Histórias de tia Nastácia, do Monteiro Lobato

Olá, leitores!

Minha última leitura do ano de 2017 foi o Histórias de tia Nastácia, do Monteiro Lobato, nada melhor do que concluir o ano com um nacionalzinho, em?!

Monteiro Lobato começou a escrever livros infantis por volta de 1920 quando percebeu que as histórias para crianças publicadas no Brasil eram traduções de leitura pesada e de difícil compreensão para os pequenos. Resolveu colher as narrativas do povo brasileiro que eram disseminadas apenas no boca a boca e também criar personagens e causos com elementos característicos do Brasil.

Esse livro reúne 43 histórias contadas por tia Nastácia, são relatos que envolvem sabedoria popular, como por exemplo a origem da expressão “pulo do gato” que é tão usada por nós.

As narrativas são construídas de maneira bem simples, ideal para crianças de todas as idades, e ao final de cada conto há os comentários dos moradores do Sítio do Pica Pau Amarelo, espaço em que há indicação de outras leituras, como a do conto O príncipe feliz, do Oscar Wilde.

Se você for apresentar essa obra para uma criança, é necessário certa cautela, pois nós sabemos que na época em que ele foi escrito, apesar de a escravidão ter sido abolida há cerca 40 anos mais ou menos, ainda encontrava-se com certa força o racismo e a inferiorização de traços culturais advindo dos negros e índios (estamos falando de pessoas que cresceram em famílias que possuíam escravos, uma criação totalmente diferente da nossa), há aqui expressões racistas como “negra beiçuda”, que deve ser trabalhada a certo nível de desconstrução com os pequenos, para evitar reproduções e problemas sociais por conta disso.

Então é isso, Histórias de tia Nastácia possui contos curtinhos e leves que trazem muito da sabedoria popular brasileira, mas que deve ser tratada com cautela quando apresentada a crianças que ainda não tenham maturidade para filtrar o racismo incutido aqui.