HQ | Mulheres na luta: 150 anos em busca de liberdade, igualdade e sororidade

BREEN, Marta; JORDAHL, Jenny. Mulheres na luta: 150 anos em busca de liberdade, igualdade e sororidade. São Paulo: Seguinte, 2019.

Mulheres na LutaLi essa HQ  para o clube de leitura Leia Feministas e me encantei, isso porque de maneira simples as autoras conseguiram fazer uma síntese sobre as ondas feministas e suas lutas, bem como pontuam nomes importantes que fizeram a diferença no movimento.

Estudar feminismo é fundamental para todos, pois nos mostra o quanto as mulheres são comumente postas em baixo do tapete pelos homens por pura insegurança da frágil masculinidade. As feministas não querem sair por aí peladas massacrando os homens, mas sim em busca de”liberdade, igualdade e sororidade” (teria pena se quisessem vingança, rs).

O movimento de luta é pessoal e ao mesmo tempo público, isso porque a consciência necessária deve estar tanto dentro de casa para evitar violência contra a mulher (moral, psicológica, financeira, física, etc) quanto na rua por meio de políticas públicas que visem a proteção da mulher e a mudança de perspectiva (fim da opressão dos homens, por exemplo) nas novas gerações (poderíamos fazer isso por meio da educação dos filhos?!).

A luta já aconteceu pelo voto, pelo estudo, pelo trabalho e agora pelo respeito… Vejam só, algo tão simples é motivo de um movimento porque os homens não conseguem respeitar o corpo das mulheres nem a sua liberdade. Diante disso, é óbvio a necessidade de continuar a estudar e a falar sobre o feminismo, por mais que essa palavra as vezes assuste a algumas pessoas (ainda precisamos quebrar alguns mitos, não?!).

Breve história do feminismo | Carla Cristina Garcia | Claridade

Resultado de imagem para breve história do feminismoO ‘Breve história do feminismo’ foi debatido em janeiro no Leia Feministas, essa é uma obra curtinha de autoria brasileira sobre a história do feminismo.

A autora introduz o livro com a definição de alguns termos usados ao longo das lutas feministas, como androcentrismo, sexismo, gênero e patriarcado, e discorre sobre as três ondas, bem como traz vários nomes de personalidades que atuaram no movimento.

Há críticas sobre esse pequeno grande livro por causa da divisão das ondas, que não corresponde ao que é mais aceito dentro dos estudos. Mas nada que tire o mérito da obra, pois é uma apanhado maravilhoso para quem está começando a conhecer o Feminismo.

Sinto um déficit enorme de estudar e conhecer o Movimento, sinto que preciso conhecer mais os termos, as teóricas e conversar mais sobre. Conversar sobre o feminismo é essencial! Ao ler esse livro parei pra pensar o quão antigo é o movimento feminismo e eu nunca ouvi falar sobre nas conversas com minha mãe, minha avó ou com qualquer outra mulher mais velha… A divulgação dos estudos feministas é necessária para que as jovens conheçam a condição social a qual estamos inserida e como somos vistas pelo patriarcado, isso poderia evitar, inclusive, que essas jovens se envolvam em relacionamentos tóxicos.

Gostei bastante de ler esse livro como uma introdução para pesquisar outras autoras e seus trabalhos já consolidados.

Mulheres e poder | Mary Beard | Planeta do Brasil

BEARD, Mary. Mulheres e poder: um manifesto. São Paulo: Planeta do Brasil, 2018.

Mulheres e Poder - Um Manifesto

Mary Beard é uma historiadora e feminista  de prestígio na atualidade que publicou em Mulheres e poder duas de suas palestras sobre as raízes da misoginia em relação ao silenciamento feminino e na sua atuação como figura de puder.

O primeiro texto, denominado A voz pública das mulheres, traça a construção histórica da mudez feminina, como o seu local de fala foi apagado durante séculos pelo patriarcado, e hoje, mesmo conhecendo termos como mansplaining, ainda é duro conquistar o nosso espaço e o reconhecimento nos grupos em que nos inserimos, pois historicamente o discurso publico sempre foi atrelado a figura masculina.

“[…] as mulheres, mesmo quando não são silenciadas, ainda pagam um preço muito algo para ser ouvidas […]” P.20.

O segundo, Mulheres no poder, discorre sobre a figura feminina em papeis de liderança e o quanto precisamos nos desdobrar ainda mais que os homens para conseguir uma parcela de reconhecimento. Principalmente no ambiente de trabalho, ser mulher é uma luta constante para demonstrar suas competências e não ser reduzida a estereótipos de beleza, como discutimos no capítulo 2 do livro O mito da beleza.

“Em outras palavras, não temos modelo para a aparência de uma mulher poderosa, a não ser que ela se parece bastante com um homem.” P. 63.

Ambos os temas são mais comuns do que podemos imaginar, diariamente lido com o público e percebo como é difícil, principalmente homens mais velhos, aceitar a fala de uma mulher. Diversas vezes já disseram pra eu “chamar meu chefe”, e quando MINHA chefe (não um homem como ele imaginava) chegava e dizia que sim, a pessoa tinha que fazer como eu estava dizendo, era uma indignação só. Ou quando a pessoa chega para o rapaz que senta ao meu lado e pergunta se pode scanear um papel, mas a scanner esta na MINHA mesa e não da dele. Enfim, com certeza você também tem uma história desse tipo para contar, infelizmente.

É interessante como Mary traz temas atuais, seja de casos que passaram na televisão ou de figuras políticas, que conversam com os exemplos trazidos dos Clássicos da Literatura, e ao mesmo tempo com cenas tão corriqueiras no cotidiano. Essa viagem histórica e cultural nos permite entender a construção social que molda a figura feminina em locais de liderança e os fantasmas que ainda precisamos combater diariamente.

 

Projeto de leitura | O mito da beleza | Cap. 2 – Trabalho

Esse post faz parte do projeto de leitura do livro O mito da beleza, de Naomi Wolf.

Nesse capítulo, a autora levanta a questão do uso da beleza como parte integrante do sistema econômico, uma espécie de moeda de troca. Pois, conforme as mulheres conquistavam seu espaço e adquiriam poder, mais beleza o sistema exigiu como forma de prejudicar seu progresso.

Antes, a beleza era fundamental para garantir um bom matrimônio e hoje a beleza continua sendo requisito para que a mulher conquiste algo, nesse caso agora, o próprio trabalho. Essa nova exigência mercadológica vem em resposta a competência feminina, a autora levanta vários dados em que as mulheres com ferramentas piores do que a dos homens, conseguem produzir a mesma quantidade que eles e se forem disponibilizadas ferramentas iguais, elas chegam a produzir até cinco vezes mais do que o padrão masculino. Isso fica bem claro no sistema fabril do século XIX, em que as mulheres trabalhavam bem mais e recebiam bem menos do que os homens, não existia trabalho que não pudesse ser executado pelas mulheres.

“embora as mulheres representem 50% da população mundial, elas cumprem quase dois terços do total de horas de trabalho, recebem apenas um décimo da renda mundial e possuem menos de 1% das propriedades” P. 43

E tem mais, se o trabalho doméstico realizado pelas mulheres passasse a ser remunerado, a renda familiar aumentaria em cerca de 60%. Muitas pessoas têm dificuldade de enxergar o trabalho doméstico como trabalho de fato, isso advém de uma tradição em voga por volta da década de 50, em que apenas os homens exerciam o trabalho remunerado, as mulheres apenas ficavam em casa “fazendo nada”. Embora o trabalho doméstico seja necessário e tome um tempo que a pessoa poderia investir em outra coisa, como estudos ou algum hobby. Se as mulheres cobrassem o equivalente a TODO trabalho que ela executa, o sistema financeiro estaria falido.

O trabalho doméstico é tão desvalorizado que quando uma mulher tem recurso financeiro para tal, a primeira coisa que ela faz é contratar uma mulher mais pobre para exercer uma atividade que ela não quer realizar a troco de nada. Ao diminuir a sobre carga do trabalho feminino, aumentando, assim seu nível de produção, foi necessário criar um novo grilhão que tornasse a mulher insegura e lutando por algo inalcançável, o padrão de beleza.

Vistas como uma mão de obra baseada em submissão e beleza, algumas profissões foram estabelecidas pautadas nesses critérios, como recepcionistas, secretárias, comissárias de bordo… Em que a beleza é quesito fundamental. E quanto mais sucesso profissional uma mulher possui, quanto mais ela ascende em sua carreira, mais cuidado com a beleza a sociedade exige dela. Parece algo que foi estruturado para desestabilizar o emocional delas, “você pode até ter chegado ao todo da carreira, mas nunca será magra ou bonita o suficiente”.

Isso leva a outro ponto de discussão, as mulheres trabalham mais, recebem menos e ainda precisam gastar parte do dinheiro com produtos de beleza (cremes e maquiagem) para garantir o seu status quo no ambiente de trabalho. As empresas querem recepcionistas lindas, mas não bancam a make da Mary Key para as funcionárias, tem que sair do bolso delas. E o pior, as profissões tidas como femininas ainda são sexualizadas, diminuindo ainda mais a credibilidade do trabalho feminino.

A autora relata, ainda, vários casos em que as mulheres perderam o emprego ou foram sentenciadas judicialmente por ter engordado, perdendo as características necessárias ao seu cargo.Vocês já repararam que nos jornais, em geral, os apresentadores são: um homem mais velho com ar de sabedoria e maturidade e ao lado uma mulher jovem que ao envelhecer é trocada por outra mais nova?

Engraçado que enquanto algumas mulheres perdem o emprego por estar fora dos padrões de beleza, quando essa mulher é muito bonita, logo se tem no imaginário popular que ela só conseguiu o emprego por causa desse atributo. Nunca se leva em consideração a competência?

O feminismo é para todo mundo | Bell Hooks | Rosa dos tempos

HOOKS, Bell. O feminismo é para todo mundo. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2018.

o feminismoA ideia de Bell ao escrever esse livro foi de produzir um material acessível para apresentar o feminismo para as pessoas. Muito se fala de feminismo, mas na realidade pouco se conhece de fato as vertentes e ideias defendidas.

A autora começa com um apanhado histórico e evolutivo do feminismo e sua atuação na sociedade no passar dos anos. Relata como o feminismo esteve atrelado aos desejos de uma classe dominante durante anos, fechando os olhos para diferenças sociais.

A evolução e capilaridade do feminismo permitiu a inserção de pautas como sexualidade e a criação de filhos. Achei muito interessante a colocação que Bell faz sobre os abusos sofridos por crianças em casa, pois é comum ouvir falar apenas dos abusos sexuais cometidos por homens, mas raramente levanta-se a questão de abusos psicológicos e emocionais causados por mulheres às crianças. A visão que muitas pessoas têm sobre feminismo é de um movimento contra os homens, mas na verdade é sobre a superação do sexismo cultural que impede um convívio social harmônico.

“Feminismo é um movimento para acabar com sexismo, exploração sexista e opressão”

De fato Bell conseguiu alcançar seu desejo de produzir um material didático amplo e de linguagem acessível. É claro que um livro sempre terá suas limitações, uma vez que seu público se restringe a leitores, pessoas que possuem acesso aos livros (o que pode ser considerado um privilégio, de certo modo). O engajamento dos meios de comunicação em massa para remover os estigmas do feminismo é necessário para alcançar cada vez mais pessoas.

A autora aborda diferentes assuntos dentro do feminismo, como aborto, trabalho, raça e gênero, violência, casamento e companheirismo, sexualidade, amor, espiritualidade e política. É uma obra essencial para quem se interessa pelo assunto, pois traz explicações para termos e colocações sobre vários aspectos da sociedade.