Você tem tempo para ler?

Olá, leitores!

Então, você tem tempo para ler? Eu não tenho.

Quando pergunto se você tem tempo para ler, me refiro a um período do dia que você reserva apenas à leitura. Creio que nos tempos mega acelerados de hoje é quase raro alguém que conserve a prática de ter um tempo específico dedicado aos livros.

Você tem tempo para trabalhar, tempo para ir à faculdade/ curso/ escola, tempo para comer, tempo para dormir, tempo (mais parece o provérbio do rei Salomão). Quando chegamos em casa cansados e nos sentamos no sofá para checar as redes sociais, não fazemos isso porque determinamos X minutos ou horas para fazer tal coisa, simplesmente gastamos aquele tempo sem qualquer comprometimento. Para conseguir tempo com os livros é quase a mesma coisa, calma que ainda vou explicar.

Conseguimos sem muito esforço sentar no sofá e assistir a cinco ou seis episódios de uma série seguidos sem nos cansar muito, isso leva cerca de três horas ou mais do nosso dia. Quantas vezes você conseguiu passar três horas do seu dia lendo ininterruptamente? Eu nem lembro da última vez.

A leitura em si exige tempo, dedicação e prioridade. 

Tempo é valioso, é tanto que existe a expressão “tempo é dinheiro”, tempo é tão importante que o Kindle te mostra o tempo estimado para você concluir aquela leitura. Então, para você arranjar tempo para ler é necessário que você leia, parece óbvio e justamente por isso poucas pessoas dão importância para isso. Olha só que enorme diferença faz no tempo de leitura se você: a) dedica suas noites para assistir séries até ficar com sono, b) dedica a sua noite para ler até ficar com sono; a) dá prioridade a maratonar a série nova e só ler meia horinha antes de dormir, b) assiste um episódio por dia e dedica o restante da noite para ler até dormir.

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São pequenas mudanças de hábito que te darão mais tempo de leitura, não digo para você não assistir mais a séries de forma alguma, mas regular melhor esse tempo (se você quer muito aumentar seu tempo de leitura, claro). Outras dicas que dou é:

  • Tenha sempre (SEMPRE) um livro na sua bolsa, pode ser o Kindle: mesmo que você vá a um aniversário e saiba que não vai ter tempo para ler, leve o livro. Vez ou outra você acaba naquele limbo de espera por alguma coisa e BUM! aproveita para ler duas páginas. Fila de banco? Há! Adianta capítulos! ;
  • Leia no ônibus: “ah, mas vai deslocar minha retina”. Eu sei que existe esse misticismo de deslocar a retina por ler no ônibus, mas é um risco. A maior parte do meu tempo de leitura diário é a feita dentro do coletivo;
  • Leia no intervalo: intervalo da faculdade ou do trabalho –> leia. Melhor do que ficar ouvindo as outras pessoas comentando sobre os personagens da novela;
  • Leia antes de dormir: mesmo que seja apenas 20 minutos, 20 é maior do que zero;
  • Desligue o WIFI:  o maior vilão de todos é o som de notificação do seu celular, você está se concentrando, já engatando no quarto parágrafo quando o bendito do celular te avisa que alguém interagiu com você nas redes sociais, é o suficiente para você largar o livro e perder meia hora de leitura (ou mais), então deixa pra checar o celular quando cansar de ler e já for partir para outra atividade.

Não existe essa de ter tempo para ler, a não ser que você seja mega organizada a ponto de ter a hora da leitura. Ter tempo para ler é ler quando você poderia estar gastando seu tempo com nada (esperando alguma coisa ou alguém) ou com coisas substituíveis. Claro que você não vai deixar de aguar as plantas ou lavar as louças para ler, existem obrigações que estão na frente do entretenimento, mas categorize suas opções de entretenimento e priorize a leitura.

Eu também sinto inveja de quem lê dez livros por mês, sei que eu muito provavelmente nunca atingirei esse número, mas não me frustro por conta disso. Leio sempre que dá, da melhor forma possível, entendo que tenho muitas obrigações e por conta disso meu tempo é reduzido, mas vamos levando e tentando dar o melhor de nós.

Comprei um Kindle | Primeiras impressões

Olá, leitores!

Sempre fui defensora dos livros de papel, meu projeto de biblioteca é a prova disso. Achava que seria impossível ler sem sentir aquelas páginas passando entre meus dedos, observar o volume do livro correndo da direita para a esquerda conforme eu viajava, impossível seria viver sem cheiro de livro, pior ainda viver sem as cores que compõem a minha estante.

Quase todos os sentimentos de leitor apaixonado ainda permanecem por aqui, mas por incrível que pareça, eu fui capaz de concluir livros incríveis no formato digital e ainda desejo ter as obras em papel na estante. A paixão pelos livros não acaba quando se dá uma chance ao e-book, muito pelo contrário, ela amplia seus horizontes.

As flags são ótimos companheiros de leitura, bem como o bloquinho de notas em dupla com o lápis para eventuais anotações. Adereços não compatíveis com o formato digital, certo? Mais ou menos. O recurso de marcar e comentar passagens dos livros que o Kindle oferece é tão mais rápido e prático que eu cheguei a sentir falta da praticidade quando voltei ao papel (Estou me tornando preguiçosa devido ao mundo digital? Talvez sim, talvez não, assunto para outra pauta).

Além da facilidade para fazer anotações, mais dois detalhes que me encantaram foram: as inúmeras imagens de proteção de tela ❤ e a leveza do aparelho.

O fato é que o leitor digital me proporcionou ter vários livros que me custariam meses de salário, bem como espaços intermináveis na minha estante. Claro que as melhores leituras permanecem na minha lista de desejados, pois a paixão pelo livro de papel é incomparável.

Comprei meu Kindle usado, bem mais em conta, apenas para ver se eu me daria bem com o aparelho, se conseguiria ler no formato e tal. O resultado tem sido positivo, coloquei vários livros nele, vamos ver se continuarei com a mesma empolgação ao longo dos meses (se não é apenas frenesi de brinquedo novo).

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O melhor do país são os brasileiros

Meu texto foi publicado no Jornal do Leitor do Jornal impresso O Povo em 12 de julho de 2017.

O Brasil “quebrou a Internet” com o clipe Swish Swish Bish, música da Katy Perry, em que a Gretchen apareceu como estrela principal, o vídeo foi lançado segunda-feira, dia 3 de julho e, em menos de 24 horas, já estava com mais de 5 milhões de visualizações. E, como o melhor do Brasil são os brasileiros, claro que o complemento à apresentação da rainha do bumbum (e dos gifts) são os milhares de comentários hilários.

Nosso país é conhecido como o país do Carnaval, mas, na verdade, é o país da zoação, zoamos com o 7 x 1, zoamos com a Gretchen fazendo fama internacional e zoamos com a política bizarra que temos. Entre guerras internacionais de memes e delações premiadas, o brasileiro está rindo para não chorar da desgraça política em que nos encontramos. Ah, e antes que eu me esqueça: Fora Temer!

Online em: O Povo

Assisti: Lygia, uma escritora brasileira

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Ontem, dia 21 de abril, a TV Cultura apresentou um documentário inédito sobre a Lygia Fagundes Telles, claro que eu não poderia ter deixado de assistir.

Lygia, uma escritora brasileira teve uma hora de duração e foi composto por trechos de entrevistas com a autora, relatos de familiares, críticos e amigos da Lygia. A produção fez um rápido tour sobre a personalidade e carreira dela, pontou a representatividade de alguma de suas obras e sua paixão pela escrita.

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Lygia se entregou à Literatura desde muito cedo, seu primeiro livro foi publicado aos 15 anos ao custeio do pai, de uma forma avassaladora, tinha um emprego fixo (ela era Procuradora do Estado do Ceará e fez um trocadilho a respeito do cargo, passou 30 anos procurando não sabia o que e nunca havia se achado ali), mas queria viver só dos livros, o que lhe rendeu alguns percalços financeiros.

A autora escreveu de forma feminina, inovadora e política sem tornar-se apelativa. Mostrou uma personagem lésbica em seu romance, Ciranda de Pedra, laçado em 1954 e em o Seminário dos Ratos fez alegorias ao período da ditadura (ela diz que o livro estava tão chato que o responsável pela censura na época nem chegou a lê-lo por completo, ainda bem!).

Ao longo da produção, Lygia fala ainda sobre a sua amizade com a Clarice Lispector e com a Hilda Hilst, três mulheres tão diferentes e com tantas coisas em comum. Clarice, conhecida por sua introspecção; Hilda, por sua loucura imediatista; e Lygia, a doçura e simpatia em pessoa. Esclarece também o seu patriotismo e as dificuldades que o Brasil impõe aos seus filhos, o que concebe a constante necessidade de lutas advindas do povo.

Alguns críticos literários lamentam que a academia do Nobel de Literatura nunca tenha enxergado Lygia com toda a sua força e feminilidade, mas quem sabe um dia, né?!

O que Virgínia Woolf e James Joyce têm em comum

É sabido que Virgínia Woolf não gostou muito da obra mais conhecida de James Joyce, Ulisses, e isso resultou em associar o nome dos dois grandes escritores a desprazeres.

Virgínia era crítica literária e por conta disso o seu julgamento sobre Joyce foi tão enaltecido pelos leitores e simpatizantes do mundo dos livros a ponto de muitos considerarem que Virgínia detesta Joyce no geral, não apenas de uma obra dele.

Fofoca literária a parte, vamos ao que interessa: o que eles têm em comum?

  1. São grandes nomes da literatura e suas obras são lidas todos os anos por vários leitores no mundo;
  2. São considerados “difíceis de ler” por obras específicas, carma que os segue no imaginário de todo leitor. Virgínia ganhou essa fama com As Ondas e Joyce, com Ulisses;
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  3. Ambos possuem um livro descontraído que vai inteiramente contra a fama de “semi impossíveis da literatura”. Flush é da Virgínia e Dublinenses, o do Joyce;
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  4. Escrevem usando a técnica conhecida como fluxo de consciência;
  5. São escritores modernistas do final do século XX;
  6. Personagens que se sentem solitários apesar de todos os contatos sociais que possuem;
  7. O tempo das narrativas não correspondem ao tempo cronológico da história;
  8. Se aproximam do realismo psicológico;
  9. Uso de narrativa experimental;
  10. Distanciamento e uma iminente sensação de desgraça parecem estar sempre presentes.

Dos livros citados no post, já falei sobre:

Depois de revisitar esses comentários tão antigos acho que está na época de reler esses livros para tecer novas ideias sobre eles, rs.

O impossível de Cocteau e Gaiman

Engraçado quando começamos a ler um autor e nos deparamos com pensamentos parecidos aos nossos, mais atordoante quando o autor fala de maneira tão eloquente exatamente o que você vem pensando há um tempo  que conclui a frase pensando “era exatamente isso que eu queria dizer quando pensava nisso!!”.

Espantoso, singular (?), curioso. Quantas pessoas podem pensar a mesma ideia em níveis diferentes?

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Instagram 

Parei para pensar nisso quando estava lendo o discurso Faça boa arte, do Neil Gaiman, e me deparei com a frase:

“Se você não sabe que é impossível fica mais fácil fazer” (o livro não é paginado)

E, claro, lembrei da célebre frase de Jean Cocteau que tanto rodeia pelo Facebook:

“Sem saber que era impossível, ele foi lá e fez”

Tá, influencias podem existir, isso é óbvio e nada mais do que normal, mas o que me chamou atenção foi como as palavras soaram mais reais para mim na voz de Neil Gaiman. Lia e relia a frase de Cocteau e a achava bonita, inspiradora, mas sem nenhum significado factual plausível para o meu dia a dia, talvez por hipossuficiência minha de conseguir chegar a essas entrelinhas ou apenas me identifiquei por causa do contexto em que li a frase de Gaiman, ainda não sei.

Frases soltas nos trazem esse efeito de beleza e incompletude. Palavras bonitas que tem um significado rico em seu contexto, mas que perdem parte de seu valor ao se desprenderem, típico das inúmeras frases retiradas do livro O pequeno príncipe. Para quem retirou os quotes dos livros aqueles pensamentos são completos, mas é delicado topar com essas frases por acaso, vocês não acham?

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Seu marido deixa?

Sou adepta dos cabelos curtos, considero um verdadeiro charme mulheres que não perdem sua feminilidade ao usar o corte “Joãozinho”. Algo curioso é que sempre escuto “seu marido deixa você cortar os cabelos?” E, mesmo sendo uma pergunta recorrente, nunca entendi o real significado dela… Teria meu marido alguma posse sobre os meus cabelos ou ele se sentiria sexualmente ameaçado por namorar alguém com “corte de homem”? Suposições tão descabidas que nem as cogito.

Pensar em figuras femininas que usam os cabelos “Joãozinho” é lembrar-se de mulheres poderosas e independentes, como a Rainha Elizabeth, Princesa Diana, a Emma Watson e a Claire (de House of Cards), o empoderamento das mulheres de cabelo curto pode ser um reflexo positivo de uma sociedade que sofre da Síndrome de Sansão (aquela que vê com maus olhos o cabeleireiro que corta as madeixas dos clientes meio centímetro a mais do que o esperado).

Texto originalmente publicado no jornal O Povo, na edição do dia 14/12/2016 (link). 

Poe & Sherlock

Que Edgar Allan Poe (1809 – 1849) foi um dos grandes influenciadores da literatura mundial isso já é sabido por todos, mas você sabia que ele pode ter influenciado, inclusive, o surgimento do detetive inglês Sherlock Holmes?

Poe criou um d220px-poe_rue_morgue_byam_shawetetive peculiar, o cavaleiro Augustine Dupin, que mora em Paris e tem suas histórias contadas por um colega de quarto. Peculiar porque por vezes ele trabalha sem receber dinheiro, apenas pela diversão de inocentar alguém culpado injustamente (Os assassinatos da rua Morgue, 1841), enquanto que em outra história ele procura por recompensas em dinheiro (A carta roubada, 1844). Além desses dois contos citados, Dupin aparece também em O mistério de Marie Morgêt, 1842.

Arthur Conan Doyle (1859 – 1930), escritor e médico, afirma ter se inspirado em um professor de Edimburgo, o cirurgião Dr. Joseph Bell, que era capaz de fazer deduções sobre os hábitos das pessoas ao observá-las, Doyle, impressionado, resolveu aguçar essa habilidade em seu personagem Sherlock (1887 – 1927). la-et-jc-sir-arthur-conan-doyle-victim-of-police-conspiracy-archives-show-20150318

Com características de Augustine Dupin e de Joseph Bell, poderíamos dizer que Sir. Arthur Conan Doyle inspirou-se em ambos para escrever as histórias de Sherlock Holmes, histórias essas que resultaram de horas e horas de um consultório oftalmológico em que nem um só paciente entrou durante muito tempo.

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Outubro Rosa- Vamos além dos lacinhos

Para quem ainda não conhece, o Outubro Rosa é uma campanha pela conscientização da importância da prevenção, por meio da mamografia e do autoexame, do câncer de mama. O símbolo mais coimages-1nhecido é o lacinho cor de rosa, mas muitos prédios usam faixas e iluminações para representar o apoio à campanha.

É muito importante ressaltar que apesar de a cor rosa ser o símbolo da prevenção do câncer de mama, a doença não se restringe apenas às mulheres, uma baixa porcentagens de homens também podem desenvolver esse tipo de carcinoma.

A Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama) luta, desde 2018, pela propagação do Outubro Rosa no Brasil por meio de ficinas e palestras. O movimento teve início em 1990 com a Primeira Corrida pela Cura, em Nova York, e chegou ao Brasil em 2002 com a iluminação rosada no Obelisco do Ibirapuera.

A grande maioria das empresas demostram seu apoio ao Outubro Rosa decorando sua faxada com faixas e luzes cor de rosa e distribuindo lacinhos em broches para que os colaboradores e clientes também entrem no movimento.

A questão é que só andar com lacinhos para representar apoio não é suficiente para incentivar a prevenção do câncer de mama. A promoção de palestras para conscientizar sobre a importância de realizar a mamografia anualmente e o ensino de como fazer eficazmente o autoexame mensal é essencial, principalmente se divulgado nas empresas, pois podem incitar aos colaboradores o cuidado com as mamas. Ainda há muitas mulheres que não se tocam por não saber os passos do autoexame, não saber o que procurar e nem conhecem direito a própria mama.

Usar o lacinho é muito significativo, mas beleza sem ação não traz resultado. Converse com suas amigas do trabalho, compartilhe panfletos ensinando a realizar o autoexame, pois a detecção precoce do câncer de mama é a melhor saída para a cura.

Então, só para lembrar:

  • Mulheres acima de 40 anos devem fazer a mamografia anualmente;
  • Pacientes de risco devem ser acompanhadas desde a puberdade;
  • São pacientes de risco as mulheres com histórico de câncer de mama na família.

Prevenção é o melhor caminho para a cura.