História da sua vida e outros contos, de Ted Chiang

historia_da_sua_vida_e_outros__1476909220619967sk1476909220bAo assistir A Chegada, fiquei apaixonada pela história e pela forma de tratar a linguística numa temática tão diferente da usual, que tenta dirimir os preconceitos das variações regionais da língua e tal. Mais excitante do que mergulhar nesse filme foi poder acompanhar a construção dessa história por meio do conto História da sua vida, do Ted Chiang.

Indiscutível que várias pessoas procuraram História da sua vida após ver A chegada e se depararam com não apenas um, mas oito maravilhosos contos que viajam entre os mais variados temas.

Mesmo com formação em Engenharia, Ted não se limita aos assuntos da sua área e mergulha no campo linguístico, como em História da sua vida, na matemática, em Divisão por zero e até mesmo no misticismo de uma parábola bíblica, em A torre da Babilônia.

Dois contos envolvem a religiosidade, primeiro em A torre da Babilônia, em que o autor reconta a história já conhecida da Bíblia de uma maneira que mistura o cientificismo e o lúdico. Já em O inferno é a ausência de Deus, Ted traz as divindades cristãs para mais próximo da realidade, os torna seres mais interativos e apupáveis a raça humana, aqui os ‘mistérios’ de Deus já não são tão misteriosos assim, pois as pessoas conseguem até mesmo distinguir se as almas vão para o céu ou para o inferno após a morte.

Há contos também que permanecem nos ‘clichês’ da ficção científica, mas mesmo assim são excelentes histórias, como em Entenda que uma pessoa passa por testes, desenvolve superinteligência e sua interação social é completamente afetada por isso. A evolução da ciência humana traz meta-humanos como uma evolução do homem e Setenta e duas letras apresenta uma sociedade em que foi desenvolvida uma técnica de dar vida a seres inanimados por meio de nomes, uma proposta bem perturbadora no meu ponto de vista.

Em Divisão por zero, a narrativa é construída por dois diferentes pontos de vistas que se baseia na matemática, indo além da exatidão das fórmulas e discutindo a condição psicológica do ser humano. Esse conto me remeteu aos grandes intelectuais que têm/ tiveram dificuldade de socializar com outras pessoas e até mesmo pararam de ver sentido nisso tudo.

História da sua vida é enriquecedor de ler e acompanhar a sua construção, principalmente pelo jogo de tempos verbais utilizados pelo autor e o uso da linguística para o diálogo com os seres extraterrestres. O filme é espetacular e captou bastante os aspectos propostos por Ted, mas deixo o aviso que há mais peculiaridades no conto, pois podemos observar a evolução do entendimento da protagonista na nova “língua” em que ela está aprendendo e as manifestações que esse aprendizado teve em sua vida.

O último conto do livro Gostando do que vê: um documentário me pareceu o cenário perfeito para um episódio do Black Mirror, pois ele reúne diferentes opiniões sobre o uso de um software que determina padrões de beleza, o que gera várias discussões sobre estética e sociedade.

Eu não tenho muito o costume de ler Ficção Científica e História da sua vida me fez querer ler mais livros do gênero por ter me lembrado do amplo leque de assuntos abordados nessas histórias, que vão bem além do “imagina nós daqui a mil anos com um monte de tecnologia assim e pá” e trabalham com construção humana e social de uma maneira descontraída e lúdica.

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O diário da princesa (#01), da Meg Cabot

Olá, leitores!

Então voltei à Meg Cabot depois de não ter gostado do segundo volume da série Desaparecidos. Fiquei decepcionado quando li o Codinome Cassandra, ainda mais depois de ter vibrado tanto na série A Mediadora. Fiz bem, O diário da princesa me mostrou que a Meg pode ter dado apenas um pequeno descuido em Desaparecidos.

Em O diário da princesa, Mia Thermopolis escreve em seu diário os pontos altos e baixos da sua rotina, que no início é recheado de insegurança e problemas comuns de jovens que não estão indo bem no colégio. Depois que ela descobre que o seu pai está com câncer no testículo e que ele não poderá mais ter filhos por ter ficado estéril, sua vida vira totalmente de pernas pro ar pelo simples motivo: sua família paterna nada mais é do que a realeza de uma pequeno país, Genóvia, ou seja, ela é a sucessora real do trono.

Tudo o que Mia mais deseja é concluir o Ensino Médio sem que ninguém descobra esse pequeno detalhe, que agora é princesa de Genóvia. E por esconder esse segredo, briga até mesmo com a sua melhor amiga, que nota as mudanças em Mia, que além de estar “esquisita” ainda mudou o seu visual.

Meg Cabot, trouxe em O diário da princesa uma adolescente de uns 14 anos cheia de inseguranças, como é comum na maioria das meninas nessa faixa etária , traz um romance bonitinho e várias informações que podem estimular jovens leitores a pesquisar, como história, matemática, palavras em francês e até mesmo informações culturais. Eu teria adorado ler esse livro na adolescência e ter pesquisado, por exemplo, sobre a princesa Diana ou sobre a indústria da carne. rs

Eu li: : Os 12 hábitos das pessoas altamente produtivas, do Rogério Job

Os 12 hábitos das pessoas altamente produtivas é um livro curtinho, que, como a maioria dos livros de autoajuda, apenas expõe o que está à sua frente e você não sabe utilizar os recursos da melhor maneira.

Nesse livro, Rogério Job apresenta 12 dicas rápidas sobre como melhorar seus índices de produção. Objetivo e leitura fácil, peguei de graça no site da Amazon e não me arrependi de dedicar uns 30 ou 40 minutos para lê-lo, pois os ensinamento, apesar de básico, o autor tenta incentivar o leitor a seguir pelo menos uma das dicas para ver resultados.

Concordo com alguns itens apresentados por Rogério, como quando ele menciona alguns vilões da produção, como as interrupções ou a mania de querer tudo perfeito, mas discordei da maneira aparentemente relaxada com que ele propõe lidar com os trabalhos. Sou dessas que antes de começar a digitar já deixa toda a formatação conforme ABNT (Times 12, espaçamento 1,5. Desculpa, é mais forte do que eu) e não suporto os sublinhados vermelhos decorrentes de algum descuido. Inclusive cheguei a ver alguns comentário no GoodReads que o autor parece ter escrito o livro as presas, talvez justamente por essa falta de zelo ou sei lá o que.

Em muitos momentos ser efetivo basta, mas em tantas outras é necessário ser eficiente. Como assim? Em algumas ocasiões, o trabalho rápido e produtivo vem a calhar, mas em outras, a qualidade e o desempenho contam mais do que números. Os dois lados de uma moeda.