Diário de leitura | Olá, vinte vinte !

Olá, leitores!

Mais um ano começa e as expectativas lá no alto, como sempre. rs

Há alguns anos não tenho me proposto a nenhum desafio literário ou meta de leitura por motivos óbvios de que eu sou a maior furona desse tipo de coisa, sempre desisto logo no começo. Então, nada de 12 livros determinados para o ano ou Desafio X ou Y.

Porém (há!) em 2020 quero fazer um pouco diferente (acho que me empolguei um pouco porque meu ritmo de leitura melhorou em 2019 e eu já estou toda extravagante, mas vamos lá), pois deixei alguns projetos em aberto e quero concluí-los.

Resumo de 2019

Li um total de 57 obras, sendo 33 de autoria feminina e 24 masculina, e estão listadas no GoodReads.

O que 2019 deixou para 2020

Em 2019 me propus a participar do Leia Mulheres da cidade e até consegui ir a alguns encontros, porém falhei miseravelmente. Acompanhei de longe lendo as indicações, mas foi bem complicado comparecer às reuniões. :/ Então, resolvi participar do Projeto Leia Mulheres 2020, que consiste em ler um livro para cada temática do mês. Escolherei os títulos com o passar do tempo, pois não quero lista engessada, as atualizações desse projeto serão feitas lá no IG.

leia mulheres 2020

Quero retomar o projeto de um vídeo para cada capítulo do livro O Mito da Beleza, que ficou parado por um longo tempo em 2019. Eu havia planejado fazer um vídeo por semana para cada capítulo, mas a rotina me engoliu e não consegui cumprir com os prazos. Agora em 2020 tentarei fazer pelo menos um por mês, talvez assim eu consiga, rs.

mito da beleza

Mensagem de ano novo

Toda virada de ano sentimos essa euforia de fazer coisas novas, de nos dar uma outra chance e de começar novos ciclos, mas na vida real os ciclos recomeçam sem data certa, as vezes no meio do ano tudo muda mesmo sem o ritual dos fogos de artifício.

O que quero deixar aqui é a abertura para o novo durante todos os dias do ano e para muitas leituras maravilhosas !

Feliz vinte vinte.

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Projeto de leitura | O mito da beleza | Cap. 2 – Trabalho

Esse post faz parte do projeto de leitura do livro O mito da beleza, de Naomi Wolf.

Nesse capítulo, a autora levanta a questão do uso da beleza como parte integrante do sistema econômico, uma espécie de moeda de troca. Pois, conforme as mulheres conquistavam seu espaço e adquiriam poder, mais beleza o sistema exigiu como forma de prejudicar seu progresso.

Antes, a beleza era fundamental para garantir um bom matrimônio e hoje a beleza continua sendo requisito para que a mulher conquiste algo, nesse caso agora, o próprio trabalho. Essa nova exigência mercadológica vem em resposta a competência feminina, a autora levanta vários dados em que as mulheres com ferramentas piores do que a dos homens, conseguem produzir a mesma quantidade que eles e se forem disponibilizadas ferramentas iguais, elas chegam a produzir até cinco vezes mais do que o padrão masculino. Isso fica bem claro no sistema fabril do século XIX, em que as mulheres trabalhavam bem mais e recebiam bem menos do que os homens, não existia trabalho que não pudesse ser executado pelas mulheres.

“embora as mulheres representem 50% da população mundial, elas cumprem quase dois terços do total de horas de trabalho, recebem apenas um décimo da renda mundial e possuem menos de 1% das propriedades” P. 43

E tem mais, se o trabalho doméstico realizado pelas mulheres passasse a ser remunerado, a renda familiar aumentaria em cerca de 60%. Muitas pessoas têm dificuldade de enxergar o trabalho doméstico como trabalho de fato, isso advém de uma tradição em voga por volta da década de 50, em que apenas os homens exerciam o trabalho remunerado, as mulheres apenas ficavam em casa “fazendo nada”. Embora o trabalho doméstico seja necessário e tome um tempo que a pessoa poderia investir em outra coisa, como estudos ou algum hobby. Se as mulheres cobrassem o equivalente a TODO trabalho que ela executa, o sistema financeiro estaria falido.

O trabalho doméstico é tão desvalorizado que quando uma mulher tem recurso financeiro para tal, a primeira coisa que ela faz é contratar uma mulher mais pobre para exercer uma atividade que ela não quer realizar a troco de nada. Ao diminuir a sobre carga do trabalho feminino, aumentando, assim seu nível de produção, foi necessário criar um novo grilhão que tornasse a mulher insegura e lutando por algo inalcançável, o padrão de beleza.

Vistas como uma mão de obra baseada em submissão e beleza, algumas profissões foram estabelecidas pautadas nesses critérios, como recepcionistas, secretárias, comissárias de bordo… Em que a beleza é quesito fundamental. E quanto mais sucesso profissional uma mulher possui, quanto mais ela ascende em sua carreira, mais cuidado com a beleza a sociedade exige dela. Parece algo que foi estruturado para desestabilizar o emocional delas, “você pode até ter chegado ao todo da carreira, mas nunca será magra ou bonita o suficiente”.

Isso leva a outro ponto de discussão, as mulheres trabalham mais, recebem menos e ainda precisam gastar parte do dinheiro com produtos de beleza (cremes e maquiagem) para garantir o seu status quo no ambiente de trabalho. As empresas querem recepcionistas lindas, mas não bancam a make da Mary Key para as funcionárias, tem que sair do bolso delas. E o pior, as profissões tidas como femininas ainda são sexualizadas, diminuindo ainda mais a credibilidade do trabalho feminino.

A autora relata, ainda, vários casos em que as mulheres perderam o emprego ou foram sentenciadas judicialmente por ter engordado, perdendo as características necessárias ao seu cargo.Vocês já repararam que nos jornais, em geral, os apresentadores são: um homem mais velho com ar de sabedoria e maturidade e ao lado uma mulher jovem que ao envelhecer é trocada por outra mais nova?

Engraçado que enquanto algumas mulheres perdem o emprego por estar fora dos padrões de beleza, quando essa mulher é muito bonita, logo se tem no imaginário popular que ela só conseguiu o emprego por causa desse atributo. Nunca se leva em consideração a competência?

Até julho, Angela Davis

Comprei três livros da Angela Davis e comecei o ano super empolgada lendo Mulheres, mulheres-raca-e-classeraça e classe, mas já estamos entrando em abril e eu não cheguei nem na metade dele!

Por incrível que pareça, esse foi o primeiro livro que peguei para ler em 2018 e durante o percurso de um pouco mais de 50 páginas li outros títulos e não consegui dar continuidade na Angela.

Fiquei chateada com esse meu entrave, até porque eu amei o Os homens explicam tudo para mim, que possui uma temática parecida.

O problema em si eu já identifiquei, a leitura é muito rica e não quero desperdiçá-la em leituras rápidas no ônibus que me impossibilita anotações, embora eu não tenha tempo para sentar e lê-lo em casa. O resultado? O coitado do livro viaja diariamente na minha bolsa e eu não desenvolvo a leitura porque sinto a necessidade de marcar inúmeras referências para pesquisar depois e até mesmo de tecer comentários nos post its.

Em virtude disso, com muito pesar encostarei a Angela por um tempinho até o mês das minhas férias da faculdade.

Comprei um Kindle | Primeiras impressões

Olá, leitores!

Sempre fui defensora dos livros de papel, meu projeto de biblioteca é a prova disso. Achava que seria impossível ler sem sentir aquelas páginas passando entre meus dedos, observar o volume do livro correndo da direita para a esquerda conforme eu viajava, impossível seria viver sem cheiro de livro, pior ainda viver sem as cores que compõem a minha estante.

Quase todos os sentimentos de leitor apaixonado ainda permanecem por aqui, mas por incrível que pareça, eu fui capaz de concluir livros incríveis no formato digital e ainda desejo ter as obras em papel na estante. A paixão pelos livros não acaba quando se dá uma chance ao e-book, muito pelo contrário, ela amplia seus horizontes.

As flags são ótimos companheiros de leitura, bem como o bloquinho de notas em dupla com o lápis para eventuais anotações. Adereços não compatíveis com o formato digital, certo? Mais ou menos. O recurso de marcar e comentar passagens dos livros que o Kindle oferece é tão mais rápido e prático que eu cheguei a sentir falta da praticidade quando voltei ao papel (Estou me tornando preguiçosa devido ao mundo digital? Talvez sim, talvez não, assunto para outra pauta).

Além da facilidade para fazer anotações, mais dois detalhes que me encantaram foram: as inúmeras imagens de proteção de tela ❤ e a leveza do aparelho.

O fato é que o leitor digital me proporcionou ter vários livros que me custariam meses de salário, bem como espaços intermináveis na minha estante. Claro que as melhores leituras permanecem na minha lista de desejados, pois a paixão pelo livro de papel é incomparável.

Comprei meu Kindle usado, bem mais em conta, apenas para ver se eu me daria bem com o aparelho, se conseguiria ler no formato e tal. O resultado tem sido positivo, coloquei vários livros nele, vamos ver se continuarei com a mesma empolgação ao longo dos meses (se não é apenas frenesi de brinquedo novo).

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