Um homem bom é difícil de encontrar | Flannery O’Connor | Nova Fronteira

Sabemos que o Sul dos Estados Unidos é marcado por forte racismo estrutural e é esse cenário que Flannery O’Connor utiliza como pano de fundo para os dez contos reunidos em Um homem bom é difícil de encontrar, título um tanto eufemista.

Flannery é conhecida por explorar o gótico sulista, que muitas pessoas chamam de grotesco, mas como a mesma autora disse certa vez “Descobri que qualquer coisa que vier do sul será chamada de grotesca pelo leitor do norte, a menos que seja grotesca; nesse caso, será chamado de realista“, ou seja, o que é tido como grotesco em suas histórias chega aos nossos olhos como um retrato da realidade humana.

Todos os personagens ao logo dos dez contos são dotados de muita religiosidade e demagogia, são pessoas que se apresentam com palavras bonitas e vazias, relações interesseiras e muito racismo.

Uma passagem que achei interessante ocorreu no conto O negro artificial e uma criança não vê a diferença entre negros e brancos, mas o seu avô faz questão de apontar :

[…] ‘O que era aquilo?’, perguntou ele.
‘Um homem’, disse o Nelson, que a essa altura sentiu que era melhor ser prudente.
‘Você não sabe de que tipo?’, Mr. Head disse em tom defenitivo.
‘Um velho’, disse o menino, com súbito pressentimento de que não ia se divertir tanto assim naquele dia.
‘Pois era um negro’, disse Mr. Head, se recostando.
” p. 133

O mesmo senhor que discrimina os negros por sua cor é o que abandona o neto em certo momento de dificuldade. Pois é, O’Connor ressalta o grotesco de cada um.

Esse é um livro inquietante e forte, que nos faz refletir sobre a humanidade. Aqui não há histórias levinhas para passar o tempo.

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Ponto Cardeal | Léonor de Récondo |Dublinense

RÉCONDO, Léonor de. Ponto Cardeal. Porto Alegre: Dublinense, 2020.

A francesa Léonor trouxe Matilda e Lauren em pouco mais de 150 páginas de maneira sucinta, mas muito envolvente. Acho que esse é o primeiro livro com a temática trans que leio e gostei bastante dessa experiência.

Ponto Cardeal foi um dos livros mais lidos pelos jovens franceses nos últimos anos, a sua temática envolta ao drama familiar conquistou o coração dos leitores. Aqui Laurent, o pai dedicado e trabalhador, aproveita as noites no Zanzi Bar para dar vida à Matilda, uma loira exuberante que dança e se entrega como se não houvesse amanhã e volta a ser Laurent após entrar no carro e pegar a maleta prata para guardar seus acessórios.

Em meio a essa luta interior e a um mal entendido, Laurent resolve contar para a família que na verdade ele é mulher mesmo tendo negado durante todos esses anos.

– Mas tem outra coisa que eu quero que vocês saibam. Uma coisa da qual eu nunca tive nenhuma dúvida. Se por um lado eu jamais me senti homem, por outro eu sempre me senti pai.” P. 80

A partir daqui, ele vai ter que lidar com a rejeição do filho, a insegurança da filha e o medo da esposa que jura de pé junto que esse é um problema para psiquiatra.

-Mas ninguém aqui pediu a tua opinião, a gente está se lixando!
E acrescenta, olhando-o fixamente:
-Otário.
Todos ficaram paralisados, menos Laurent, que também encara o filho e responde pausadamente:
-Otária, por favor, otária.
” p. 109

Mesmo que a autora tenha se proposto a demonstrar os aspectos sociais e familiares dessa transição, ainda que tenha passado pelos dilemas familiares e laborais, foi de maneira superficial. Não há grandes embates ou reflexões sobre a temática durante a leitura, mas nos apresenta uma visão ampla de maneira divertida e envolvente.

“- O que te incomoda, de verdade? Você poderia sinceramente afirmar que eu sou menos eficaz do que antes?
O chefe se mexe na sua cadeira, enxuga uma gota de suor na testa.
– Você sabe, se dependesse só de mim… Todo mundo é livre para fazer o que quer, homens e mulheres. Mas eu sou obrigado a falar do ponto de vista coletivo da empresa, entende?
– Não!
” P. 152

Gostei bastante dessa experiência de leitura, me diverti e torci pelo espaço de Lauren desde o começo. Fiquei feliz com o desenrolar da trama, mesmo que em alguns aspectos não tenha se aprofundado.

Uma casa no fim do mundo | Michael Cunninghan |Companhia das letras

CUNNINGHAN, Michael. Uma casa no fim do mundo. 2°ed.  São Paulo: Companhia das letras, 2019.

Uma casa no fim do mundoEsse foi o livro do mês de dezembro de 2019 da TAG curadoria (código promocional para assinar a TAG com desconto: SAM7IATB) com tradução de Isa Mara Lando. ‘Uma casa no fim do mundo’ foi publicado em 1990 e o autor o considera seu primeiro livro, ignorando a existência da sua real primeira publicação. Michael Cunninghan ficou mais conhecido por um livro publicado anos depois, o As horas, que deu origem ao filme homônimo, escrito no mesmo estilo, porém com envolvendo a vida e a obra de Virgínia Woolf.

Michael Cinninghan trouxe aqui a amizade de dois jovens sob a perspectiva de quatro olhares narrativos e com o pano de fundo os Estados Unidos entre as décadas de 60 e 80, passando pela infância, adolescência e vida adulta de Jonathan e Bobby.

Em meio à década do movimento hippie, a descoberta da sexualidade dos dois garotos é regada a muita música e melancolia. Aqui o autor aproveita para explorar diversos assuntos como romance homossexual, uso de drogas e AIDS. Ao inserir as outras narradoras, Claire e Alice, o autor levanta mais assuntos interessantíssimos, como poliamor, relacionamento abusivo, romance na terceira idade, luto e maternidade.

” “A maioria dos pais não são amantes”, disse Clare. “Os meus não eram. Eram apenas casados, e nem davam muita bola um para o outro. Pelo menos eu e Jonathan somos bons amigos.”  “P.165

O melhor de tudo é que com um romance de formação de 387 páginas, Michael conseguiu abordar todos esses extensos temas de maneira perene e muito contextualizada.

Por ter a narrativa sob quatro perspectivas, esperava que houvesse uma diferença entre a forma de contar a história de cada um, mas me pareceu muito mais um narrador em terceira pessoa que oscila entre os personagens, pois senti a história sendo contada por uma única pessoa pela falta de mudança estilística.

Êxtase da transformação | Stefan Zweig | Companhia das Letras

ZWEING. Stefan. Êxtase da transformação. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

Êxtase da TransformaçãoChristine (sobre)vive na Áustria entre guerras, mora com a mãe e trabalha numa agência dos correios. O dinheiro mal dá para chegar ao final do mês se não for pelo racionamento constante de alimento e itens de necessidades básicas. Sua vida é posta de ponta cabeça com o convite de sua tia para viajar durante alguns dias com ela.

O contraste entre a vida miserável de Christine e a bonança em que a tia e seus amigos vivem é dilacerador para a jovem, ela constata que em apenas algumas poucas horas o tio ganha o que a ela levaria meses a fio de uma labuta massacrante. Os bailes e conversas bobas a enfeitiçam, fazem com que esqueça sua real origem e chegue a acreditar que ela faz mesmo parte daquele meio.

O regresso antecipado da moça desembaça sua visão para a real e dura vida que leva, passa a odiar cada detalhe que torna a sua vida pesada. O desfecho disso é surpreendente e o final em aberto deixa para o leitor a escolha entre catarse ou punição.

Ao longo de todo o romance me identifiquei demais com a vida de Christine, não que eu viva num cenário de pós guerra, mas o massacre cotidiano do trabalho é muito semelhante, como a eterna preocupação de acordar cedo para não se atrasar, a rotina esmagadora e as vontades tolhidas.

“E, ao sentar-se de manhã, às oito horas, Christine está cansada – cansada não por ter completado e realizado alguma coisa, mas cansada de antemão de tudo aquilo que virá, sempre os mesmo rostos, as mesmas perguntas, os mesmo gestos, o mesmo dinheiro.” P. 161

Uma das passagens que melhor representa esse meu sentimento de pertencimento é a seguinte:

“Todas as manhãs, quando vou ao trabalho, vejo os outros saindo dos portões de suas casas, maldormidos, sem alegria e com rostos inexpressivos, dirigindo-se a um trabalho que eles não escolheram e não apreciam, e que nada lhes importa, e vejo-os novamente à noite nos trens, quando voltam, com chumbo nos olhares e nos pés, todos esfalfados sem objetivo, ou com um objetivo que não entendem.” P. 197

Há um trecho que em Êxtase da transformação me lembrou um outro livro, que é o 24/7  capitalismo tardio e os fins do sono, pois ele fala que o sono ainda é a única coisa possível que proporciona certo distanciamento da rotina, que recebe corpos exaustos e os faz esquecer de tudo.

A narrativa de Zweig é encantadora, a construção da ida à sociedade burguesa e regresso ao massacrante cotidiano do operário é de causar revolta e reflexão. Gosto MUITO de livros que abordam a temática trabalho e sociedade, pois me mostra o quanto ainda temos a progredir nesse sentido. O autor traz análises da exploração do Capital que ainda são atuais e nos faz pensar no quanto ainda temos que progredir para alcançar o bem estar social.

É cada vez mais comum encontrar essa exploração dentro das empresas disfarçadas de nomes bonitos com Coach ou qualquer coisa que o valha, chamam de motivação e dão míseros trocados de recompensa para desempenhos que adoecem os indivíduos com stresse, ansiedade e depressão. As vezes os objetivos que colocam em nossas cabeças, como ganhar um pouco mais ou ter um cargo X não vale todo o adoecimento mental que isso pode causar.

Stefan Zweig nasceu em 1881 e matou-se em 1942, no Brasil,  por não acreditar que haveria um fim a todo o terror nazista que se instaurava durante a Segunda Guerra Mundial. Zweig se refugiou no Brasil e chegou a publicar o livro Brasil, país do futuro enquanto esteve por aqui.

Jude, o obscuro | Thomas Hardy | Companhia das Letras e TAG Curadoria

HARDY, Thomas. Jude, o obscuro. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

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Jude, o obscuro, publicado inicialmente em 1895, foi escolhido pela Fernanda Montenegro para a Tag Curadoria no mês de maio de 2019. Quando li a sinopse de Jude, logo fiquei empolgada para mergulhar nessa história, pois me lembrou bastante os conflitos encontrados em “A flor da Inglaterra”, do George Orwell,e eu amo essa temática Vida acadêmica – Trabalho – Sociedade. A ideia da formação acadêmica como algo essencial para alcançar uma estabilidade financeira ou realização profissional é algo que detém certa complexidade que me fascina.

Jude é um órfão que foi criado de maneira rígida pela tia e nutria muita admiração pelo seu professor do colégio. Tal admiração chegou ao ponto de influenciá-lo a sonhar com o seu futuro, queria estudar na mesma faculdade que levou seu mestre a mudar de cidade.

O tempo passou e Jude manteve seus estudos autodidatas com as gramáticas de Latim e Grego que conseguia comprar de vendedores ambulantes, porém a realidade de sua condição social o impeliu a dedicar-se ao trabalho árduo, inicialmente ajudando a tia e depois como entalhador.

A necessidade financeira para sustentar a si e a Arabella, a filha do criador de porcos a qual ele namorou por um tempo e acabou casando sem um real interesse, o levou a uma vida medíocre,onde o cansaço e as obrigações muitas vezes minava o pouco tempo que ele teria aos seus amados livros. Aqui é interessante ressaltar como a criação de Arabella influenciou a maneira como ela lidou com o sonhador Jude e seus livros, por vezes fazendo troça e até ameaçando dar fim em seus exemplares, pois para ela aquela dedicação intelectual não valia de muita coisa.

Depois de algum tempo, Jude conhece Sue, uma jovem de alma livre que, além de prima e amiga, torna-se uma grande paixão. Percebe-se nesse livro que os relacionamentos são construídos com base na personalidade de cada um dos personagens, mas que sempre vão discutindo ou sendo modelados pelas convenções e imposições sociais. Certos embates com as tradições e a luta em libertar-se de algumas amarras são palpáveis, embora por vezes cruéis. Não é de se estranhar que a obra tenha sido bastante criticada na época, principalmente pela igreja. A relação quase aberta que Sue mantém com o professor quebra os padrões de uma época em que a mulher deveria fornecer servidão indiscutível ao seu marido (um amigo chega a questionar se ela o enfeitiçou com a ideologia do matriarcardo).

“[…] Segundo a cerimônia impressa ali, meu noivo me escolhe livremente, a seu gosto; mas eu não escolho. Alguém me entrega a ele, como uma jumenta ou uma cabra ou qualquer outro animal doméstico. Santificadas sejam vossas iluminadas opiniões a respeito das mulheres, ó Homens da Igreja! […]” P. 164

Mesmo com as aspirações libertárias dos personagens, os grilhões sociais falam mais alto, aprisionam e massacram o indivíduo que tenta caminhar com seus próprios pés. Isso aproxima bastante a história da realidade que vivemos até hoje (seja em relação as mulheres ou as dificuldades impostas à Jude para que ele siga o seu sonho de estudar).

Como falei inicialmente, gostei bastante da proposta de Thomas Hardy e confesso que se eu não tivesse esse apreço pelo tema, Jude teria sido uma leitura bem difícil e arrastada, pois a melancolia do cotidiano e o vai e vem da história acabou me cansando um pouco.

Todos nós adorávamos caubóis | Carol Bensimon | Companhia das Letras

BENSIMON, Carol. Todos nós adorávamos caubóis. São Paulo:Companhia das Letras, 2019.

Todos nós adorávamos caubóisEsse livro foi indicado pela Noemi Jaffe para a TAG Curadoria do mês de agosto de 2019. É um romance a lá Road Trip de uma escritora brasileira contemporânea.

As duas protagonistas, Cora e Julia, são bem diferentes em termos de personalidade. Cora é a autêntica grunge (lápis nos olhos, botas, calça jeans justa e jaqueta vermelha), já Julia, como a própria narradora a descreve, é aquela moça certinha que tem coragem de levantar a mão para fazer uma pergunta faltando cinco minutos para terminar a aula.

Elas se conheceram na faculdade de jornalismo e logo fizeram amizade apesar da criação tão distinta, enquanto Cora viveu os privilégios de uma vida classe média, pois o salário do pai como médico supria todas as necessidades da família e mesmo no período de recessão, em que todos passaram por dificuldade, ela viveu tranquilamente. Julia,  por outro lado, veio de uma família do interior e sua formação foi em colégio religioso.

Depois alguns anos de amizade, Julia recebe a oportunidade de estudar no Canadá e Cora aproveita para largar o curso e ir estudar moda na França. Ambas se reencontram e resolvem tirar do papel a viagem pelo Sul do Brasil que tanto sonhavam.

Durante a viagem as duas jovens relembram momentos de sua juventude e os dissabores de suas relações familiares. O relacionamento entre as duas retoma algumas fagulhas e tenta se reestruturar mesmo depois de tanto tempo.

O amadurecimento delas é visível em suas conversas, na coragem de encarar temas antes jogados para debaixo do tapete, como o assunto Família, que passa a ser enfrentado e visto com outros olhos, até mais compreensíveis, posso dizer.

Este é um romance de formação, em que as protagonistas crescem ao passo que vivem o presente e relembram o passado. A escrita é carregada do sotaque sulista com os seus “tu”, “teu” e “guria”, bem como a paixão pelo chimarrão e pela bombacha, por vezes tive a sensação de ouvir a voz de Cora carregada de sotaque e tão cheia de amor por tudo isso.

Todos nós adorávamos caubóis é um prato cheio para quem gosta do estilo Road Trip e de conhecer um pouco mais sobre o próprio país.

As cidade visitadas durante a viagem foram:

  1. Porto Alegre;
  2. Antônio Prado;
  3. São Marcos;
  4. São Jorge da Mulada;
  5. São Francisco de Paula;
  6. Cambará do Sul;
  7. Caçapava do Sul;
  8. Minas do Camaquã;
  9. Bagé;
  10. Soledade.

 

O sonho dos heróis |Adolfo Bioy Casares |Biblioteca Azul

CASARES, Adeolfo Bioy. O sonho dos heróis. São Paulo: Biblioteca Azul e TAG, 2019.

o_sonho_dos_herois_15545596779552sk1554559677b A revista da TAG frisou bastante que Bioy Casares viveu à sombra de Borges, seu grande amigo e importante escritor da língua espanhola.  Javier Cercas indicou esse livro alegando que nessa obra Casares prova, sem muito esforço, que sua escrita é melhor do que a do amigo que tanto o apagou.

Comparações a parte, tendo em vista que ainda não li nada de Borges, deixo aqui minhas impressões sobre O sonho dos heróis.

A história conta os dias de Gauna, um jovem mecânico que leva a vida entre o trabalho e os encontros com os amigos até que, por receber um palpite de seu barbeiro, ganha uma aposta em uma corrida de cavalos. O rapaz, então, resolve gastar seus ganhos no carnaval e proporcionar noites inesquecíveis aos amigos. O grande problema é que a terceira noite de carnaval é apagada completamente da mente dele.

Em um de seus dias comuns, ele conhece e se apaixona por Clara, filha do bruxo Taboada,  e a partir daí ele  deixa um pouco de lado o mistério do que aconteceu naquela noite um pouco de lado. A relação com os amigos já não é mais a mesma e ele atribui o fato ao seu novo relacionamento amoroso, relacionamento este que não é nada saudável, pois é pautado em ciúme (Gauna cogita bater e até matar Clara por puro acesso de ciúme). Clara é uma moça dada às artes, faz teatro e gosta de ler, realmente uma antítese de Gauna, que é machista e violento.

Depois de um outro acontecimento, Gauna resolve refazer seus passos para desvendar de uma vez por todas o que foi apagado de sua memória. Então, o leitor começa a perceber um mar de paralelismos proporcionado pela narrativa. A priori nós temos a nova percepção de Gauna a respeito das noites de carnaval, já que no começo do livro ele é apenas um jovem inconsequente e agora, após anos de um relacionamento estável, passa a ver suas atitudes e as dos amigos com um olhar mais crítico. Os extremos dos personagens também é algo que salta aos olhos, como já mencionada a disparidade de personalidade de Clara e Gauna, o que se estende a todos os amigos dele, típicos machões valentões. Por último, ressalto os sentimentos que Cassares provoca ao leitor que também é um céu e inferno.

Ao ler O sonho dos heróis nota-se uma história tênue, sem grandes clímax ou protagonista cativante. Porém, Casares brinca com os sentimentos do leitor com sua maneira de narrar a história. Confesso que em determinados momentos me peguei rindo de uma cena e em outras, fechando o livro de tanta repulsa (tem uma cena de maus tratos a um animal que me deixou péssima). O final da história é recheado de realismo mágico, o que tornou-se a parte mais envolvente do livro.

Logo que concluí essa leitura, pensei não ter gostado, mas depois de uma semana refletindo, mudei de opinião, pois apesar de a história em si ser bem simples, a narrativa do Casares me envolveu bastante e aí percebi a maestria dele como autor e sua capacidade de manipular os sentimentos do leitor. Ao final das contas, entendi os comentários de Javier Cercas sobre o subestimado escritor.