HQ | Mulheres na luta: 150 anos em busca de liberdade, igualdade e sororidade

BREEN, Marta; JORDAHL, Jenny. Mulheres na luta: 150 anos em busca de liberdade, igualdade e sororidade. São Paulo: Seguinte, 2019.

Mulheres na LutaLi essa HQ  para o clube de leitura Leia Feministas e me encantei, isso porque de maneira simples as autoras conseguiram fazer uma síntese sobre as ondas feministas e suas lutas, bem como pontuam nomes importantes que fizeram a diferença no movimento.

Estudar feminismo é fundamental para todos, pois nos mostra o quanto as mulheres são comumente postas em baixo do tapete pelos homens por pura insegurança da frágil masculinidade. As feministas não querem sair por aí peladas massacrando os homens, mas sim em busca de”liberdade, igualdade e sororidade” (teria pena se quisessem vingança, rs).

O movimento de luta é pessoal e ao mesmo tempo público, isso porque a consciência necessária deve estar tanto dentro de casa para evitar violência contra a mulher (moral, psicológica, financeira, física, etc) quanto na rua por meio de políticas públicas que visem a proteção da mulher e a mudança de perspectiva (fim da opressão dos homens, por exemplo) nas novas gerações (poderíamos fazer isso por meio da educação dos filhos?!).

A luta já aconteceu pelo voto, pelo estudo, pelo trabalho e agora pelo respeito… Vejam só, algo tão simples é motivo de um movimento porque os homens não conseguem respeitar o corpo das mulheres nem a sua liberdade. Diante disso, é óbvio a necessidade de continuar a estudar e a falar sobre o feminismo, por mais que essa palavra as vezes assuste a algumas pessoas (ainda precisamos quebrar alguns mitos, não?!).

HQ | Tina – Respeito

TORQUATO, Fefê. Tina: respeito. São Paulo: Panini Brasil, 2019.

Li essa HQ para o Desafio Leia Mulheres 2020 e simplesmente amei a minha escolha.

Essa HQ faz parte da coleção MSP, que traz a releitura dos personagens da clássica Turma da Mônica. O Tina foi lançado em 2019, ano em que saiu a adaptação cinematográfica do primeiro MSP, o Mônica – Laços, e causou bastante repercussão logo nos primeiros dias.

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Tal repercussão se deu pelo fato de algumas pessoas criticarem o posicionamento da Tina e bibibibóbóbó, mas o que esses críticos de plantão não se deram conta é que essa HQ fez uma releitura da Tina clássica do movimento hippie, lutava pelos direitos das mulheres e demonstrava o cotidiano da jovem adulta na faixa que corresponde aos anos finais da faculdade e ingresso no mercado de trabalho. Ao longo dos anos 80 e 90 a Tina ganhou uma característica mais sexualizada e cheia de estereótipos da moça bonita.

Enfim, já explicada a inspiração, preciso dizer que a arte em aquarela da Fefê é maravilhosa, daquelas que te faz ficar contemplando um quadrinho por vários minutos porque aquela beleza é cheia de nuances que enchem os olhos do leitor.

A história não aborda apenas o assédio no ambiente de trabalho, mas também o cotidiano das mulheres e todos os percalços que encontramos pelo simples fato de sermos mulheres, como andar sozinha, a tensão do ônibus vazio e coisas desse tipo. Logo no começo da HQ tem uma cena que representa muito bem isso, a Tina tá lendo as conversas no grupo da família e a mãe fica direto perguntando se ela já chegou e tal, o pai responde apenas que ela sabe atravessar a rua… bom, claramente os homens não conhecem todos os medos que uma simples volta pra casa pode trazer, não é mesmo?!

O desenrolar da narrativa nos mostra que a nossa principal rede de apoio são as outras mulheres que fazem parte do nosso cotidiano, são elas que nos alertam, nos ouve e pode segurar em nossa mão nos momentos mais difíceis. Isso me lembrou bastante o caso de assédio sexual no coletivo abordado na segunda temporada de Sex Education. Precisamos nos unir cada vez mais para garantir esse suporte mutuo.

Sem mais delongas, quero deixar aqui o convite para a leitura dessa Graphic Novel simplesmente I-N-C-R-Í-V-E-L! Se você tiver a oportunidade de lê-la, não deixe passar.

HQ | Jane

JaneEssa HQ foi criada pela Aline Brosh McKenna, mais conhecida pela adaptação cinematográfica de O diabo veste prada, e saiu pela Pipoca e Nanquim aqui no Brasil.

Assim que li a premissa nesse quadrinho, saí correndo para a loja de HQs da minha cidade (olá, Reboot) para adquirir meu exemplar. Uma jovem órfã sai da casa da tia com o intuito de estudar Arte em NY e para se manter por lá, aceita o emprego de babá de uma criança que se sente muito solitária porque a mãe faleceu e o pai trabalha muito.

Ok, assim como a sinopse nos permite supor, a história é sim clichê daqueles. O desenvolvimento dos personagens ficou bem superficial, talvez porque o leitor não tem muito bem uma noção de tempo em que a história se passa, o que fica parecendo que tudo aconteceu em pouquíssimos dias (o que torna algumas coisas ridículas, como o romance dos protagonistas).

Tirando um pouco do cerne da questão essa celeridade estranha, vamos levar em consideração o enredo em si, o começo é um clichê medonho, mas o desenrolar me surpreendeu, não sei se por eu nunca ter lido Jane Eyre (sim, a HQ é inspirada em Jane Eyre, da Charlotte Brontë). Me incomodou bastante a postura do Rocheste, ele mal conhece a Jane e já sente ciúme dela, algo possessivo, e depois chega com outra mulher  e deixa bem claro que ela é apenas a babá da filha, como se nada tivesse acontecido entre eles… Faltou muito (mas MUITO mesmo) desenvolvimento para a história melhorar e não ter saltos temporais que tornam os acontecimentos estranhos.

Enfim, Jane é uma moça muito dedicada, uma inspiração. A única coisa que me desagradou foi a falta de noção de tempo, pois o dramalhão todo eu já esperava. Acho que eu teria ficado menos chateada se não tivesse pago cerca de 50 reais para ler algo tão mediano.

HQ | Preacher: A caminho do Texas

preacher vol1Antes de tudo, preciso confessar que acompanho a série televisa de Preacher produzida pela AMC desde que saiu e só li a HQ muito tempo depois, embora o quadrinho seja um clássico dos anos 90. Então, minha visão sobre o encadernado pode estar poluída em certos aspectos.

A história contada na HQ e na Série são bem diferentes, a premissa do dom da palavra recebido por Jesse permanece inalterada, o distanciamento se faz, principalmente, nos personagens secundários e desenrolar da narrativa.

Esse é o primeiro volume da história e traz os primeiros dias em que Jesse está com A Palavra, ele ainda pondera sobre a responsabilidade de usá-lo enquanto tenta lidar com o Santo dos Assassinos, fugir da polícia e se entender com a Tulipa.

O Gênesis, ou a palavra, é uma ser do plano espiritual que resultou de um caso entre um anjo e uma demônia. Ao recebê-lo, Jesse adquire o dom de, com sua voz, fazer com que as pessoas realizem de maneira involuntária exatamente o que ele ordenou. Os seres responsáveis por guardar o Gênesis entram em pânico ao descobrir do seu sumiço e contratam o Santo dos Assassinos para recuperá-lo na Terra.

Ao receber o Gênesis, todos os fiéis que estavam presente na celebração de Jesse morrem carbonizados, tamanho o poder emanado do ser. A polícia o procura como principal suspeito pela morte dessas pessoas.

Jesse seguia os passos do pai ao atuar como reverendo em uma cidadezinha pacata. Seus amigos atuais são Tulipa, uma ex namorada cheia de mistérios, e Cassid, um vampiro meio desajustado que adora beber e se envolver em brigas.

Ao cenário de muita bebida, sexo, violência, anjos, demônios e muitos segredos, Preacher é uma HQ que se destaca por sua originalidade.

Logo nas primeiras páginas, os autores deixam claro que essa HQ é violenta e não foi feita “para agradar”. Os criadores tiveram uma ideia e colocaram em prática e mesmo com as duras críticas recebidas, não se importaram, o fizeram por pura diversão de dar vida aos seus personagens.

Os fãs da HQ geralmente não gostam da adaptação para a TV, mas estou na contra mão, prefiro o seriado por ser mais “leve”. A história original é muito boa e pretendo ler a continuação, mesmo não fazendo muito o meu estilo.

Preacher: A Caminho do Texas (criado por Garth Ennis e Steve Dillon)
Volume 1
Roteiro: Garth Ennis
Arte: Steve Dillon
Cores: Matt Hollingsworth
Editor original: Stuart Moore
Editor: Fabiano Denardin
Editor assistente: Bernardo Santana
Tradução: Edu Tanaka/FD
Letras: Daniel de Rosa
Capas: Glenn Fabry
Editora original: Vertigo Comics
Editora no Brasil: Panini Comics