Assisti: Lygia, uma escritora brasileira

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Ontem, dia 21 de abril, a TV Cultura apresentou um documentário inédito sobre a Lygia Fagundes Telles, claro que eu não poderia ter deixado de assistir.

Lygia, uma escritora brasileira teve uma hora de duração e foi composto por trechos de entrevistas com a autora, relatos de familiares, críticos e amigos da Lygia. A produção fez um rápido tour sobre a personalidade e carreira dela, pontou a representatividade de alguma de suas obras e sua paixão pela escrita.

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Lygia se entregou à Literatura desde muito cedo, seu primeiro livro foi publicado aos 15 anos ao custeio do pai, de uma forma avassaladora, tinha um emprego fixo (ela era Procuradora do Estado do Ceará e fez um trocadilho a respeito do cargo, passou 30 anos procurando não sabia o que e nunca havia se achado ali), mas queria viver só dos livros, o que lhe rendeu alguns percalços financeiros.

A autora escreveu de forma feminina, inovadora e política sem tornar-se apelativa. Mostrou uma personagem lésbica em seu romance, Ciranda de Pedra, laçado em 1954 e em o Seminário dos Ratos fez alegorias ao período da ditadura (ela diz que o livro estava tão chato que o responsável pela censura na época nem chegou a lê-lo por completo, ainda bem!).

Ao longo da produção, Lygia fala ainda sobre a sua amizade com a Clarice Lispector e com a Hilda Hilst, três mulheres tão diferentes e com tantas coisas em comum. Clarice, conhecida por sua introspecção; Hilda, por sua loucura imediatista; e Lygia, a doçura e simpatia em pessoa. Esclarece também o seu patriotismo e as dificuldades que o Brasil impõe aos seus filhos, o que concebe a constante necessidade de lutas advindas do povo.

Alguns críticos literários lamentam que a academia do Nobel de Literatura nunca tenha enxergado Lygia com toda a sua força e feminilidade, mas quem sabe um dia, né?!

Quero minha liberdade de volta

É incrível como as redes sociais sugam a nossa vida. Pode parecer clichê repetir pela milésima vez que hoje as pessoas preferem uma tela do que o contato físico com os seus amigos. Já não é raro ver rodas de amigos em que os cinco ou seis integrantes nem ao menos se olham nos olhos, estão todos vidrados no mesmo objeto, mas cada um no seu, compartilhando individualmente.

A cena é clássica, marcar um café com a “galera” (ainda usam essa palavra?) e quando está lá, meche no celular enquanto os outros chegam, meche no celular enquanto a comida vem, meche no celular enquanto terminam de comer, rola uma foto para registrar o evento e todos vão para casa. Poucas palavras ditas, algumas digitadas e nenhuma grande emoção vivida.

As redes sociais e o fácil acesso a elas ao longo do dia nos rouba um tempo precioso e nos priva de experiências singulares. Você não aproveitar uma saída é ruim, nada muito lamentável, mas tente imaginar as proporções a que isso pode chegar.

Por experiência própria, atrevo-me a listar alguns casos:  preciso estudar várias páginas, mas a concentração não toma forma porque meu pensamento vagueia em assuntos pendentes que deixei no Facebook ; reclamo da falta de tempo para atualizar minhas leituras e obrigações acadêmicas, mas sempre que sento ao computador perco várias horas checando inutilidades que muitas vezes não me acrescentam nada; a importância dada ao selfie para registrar momentos ao invés de aproveitá-los melhor, guardá-los na memória ou nas páginas de um diário ou blog, alternativas que não privam a possibilidade de tirar uma foto mas que não necessitam do tal selfie seguido de vários #.

Todo o tempo desperdiçado só pende desfavoravelmente para nós, mas ninguém quer virar um eremita social e ficar por fora das últimas novidades dos amigos. É complicado viver em uma sociedade tão exageradamente informatizada, mas que é recheada de informações inúteis, tantas informações em tão pouco tempo e a impossibilidade de reter as essenciais.

A libertação pode surgir em meio a restrições autoimpostas ou delimitação de tempo, mas só seremos libertos quando não houver necessidade de privação, como alcançá-la?