HQ | Jane

JaneEssa HQ foi criada pela Aline Brosh McKenna, mais conhecida pela adaptação cinematográfica de O diabo veste prada, e saiu pela Pipoca e Nanquim aqui no Brasil.

Assim que li a premissa nesse quadrinho, saí correndo para a loja de HQs da minha cidade (olá, Reboot) para adquirir meu exemplar. Uma jovem órfã sai da casa da tia com o intuito de estudar Arte em NY e para se manter por lá, aceita o emprego de babá de uma criança que se sente muito solitária porque a mãe faleceu e o pai trabalha muito.

Ok, assim como a sinopse nos permite supor, a história é sim clichê daqueles. O desenvolvimento dos personagens ficou bem superficial, talvez porque o leitor não tem muito bem uma noção de tempo em que a história se passa, o que fica parecendo que tudo aconteceu em pouquíssimos dias (o que torna algumas coisas ridículas, como o romance dos protagonistas).

Tirando um pouco do cerne da questão essa celeridade estranha, vamos levar em consideração o enredo em si, o começo é um clichê medonho, mas o desenrolar me surpreendeu, não sei se por eu nunca ter lido Jane Eyre (sim, a HQ é inspirada em Jane Eyre, da Charlotte Brontë). Me incomodou bastante a postura do Rocheste, ele mal conhece a Jane e já sente ciúme dela, algo possessivo, e depois chega com outra mulher  e deixa bem claro que ela é apenas a babá da filha, como se nada tivesse acontecido entre eles… Faltou muito (mas MUITO mesmo) desenvolvimento para a história melhorar e não ter saltos temporais que tornam os acontecimentos estranhos.

Enfim, Jane é uma moça muito dedicada, uma inspiração. A única coisa que me desagradou foi a falta de noção de tempo, pois o dramalhão todo eu já esperava. Acho que eu teria ficado menos chateada se não tivesse pago cerca de 50 reais para ler algo tão mediano.

Mangá | Witches

Olá, leitores!

Hoje vou falar sobre dois mangás incríveis que compõem essa pequena (em tamanho, porém grandiosa em conteúdo) série. Witches tem apenas dois volumes, foi escrita por Daisuke Igarashi e chegou ao Brasil pela Planet Mangá/ Panini Comics.

36552193O primeiro volume é composto pelas histórias Spindle (em duas partes), Kuarupu e A bruxa montada no pássaro. A primeira tem como protagonista uma bruxa pagã muito poderosa que precisa  enfrentar seu pior inimigo, ela mesma, que com toda a sua soberba não a permite se desenvolver melhor na magia e no seu autoconhecimento. Aqui o autor trabalha muito o embate entre a cultura pagã e a tentativa do cristianismo de se apropriar de seus elementos.

Em Huarupu, a protagonista é uma Xamã da Amazônia (sim, se passa no Brasil) e a história gira em torno da luta dela e de uma tribo indígena em lidar com ou enfrentar a entrada do homem branco na floresta. Muito interessante um ponto levantado sobre os espíritos dos animais depois que eles morrem.

A bruxa montada no pássaro aparenta não ter protagonista feminina até ser revelado que o místico está na mulher que aparece apenas para seu familiar.

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Nesse segundo volume, a estrutura do mangá permanece a mesma, três histórias sendo a última bem curtinha e protagonistas mulheres que se envolvem com o sobrenatural.

A primeira história que esse mangá traz é a Pedra da Reprodução, ou Pedra Genitalix. Uma bruxa da floresta e sua aprendiz começam a sentir algo de diferente no ar e todos os sinais indicam para a chegada da Pedra da Reprodução na Terra. O vaticano as convidam a resolver os problemas causados pela pedra, mesmo a contragosto, já que suas práticas vão de encontro ao cristianismo. Então, podemos perceber como as pessoas se aproveitam da sabedoria das bruxas em momentos de desespero, mas não as respeitam.

Essa questão da falta de respeito fica bem clara quando a pequena Alicia visita a cidade e ela é motivo de certo alvoroço por conviver com Mira.

Ladra de canções é o título da segunda história, que se desenvolve com a premissa de reencarnações e autoconhecimento.

Hinata é uma colegial que passa pelos dias sem realmente vive-los, como ela mesmo diz “[…] apenas assisto ao programa chamado ‘meu cotidiano’. Apenas assisto. ” P. 17. Então, ela rouba um dinheiro da escola e resolve viajar com Yuji, nessa viagem ela conhece Chitaru, que a ajuda a desperta seus sentidos para começar a realmente viver. As duas mulheres têm seus destinos entrelaçados nessa viagem de maneira transcendental.

A última história, que é bem curta, chamada Praia, nos leva a refletir sobre o limiar entre a vida e a morte. Contendo mais elementos visuais do que texto em si, os poucos diálogos aqui postos deixa o leitor matutando sobre o que realmente aconteceu ao gatinho.

Então, é isso. Amei a série Witches,  se você também gosta de histórias de bruxas, com conteúdos sobrenaturais ou com protagonistas femininas fortes, esse mangá é um prato cheio para você.

Mangá | Ela e o seu gato

ela e o gatoQuando vi que esse mangá tratava da relação de uma mulher com o seu gato, logo fui atrás de saber mais sobre. Parecia ser muito bom.

A história de Ela e o seu gato é contada sob a perspectiva de Chobi, o gato encontrado na rua, que passou a morar com sua atual dona. O gato é apaixonado pela relação estabelecida entre eles.

A protagonista está tentando se adaptar a rotina estressante de sair diariamente para trabalhar, cozinhar e ainda ter tempo para relações sociais. Em seu cotidiano, é o amor de seu gato que traz certo alívio para ela. Pouco sabemos sobre o que se passa no trabalho dela, pois a narrativa é feita pelo gato, mas em alguns momentos também acompanhamos um encontro dela com uma amiga.

O mangá possui um tom melancólico em sua narrativa e os traços não são perfeitos, proporcionando ao leitor uma sensação de rotina e preguiça, algo típico dos gatos, rs. A história não traz grandes acontecimentos, sua proposta é mostrar a rotina de uma mulher e o seu gato, o que pode parecer monótono para alguns, mas algo sensível, verdadeiro e delicado para outros.

 

 

Mangá | Wotakoi – O amor é difícil para otakus

41zQ0atEftL._SX341_BO1,204,203,200_Assim que li a primeira resenha sobre esse mangá, já corri para comprar o meu exemplar. Wotakoi é composto por seis volumes e chegou em março ao Brasil como uma publicação bimestral pela Panini Comics.

Esse mangá é uma mistura de Shoujo e Slice of life, onde o romance bonitinho dos shoujos adoçam a rotina de dois casais que trabalham no mesmo escritório.

Narumi e Hirotaka, o casal principal, estudaram juntos no colégio e se reencontraram no local de trabalho. Eles decidem sair para colocar os assuntos em dia e falar sobre a dificuldade de otakus em manter um relacionamento. Naru é viciada em mangás e até escreve histórias para vender em feiras temáticas, já Hiro é um gamer aficionado.

Taro e Hanako formam o casal secundário, que é muito engraçado. Eles vivem brigando porque competem por tudo. Me identifiquei bastante com Hana, bem… vejam só, ela também gosta mais de personagens secundários, rs. Hana também gosta de mangás e até faz cosplay.

Algo interessante que eu nunca tinha visto em qualquer outro mangá, é que ele traz frases ao pé da página que resume comicamente o que está se passando na história, então, depois de terminar a página, sempre me pegava rindo da frese ao lado da paginação. Além disso, a Hiro quebra a quarta parede e mostra que tem consciência de que está num mangá.

Pretendo acompanhar o desenrolar de Wotakoi. A história em si é bem simples, mas o clima de pós expediente com aquela vontade de relaxar nos vícios de otaku me deixou saudosista e com um sentimento tão tranquilo, que já quero o próximo volume. 🙂

 

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Mangá | Assim falou Zaraustra

manga assim falouLi esta adaptação da obra de Nietzsche antes mesmo de ler o original, então não tenho como comparar as duas versões (se saiu muito do escopo do clássico ou qualquer outra informação do tipo).

A experiência límpida com o mangá, sem conhecimento prévio da história, me proporcionou um aproveitamento muito bom. Percebe-se a simplicidade da linha narrativa, porém com grande reflexão filosófica.

Conta-se a história de uma família cristã, onde o pai é pastor e sustenta a esposa e os filhos a partir das ofertas arrecadadas pela igreja. O rumor de que um dos filhos do casal é adotado toma força e leva a um desequilíbrio emocional do núcleo familiar. O jovem Zara sai de casa em buscas de respostas às suas indagações e acompanha Salomé, que lhe apresenta a lei do eterno retorno. A partir daí os questionamentos filosóficos sobre  Deus e a igreja se fortalecem.

Aqui aparece a famosa frase de Nietzche “Deus está morto”. A explicação para a “morte” de Deus faz-se a partir das atitudes humanas, onde estaria Deus diante de tanta iniquidade e maldade na face da Terra? A essência da caridade tão pregada pelo Cristianismo se esvaiu ao longo dos anos e a avareza tomou conta dos lares. Os princípios básicos pregados pela doutrina foram deturpados pelas pessoas e, aos poucos, sufocaram a Deus com Ego humano. Ou seria Deus apenas uma criação do próprio ego humano para sentir-se especial?

O estilo do desenho é muito bonitinho, o que achei estranho foi ler uma edição de mangá no sentido ocidental, da direita pra esquerda.

HQ | Preacher: A caminho do Texas

preacher vol1Antes de tudo, preciso confessar que acompanho a série televisa de Preacher produzida pela AMC desde que saiu e só li a HQ muito tempo depois, embora o quadrinho seja um clássico dos anos 90. Então, minha visão sobre o encadernado pode estar poluída em certos aspectos.

A história contada na HQ e na Série são bem diferentes, a premissa do dom da palavra recebido por Jesse permanece inalterada, o distanciamento se faz, principalmente, nos personagens secundários e desenrolar da narrativa.

Esse é o primeiro volume da história e traz os primeiros dias em que Jesse está com A Palavra, ele ainda pondera sobre a responsabilidade de usá-lo enquanto tenta lidar com o Santo dos Assassinos, fugir da polícia e se entender com a Tulipa.

O Gênesis, ou a palavra, é uma ser do plano espiritual que resultou de um caso entre um anjo e uma demônia. Ao recebê-lo, Jesse adquire o dom de, com sua voz, fazer com que as pessoas realizem de maneira involuntária exatamente o que ele ordenou. Os seres responsáveis por guardar o Gênesis entram em pânico ao descobrir do seu sumiço e contratam o Santo dos Assassinos para recuperá-lo na Terra.

Ao receber o Gênesis, todos os fiéis que estavam presente na celebração de Jesse morrem carbonizados, tamanho o poder emanado do ser. A polícia o procura como principal suspeito pela morte dessas pessoas.

Jesse seguia os passos do pai ao atuar como reverendo em uma cidadezinha pacata. Seus amigos atuais são Tulipa, uma ex namorada cheia de mistérios, e Cassid, um vampiro meio desajustado que adora beber e se envolver em brigas.

Ao cenário de muita bebida, sexo, violência, anjos, demônios e muitos segredos, Preacher é uma HQ que se destaca por sua originalidade.

Logo nas primeiras páginas, os autores deixam claro que essa HQ é violenta e não foi feita “para agradar”. Os criadores tiveram uma ideia e colocaram em prática e mesmo com as duras críticas recebidas, não se importaram, o fizeram por pura diversão de dar vida aos seus personagens.

Os fãs da HQ geralmente não gostam da adaptação para a TV, mas estou na contra mão, prefiro o seriado por ser mais “leve”. A história original é muito boa e pretendo ler a continuação, mesmo não fazendo muito o meu estilo.

Preacher: A Caminho do Texas (criado por Garth Ennis e Steve Dillon)
Volume 1
Roteiro: Garth Ennis
Arte: Steve Dillon
Cores: Matt Hollingsworth
Editor original: Stuart Moore
Editor: Fabiano Denardin
Editor assistente: Bernardo Santana
Tradução: Edu Tanaka/FD
Letras: Daniel de Rosa
Capas: Glenn Fabry
Editora original: Vertigo Comics
Editora no Brasil: Panini Comics