Não olhe para o problema

Não Olhe para Cima - Poster / Capa / Cartaz - Oficial 1

“Don’t look up” foi lançado no dia 24 de dezembro de 2021 e o assisti no dia 30 por causa da enorme repercussão que vinha causando nas redes sociais, vários comentários a respeito do negacionismo diante de evidências científicas e o paralelo com a atual situação política do Brasil.

Fui assistir com a visão direcionada a esse aspecto, mas o que realmente chamou minha atenção foi a ansiedade.

O personagem do Leonardo Di Caprio, que precisa de Xanax para controlar seus ataques de ansiedade, me remeteu profundamente aos últimos ataques de ansiedade que tive, logo peguei uma simpatia por ele. Ao final do filme (sim, vem spoilers), quando ele, a família e os amigos estão sentados à mesa aguardando o fim do mundo e conversando banalidades representou o ideal, o ponto onde quero chegar.

Aproveitar o agora com as poucas pessoas que são realmente MUITO importantes pra você e não perder a cabeça com o que você não pode mudar/controlar. Enquanto houver chance, lute. Se não há remédio, remediado está. Be happy.

É claro que o filme fala sobre diversas outros assuntos, como manipulação em massa, família, tecnologia, etc, é uma obra bem complexa e ao mesmo tempo leve.

Sex Education ou Life Education?

A imagem e sinopse dispostas na Netflix para Sex Education não chamaram minha atenção, me pareceu uma comédia que falava sobre sexo e ponto. Até que um colega de trabalho me indicou a série e disse que eu ia gostar bastante por causa dos temas que ela aborda, que são típicos de minhas polêmicas diárias na mesa do almoço.

Então, fui lá assistir. Em poucas palavras, a história da série se resume a um rapaz, Otis, que ajuda os adolescentes do colégio a resolver seus problemas sexuais, toda a sabedoria do jovem advém dos anos em que ouviu a mãe exercer sua profissão, terapeuta sexual/ de casais. Para além desse serviço, há triângulo amoroso, rotina escolar e muita reflexão sobre dramas atuais.

Sim, a série com toque de comédia e tom adolescente traz temas bastante polêmicos e reais, como aborto, homofobia, frustração e condição feminina. Para uma série que começou com uma cena de sexo e tem o elenco formado basicamente por adolescentes, os assuntos citados anteriormente contrataram de uma maneira brutal e chegou a me dar um nó na garganta e vontade de abraçar a Netflix.

Vamos por partes.

O episódio que trata sobre a questão do aborto traz uma personagem que está pela segunda vez na clínica para realizar o procedimento e ela já tem três filhos, em um dado momento ela relata que se arrepende mais pelos filhos que teve do que pelos os que ela optou por não ter, já que ser uma péssima mãe é pior do que não ser mãe. É possível supor que essa personagem é uma possível usuária de drogas pelo seu jeito eufórico e pelas unhas sujas, mas essa parte não fica clara, então cabe a interpretação.  Em geral, esse é o argumento utilizado por quem é pró aborto, já que a interrupção da gestação causaria menos problemas do que uma criança sem nenhum amparo.

Logo depois, o episódio que me deixou super mal foi o que o Eric, amigo de Otis, sai de casa vestido de cosplay de uma personagem de determinado filme cult na cultura LGBTQI+, em seu percurso ele é furtado e é agredido por estar transvestido. Nos dias seguintes ele opta por sufocar sua verdadeira personalidade por causa da crueza do mundo em não aceitar sua realidade. Ao chegar em casa humilhado e chorando logo depois do ocorrido, a frase que o pai fala pra ele é dura e verdadeira “se é essa a vida que você quer, você tem que aprender a ser mais forte”. E essa cena me deixou refletindo sobre o quão mais difíceis são os degraus da vida de quem se assume e enfrenta uma realidade ainda muito preconceituosa. Quem se difere um pouco do que foi estabelecido como o “normal” precisa exercitar essa força para lutar e sobreviver diariamente.

As frustrações dos adolescentes estão presentes em todos os episódios e não falo apenas de frustração sexual, como o título da série sugere. O atleta que tem horários e alimentação rigorosos, mas que sofre de ansiedade e vomita todos os dias depois dos treinos; o filho do diretor que se sente deslocado em casa, na escola e não aceita o fim do relacionamento, as constantes decepções e pés na jaca que levaram Adam a ingressar no colégio militar obrigatoriamente; cito novamente Eric, que se absteve de sua própria personalidade por um tempo para viver num mundo ‘comum’ e angustiante. Vários são os exemplos que Sex Education traz para levantar o assunto.

A condição feminina é apresentada também em vários episódios, como o medo de ter fotos íntimas vazadas, o tabu relacionado a roupas (é lindo ver Ola ir ao baile de terno e não de vestido) e a importância da masturbação feminina. Uma cena, em especial, me deixou pensativa: quando Maeve explica porque tem o apelido de ‘morde pau’, isso começou quando ela tinha 14 anos e um colega do colégio pediu pra ficar com ela e a garota recusou, desde então sua reputação vem sendo denegrida por comentários maldosos, aqui levanta-se a questão de como a ‘reputação/ imagem’ das mulheres fica a mercê dos homens, basta um veredito deles para surgir um estigma.

Ufa… Eu poderia levantar vários outros pontos ou comentar cada um dos episódios e haveria assunto para várias conversas, mas deixo aqui pontas em aberto para que você possa assistir, refletir e levantar os temas nas próximas rodas de conversa, assim como passei a usar a série para exemplificar meus temas polêmicos na mesa do almoço do trabalho.

Assisti: Lygia, uma escritora brasileira

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Ontem, dia 21 de abril, a TV Cultura apresentou um documentário inédito sobre a Lygia Fagundes Telles, claro que eu não poderia ter deixado de assistir.

Lygia, uma escritora brasileira teve uma hora de duração e foi composto por trechos de entrevistas com a autora, relatos de familiares, críticos e amigos da Lygia. A produção fez um rápido tour sobre a personalidade e carreira dela, pontou a representatividade de alguma de suas obras e sua paixão pela escrita.

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Lygia se entregou à Literatura desde muito cedo, seu primeiro livro foi publicado aos 15 anos ao custeio do pai, de uma forma avassaladora, tinha um emprego fixo (ela era Procuradora do Estado do Ceará e fez um trocadilho a respeito do cargo, passou 30 anos procurando não sabia o que e nunca havia se achado ali), mas queria viver só dos livros, o que lhe rendeu alguns percalços financeiros.

A autora escreveu de forma feminina, inovadora e política sem tornar-se apelativa. Mostrou uma personagem lésbica em seu romance, Ciranda de Pedra, laçado em 1954 e em o Seminário dos Ratos fez alegorias ao período da ditadura (ela diz que o livro estava tão chato que o responsável pela censura na época nem chegou a lê-lo por completo, ainda bem!).

Ao longo da produção, Lygia fala ainda sobre a sua amizade com a Clarice Lispector e com a Hilda Hilst, três mulheres tão diferentes e com tantas coisas em comum. Clarice, conhecida por sua introspecção; Hilda, por sua loucura imediatista; e Lygia, a doçura e simpatia em pessoa. Esclarece também o seu patriotismo e as dificuldades que o Brasil impõe aos seus filhos, o que concebe a constante necessidade de lutas advindas do povo.

Alguns críticos literários lamentam que a academia do Nobel de Literatura nunca tenha enxergado Lygia com toda a sua força e feminilidade, mas quem sabe um dia, né?!

Assisti: Steven Universo

Steven Universo é um desenho norte americano criado pela Rebecca Sugar para a Cartoon Network, lançado em 2013 e com a primeira temporada disponível no Netflix.

Steven é uma criança criada por três Crystal Gems, seres mágicos que se rebRose_Quartz_-_With_Weapon.pngelaram contra seus criadores para proteger a Terra de ameaças vindas de seu planeta de origem. Crescendo entre humanos normais e o mundo das Gems, Steven aprende sobre lutas, sentimentos e relações interpessoais. Passa a conhecer também sobre o mundo mágico e está sempre ávido para ouvir uma boa história sobre a sua mãe, uma Quartzo Rosa (Rose).

Garnet, a Gem durona e inabalável, tem suas pedras mágicas nas mãos, pois seu recurso é a força. Ametista, a brincalhona e divertida, tem sua pedra no meio do peito, pois é sensível às emoções. Perola, com sua pedra na testa é a comedida e lógica, deixa de ser uma Gem serviçal para defender a Terra ao lado de Rose. Steven é o filho da Rose, que deu a sua pedra para que seu filho pudesse herdar seus poderes e justamente por ser meio humano e meio Gem, o trio Gem tem um trabalho redobrado para treinar o garoto já que precisam conhecer seus talentos e limitações.

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As três Crystal Gems e o Steven se completam nas missões, pois cada um é bom numa área específica e a relação familiar que há entre eles só se solidifica com o passar do tempo.

Com episódios curtos, certa de 10 ou 15 minutos, Steven Universo é ideal para assistir em pequenos intervalos de tempo livre. Cheio de referências a animes e games, o desenho é um verdadeiro álbum de figurinhas para quem curte a cultura pop/geek. É interessante notar também as referências a episódios passados no cenário, como um porta retrato ou um cartaz colado na parede. O desenho também é cheio de sacadas e piadas que alcançam além do público infantil, é diversão para todas as idades.

Eu assisti: 2° temporada de Daredevil

Essa semana terminei a segunda temporada de Daredevil. Eu nunca fui 100% ligada em
super heróis e raramente acompanhava alguma estória em quadrinhos. Sim, eu sou uma dessas que assiste a esses filmes novos e já vira tiete de alguns personagens, mas o que difere o Daredevil de todos os outros heróis é que com essa série minha vontade de ler os quadrinhos do “homem que não tem medo” só aumenta (olha só a brecha para uma possível meta de leitura, rs).

Pois bem, nessa segunda temporada do Demolidor conhecemos outros personagens dos quadrinhos, como o Justiceiro (Punisher) e a Elektra (par romântico do nosso devil, isso não é spoiler); podemos acompanhar várias tramas com o protagonista, como a luta contra o tentáculo; luta contra o Justiceiro; o julgamento de um caso medonho (do nosso colega Punisher);  e os conflitos pessoais do Matt para manter relações sociais saudáveis.daredevil-season2

A construção do Justiceiro foi uma das coisas que mais me agradou , vê-lo inicialmente como o matador de sangue frio com o seu jargão infantil “uni-du-ni-tê salameminguê” e a sua destreza com as armas de fogo que logo vão sendo mais bem explorados ao longo dos episódios e mostrando que o cerne de sua luta, sua meticulosidade e sua determinação o tornaram uma espécie de anti-herói que mata por boas razões.

Elektra me incomodou bastante logo em que ela apareceu, uma mulher mimada que precisava de tudo na hora e do jeito que ela queria. Boa nas artes marciais e sedenta de sangue, Matt tenta aos poucos mostra-la o seu lado bom. Assim como aconteceu com o personagem do Justiceiro, depois de alguns episódios podemos conhecer melhor sua personalidade e sentir certa empatia.

O Foggy, sócio do Matt na Nelson & Murdock, passa por uma evolução considerável nessa temporada. Tido como um alívio cômico na primeira, agora ele prova, até mesmo para si, suas habilidades como advogado ao defender o Justiceiro no tribunal.

Nessa temporada há alguns links para outros personagens da Marvel, como a Jessica e o Luke, de Jessica Jones, ambos mencionados pela enfermeira Claire.  Os últimos episódios são eletrizantes, quase impossíveis de não assistir seguidamente. As descobertas que os protagonistas fazem um sobre os outros, a ligação de informações que aos poucos vão formando uma trança perfeita.