Diário de leitura | Resumo de abril de 2019

Olá, leitores!

Hoje eu vim mostrar os livros lidos em abril de 2019. No vídeo abaixo anexo mostro tantos os livros lidos como os que chegaram pra mim, uma espécie de Book Haul bônus.

 

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  1. Tróia, de Cláudio Moreno  – Foi interessante ler um pouco sobre a Guerra de Tróia e os caprichos dos deuses do olimpo. O final não me agradou muito, mas a narrativa é bem empolgante.
  2. Ela e o seu gato – Esse mangá é bem melancólico e traz a rotina de uma jovem que está morando sozinha e trabalhando a partir da perspectiva de seu gato.
  3. Witches (vol 1) – Protagonistas femininas que se envolvem com magia de alguma forma, seja com o clássico paganismo ou com xamanismo.
  4. Witches (vol 2) – Incrível, realmente um par de mangá que me surpreendeu positivamente.
  5. As alegrias da maternidade, de Buchi Emecheta – Que livro maravilhoso! O título é só uma ironia e ao ler essas páginas, pode se preparar para conhecer a dureza da vida de uma mãe nigeriana que passa pela transição da Nigéria colônia para os novos tempos.
  6. O sonho dos heróis, de Adolfo B. Casares – Esse livro foi estranho. Ainda não fiz a resenha dele nem em texto nem em vídeo, pois ainda estou pensando sobre o que achei dessa leitura. em breve sairá opinião aqui no blog.
  7. Neve, de Orhan Pamuk – Confesso que não gostei desse livro. A história é muito boa e tem um recorte histórico como pano de fundo, mas a narrativa do autor me cansou demais!!
  8. Feminismo para os 99% – Já entrou para a lista dos favoritos. Esse livro é essencial para pensar sobre as questões humanitárias que tanto sofrem nessa onda conservadora atual.

 

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O mito da beleza | Capítulo 1

Olá, leitores!

Nesse primeiro capítulo, a autora traça uma linha de raciocínio para explicar o que é o Mito da Beleza, como ele surgiu e qual o seu papel na sociedade atual. Podemos perceber que a autora opta por falar sobre uma classe média branca que se enquadra nessas características de luta para sair da efemeridade da vida no lar e ganhar seu espaço no mercado de trabalho.

Desde o renascimento do feminismo, as mulheres ganharam espaço no mercado de trabalho e quebraram tradições quanto ao seu papel social, mas estariam as mulheres realmente livres?

Historicamente, a família era um sistema de produção e a mulher contribuía com sua força de trabalho colhendo verduras ou ordenhando a vaca para vender leite no mercado. Com a Revolução Industrial, as mulheres passaram a ser “domesticadas” devido a sua ociosidade. Mulheres alfabetizadas passaram a gastar o seu tempo com revistas femininas, com beleza e com os cuidados de casa.

As revistas de 1830 e 1840 começaram a estabelecer o “padrão desejado de beleza” e a “preocupação com a beleza” passou a ser algo natural para o universo feminino. A partir daí o estereótipo almejado pelas mulheres tornou-se algo utópico, sendo o ideal de dona de casa perfeita ou a mulher contemporânea que além de ter várias responsabilidades ainda precisa se desdobrar para ter o corpo de uma modelo de 20 anos. Isso provoca uma insegurança enorme nas mulheres que não conseguem atingir tal padrão de beleza, aumentando o auto ódio e a incessante jornada de tentar burlar o curso natural da vida, a velhice.

Uma mulher que equilibra seu tempo entre o trabalho, os estudos e a família, sim, aquela típica mãe de comercial de margarina, pode esconder uma sub-vida de opressão e de ódio ao próprio corpo.

O envelhecimento natural parece um vilão na vida das mulheres. Enquanto os homens mais velhos ganham o título de charmoso e de maduro, mas mulheres que não escondem seus sinais da idade é tida como desleixada. Essa imagem culturalmente enraizada advém de um medo coletivo de mulheres sábias e não é à toa que as bruxas, com sua figura de mulher velha, era vista como má e precisava ser queimada na fogueira.

A 2° onda do feminismo libertou as mulheres da domesticação no lar, mas a sociedade arranjou um jeito de continuar oprimindo as mulheres, agora as tornaram refém de uma neura em relação ao corpo que desgasta o psicológico e o emocional dessas mulheres que estão ocupando o seu espaço no trabalho, nas universidades e nas relações familiares. Quando as mulheres enfim conseguem caminhar com seus próprios passos, a sociedade exige algo mais… além de fazer tudo isso, você ainda precisa parecer uma modelo.

E não é de se admirar que quando alguém que atacar a luta das mulheres ou desmerecer algum trabalho seu, logo atacam a aparência física. “As feministas são masculinas” ou “A fulana pode até ser boa no que faz, mas precisa ser mais feminina”. Isso porque o mito da beleza atua como ferramenta de controle social, uma vez que as mulheres romperam com suas antigas amarras.

As alegrias da maternidade | Buchi Emecheta | Dublinense

Emecheta, Buchi. As alegrias da maternidade. 2° ed. Porto Alegre: Dublinense, 2018.

51zVTDlN1PLEsse livro chegou ao Brasil como indicação da Chimamanda para a TAG Livros e de lá pra cá foi o título com maior repercussão dentro do clube de assinatura. No ano passado, a Dublinense relançou a obra no Brasil.

As alegrias da maternidade é um romance autobiográfico em que o título é irônico e a história é incrivelmente rica e dolorosa. Aqui o leitor pode viajar na história da Nigéria desde os anos 30 (período da colonização britânica), passando por sua atuação na Segunda Guerra Mundial e o seu processo de modernização.

Os costumes religiosos e culturais embalam a miséria da vida de Nnu Ego que está em seu segundo casamento forçado com um homem que ela detesta para cumprir sua missão de ser mãe. Nessa sociedade as mulheres só se tornam completas quando cumprem a sua função de mãe.

Tendo que se virar entre o trabalho para completar a renda familiar e cuidar de seus filhos, Nnu Ego vive um dia após o outro, contando apenas em tentar garantir o alimento do dia seguinte. Enquanto o marido trabalha para um casal de britânicos que mora na cidade colonizada de Lagos e sai todas as noites para beber vinho de palma, deixando a esposa praticamente sozinha para se virar com todas as questões domiciliares.

A condição de colonizado é sutilmente mostrada pela autora em pequenos detalhes, como quando os britânicos fazem troça nos nigerianos por causa de sua cor ou quando a escravidão é banida da Nigéria, mas os brancos continuam podendo escravizar os negros ou até mesmo quando Naife é sequestrado para ir pra guerra.

A questão da educação também é algo bem marcante nesse livro, pois apenas os meninos poderiam continuar seus estudos, enquanto que as meninas precisavam ajudar a mãe a ganhar dinheiro para alimentar os irmãos e a pagar o colégio deles. A própria autora travou uma batalha enorme para conseguir entrar e permanecer no colégio.

Com o passar dos anos, a família de Nnu Ego começa a se deparar com as mudanças sociais de seu país. Seu modelo tradicionalista de viver passa a sair de cena, por mais que ela não conseguisse largar todas aquelas amarras.

Adaku é a representação de uma pessoa que vivia nos antigos costumes e consegue se abrir ao novo e prosperar por causa disso. Ela está disposta a fazer o que for para manter as filhas estudando, pois ela enxerga um futuro para as meninas que vai bem além dos dotes recebidos para que elas casassem.

Os sacrifícios e a solidão da maternidade são trabalhados de maneira ímpar nesse livro. Torci pelos personagens, me emocionais, sorri e fiquei chocada em vários episódios. As alegrias da maternidade se passa na África de meados anos 40, mas a opressão feminina aqui descrita ainda está presente em vários locais e eu não falo de casamento forçado, mas da imposição social de que as mulheres se resumem a um útero e precisam enfrentar qualquer miséria para cumprir o seu papel de mãe.

Tróia | Cláudio Moreno | L&PM

5027848Essa foi uma releitura, dessa vez para o projeto LiterArte. Quando li Tróia pela primeira vez, ainda estava no colégio e hoje percebo que pouco aproveitei os conflitos da história naquela época.

Cláudio Moreno fez um apanhado de diversos relatos sobre a Guerra de Tróia, inclusive alguns capítulos desse livro sinalizam o início e fim dos acontecimentos que se passaram em Ilíada, de Homero.

A história da Guerra de Tróia é muito conhecida, a Grécia inteira se reúne contra a cidade de Tróia após Páris sequestrar Helena, a esposa de Menelau. Com a ajuda constante dos deuses gregos, os humanos travam uma batalha que há muito já estava escrita pelas Moiras.

A narrativa nos mostra a humanidade dos deuses do Olimpo. Suas fraquezas e preferências. A exemplo, vemos os caprichos de Aquiles sendo satisfeitos por Zeus após a intervenção de sua mãe, uma Nereida (uma espécie de sereia de água doce), ou os planos de Hera para vencer sua rival, Afrodite, após ela ter ganho o título de ‘a mais bela’.

Podemos apreender também a condição da mulher nessas civilizações, que culturalmente era relegada a ser apenas um objeto. Menelau foi roubado e ele se juntou aos aliados para reaver seu pertence, a formosa Helena. Além do mais, mesmo demonstrando não estar mais a vontade ao lado de Páris, a grega não tinha voz para se desvencilhar daquele laço. Em diversas passagens, os homens se incomodam de ser o segundo a ter relação sexual com uma mulher, pois ela “já estaria usada por outro”.

A narrativa de Cláudio Moreno é rápida, sem muita enrolação. O autor faz questão de enlaçar todos as etapas da Guerra à atuação dos deuses, nunca um acontecimento é uma banalidade, tudo se forma numa trama bem arquitetada. A cronologia dos acontecimentos não é bem delimitada, o leitor não consegue distinguir o que aconteceu em cada um dos anos da guerra, as cenas apenas seguem uma atrás da outra.

O final da história é surpreendente, embora tenha me deixado um pouco desanimada. Como apêndice para o leitor, os objetos de estudo utilizados pelo autor são listados ao final do livro. Foi interessante conhecer um pouco mais sobre a Mitologia Grega, a relação dos deuses com o homem e sobre as questões que compuseram o desenlace da Gerra de Tróia.

Projeto de Leitura | O mito da beleza

Olá, leitores!

Hoje trouxe para vocês um projeto de leitura conjunta para o livro O mito da beleza, da Naomi Wolf.

Esse livro foi escrito em 1991, mas mesmo depois de quase 30 anos ele permanece atual e presente no cotidiano de todos.

As lutas feministas muito avançaram ao longo dos anos e diversas conquistas foram realizadas. Hoje, muitas mulheres conseguiram se libertar da opressão do fogão e sair à luta de seus direitos e de seu espaço, mas infelizmente a maioria ainda é escrava do espelho. Por isso, a leitura desse livro é fundamental.

O intuito da autora ao escrever esse livro foi tentar desconstruir os mitos pessoais de beleza que nos colocamos como meta e mostrar que a mulher pode escolher a aparência que deseja ter sem obedecer a imposições do mercado e da indústria da beleza, ou seja, proporcionar uma consciência de beleza para que a mulher possa distinguir o que lhe está sendo imposto e decidir se realmente quer acatar ou tal tal característica.

Falar sobre o mito da beleza é necessário, pois esse padrão idealizado é responsável pela morte de jovens na mesa de cirurgia plástica clandestina ou pelo desenvolvimento de distúrbios alimentares.

Tem-se no imaginário popular de que as mulheres que criticam o mito da beleza estão fora do padrão (são gordas, feministas, feias, lésbicas, não brancas), mas a luta pelo fim dessa opressão é de todos, pois hoje até mesmo os homens estão sendo escravizados pelo ideal de beleza, cada vez mais vemos revistas masculinas que impõem um estilo, um corpo padrão, sem contar que os procedimentos estéticos também os alcançaram.

É incrível como o ideal de beleza sempre foi e sempre será inalcançável, pois ele é mutável ao longo do tempo. Isso porque ele sempre será usado contra as mulheres. Vejam só, se uma mulher resolve se dedicar a algo que não seja a beleza, podemos citar o seu lado profissional ou acadêmico, mesmo que ela seja a melhor naquilo, se ela não estiver no padrão de beleza, justamente isso será apontado “mas bem que ela poderia usar umas roupas mais femininas”, “ela se garante, mas deveria fazer as sobrancelhas”.

Então, é isso. Tudo o que eu comentei aqui está na apresentação e na introdução desse livro. Se vocês se interessaram, convido-os para participar desse projeto de leitura. 🙂

Vamos ao cronograma:

Cronograma semanal

Mangá | Witches

Olá, leitores!

Hoje vou falar sobre dois mangás incríveis que compõem essa pequena (em tamanho, porém grandiosa em conteúdo) série. Witches tem apenas dois volumes, foi escrita por Daisuke Igarashi e chegou ao Brasil pela Planet Mangá/ Panini Comics.

36552193O primeiro volume é composto pelas histórias Spindle (em duas partes), Kuarupu e A bruxa montada no pássaro. A primeira tem como protagonista uma bruxa pagã muito poderosa que precisa  enfrentar seu pior inimigo, ela mesma, que com toda a sua soberba não a permite se desenvolver melhor na magia e no seu autoconhecimento. Aqui o autor trabalha muito o embate entre a cultura pagã e a tentativa do cristianismo de se apropriar de seus elementos.

Em Huarupu, a protagonista é uma Xamã da Amazônia (sim, se passa no Brasil) e a história gira em torno da luta dela e de uma tribo indígena em lidar com ou enfrentar a entrada do homem branco na floresta. Muito interessante um ponto levantado sobre os espíritos dos animais depois que eles morrem.

A bruxa montada no pássaro aparenta não ter protagonista feminina até ser revelado que o místico está na mulher que aparece apenas para seu familiar.

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Nesse segundo volume, a estrutura do mangá permanece a mesma, três histórias sendo a última bem curtinha e protagonistas mulheres que se envolvem com o sobrenatural.

A primeira história que esse mangá traz é a Pedra da Reprodução, ou Pedra Genitalix. Uma bruxa da floresta e sua aprendiz começam a sentir algo de diferente no ar e todos os sinais indicam para a chegada da Pedra da Reprodução na Terra. O vaticano as convidam a resolver os problemas causados pela pedra, mesmo a contragosto, já que suas práticas vão de encontro ao cristianismo. Então, podemos perceber como as pessoas se aproveitam da sabedoria das bruxas em momentos de desespero, mas não as respeitam.

Essa questão da falta de respeito fica bem clara quando a pequena Alicia visita a cidade e ela é motivo de certo alvoroço por conviver com Mira.

Ladra de canções é o título da segunda história, que se desenvolve com a premissa de reencarnações e autoconhecimento.

Hinata é uma colegial que passa pelos dias sem realmente vive-los, como ela mesmo diz “[…] apenas assisto ao programa chamado ‘meu cotidiano’. Apenas assisto. ” P. 17. Então, ela rouba um dinheiro da escola e resolve viajar com Yuji, nessa viagem ela conhece Chitaru, que a ajuda a desperta seus sentidos para começar a realmente viver. As duas mulheres têm seus destinos entrelaçados nessa viagem de maneira transcendental.

A última história, que é bem curta, chamada Praia, nos leva a refletir sobre o limiar entre a vida e a morte. Contendo mais elementos visuais do que texto em si, os poucos diálogos aqui postos deixa o leitor matutando sobre o que realmente aconteceu ao gatinho.

Então, é isso. Amei a série Witches,  se você também gosta de histórias de bruxas, com conteúdos sobrenaturais ou com protagonistas femininas fortes, esse mangá é um prato cheio para você.