Sociedade do cansaço, de Byung-Chul Han

HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2017.

Esse livro contém o ensaio do professor de filosofia Byung-Chul Han sobre a sociedade atual, que ele titulou de Sociedade do Cansaço. Para a construção do termo e de sua tese, o autor parte da perspectiva de Foucault e sua ‘sociedade disciplinar’, ou seja, enquanto o indivíduo da modernidade era uma figura que vivia da obediência e da mecanização de suas ações, hoje as pessoas estão tão envolvidas no discurso motivacional do ‘ser empreendedor de si’ e da necessidade de produzir que estão cada vez mais cansadas e doentes.

É bem pertinente essa observação de Byung-Chul e sua tese dialogou constantemente com minha rotina. Aquela dificuldade de aceitar o tédio ou algumas horas dedicadas ao nada propositalmente. É estranho que esse cansaço já parece um habitante de mim. Um exemplo claro disso é quando chego na parada de ônibus alguns minutos antes do horário que o transporte passará, já me bate uma ansiedade do tipo “nossa, tô perdendo tempo, eu poderia estar lendo ou adiantando algum e-mail, mas só faltam 10 minutos pra ele passar, preciso ficar atenta… Mas são 10 minutos fazendo nada!!!” E por aí vai. Percebi que preciso me abstrair mais de horários e evitar tantos compromissos e obrigações que caço ao acaso para preencher minhas horas.

A partir dessa construção histórico – filosófica, o texto critica também a dificuldade de dedicar-se ao ver contemplativo, uma vez que só queremos ver e absorver aquilo que trará algum benefício, por que não apenas contemplar e deixar os pensamentos soltos?!

Dormir o menos que você consegue e produzir o máximo chegando ao além do humano são as palavras chave para a sociedade atual. O cansaço se instalou e por aqui ficou como algo natural. O tempo parece cada vez mais rápido ou você que não observa o tempo passar?

Os pontos levantados por Byung são bem interessantes e reflexivos, em alguns momentos soou até mesmo como um tapa na cara. Essa obra é curtinha e o texto é bem repetitivo, vários títulos do autor saíram pela Editora Vozes nessa coleção que achei o preço até bacana.

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Qual a tua obra? | Mario Sergio Cortella

CORTELLA, Mario Sergio. Qual a tua obra? Inquietações propositivas sobre Gestão, Liderança e Ética .25° ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2017.

Impossível não conhecer Cortella ou não ter ouvido ainda alguma de suas observações sobre a vida contemporânea, seja numa entrevista ou em um vídeo que algum professor usou em sala. Ele é muito considerado atualmente pelas reflexões sociais que faz, um filósofo da atualidade.

Pelo subtítulo de Qual a tua obra? parece que esse livro é voltado apenas para pessoas que exercem cargos de liderança, mas não é bem assim. Os assuntos abordados por Cortella se encaixam perfeitamente na vida de qualquer trabalhador, seja sobre o descobrimento da sua obra ou os dilemas éticos.

E é nesses dois extremos do livro que vou me deter. Achei muito interessante essa ideia de você descobrir a sua obra. Eu, como trabalhadora comum que não exerce nenhum cargo de liderança, sempre tive episódios de insignificância operária, momentos em que não via sentido algum no que estava fazendo, apenas operava para receber o meu ordenado ao final do mês. Depois que li esse livro percebi que eu melhorava e me dedicava mais ao trabalho quando eu conseguia vislumbrar essa “obra”.

“A espiritualidade no mundo do trabalho é necessária. O que é espiritualidade? É a sua capacidade de olhar as coisas não com um fim em se mesmas, que existem razões mais importantes do que o imediato. Que aquilo que você faz, por exemplo, tem um sentido, um significado.” P. 13

Conseguir enxergar qual é a sua obra é muito importante para a sua dedicação, pois a partir daí você vai buscar a formação continuada, investir em empresas que invistam em você e retornar a significância que o trabalho trouxe para a sua vida.

Os dilemas éticos não acontecem apenas ao nível estratégico de uma empresa, em que o empresário precisa decidir se entrará ou não em determinado esquema para aumentar os seus lucros. Esses dilemas estão presentes também na vida dos colaboradores em todos os níveis, vejam só a atitude um um funcionário de desviar materiais de escritório, como canetas e clipes, bem como de beneficiar a uns no atendimento são exemplos de dilemas éticos rotineiros os quais quase nunca são tomados para reflexão, mas deveriam.

“A ética é um conjunto de princípios e valores que você usa para responder as três grandes perguntas da vida humana: Quero? Devo? Posso? P. 104

Todas as pessoas que trabalham poderiam ler esse livro e concluí-lo sentindo-se um colaborador melhor, determinado a dar o melhor de si para auxiliar em sua obra. É uma leitura muito rápida, cheia de exemplos reais e de ensinamentos.