‘Tempo, mano velho’

Você já parou para imaginar “o que eu estaria fazendo agora se fosse 20 anos atrás?”, calma, vou explicar.

Quando estou nas redes sociais, principalmente rolando a linha do tempo do Instagram ou aguardando alguém responder a uma mensagem no WhatsApp, me sinto perdendo um valioso tempo e a sensação de “eu poderia estar fazendo outra coisa” toma conta de mim.

Dá pra imaginar o que as pessoas por trás dos perfis estariam produzindo na vida real se não estivessem dedicando tanto tempo para atualizar as redes sociais? Quanto tempo uma InstaFIT gasta tirando fotos e falando do seu treino ou do que está comendo? Não teria mais tempo para o treino ou o concluiria mais rapidamente se focasse na sua atividade? O tempo gasto no Studygram para escrever um texto motivacional ou para escolher as canetas que comporão a foto, não influenciaria no rendimento do estudante caso estivesse estudando ao invés de estar se preocupando com essas mesquinharias que as redes sociais impõem ?! Será que todo o tempo que gastamos nas redes é realmente necessário?

Certa vez escrevi sobre ter tempo para ler e os pequenos deslizes que roubam o nosso tempo (você pode conferir AQUI). A questão do tempo perfaz a realidade da nossa sociedade atual, gastamos tempo com coisas sem muita importância e nos encontramos atolados e sobrecarregados nas responsabilidades.

A nova temporada da série que assisto saiu na semana passada e gastei todo o meu final de semana “maratonando” para ficar por dentro da continuação da saga. A consequência? Deixei de estudar o que tinha proposto no meu cronograma, agora preciso realocar essas horas de estudo durante minha semana já tão abarrotada de coisas.

E se esse final de semana fosse há vinte anos? Eu não teria Netflix, talvez tivesse sentado para estudar e cumprido os meus objetivos, não existiria o Smartphone para roubar minha atenção, nem parte do meu tempo. Qual seria a possível distração da época? Nos tornamos menos produtivos pelo excesso de tecnologia no cotidiano? Só me vem em mente a imagem da Rory Gilmore, que foi a inspiração de estudo para muitas jovens na década de 90, poderíamos ser tão disciplinada como ela?

É certo que a inserção da tecnologia alavancou o desenvolvimento humano, realizamos tarefas com mais praticidade e agora temos o mundo de informações e possibilidades na palma da mão. Quando, mais especificamente, começamos a nos afogar nessa maravilha que possuímos hoje?

Sinto a necessidade, cada vez mais recorrente, de administrar melhor o meu tempo para deixar de lado essa angústia de desperdício ao acessar as redes sociais. Preciso mesmo compartilhar que estou na academia, que estou estudando, que comprei um livro novo e que tomei sorvete?

A tal da sociedade do espetáculo além de roubar as relações interpessoais reais também toma mais tempo do que devia só para “assistir” o outro, o que nos torna diretamente menos protagonista da nossa própria vida. Podemos investir melhor o nosso tempo? Será que realmente é só uma breve checada no celular?

Desde que sentei para escrever esse texto, parei várias vezes para checar o Instagram sem necessidade alguma. Eu preciso melhorar. Poderia ter concluído o texto mais rapidamente ou ter escrito mais alguma outra coisa, sei lá.

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