Eu li: O Menino Mágico

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O Menino Mágico, de Rachel de Queiroz

O Menino Mágico, livro infantil da Rachel de Queiroz, foi selecionando pela Unesco, em 1971, como um dos livros para representar o que há de melhor em literatura para crianças e jovens de até 14 anos (livros “excepcionais que serviriam para melhor compreensão entre povos), foram selecionados livros de 57 países, sendo 10 livros de cada um. Como não resisto a uma boa literatura local, não podia deixar de ler mais um da Rachel.

Raquel de Queiroz conta a estória de um menino que tinha seus desejos de “faz de conta” realizados de maneira inesperada, que muitas vezes deixa o leitor em dúvida se as feitorias são mesmo mágicas ou acasos do destino, mas ao final é possível ter certeza se o menino é mesmo mágico ou não (claro que não vou contar, né?).

Como todo livro infantil, Rachel aborda temas pertinentes do cotidiano infantil com aquele tom de aprendizado ao final, as típicas lições sociais de não mentir, confiar na família etc.

Alguns motivos que me levariam a ler O Menino Mágico (ou indicar) para uma criança são: Rachel não empobrece a linguagem escrita para falar para crianças; o livro estimula a imaginação infantil, principalmente por trazer uma fantasia com um toque de verossimilhança (quem nunca brincou de faz de conta e viu nitidamente suas ideias tornando-se quase reais?); e as lições não são escancaradas como nas fábulas, mas trazem vários ensinamentos de maneira sutil ao longo da narrativa.

As ilustrações do livro também trazem a estória para mais perto das crianças, pois não temos aqueles trabalhos gráficos super caprichados, mas personagens desenhados em linhas simplórias, como os desenhos da maioria das crianças.

Então, O Menino Mágico está mais do que indicado para a criançada e se o leitor for cearense, está mais indicado ainda, principalmente pela oportunidade de aprender o significado de algumas palavras locais que já caíram um pouco em desuso, mas que fazem parte da história do estado em que vive.

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Exposição “O Quinze, de Rachel, como eu o vi”

Durante a primeira semana de dezembro estava disponível na biblioteca do Centro de Humanidades da Universidade Federal do Ceará (UFC) a exposição O Quinze, de Rachel, como eu o vi, uma iniciativa do grupo Iluminuras.

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Informações sobre a exposição em bordado

O grupo Iluminuras tem inspiração nas tradições medievais de contar estórias por meio da criação de imagens, eles recontam a Literatura com a criação de bordados. A proposta do grupo começou como uma homenagem ao centenário de nascimento do contista cearense José Maria Moreira Campos. Em 2015, a homenagem foi aos 85 anos da obra clássica de Rachel de Queiroz, O Quinze.

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Texto feito em bordado manual
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r Retrato de Rachel de Queiroz em bordado artesanal

A exposição contou com a criação de 20 bordadeiras que participam de uma espécie de clube de leitura como base para a criação das peças. Com coordenação das professoras Neuma Cavalcante e Odalice Castro e apoio do Museus da Imagem e do Som, o clube de leitura e curso de “bordado literário”já tem o cronograma para o ano de 2016:

  • 2016.1: A casa, de Natércia Campos;
  • 2016.2: O recado do morro (Corpo de Baile), de João Guimarães Rosa.

O que achei mais bacana do grupo foi a dedicação aos autores locais, um incentivo muito bacana para ler e trabalhar artisticamente tais obras.

Ao chegar ao local da exposição o visitante logo é recebido por uma decoração caprichada feita com peças bordadas, informações sobre a obra trabalhada e elementos da cultura cearense.

 

Os quadros feitos pelas artesãs estavam dentro do auditório da biblioteca e continha uma imagem para cada capítulo do livro. Não preciso nem ressaltar que os quadros que representavam a morte do menino Josias me comoveram, essa é uma das partes do livro mais emocionantes para mim e foi muito bacana essa experiência de reviver tais sentimentos por meio do artesanato local.

Foi inspirador visitar a exposição, primeiramente por conhecer artesãs que se dedicam ao bordado usando a literatura como temática para seus trabalhos e em segundo, poder rever a estória de um livro tão maravilhoso sob outra perspectiva. Ah, claro, e por se tratar de uma obra da Literatura Cearense, que tanto anseio por conhecer mais e melhor.

Após a exposição os quadros estarão disponíveis para visitação no Museu da Imagem e do Som, localizado na Av. Barão de Studart, 410, em Fortaleza.