por não lembrar o número do episódio) Lily dá uma lição em Ted, que quer planejar tudo em sua vida, desde a carreira aos encontros amorosos, ela fala pra o ele que a vida é feita de improvisos e que muitas vezes nós temos que pegar o que a vida nos oferece, usa como exemplo os sonhos de todos os amigos e como a vida os levou a caminhos tortuosos que… Bem, que deram certo de alguma maneira e isso não é motivo de vergonha.

Essas palavras da Lily caíram como uma luva para uma série de pensamentos que tenho tido sobre estudos, profissões e carreiras. Nós sempre recebemos incentivos e cobranças de que TEMOS que fazer faculdade e TRABALHAR na área de formação, ou melhor, temos que nos formar no curso dos nossos SONHOS e que todos nós temos um. Essa ideia é uma ilusão.

Às vezes você não se identifica com nenhum curso das faculdades próximas, outras vezes você se forma e detesta o trabalho ou até mesmo nem chega a trabalhar na sua área de formação, em tantas outras você sonha em fazer um curso X mas opta pelo Y por pensar no retorno financeiro e fica infeliz, ou você faz realmente o curso dos sonhos mas tem que fazer outro porque ele não deu o bendito retorno financeiro.

É engraçado como é forte essa coerção de que sonho, formação e dinheiro devem estar atrelados. Mas não podemos esquecer pessoas bem sucedidas que nunca concluíram um curso Universitário (Steve Jobs, só para ilustrar), trabalharam e conseguiram muito dinheiro. Em tantas outras vezes a pessoa é muito boa em algo e até estuda esse algo independentemente, mas é formada e trabalha com outra coisa porque não quer misturar o hobby ao profissional.

Parei para refletir nessa linha e percebi que cada um deve achar suas características, seus gostos, testar possibilidades e só então resolver como vai levar a vida. Frustrei-me durante muitos anos com esse tipo de coisa, mas hoje me sinto um pouco mais resolvida (pelo menos assim espero). Decidi que não vou parar de estudar para me qualificar profissionalmente e até mudei totalmente minha área de atuação, mas em paralelo jamais deixarei de estudar outras coisas que não se misturam com o meu emprego. Bom, eu gosto de estudar, gosto de ler Literatura, gosto de aprender, gosto de trabalhar com serviços administrativos e burocráticos. Eu sou assim e demorei a me encontrar.

Meu livro sumiu

Estava por volta da metade de Mulher Perdigueira, livro de crônicas do Carpinejar, li durante algmulher_perdigueira_1276035850bumas horas na tarde de sábado e resolvi tirar um cochilo, era véspera de natal e eu estava em casa. Meu marido resolveu arrumar a casa para me agradar e guardou meu livro. Quando acordei perguntei pelo Carpinejar, ele respondeu que lembrava do livro, mas não sabia onde o havia colocado.

Hoje, segunda feira, ele continua sumido. Minha leitura está parada no meio do livro, não sei se marco como abandonado no Skoob ou se deixo lá como lendo até o retorno dele.

Posso começar a surtar com a probabilidade de uma leitura involuntariamente abandonada, o sumiço de um livro na minha casa e o esquecimento (aparentemente sem solução) do meu marido?

 

Pintura de vasinhos

Olá,

há um tempo eu tinha comprado alguns vasinhos de barro para colocar na parede estreita da varandinha. Então, um dia desses, encontrei duas latinhas de tinta artesanal aqui em casa e resolvi pintar os vasinhos para dar uma corzinha.

Só precisei comprar o funfo fosco de cor branca, para que as cores que eu tinha pudessem realçar e não ficar feias ao serem aplicadas diretamente ao barro.

Não gostei muito de como ficou o azul, pois tive que passar três mãos e ainda ficou com a aparência de “aguado”, enquanto que o amarelo só precisou de uma mão e a cor ficou bem viva e com cobertura uniforme.

Tanto o funfo fosco quanto as tintas secaram rapidinho. Usei um pincel fininho, pois os vasos eram pequenos e não queria deixar com aparência de pintados a pressa.

🙂

Mudanças

As pessoas crescem e mudam. Depois de anos construindo a nós mesmos, notamos singela nuances de que o nosso antigo eu, que antes era motivo de orgulho por ser um poço de personalidade, já se encontra meio abandonado pelos cantos da casa.

As mudanças mais visíveis são aquelas que nos levam a tirar roupas do armário e objetos da casa que já não nos identificamos mais. Aquela satisfação de alma leve e tranquila após despachar essas tralhas que algum dia já foi motivo de querencia.

As sutilezas que custamos a aceitar na etapa de mudança são as que nos radicaliza internamente e assinam o atestado de óbito do antigo eu. Preferir outras cores, começar a gostar de músicas e filmes que antes passavam despercebido. As vezes o que nos falta é certo refino.

Lembro que em certa época eu só gostava de livros grandes e norte americanos. Hoje? Hoje eu amo literatura nacional, sobretudo os regionalistas. Os livros da editora da UFC com autores cearenses são um verdadeiro amor. Mudei e me aproximei da realidade que eu custei a aceitar.

Quero minha liberdade de volta

É incrível como as redes sociais sugam a nossa vida. Pode parecer clichê repetir pela milésima vez que hoje as pessoas preferem uma tela do que o contato físico com os seus amigos. Já não é raro ver rodas de amigos em que os cinco ou seis integrantes nem ao menos se olham nos olhos, estão todos vidrados no mesmo objeto, mas cada um no seu, compartilhando individualmente.

A cena é clássica, marcar um café com a “galera” (ainda usam essa palavra?) e quando está lá, meche no celular enquanto os outros chegam, meche no celular enquanto a comida vem, meche no celular enquanto terminam de comer, rola uma foto para registrar o evento e todos vão para casa. Poucas palavras ditas, algumas digitadas e nenhuma grande emoção vivida.

As redes sociais e o fácil acesso a elas ao longo do dia nos rouba um tempo precioso e nos priva de experiências singulares. Você não aproveitar uma saída é ruim, nada muito lamentável, mas tente imaginar as proporções a que isso pode chegar.

Por experiência própria, atrevo-me a listar alguns casos:  preciso estudar várias páginas, mas a concentração não toma forma porque meu pensamento vagueia em assuntos pendentes que deixei no Facebook ; reclamo da falta de tempo para atualizar minhas leituras e obrigações acadêmicas, mas sempre que sento ao computador perco várias horas checando inutilidades que muitas vezes não me acrescentam nada; a importância dada ao selfie para registrar momentos ao invés de aproveitá-los melhor, guardá-los na memória ou nas páginas de um diário ou blog, alternativas que não privam a possibilidade de tirar uma foto mas que não necessitam do tal selfie seguido de vários #.

Todo o tempo desperdiçado só pende desfavoravelmente para nós, mas ninguém quer virar um eremita social e ficar por fora das últimas novidades dos amigos. É complicado viver em uma sociedade tão exageradamente informatizada, mas que é recheada de informações inúteis, tantas informações em tão pouco tempo e a impossibilidade de reter as essenciais.

A libertação pode surgir em meio a restrições autoimpostas ou delimitação de tempo, mas só seremos libertos quando não houver necessidade de privação, como alcançá-la?