Eu li: Harrison Bergeron, de Kurt Vonnegut

HARRISON_BERGERON_1394998252BUm conto distópico escrito em 1961 em que o autor mostra uma sociedade nivelada por baixo. O governo usou a “equidade” para tirar a “vantagem” de certas pessoas, assim todos poderiam ser iguais, ninguém mais forte ou mais inteligente do que os outros, por exemplo.

Para conseguir isso, o governo estipula “contrapesos” para balancear essas diferenças. Se a pessoa é mais inteligente do que o padrão tido como normal, um aparelho auditivo intervirá quando ela fizer certas conexões neurais mais intensas. Se é mais rápida, pesos são acrescentados para diminuir a velocidade; se mais bonita, recursos a tornam mais feia…

A estória se passa em 2081, 120 anos depois de quando foi escrita e com uma diferença secular já previa uma atitude que se tornaria comum. Não adianta tentar negar e dizer que esse nivelamento “por baixo” não exista, pois vejo um exemplo claro disso nos cinemas, em que só há um horário (geralmente o último) para filmes legendados porque as pessoas geralmente reclamam que não conseguem ver o filme e ler a legenda ao mesmo tempo…

Esse livrou trouxe reflexões básicas mas pertinentes, o governo pode até tentar nos nivelar por baixo, mas muitas vezes isso começa a partir de nós mesmos. Quantas vezes não ouvimos um “ainda bem que tirei a média”, “vai assim mesmo, tem gente que nem fez nada”, “vou pegar o resumo na internet”… Pois é, as vezes as pessoas se nivelam por baixo sem nem precisar de imposição para isso.

Diversas indagações surgem durante a leitura dessa estória, principalmente “por que não usar recursos para melhorar os menos capazes e nivelar com base nos que se destacam?”, “será que ter a média verdadeira não seria melhor?”, e por aí vai.

2081Esse conto é curtinho e tem disponível na internet, para ler online ou para baixar, e é o tipo de estória ideal para discutir com os amigos e parar para refletir. Ah, o curta 2081 é a adaptação de Harrison Bergeron.

Skoob

Texto original (em inglês)

Texto traduzido para o português.

Além dessa questão do nivelamento, o autor abordou ainda alguns outros pontos que sempre são criticadas em diversos ambientes e não apenas em distopias,  como: a cultura de massa por meio da televisão, como a mídia influencia no que as pessoas pensam, a banalidade e manipulação dos acontecimentos, dentre outros.