A volta ao mundo em 80 dias | Julio Verne

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A figura do balão é um ícone nas capas da história de Julio Verne, né?! E se eu te contar que não tem balão nessa aventura?! Pois é! Não tem.

Julio Verne é conhecido por sua Literatura de Antecipação, os primeiros passos do sci-fi, mas aqui encontramos outros aspectos. A volta ao mundo em 80 dias possui uma linguagem acessível e valoriza a divulgação científica ao longo da narrativa, essa característica é bem comum a outro gênero que surgia na mesma época, o romance policial, que também prima pelo compartilhamento do conhecimento técnico.

Lançado em 1873, A volta ao mundo em 80 dias traz a história do gentleman Phileas Fogg, que é adepto a rotina e a calmaria, faz todos os dias as mesmas coisas e não é dado a excessos. Ele surpreende a todos ao apostar que daria a volta ao mundo em 80 dias, pois não bastasse tamanha ousadia, soaria absurdo vir de Fogg.

Acompanhado de seu empregado, Passepartout (este nome em francês significa chave mestra e muito significa para a construção do personagem, pois ele salva Mrs. Aouda da fogueira, trabalha no circo para sobreviver e ainda arrisca a própria vida para salvar o grupo, ele passa por várias situações inusitadas), eles juntam uma singela trouxa de roupas e uma bolsa recheada de bank notes (papel moeda).

O inspetor Fix acha a atitude de Fogg muito suspeita, principalmente depois de receber a notícia de que o banco inglês havia sido roubado! Ele segue o suspeito por toda a viagem na tentativa de prendê-lo, mas Fix é fiel a lei e aguarda pacientemente (ou nem tão paciente assim) a chegada do mandato de prisão.

Daí a trama de aventura se forma, uma verdadeira corrida contra o tempo (se você já terminou essa leitura, verá que nenhuma outra frase faz mais sentido para descrever essa história, se você ainda não leu ou está lendo, entenderá do que estou falando nas últimas páginas).

A leitura desse Clássico da Literatura Francesa me surpreendeu bastante, pois é uma aventura divertida com uma linguagem leve e conteúdo riquíssimo de conhecimento científico e cultural.

Recomendo a leitura desse livro para todas as idades, sobretudo os jovens leitores, que podem ter uma experiência única diante da possibilidade de aprender muitas coisas ao longo de uma aventura tão divertida.

A questão Homérica

“Homero é o maior dos poetas”¹, essas são as palavras de Carpeaux para descrever o autor das epopeias Ilíada e Odisseia.

As epopeias homéricas eram um cânone para os gregos, eles não as liam como nós as lemos hoje, ou seja, como meras obras literárias. Esses dois livros eram os guias da civilização, decorados nas escolas como um código moral e até mesmo como uma bíblia.

Ambas as obras tratam das relações humanas mais profundas e têm os deuses como contrastes da dureza da vida. Por debater questões morais, a exemplo de Aquiles que resolve voltar pra guerra para vingar a morte do amigo Pátroclo; ou Heitor, que é a própria personificação de Lealdade. Ao final, ética discutida nas obras se diferencia, uma vez que a Ilíada2 se atém a ética heroica e a Odisseia3, a ética familiar.

Epopeia: o que é, características, autores, exemplos - Brasil Escola

Historicamente, não foi possível confirmar que o relatado nas duas epopeias realmente aconteceu, sabe-se que a Ilíada deve ter se passado na época feudal da Grécia, enquanto que a Odisseia, na época fenícia da civilização mediterrânea (não à toa tem um barquinho na capa).

A questão Homérica entra justamente aqui, devido às narrativas e aos estilos tão distintos, começaram a surgir algumas hipóteses, como: Homero teria apenas recolhido as histórias contadas e escrito de maneira compilada? Teria Homero de fato existido ou essas obras foram escritas por vários autores?

A grandiosidade de Homero influenciou fortemente diversos aspectos da sociedade grega, sobreviveu até hoje e ainda intriga aos estudiosos sobre a sua origem.

Referências
1- CARPEAUX, O.M. História da Literatura ocidental. Rio de Janeiro: Leya, 2019, p.19.
2- HOMERO. Ilíada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.
3- HOMERO. Odisseia. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.