Asiáticos podres de ricos | Kevin Kwan |Record

KWAN, Kevin. Asiáticos podres de ricos. Rio de Janeiro: Record, 2018.

ASIATICOS_PODRES_DE_RICOS_1519738179760479SK1519738180BAsiáticos podres de ricos traz a história do casal Nick e Rachel, professores universitários que estão namorando há uns dois anos e resolvem viajar para Cingapura para o casamento do melhor amigo de Nick. O que Rachel não esperava era que a família do namorado fosse estupidamente rica.

O livro é dividido em três partes, sendo a primeira concentrada na vida do casal antes da viagem e em demonstrações isoladas para que o leitor possa conhecer os personagens secundários que terão mais relação com os protagonistas, a parte dois conta sobre a chegada de Rachel e Nick à Cingapura e como Rachel foi se dando conta de onde estava se metendo, pois nunca havia conjecturado tamanha riqueza para uma família só. Na terceira e última parte se desenrola os embates sobre família-riqueza-sentimentos.

Cada capítulo do livro é destinado a um personagem da história, então podemos observar a perspectiva de todos eles, o que deixa a narrativa mais descontraída e a passagem de tempo mais rápida e dinâmica.

O romance do casal principal é meio morno, apesar de toda a paixão descrita entre Nick e Rachel, a concretização do relacionamento dos dois não me convenceu muito. Fiquei mais interessada no casal secundário Astrid e Michael do que no principal. Mais vale acompanhar as fofocas e mesquinharias das famílias podres de ricas do que o relacionamento dos protagonistas.

Interessante notar como o autor trabalha essa questão de riqueza e poder. Seja por uma visão meritocrática ou o clichê de como os ricos se relacionam com os pobres ou a visão que os pobres possuem sobre os ricos. Para ilustrar essas três concepções:

1. Os não nascidos em famílias ricas precisam trabalhar mais e se doar mais para ter pelo menos a chance de ser bem visto em seu meio.

“Nunca se esqueça de que somos Hainan, filho. Somos descendentes de criados e pescadores. Sempre teremos que trabalhar com mais afinco para mostrar o nosso valor.” Kindle

2. Os ricos menosprezam os pobres e estes, por sua vez, acham que a educação está atrelada ao fato de ter muito dinheiro.

“Só porque algumas pessoas precisam trabalhar para ganahar dinheiro não significa que sejam inferiores a você.” Kindle

3. Quando Rachel conta para a mãe sobre o quão rica é a família de Nick, ela responde:

“-Sabe, eu já desconfiava disso há um bom tempo. Ele é tão educado… Dá pra ver só pelo jeito como ele se comporta no jantar.” Kindle

O que a mãe da Rachel não imagina é que a mesma família que criou Nick para ser esse bom moço é a mesma que menospreza e humilha sua filha devido a sua pouca condição financeira e falta de linhagem abastarda. Obviamente ter dinheiro não é sinônimo de boa educação, você pode até pagar as melhores escolas e ensinar as regras de etiqueta vigentes, mas o relacionamento interpessoal e o respeito não se compra, se constrói aos anos.

Alguns detalhes do livro me incomodaram um pouco, como o anacronismo de usar o termo “bullying”  em um flash de diálogo que aconteceu em 1986, ou a piada ridícula sobre uma mulher não se afogar porque tem silicone nos seios.

Asiáticos podres de ricos é um romance cheio de intrigas, fofocas, segredos e reflexão sobre condição financeira. Um livro de narrativa leve para se descontrair, não é um dos melhores livros da vida, mas é divertido.

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O pecador, de Tess Gerritsen

GERRITSEN, Tess. O pecador. 2° ed. Rio de Janeiro: BestBolso, 2012.

A detetive Rizzoli precisa tomar a maior decisão da sua vida ao mesmo tempo em que tenta solucionar o assassinato da freira Camile, quem poderia querer a morte de uma jovem freira? O caso toma proporções maiores do que o esperado, tanto pelo assédio midiático quanto pelas novas pistas que surgem ao longo da investigação.

Ao mesmo tempo, Isles, a patologista do Instituto Médico Legal, enfrenta antigos temores com a volta de Victor à cidade. A médica é uma mulher destemida e forte que não exita tomar atitudes que vão ao encontro de seus princípios morais.

A personalidade das protagonistas da história são de duas mulheres independentes e fortes que lutaram para ser reconhecidas em seus ambientes de trabalho, que em geral são dominados pela presença masculina. Em alguns momentos do livro a autora até mesmo aborda essa questão de gênero.

A narrativa é construída aos poucos, com pistas sendo lançadas desde o comecinho da história, nada aqui é em vão, tudo é utilizado para refazer a cena do crime, Tess monta esse quebra cabeça com maestria. O embate filosófico entre religião e ciência é constante nessa obra, de um lado a crença dos integrantes do convento e do outro, os testes de laboratório de Isles. É sempre maravilhoso ler um trhiller da Tess Gerritsen e de todas as características de sua narrativa, uma que sempre chama a minha atenção é a riqueza de detalhes das autópsias, pois a autora é formada em medicina e ela faz questão de caprichar nessas cenas que envolvem o corpo humano.

Li O pecador de maneira frenética, pois além da curiosidade em saber quem matou Camile, as pistas revelavam cada vez mais uma trama de arquitetura em camadas e as cenas ação foram realmente alucinantes. Como um suspense médico, Tess desenvolveu sua obra de maneira ímpar.

 

O diário da princesa (#01), da Meg Cabot

Olá, leitores!

Então voltei à Meg Cabot depois de não ter gostado do segundo volume da série Desaparecidos. Fiquei decepcionado quando li o Codinome Cassandra, ainda mais depois de ter vibrado tanto na série A Mediadora. Fiz bem, O diário da princesa me mostrou que a Meg pode ter dado apenas um pequeno descuido em Desaparecidos.

Em O diário da princesa, Mia Thermopolis escreve em seu diário os pontos altos e baixos da sua rotina, que no início é recheado de insegurança e problemas comuns de jovens que não estão indo bem no colégio. Depois que ela descobre que o seu pai está com câncer no testículo e que ele não poderá mais ter filhos por ter ficado estéril, sua vida vira totalmente de pernas pro ar pelo simples motivo: sua família paterna nada mais é do que a realeza de uma pequeno país, Genóvia, ou seja, ela é a sucessora real do trono.

Tudo o que Mia mais deseja é concluir o Ensino Médio sem que ninguém descobra esse pequeno detalhe, que agora é princesa de Genóvia. E por esconder esse segredo, briga até mesmo com a sua melhor amiga, que nota as mudanças em Mia, que além de estar “esquisita” ainda mudou o seu visual.

Meg Cabot, trouxe em O diário da princesa uma adolescente de uns 14 anos cheia de inseguranças, como é comum na maioria das meninas nessa faixa etária , traz um romance bonitinho e várias informações que podem estimular jovens leitores a pesquisar, como história, matemática, palavras em francês e até mesmo informações culturais. Eu teria adorado ler esse livro na adolescência e ter pesquisado, por exemplo, sobre a princesa Diana ou sobre a indústria da carne. rs

Eu li: Codinome Cassandra, da Meg Cabot

Meg Cabot é sempre um bom ponta pé quando estou em ressaca literária, sua escrita é envolvente, rápida e divertida. Então, para tentar, mais uma vez, sair dessa inércia literária, resolvi apostar em Codinome Cassandra, o segundo volume da série Desaparecidos.

IMG_20170820_111348349Codinome Cassandra tem uma capa cheia de notas musicais para representar o acampamento Wawasee para crianças com talentos especiais para música, que é onde Jess está trabalhando nessas férias de verão. Tudo parece estar indo bem, a final de contas pelo menos nesse verão ela não precisaria trabalhar em um dos restaurantes da família, continuaria no anonimato e tudo sairia bem. Mas nem tudo são flores quando se trata de Jess, bem, flor é a ultima palavra que se espera numa frase que se refira a ela.

Ela continua encontrando crianças desaparecidas às escondidas, mantém uma pessoa de confiança na organização que funciona como Disque Desaparecidos ou algo do tipo, mas o que ela não sabia é que o FBI ainda estava observando seus movimentos.

Codinome Cassandra mantém o mesmo fluxo frenético do Quando cai o Raio, mas confesso que alguns aspectos da narrativa me incomodaram um pouco dessa vez (será que estou ficando velha demais até mesmo para a Meg Cabot? Oh, céus, espero que não), como a repetição contínua de centos acontecimentos, como quando ela fica relembrando umas três ou quatro vezes o que aconteceu quando ela esteve sob guarda do FBI e como Rob não está nem aí pra ela, mas isso não abala a sua convicção de que ele será o seu namorado, coisas do tipo, chega a parecer que está apenas a encher linguiça.

Jess me lembra muito a Suzannah, da série A Mediadora, tanto pelo poder paranormal, quanto pelos seus métodos nada convencionais de lidar com os acontecimentos. Rob me remete a Jess (da Mediadora), o rapaz bonitão e bem mais velho que não quer se envolver com a protagonista porque ela é muito nova e tal. Alguns detalhes se repetem em Desaparecidos, mas com toda certeza do mundo A Mediadora ainda é bem melhor.

Meg Cabot é conhecida, principalmente, por ter escrito Diários da Princesa, série que virou filme. Publica livros juvenis como quem troca de roupa, sua bibliografia é bem vasta.

O que Virgínia Woolf e James Joyce têm em comum

É sabido que Virgínia Woolf não gostou muito da obra mais conhecida de James Joyce, Ulisses, e isso resultou em associar o nome dos dois grandes escritores a desprazeres.

Virgínia era crítica literária e por conta disso o seu julgamento sobre Joyce foi tão enaltecido pelos leitores e simpatizantes do mundo dos livros a ponto de muitos considerarem que Virgínia detesta Joyce no geral, não apenas de uma obra dele.

Fofoca literária a parte, vamos ao que interessa: o que eles têm em comum?

  1. São grandes nomes da literatura e suas obras são lidas todos os anos por vários leitores no mundo;
  2. São considerados “difíceis de ler” por obras específicas, carma que os segue no imaginário de todo leitor. Virgínia ganhou essa fama com As Ondas e Joyce, com Ulisses;
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  3. Ambos possuem um livro descontraído que vai inteiramente contra a fama de “semi impossíveis da literatura”. Flush é da Virgínia e Dublinenses, o do Joyce;
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  4. Escrevem usando a técnica conhecida como fluxo de consciência;
  5. São escritores modernistas do final do século XX;
  6. Personagens que se sentem solitários apesar de todos os contatos sociais que possuem;
  7. O tempo das narrativas não correspondem ao tempo cronológico da história;
  8. Se aproximam do realismo psicológico;
  9. Uso de narrativa experimental;
  10. Distanciamento e uma iminente sensação de desgraça parecem estar sempre presentes.

Dos livros citados no post, já falei sobre:

Depois de revisitar esses comentários tão antigos acho que está na época de reler esses livros para tecer novas ideias sobre eles, rs.

Para bom leitor, só a fábula basta

Então eu li um dos clássicos best seller motivacionais usados em coaching e só ficou uma sensação na minha cabeça: ” por que cargas d’água esse livro tem tanta auto explicação?”.

A fábula em si do Quem mexeu no meu queijo? é curtinha, mas ela é apenas um terço do livro, o restante é uma explicação prévia sobre os personagens e o que significa cada um dos elementos da história, recurso dispensável em minha concepção. Depois de contar a história do labirinto e do queijo há, ainda, uma parte com comentários e discussões sobre como a fábula se encaixa em diversos aspectos da vida das pessoas.

Sério mesmo, qual o motivo para tanta explicação? A fábula em si passa a mensagem sobre a importância de mudanças em nossas vidas e como as pessoas que não aceitam e não se adaptam tornam-se ranzinzas e sem perspectiva para alcançar seus objetivos, ponto.

Além de todas esses excessos, as frases motivacionais do livro ainda são repetidas ao final, como se o leitor não as tivesse apreendido ao longo da fábula. Essa maneira de contar do autor me incomodou horrores, parece que ele precisa ter a plena certeza de que todos (eu digo TODOS) os leitores entenderão o que ele quer dizer, não havendo margem para nenhum resquício de dúvidas, isso não deixa o leitor pensar!!!

Eu li: O cirurgião, de Tess Gerritsen

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O cirurgião é o primeiro livro da escritora Tess Gerritsen e como romance de estreia a autora pareceu já ser mestre em Thriller policial.

Não sou muito fã de romance policial, geralmente acho enfadonho e quase sempre desisto da leitura. Mesmo com essa rixa ao gênero, senti-me empolgada do começo ao fim do livro, não tive os momentos de “bler” que eu costumo ter aos livros policiais, fiquei encantada com o desenrolar da investigação, pois mesmo supondo e acertando diversas coisas vira e meche aparecia algo para me surpreender.

Em O cirurgião a autora apresenta os casos de um assassino que não se contenta em matar mulheres, ele remove o útero de suas vítimas antes de mata-las, o mais estranho é que esse psicopata havia morrido há dois anos numa tentativa mal sucedida de completar o seu ritual prazeroso. A vítima sobrevivente começa, então, a sentir-se ameaçada novamente e a polícia de Boston terá uma corrida dupla que consiste em capturar O cirurgião e proteger a médica Catherine.

Com comentários ácidos sobre o quão mais uma mulher tem que se esforçar para se destacar em sua profissão, ainda mais quando não se tem atrativos físicos e está dentro de uma repartição predominantemente masculina, como na delegacia. Rizzoli faz questão de dar acima do seu melhor para ser reconhecida pelo seu trabalho bem feito, mesmo que ela precise ralar trezentas vezes mais do que os colegas.

Interessante também é a forma como Tess nos apresenta o seu psicopata, a forma como ele conversa com o leitor, sempre introduzindo seus pensamentos com conhecimentos de mundo e analogias ao que ele considera como certo ou sagrado. Nada de palavras, conhecemos O cirurgião apenas pelas suas ideias e motivações.

O livro é isso, uma mistura de investigação criminal, doses cavalares de anatomia e procedimentos médicos ( a autora era médica e ela não se acanha em usar seus conhecimentos para descrever as cenas no hospital ou do corpo das vítimas que passaram pelas mãos d’O cirurgião), romance e a luta feminina na sociedade contemporânea.

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O Pedido, de Meg Cabot

Anos depois da publicação do sexto volume da série A Mediadora, Meg Cabot anunciou o lançamento de um sétimo livro e como se isso não bastasse para enlouquecer os fãs da série, a Galera disponibilizou um conto que está entre os sexto e o sétimo volume da série.

Esse conto é considerado o volume 6,5 e está disponível para download gratuito na Amazon.

Em O Pedido, Suzanna está namorando Jesse há um tempo, estudando psicologia e morando num dormitório feminino. Claro que ela nunca deixou seus trabalhos de mediação de lado e nesse conto a autora nos relembra vários detalhes da personalidade dos nossos protagonistas, deu até saudade da época em que li todos os livros seguidos.

Como o próprio título do livro sugere, Jesse quer pedir Suzanna em casamento, mas o seu jeito durão acaba estragando um pouquinho tudo o que ele tinha planejado como o típico cavalheiro do século XIX que ele é. Ao mesmo tempo, ele a ajuda em um trabalho de mediação que, por sinal, envolve um triângulo amoroso e um casamento entre jovens, o que deixa Suzy um pouco perturbada sobre ser pedida em casamento.

Meg Cabot não perdeu em nada o fio da meada da série e sendo lançado 5, 10 ou 20 anos depois não faria diferença alguma, pois lá está nossos amados personagens do mesmo jeitinho.

Rua da padaria, de Bruna Beber

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Imagem retirada do Skoob

“Rua da padaria” é nostalgia desde a capa, que lembra aquele papel em que o senhor da budega enrolava os ovos comprados a 10 por um real, relembra a infância em seus momentos mais simplórios e inesquecíveis. Quem nunca ficou com aquele chavão de um parente guardado na memória? A marca roxa que se forma depois de uma pancada e vai esverdeando ao longo dos dias, a toalha bordada com teu nome (um item indispensável na vida), pequenos detalhes que marcam.

Tolstoi já disse “se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”, e foi isso que Bruna fez, pintou sua realidade, as nuanças da rua da padaria, o resultado? Um livro de poemas que te leva de volta para aquela bendita calçada onde você correu e gargalhou durante muitos anos da sua vida.

Esse livro é muito fininho, daqueles que a gente lê numa ida à livraria (ou biblioteca) e faz o dia valer a pena.