Imigrantes | Coração azedo e Intérprete de males

Olá, leitores!

Hoje trouxe para vocês a indicação de dois livros de contos sobre a vida de imigrantes. O Coração azedo, da Jenny Zhang, traz a história de chineses que apostaram numa nova vida na América e Intérprete de males, da Jhumpa Lahiri, que aborda a vida de indianos que saíram de seu país de origem pelos mais diversos motivos.

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Ambos os livros foram escritos por mulheres, possuem o mesmo formato (antologia de contos) e a mesma temática, mas são bem diferentes! Essa diferença, se dá, principalmente pela perspectiva dos personagens, muito provavelmente por sua origem distinta e tal, e fica bem claro quando, por exemplo, os chineses vivem uma vida miserável nos Estados Unidos, em casas que não possuem o mínimo de higiene, e mesmo assim aguentam tudo aquilo calados e na esperança de que um dia tudo irá melhorar; por outro lado, os indianos, mesmo com uma vida de classe média confortável, ainda sonham com os prazeres da vida na Índia.

Gostei bastante da experiência de leitura, ainda mais que o tom saudosista de Intérprete de males traz vários pontos culturais bem interessantes e o Coração azedo aborda o desenvolvimento de crianças que precisam lidar com um mundo completamente diferente do seu país de origem, a dificuldade da língua estranha… A construção da identidade em outro local torna-se estranha, quase impalpável em todos os casos.

Os dois livros são ótimos para quem gosta de ter contato com diferentes culturas. A questão da dificuldade da imigração, principalmente para mulheres, sejam elas crianças ou adultas é o cerne principal das obras. O choque de costumes é latente e bem verdadeiro, uma vez que as escritoras trouxeram a sua experiência no assunto para as páginas, Jhumpa Lahiri é filha de imigrantes e Jenny Zhang imigrou aos 5 anos de idade.

Gostaria, ainda de deixar outras duas indicações que lembrei durante essas leituras. A primeira delas é o Eu sou Malala, que conta um pouco mais da história e situação política do Paquistão e (um pouco) da Índia, o que é apenas pincelado em um dos contos (‘Quando o sr. Pirzada vinha jantar’) de Intérprete de males. O segundo livro é O grito de guerra da mãe tigre que aborda a cultura chinesa sobre a perspectiva da criação dos filhos e todo o rigor de exigências tão discrepantes com a educação brasileira. Ambos os livros têm resenha aqui no blog, é só clicar no título deles.

VOX | Christina Dalcher | Arqueiro

DALCHER, Christina. Vox. São Paulo: Arqueiro, 2018.

VOXQuando li a premissa desse livro fiquei com muita vontade de lê-lo. Parecia um pouco com O conto da aia, mas com certo distanciamento para evitar tantas comparações. Iniciei a leitura empolgada, mas Vox não me encantou.

A história se passa em um futuro não muito distante em que a direita extremista está no governo americano com o seu excesso de religião e necessidade de reafirmar a “pureza” dos seus aliados. Isso me lembra bastante o governo atual do Brasil, que prima pelos “cidadãos de bem” e querem pautar suas atitudes em fundamentos religiosos. Ao final, o que se passa em Vox se distanciou do gênero distopia e me pareceu um provável segundo governo do Bolsonaro no Brasil.

A proposta do livro é excelente, mulheres com sua fala reduzida a 100 palavras do dia e agora fora do mercado de trabalho, limitando-se às tarefas domésticas com o máximo de puritanismo possível. O plot da história se dá quando o irmão do presidente sofre um acidente e o governo precisa que a Dra. Jean produza o soro resultante de sua pesquisa da época da academia. Ao longo dos dias, Jean descobre o que o governo realmente quer fazer com o produto de suas pesquisas.

Como disse, a premissa do livro é excelente, envolve condição feminina, governo extremista e pesquisa acadêmica. Porém, a escrita da autora não me pegou de forma alguma, a história é entrecortada demais, tenta inserir vários elementos que não saem da superficialidade e alguns acontecimentos parecem ter surgido do nada, como quando Jean começa a vomitar na sala de Lorenzo sem nenhum vestígio anterior do que estava por vir ou quando Patrick começa a falar de Lorenzo como se fosse a coisa mais normal do mundo… Detalhes que não se encaixam e parecem surgir só pra dar um climão, mas acabou estragando a trama do enredo em si.

A discussão social e política sobre essa sociedade até tenta se construir, no que seria os dias de hoje, com a tentativa das acadêmicas de lutar por seus direitos e a atuação de Jackie na TV para expor o lado das feministas, mas não passa de relapsos de memória da protagonista, não há nada aprofundado nesse quesito.

“Minha culpa começou há duas décadas, na primeira vez em que não votei, nas vezes incontáveis em que disse a Jackie que estava ocupada demais para ir a mais das suas passeatas, fazer cartazes ou ligar para meus congressistas. ” P. 215

A leitura de Vox flui muito bem, pois os capítulos são muito curtinhos e a escrita da autora é rápida. A história já apresenta todos seus elementos, sem necessidade de grande aprofundamento e isso me incomodou bastante, pois me senti lendo um romance distópico fraco. Indico o livro para quem gosta de distopias adolescentes, pois achará o Vox sensacional, mas não é uma boa escolha para quem gosta de histórias mais densas e com camadas a explorar.

Três romances para refletir sobre a condição feminina

Olá, leitores!

Hoje trouxe para vocês uma listinha rápida com dicas de romances para ler e refletir sobre um tema que está muito presente no nosso cotidiano.

Todos os dias é possível ver casos de feminicídio nos jornais, barbáries inigualáveis. A mulher, por ser fisicamente mais frágil e, por vezes, ter o seu lugar de fala cortado pelo machismo cotidiano ou sofrer abusos psicológicos e emocionais em relacionamentos nada saudáveis. Pensando nisso, trouxe aqui a indicação de três romances para ilustrar como a vida de muitas mulheres pode ser devastada sem a força da luta (e das conquistas) das mulheres.

1. A cidade do Sol, de Khaled Hosseini

a_cidade_do_sol_1295553285bA cidade do Sol é forte e marcante, traz a história de duas mulheres que cresceram de forma diferente, uma era incentivada pelo pai a estudar e a sonhar com o futuro, a outra era uma filha bastarda que passou a infância escondida para não manchar o nome do pai. Elas se encontram em condições adversas, durante a guerra no Afeganistão, e passam a compartilhar o mesmo teto, sofrendo física e emocionalmente num país em que as mulheres não possuem voz e precisam andar de burca nas ruas.

Falei sobre esse livro AQUI.

2. Hibisco Roxo, de Chimamanda Gnozi Adichie

hibisco_roxo_1384015895bChimamanda é mais conhecida pelos seus dois manifestos Sejamos todos feministas e Para educar crianças feministas. Em Hibisco Roxo a autora nos apresenta uma família nigeriana com suas tradições e a influência do cristianismo na cultura deles. É pesada a forma como a religiosidade exagerada pode varrer a vida de uma mulher para debaixo do tapete e fingir que não há nada acontecendo.

Falei sobre ele AQUI.

 

 

3. O conto da Aia, de Margaret Atwood

o_conto_da_aia_14955647998256sk1495564800bO conto da Aia ficou conhecido principalmente após a adaptação como série e repercutiu bastante durante as últimas eleições brasileiras. Uma distopia que levanta a temática de como as mulheres, em geral, são as primeiras a ter seus direitos retirados em momentos de crise e, novamente, como a religiosidade tenta apagá-las.

Falei sobre a obra AQUI.

 

 

 

Então, é isso, histórias de mulheres afegãs e nigerianas, bem como uma ficção sobre até onde as atrocidades machista-religiosas podem chegar.

É válido ressaltar que esses não são os únicos e podem não ser os melhores, a lista foi criada com base nos livros que eu li. Então o post fica aberto caso você queira acrescentar mais títulos nos comentários para que eu e os outros leitores possam conhecer mais obras do gênero. 😉

Liberta-me (Shatter me #2), de Tahereh Mafi

MAFI, Tahereh. Liberta-me. Ribeirão Preto: Novo Conceito, 2013.

Olá, leitores!

Depois de exatos cinco anos de que li o primeiro volume da trilogia Estilhaça-me, dei uma chance à continuação da história. Lembro que eu não tinha gostado muito do final do primeiro livro e isso me fez desanimar em ler os próximos, mas com o projeto ‘tirando a poeira’ resolvi dar uma chance a Liberta-me.

Liberta-me acontece dentro do Ponto Ômega, uma espécie de refúgio para pessoas com dons, que nada mais são do que poderes especiais do tipo super força, invisibilidade e etc. A protagonista Juliette está tentando se adaptar a ver sua condição como algo positivo enquanto que precisa resolver sua conturbada vida amorosa.

Vamos por partes. Os personagens principais dessa história são adolescentes em uma faixa etária entre 15 e 20 anos, são bem jovens e uma das principais preocupações deles é estar com o amor da sua vida e coisas do tipo. A Juliette, em específico, não tem experiência alguma em relacionamentos sociais e se vê agora tendo amigos e namorado, algo totalmente novo.

O triangulo amoroso da história é muito bonitinho e é válido lembrar que estamos lidando com um livro jovem adulto, então o seu foco principal é sim o romance e o cenário distópico é só o pano de funo. Entendo a proposta da autora, mas creio que isso acabou tornando a história MUITO superficial, pois a Tahereh tem um baita conteúdo a explorar que são pessoas com poderes especiais numa sociedade distópica e enquanto o mundo está um caos, estamos presos no Ponto Ômega compartilhando os conflitos internos da Juliette sobre não poder beijar o namorado. Bem desestimulante em certo aspecto.

Ok, mas deixando de lado a falta que senti em ler sobre formação social e política desse cenário que a autora propôs, temos a mente da Juliette que é depressiva e insegura. A partir dessa perspectiva acompanhamos seu romance que mais parece novela da Globo, mas não digo isso em um sentido pejorativo, pelo contrário, a narrativa da autora é tão viciante que eu PRECISAVA virar as páginas para saber o que aconteceria em seguida.

Então, senti falta de vários elementos que enriquecessem a história, mas entendo a proposta da autora e concluo dizendo que como romance jovem adulto esse segundo livro é maravilhoso, mas como distopia nem tanto.

O médico e o monstro, de Robert Louis Steverson

o_medico_e_o_monstro__14522774441128sk1452277444bEu nunca tinha sentido interesse em ler O médico e o monstro até ver o episódio de Penny Dreadful que faz referência a esse clássico da Literatura. A história em si do dr. Jekyll não é desconhecida para a maioria das pessoas e saber o que acontece ao protagonista muda completamente a experiência em relação a essa leitura, como em qualquer outra.

O livro é narrado pelo advogado sr. Ultterson, que vai atrás de saber mais sobre um tal de Hyde citado no testamento do destacado dr. Jekyll. A curiosidade de Ultterson é alimentada a cada nova descoberta, seja por ter falado com Hyde ou por ter conversado com amigos em comum.

A narrativa é formada de maneira que o leitor toma conhecimento de Hyde e Jekyll aos poucos e só tem acesso à informação mais precisa sobre esses dois ao final do livro com a narrativa de Lanyon e com mais riqueza de detalhes na última carta escrita pelo dr. Jekyll.

A minha experiência de leitura não foi boa e acredito piamente de que esse desprazer tenha ocorrido por já saber o plot da história. Acabei por não me empolgar no suspense criado pelo autor e muito menos me surpreendi com as descobertas de Ultterson. Ao final, os textos de apoio dessa edição mostraram-se bem mais interessantes que a obra em si.

Não posso negar que Steverson criou um ótimo cenário de suspense e terror com personagens únicos e apesar de ser uma história curtinha nada ficou corrido demais ou sem explicação.  É notória a crença do autor na dualidade bem e mal, assim como na consciência coletiva de que é feio mostrar seu lado mal.

O médico e o monstro é um ótimo livro para quem gosta de mistério e ficção, podendo mostrar-se uma excelente aventura para quem não conhece muito bem a história.

Qual é a da Livraria Cultura?

Se existesse uma revista de fofoca literária, o boom da semana seria a compra do Estante Virtual pela Livraria Cultura!

Para quem não conhece, o Estante Virtual (EV) é um site que reúne sebos de todo Brasil. A plataforma é conhecida por proporcionar aos leitores livros a preços mais acessíveis e títulos difíceis de encontrar em lojas físicas mais próximas.

Pelo menos no meu caso, adoro o EV para comprar livros técnicos baratinhos, enquanto um exemplar custaria R$ 300,00 ou R$ 500,00, consigo comprar por R$ 50,00 ou R$ 120,00, sem brincadeira. O site é confiável, já comprei livro técnico que estava esgotado até na editora por menos de cem reais. Não tenho o costume de adquirir livros de Literatura por lá, pois geralmente as promoções da Amazon são mais atraentes, a não ser que só exista lá mesmo.

Os vendedores de sebos acabam vendendo mais por expandir sua clientela a nível nacional, podendo competir com outras lojas do ramo. Ainda não consigo conjecturar as mudanças que poderão ocorrer no Estante Virtual, mas a Livraria Cultura não dá ponto sem nó.

capa_edicao_116Acabei por lembrar da revista de Setembro de 2017 da Livraria Cultura (edição 116), que foi dedicada aos 70 anos da marca. O herdeiro e CEO Pedro Herz discorre sobre as diversas mudanças ocorridas na Livraria durante as sete décadas e ainda arrisca sobre o que ele espera das livrarias no futuro. Em certos momentos falou sobre o pico de venda dos livros digitais e do atual perfil dos frequentadores das filiais espalhadas em todo país.

Herz chegou a cogitar as Livrarias mais como pontos de encontros para apaixonados por Literatura do que um local para comprar livros (talvez isso seja só uma consequência de tais reuniões culturais). Um pensamento que vai ao encontro da maior vendedora de livros, a Amazon.

Isso porque, de acordo com o CEO, a maior parte da venda de livros e produtos será feita por meio de comércio eletrônico, enquanto às lojas físicas caberá o papel de socializar as experiências. “É para encontrar gente, para sair de casa, o ser humano não perderá essa característica de ter um ambiente assim, de diversão e interação,
no futuro. A loja do futuro será social, pura. E muito menos especializada; você terá muitos produtos, capazes de complementar a experiência da leitura.”

 (REVISTA DA CULTURA – set de 2017, P. 56)

A Amazon chegou ao Brasil há alguns anos e já faz a cabeça dos leitores nas mega promoções e quando se pensa em leitor digital. Não bastando ser um dos líderes no segmento, ainda ampliou sua rede para itens que leitores podem gostar, como utensílios geek para casa ou aparelhos eletrônicos.

A meu ver a Livraria Cultura enveredou pelos caminhos de sucesso da Amazon ao anunciar a ampliação de suas categorias no site, conforme campanha de marketing enviada por e-mail aos assinantes de seu feed.

A parte boa disso tudo é ter mais uma grande marca proporcionando tais produtos diversos para compras acessíveis online, mas sem deixar de lado os tradicionais ‘encontrinhos’ nas lojas físicas. Que a Cultura possa unir os benefícios dos dois mundos, o físico e o digital.

A questão que fica no ar é: “Será que o EV continuará o mesmo?”, o que vocês acham?

Minha tatuagem literária

Olá, leitores!

Pois é, fiz uma tatuagem na parte de trás do braço, escolhi uma pilha de livros com uma xícara e café em cima e a frase “felicidade clandestina”, que é o título de um conto da Clarice Lispector.

Significado

A pilha de livros e o cafezinho são itens óbvios: paixão e hobbie.

O principal motivo de eu ter escolhido esse título em detrimento de tantos outros foi a última frase do conto: “Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante”, sem contar que a Felicidade Clandestina me remete muito ao período em que eu lia escondida porque meu pai costumava me dizer que esses livros não me levariam a lugar algum, um período de adrenalina e deleite em palavras que resultou no meu primeiro blog literário (há males que vêm para o bem). ❤

tatuagem literária
Sim, esse caninho de PVC é meu braço. 🙂

 

A tatuadora

Fiz com a Marina Tavares, aqui mesmo em Maranguape, R. Manuel Paula, 227 (altos), e super indico o trabalho dela, além de estilosa, é competente, profissional e muito dedicada. ❤

A dor

Pensei que fazer tatuagem doesse bem mais. Entendo que esse nível de dor oscila a depender do local onde a tatuagem está sendo feita, mas o que eu senti foi como arranhões ou rápidas furadas de agulha, nada que me fizesse achar que meu braço cairia. E outro detalhe, quando começava a doer um pouco mais, ela parava e recomeçava, o que deu certo alívio. A letra mais próxima ao meu cotovelo foi a que eu mais senti, deu até aquele reflexo na perna, me senti o Chaves.

Cuidados

Estou lavando com asseptol diluído em água (coloquei já misturado em um borrifador) três vezes ao dia e usando uma fina camada da pomada Nebacimed. Uso plástico filme quando vou dormir ou andar de ônibus (medo de alguém passar com a mochila e levar parte do meu novo xodó, rs).

Ainda estou em processo de cicatrização, mas estou muito feliz com o resultado. Agora tenho uma tatuagem literária para chamar de minha.  ❤

 

Eu li: Codinome Cassandra, da Meg Cabot

Meg Cabot é sempre um bom ponta pé quando estou em ressaca literária, sua escrita é envolvente, rápida e divertida. Então, para tentar, mais uma vez, sair dessa inércia literária, resolvi apostar em Codinome Cassandra, o segundo volume da série Desaparecidos.

IMG_20170820_111348349Codinome Cassandra tem uma capa cheia de notas musicais para representar o acampamento Wawasee para crianças com talentos especiais para música, que é onde Jess está trabalhando nessas férias de verão. Tudo parece estar indo bem, a final de contas pelo menos nesse verão ela não precisaria trabalhar em um dos restaurantes da família, continuaria no anonimato e tudo sairia bem. Mas nem tudo são flores quando se trata de Jess, bem, flor é a ultima palavra que se espera numa frase que se refira a ela.

Ela continua encontrando crianças desaparecidas às escondidas, mantém uma pessoa de confiança na organização que funciona como Disque Desaparecidos ou algo do tipo, mas o que ela não sabia é que o FBI ainda estava observando seus movimentos.

Codinome Cassandra mantém o mesmo fluxo frenético do Quando cai o Raio, mas confesso que alguns aspectos da narrativa me incomodaram um pouco dessa vez (será que estou ficando velha demais até mesmo para a Meg Cabot? Oh, céus, espero que não), como a repetição contínua de centos acontecimentos, como quando ela fica relembrando umas três ou quatro vezes o que aconteceu quando ela esteve sob guarda do FBI e como Rob não está nem aí pra ela, mas isso não abala a sua convicção de que ele será o seu namorado, coisas do tipo, chega a parecer que está apenas a encher linguiça.

Jess me lembra muito a Suzannah, da série A Mediadora, tanto pelo poder paranormal, quanto pelos seus métodos nada convencionais de lidar com os acontecimentos. Rob me remete a Jess (da Mediadora), o rapaz bonitão e bem mais velho que não quer se envolver com a protagonista porque ela é muito nova e tal. Alguns detalhes se repetem em Desaparecidos, mas com toda certeza do mundo A Mediadora ainda é bem melhor.

Meg Cabot é conhecida, principalmente, por ter escrito Diários da Princesa, série que virou filme. Publica livros juvenis como quem troca de roupa, sua bibliografia é bem vasta.

Eu li: O oceano no fim do caminho, de Neil Gaiman

GAIMAN, Neil. O oceano no fim do caminho. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2013.

Tradução de: Renata Pettengill

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Em O oceano no fim do caminho temos a história de um homem que volta à sua casa de infância após um funeral, lá ele recorda de certos acontecimentos de quando tinha 7 anos de idade. A crise econômica de sua família que gerou mudanças no cotidiano desencadeou uma série de acontecimentos, como o suicídio do vendedor de opalas e a chegada de Ursula Monkton. A magia da casa das Hempstock, a amizade nada convencional de Lettie e o terror vivido na própria residência são alguns dos pontos que conduzem essa história.

Quando concluí a leitura desse livro eu não sabia ao certo o que pensar sobre ele. Uma história curta que envolve um mundo mágico pouco desenvolvido, seria um conto infantil ou só mais um livro “ok”? Parei para refletir nos diversos elementos que Gaiman expôs em cerca de 200 páginas e me dei conta do quanto essa história curta é carregada de significados e emoções.

Como se não bastasse o arrebatamento tardio, caí na página de resenhas do Skoob para ver se os leitores reagiram da mesma maneira que eu e pasmem! A reação geral é de amor ou ódio. Creio que isso seja bastante justificável por uma frase contida no próprio livro em questão, “pessoas diferentes se lembram das coisas de jeitos diferentes” P. 196, eu traria esse pensamento para a máxima: “cada leitor lê o livro que deseja”.

Digo isso sem medo, pois O oceano no fim do caminho é um conto infantilizado se você o lê superficialmente, chegando a ser até meio sem pé nem cabeça, desconexo. Embora, se o leitor conseguir captar as nuances que o autor deixou aqui e ali perceberá que cada personagem e cada acontecimento não estão dispostos ali em vão. Gaiman foi perspicaz a ponto de não entregar sua mensagem logo de cara, o poder do lúdico e dos sentimentos são postos de bandeja ao leitor, basta saber aproveitar.

Esse livro é uma história curta, descontraída e tocante, a escrita de Gaiman é tão envolvente que torna a leitura muito rápida e fluída, indicado para todas as idades.

Eu li: O princípio Dilbert, do Scott Adams

O princípio Dilbert é uma especie de almanaque satírico sobre o mundo corporativo. Se eu já me diverti horrores com as tirinhas do Dilbert, ler esse livro foi uma das experiências de leitura mais divertidas que já tive na vida.

dilbert.pngO problema (que não é tanto um problema assim) é que o livro é muito antigo, do final da década de 90, e acaba por tratar de coisas que não existem mais, como o disquete por exemplo.

Esse livro faz análises das relações sociais hierárquicas que existem dentro das empresas e fala a verdade do que acontece dentro do ambiente de trabalho de uma maneira exagerada e engraçada, o clássico “toda piada tem um fundo de verdade”.  Segue exemplos:

Quem nunca ouviu “vista-se para o emprego que você deseja, não para o que você tem”?

Ao contrário do que popularmente se acredita, quase sempre é a sua roupa que recebe a promoção, não é você. Você colhe os benefícios de ser a pessoa que está dentro dela. Vista-se sempre melhor do que os seus colegas, de forma que sejam as suas roupas as selecionadas para a promoção. E certifique-se de estar usando-as quando isso acontecer.

P. 81

Ande sempre com papéis e uma caneta em mão ao andar pelos corredores! Ah, Scott também discorre a incrível arte de roubar os suprimentos de escritório do colega de trabalho só para enriquecer o seu arsenal.

Nunca ande pelo corredor sem um documento nas mãos. Pessoas com um documento nas mãos parecem funcionários trabalhadores dirigindo-se para reuniões importantes. Pessoas que não carregam nada nas mãos parecem que estão indo tomar um cafezinho. Pessoas carregando jornal parecem que estão indo ao banheiro.

Acima de tudo, certifique-se de levar um monte de coisa para casa à noite criando assim a impressão de que trabalha até mais tarde.

P. 81

Antes de reclamar do salário, que tal conferir como anda a sua remuneração virtual? Não esqueça de contar todos os clipes, impressões e envelopes que você está usando para uso pessoal!

O seu salário hora médio parece que está encolhendo como uma camiseta de algodão barata.

Mentira!

A natureza tem um jeito de equilibrar isto. Você precisa considerar o quadro global de remuneração, que eu chamo de “Remuneração virtual por hora”.

A Remuneração virtual por hora é o valor total de remunerações que você recebe por hora inclusive:

  • salário
  • bônus
  • plano de saúde
  • reembolso inflacionado de despesas de viagem
  • suprimentos de escritório roubados
  • prêmio por milhas voadas
  • café
  • biscoitos
  • jornais e revistas
  • chamadas telefônicas pessoais
  • internet
  • correio eletrônico pessoal
  • uso da impressora a laser para o seu currículo
  • fotocópias grátis
  • treinamento para o seu próximo emprego
  • baia usada como ponto de venda a varejo

P. 96 e 97

Como vocês podem ver tudo o que o autor coloca em seu livro é pura graça e exagero, mas não fogem da realidade, rs. Se antes eu já indicava as tirinhas do Dilbert, hoje indico mais ainda, principalmente para quem está envolvido no mundo corporativo.