Diário de leitura | Resumo de agosto de 2019

Olá!

Passei uns três meses lendo quase nada, o que me desmotivou um pouco a fazer esse tipo de postagem, mas agora em agosto retomei o meu ritmo, então estou aqui para compartilhar com vocês o que rolou em relação aos livros.

Livros lidos

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  1. Todos nós adorávamos caubóis, de Carol Bensimon: É um romance road trip ambientado no sul do Brasil, há também a temática LGBT. Achei a leitura bem descontraída e rápida. Já tem resenha para ele aqui no blog.
  2. Autobiografia, de José Luís Peixoto: Confesso que não gostei muito desse livro, a escrita é o seu diferencial, mas a história em si não me agradou, achei parado e previsível demais (o título e a capa são um spoiler medonho).
  3. Coração azedo, de Jenny Zhang: livro de contos que conversam entre si e mostram a realidade de jovens orientais que imigraram com seus familiares para os Estados Unidos. As condições precárias e as dificuldades de relacionamento são os principais tópicos nas histórias.
  4. A morte de Ivan Ilitch, de Lev Tolstói: Essa pequena história é carregada de significado e faz uma crítica a certos aspectos sociais que nunca morreram, farei resenha pra ele em breve. 🙂
  5. A sociedade do cansaço, de Byung-Chul Han: Apesar de muito repetitivo, a construção do pensamento do autor é bem interessante. A crítica em relação a nossa sociedade que se cobra cada vez mais é bem pertinente. Também haverá resenha pra ele logo logo.
  6. O corpo dela e outras farras, de Carmem Maria Machado: Livro que reúne contos de mulheres em diversos ambientes, seja em cenários a lá ficção científica ou sobre a maternidade. Há mistério e vazio em suas histórias, acho que a autora não trabalhou muito bem o ‘final em aberto’ de alguns contos, um dele até pareceu que foi abandonado na metade porque aconteceram tantas coisas para culminar em algo tão ok. Não gostei muito ao final das contas, me decepcionei porque os comentários sobre ele era de algo como “Black Mirror” feminino.

Novos na estante

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Para além do livro da TAG, esses foram minhas últimas aquisições. Há meses que eu não comprava nada, então aproveitei uma promoção na Amazon e fiz a festa. Yey…

Contando de baixo para cima, os três primeiros títulos são para estudar pra prova do mestrado. Pretendo tentar mestrado em educação daqui a alguns anos, então comecei a ler algumas obras da bibliografia para me familiarizar com os conteúdos. Sei que a lista pode mudar daqui pra lá, mas acho que a essência é a mesma.

O Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis é de uma conterrânea que descobri há pouco tempo e estou super curiosa para conhecer o seu trabalho. Jarid é cearense e tem vários projetos voltados para a escrita feminina.

O Fique Comigo e o No seu pescoço são livros de autoras Africanas, sendo o primeiro um romance e o segundo, uma coletânea de contos. Já li comentários maravilhosos sobre as duas obras e estou bem animada para lê-los.

O Breve história do feminismo é para o encontro de setembro do Leituras Feministas. Esse tava de promoção na Livraria Cultura perto do meu trabalho, então aproveitei a deixa. Pensando bem, esqueci de colocar o A sociedade do cansaço aqui na foto, rs, comprei junto com o Breve história. 😉

Sobre a Bienal que eu não fui

Desde que me entendo por gente, nunca deixei de ir pra Bienal do Livro do Ceará, mas nesse ano não compareci. Não sei explicar ao certo o motivo, mas acho que nem preciso me justificar. Ao final das contas, estava cansada demais e apesar de as palestras me interessarem, os horários não combinavam com a minha realidade… Os dilemas de morar longe de tudo e cansar só de planejar ir para um evento.

Espero estar mais animada (e com dinheiro) para a próxima.

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Diário de leitura | Resumo de abril de 2019

Olá, leitores!

Hoje eu vim mostrar os livros lidos em abril de 2019. No vídeo abaixo anexo mostro tantos os livros lidos como os que chegaram pra mim, uma espécie de Book Haul bônus.

 

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  1. Tróia, de Cláudio Moreno  – Foi interessante ler um pouco sobre a Guerra de Tróia e os caprichos dos deuses do olimpo. O final não me agradou muito, mas a narrativa é bem empolgante.
  2. Ela e o seu gato – Esse mangá é bem melancólico e traz a rotina de uma jovem que está morando sozinha e trabalhando a partir da perspectiva de seu gato.
  3. Witches (vol 1) – Protagonistas femininas que se envolvem com magia de alguma forma, seja com o clássico paganismo ou com xamanismo.
  4. Witches (vol 2) – Incrível, realmente um par de mangá que me surpreendeu positivamente.
  5. As alegrias da maternidade, de Buchi Emecheta – Que livro maravilhoso! O título é só uma ironia e ao ler essas páginas, pode se preparar para conhecer a dureza da vida de uma mãe nigeriana que passa pela transição da Nigéria colônia para os novos tempos.
  6. O sonho dos heróis, de Adolfo B. Casares – Esse livro foi estranho. Ainda não fiz a resenha dele nem em texto nem em vídeo, pois ainda estou pensando sobre o que achei dessa leitura. em breve sairá opinião aqui no blog.
  7. Neve, de Orhan Pamuk – Confesso que não gostei desse livro. A história é muito boa e tem um recorte histórico como pano de fundo, mas a narrativa do autor me cansou demais!!
  8. Feminismo para os 99% – Já entrou para a lista dos favoritos. Esse livro é essencial para pensar sobre as questões humanitárias que tanto sofrem nessa onda conservadora atual.

 

Diário de leitura | Lidos em março de 2019

Olá, leitores!

Se em janeiro e fevereiro li pouquíssimos livros, compensei agora em março. Eu nunca havia lido tanto em um único mês, minha marca nunca havia passado de 4 livros ao mês.

Em março implantei duas medidas que pretendo tornar hábitos. Passei a andar com o Kindle na mochila e a ler quadrinhos e mangás. Antes eu deixava o Kindle em casa porque tinha medo de ser roubada, mas perdi um pouco da neura e isso me acrescentou três excelentes leituras que só foram possíveis porque com o Kindle eu consigo ler até mesmo em pé dentro do ônibus, rs.

Vamos ao que interessa…

índice

Os números não estão na ordem de leitura porque não lembro exatamente qual veio antes ou depois. Apenas numerei de maneira aleatória.

  1. O feminismo é para todo mundo, de Bell Hooks. Esse livro foi o título debatido em março no Clube de Leituras Feministas que conheci nesse mês. Gostei bastante dessa obra, ela é bem introdutória no assunto do feminismo, ideal para quem está galgando seus primeiros passos e que não conhece muito a respeito. Ele é curtinho, mas muito rico.
  2. Fome, de Roxane Gay. Livro de março para o Leia Mulheres de Fortaleza. Roxane escreve em Fome sobre sua relação com o próprio corpo após sofrer um abuso sexual coletivo aos 12 anos de idade. Esse livro é um misto de sentimentos, ao mesmo tempo em que ele é pesado e angustiante em diversos aspectos, também nos mostra uma realidade em que nunca paramos para pensar a respeito, que é a de pessoas obesas e suas dificuldades para realizar tarefas rotineiras. Esse livro me acrescentou bastante.
  3. Um teto todo seu, de Virgínia Woolf. Esse livro é o resultado de duas palestras proferidas pela Virgínia sobre a Mulher na Literatura. É interessante que a autora levanta a questão das 500 libras anuais para mostrar que a “falta de criatividade” das mulheres não está relacionada ao gênero, mas a uma questão de oportunidade.
  4. Preacher, de Ennis e Dillon. HQ da Panini e Vertigo que li sob influência de uma série que gosto muito. Confesso que não gostei tanto do quadrinho quanto esperava.
  5. Matéria Escura, de Blake Crouch. Comprei esse livro porque lia ótimos comentários sobre ele, mas a narrativa do autor não funcionou comigo. O protagonista não me cativou, a história muito menos e pra piorar tudo, a escrita de Blake me pareceu tão rasa, com frases tão curtas e mal elaboradas que fui desanimando. A premissa é ótima, porém uma história mal aproveitada.
  6. Não está mais aqui quem falou, de Noemi Jaffe. Esse livro de contos é muito amorzinho. Ele passeia entre histórias reais, reconta mitos, traz ficções e filosofa sobre efemeridades.
  7. Maria Bonita, de Adriana Negreiros. Esse livro foi debatido no Leia Mulheres de fevereiro, ele é um apanhado histórico sobre Lampião, Maria Bonita e o Cangaço em terras nordestinas. Aprendi muito com essa leitura, a Adriana mudou minha visão sobre essas figuras tão populares por aqui. As atrocidades que os cangaceiros realizavam, principalmente para com as mulheres, eram estarrecedoras!
  8. Wotakoi – O amor é difícil para otakus, de Fujita. Mangá que mescla os gêneros Shoujo e Slice of life, os personagens são quatro amigos (dois casais) que trabalham no mesmo escritório e são Otakus. Na cultura Japonesa, ser Otaku é visto com maus olhos, pois essas pessoas têm vícios em games, animes e coisas do tipo. Entre esconder suas paixões pessoais e levar uma vida “normal”, Wotakoi se desenrola com cenas cotidianas e engraçadinhas.
  9. O diário de Anne Frank. Que-livro-maravilhoso! Enquanto lia esse livro, senti vontade de abraçar a Anne Frank, principalmente depois que fui ler sobre o que aconteceu com as pessoas que estavam escondidas com ela. Quanto terror e ternura que esse livro me proporcionou…
  10. Assim falou Zaraustra, de F. Nietzsche. Essa edição é uma adaptação em mangá da obra de Nietzsche, como não li o original, não tenho como fazer comparações, mas a história é maravilhosa e traz uma rica reflexão sobre o relacionamento das pessoas com Deus. O que muitos entendem como heresia, na verdade é um resumo sobre como as pessoas deixaram Deus de lado pensando em seus bens materiais.

Então foi isso. vocês leram bons livros em março?

VOX | Christina Dalcher | Arqueiro

DALCHER, Christina. Vox. São Paulo: Arqueiro, 2018.

VOXQuando li a premissa desse livro fiquei com muita vontade de lê-lo. Parecia um pouco com O conto da aia, mas com certo distanciamento para evitar tantas comparações. Iniciei a leitura empolgada, mas Vox não me encantou.

A história se passa em um futuro não muito distante em que a direita extremista está no governo americano com o seu excesso de religião e necessidade de reafirmar a “pureza” dos seus aliados. Isso me lembra bastante o governo atual do Brasil, que prima pelos “cidadãos de bem” e querem pautar suas atitudes em fundamentos religiosos. Ao final, o que se passa em Vox se distanciou do gênero distopia e me pareceu um provável segundo governo do Bolsonaro no Brasil.

A proposta do livro é excelente, mulheres com sua fala reduzida a 100 palavras do dia e agora fora do mercado de trabalho, limitando-se às tarefas domésticas com o máximo de puritanismo possível. O plot da história se dá quando o irmão do presidente sofre um acidente e o governo precisa que a Dra. Jean produza o soro resultante de sua pesquisa da época da academia. Ao longo dos dias, Jean descobre o que o governo realmente quer fazer com o produto de suas pesquisas.

Como disse, a premissa do livro é excelente, envolve condição feminina, governo extremista e pesquisa acadêmica. Porém, a escrita da autora não me pegou de forma alguma, a história é entrecortada demais, tenta inserir vários elementos que não saem da superficialidade e alguns acontecimentos parecem ter surgido do nada, como quando Jean começa a vomitar na sala de Lorenzo sem nenhum vestígio anterior do que estava por vir ou quando Patrick começa a falar de Lorenzo como se fosse a coisa mais normal do mundo… Detalhes que não se encaixam e parecem surgir só pra dar um climão, mas acabou estragando a trama do enredo em si.

A discussão social e política sobre essa sociedade até tenta se construir, no que seria os dias de hoje, com a tentativa das acadêmicas de lutar por seus direitos e a atuação de Jackie na TV para expor o lado das feministas, mas não passa de relapsos de memória da protagonista, não há nada aprofundado nesse quesito.

“Minha culpa começou há duas décadas, na primeira vez em que não votei, nas vezes incontáveis em que disse a Jackie que estava ocupada demais para ir a mais das suas passeatas, fazer cartazes ou ligar para meus congressistas. ” P. 215

A leitura de Vox flui muito bem, pois os capítulos são muito curtinhos e a escrita da autora é rápida. A história já apresenta todos seus elementos, sem necessidade de grande aprofundamento e isso me incomodou bastante, pois me senti lendo um romance distópico fraco. Indico o livro para quem gosta de distopias adolescentes, pois achará o Vox sensacional, mas não é uma boa escolha para quem gosta de histórias mais densas e com camadas a explorar.

Três romances para refletir sobre a condição feminina

Olá, leitores!

Hoje trouxe para vocês uma listinha rápida com dicas de romances para ler e refletir sobre um tema que está muito presente no nosso cotidiano.

Todos os dias é possível ver casos de feminicídio nos jornais, barbáries inigualáveis. A mulher, por ser fisicamente mais frágil e, por vezes, ter o seu lugar de fala cortado pelo machismo cotidiano ou sofrer abusos psicológicos e emocionais em relacionamentos nada saudáveis. Pensando nisso, trouxe aqui a indicação de três romances para ilustrar como a vida de muitas mulheres pode ser devastada sem a força da luta (e das conquistas) das mulheres.

1. A cidade do Sol, de Khaled Hosseini

a_cidade_do_sol_1295553285bA cidade do Sol é forte e marcante, traz a história de duas mulheres que cresceram de forma diferente, uma era incentivada pelo pai a estudar e a sonhar com o futuro, a outra era uma filha bastarda que passou a infância escondida para não manchar o nome do pai. Elas se encontram em condições adversas, durante a guerra no Afeganistão, e passam a compartilhar o mesmo teto, sofrendo física e emocionalmente num país em que as mulheres não possuem voz e precisam andar de burca nas ruas.

Falei sobre esse livro AQUI.

2. Hibisco Roxo, de Chimamanda Gnozi Adichie

hibisco_roxo_1384015895bChimamanda é mais conhecida pelos seus dois manifestos Sejamos todos feministas e Para educar crianças feministas. Em Hibisco Roxo a autora nos apresenta uma família nigeriana com suas tradições e a influência do cristianismo na cultura deles. É pesada a forma como a religiosidade exagerada pode varrer a vida de uma mulher para debaixo do tapete e fingir que não há nada acontecendo.

Falei sobre ele AQUI.

 

 

3. O conto da Aia, de Margaret Atwood

o_conto_da_aia_14955647998256sk1495564800bO conto da Aia ficou conhecido principalmente após a adaptação como série e repercutiu bastante durante as últimas eleições brasileiras. Uma distopia que levanta a temática de como as mulheres, em geral, são as primeiras a ter seus direitos retirados em momentos de crise e, novamente, como a religiosidade tenta apagá-las.

Falei sobre a obra AQUI.

 

 

 

Então, é isso, histórias de mulheres afegãs e nigerianas, bem como uma ficção sobre até onde as atrocidades machista-religiosas podem chegar.

É válido ressaltar que esses não são os únicos e podem não ser os melhores, a lista foi criada com base nos livros que eu li. Então o post fica aberto caso você queira acrescentar mais títulos nos comentários para que eu e os outros leitores possam conhecer mais obras do gênero. 😉

Liberta-me (Shatter me #2), de Tahereh Mafi

MAFI, Tahereh. Liberta-me. Ribeirão Preto: Novo Conceito, 2013.

Olá, leitores!

Depois de exatos cinco anos de que li o primeiro volume da trilogia Estilhaça-me, dei uma chance à continuação da história. Lembro que eu não tinha gostado muito do final do primeiro livro e isso me fez desanimar em ler os próximos, mas com o projeto ‘tirando a poeira’ resolvi dar uma chance a Liberta-me.

Liberta-me acontece dentro do Ponto Ômega, uma espécie de refúgio para pessoas com dons, que nada mais são do que poderes especiais do tipo super força, invisibilidade e etc. A protagonista Juliette está tentando se adaptar a ver sua condição como algo positivo enquanto que precisa resolver sua conturbada vida amorosa.

Vamos por partes. Os personagens principais dessa história são adolescentes em uma faixa etária entre 15 e 20 anos, são bem jovens e uma das principais preocupações deles é estar com o amor da sua vida e coisas do tipo. A Juliette, em específico, não tem experiência alguma em relacionamentos sociais e se vê agora tendo amigos e namorado, algo totalmente novo.

O triangulo amoroso da história é muito bonitinho e é válido lembrar que estamos lidando com um livro jovem adulto, então o seu foco principal é sim o romance e o cenário distópico é só o pano de funo. Entendo a proposta da autora, mas creio que isso acabou tornando a história MUITO superficial, pois a Tahereh tem um baita conteúdo a explorar que são pessoas com poderes especiais numa sociedade distópica e enquanto o mundo está um caos, estamos presos no Ponto Ômega compartilhando os conflitos internos da Juliette sobre não poder beijar o namorado. Bem desestimulante em certo aspecto.

Ok, mas deixando de lado a falta que senti em ler sobre formação social e política desse cenário que a autora propôs, temos a mente da Juliette que é depressiva e insegura. A partir dessa perspectiva acompanhamos seu romance que mais parece novela da Globo, mas não digo isso em um sentido pejorativo, pelo contrário, a narrativa da autora é tão viciante que eu PRECISAVA virar as páginas para saber o que aconteceria em seguida.

Então, senti falta de vários elementos que enriquecessem a história, mas entendo a proposta da autora e concluo dizendo que como romance jovem adulto esse segundo livro é maravilhoso, mas como distopia nem tanto.