Não olhe para o problema

Não Olhe para Cima - Poster / Capa / Cartaz - Oficial 1

“Don’t look up” foi lançado no dia 24 de dezembro de 2021 e o assisti no dia 30 por causa da enorme repercussão que vinha causando nas redes sociais, vários comentários a respeito do negacionismo diante de evidências científicas e o paralelo com a atual situação política do Brasil.

Fui assistir com a visão direcionada a esse aspecto, mas o que realmente chamou minha atenção foi a ansiedade.

O personagem do Leonardo Di Caprio, que precisa de Xanax para controlar seus ataques de ansiedade, me remeteu profundamente aos últimos ataques de ansiedade que tive, logo peguei uma simpatia por ele. Ao final do filme (sim, vem spoilers), quando ele, a família e os amigos estão sentados à mesa aguardando o fim do mundo e conversando banalidades representou o ideal, o ponto onde quero chegar.

Aproveitar o agora com as poucas pessoas que são realmente MUITO importantes pra você e não perder a cabeça com o que você não pode mudar/controlar. Enquanto houver chance, lute. Se não há remédio, remediado está. Be happy.

É claro que o filme fala sobre diversas outros assuntos, como manipulação em massa, família, tecnologia, etc, é uma obra bem complexa e ao mesmo tempo leve.

O melhor do país são os brasileiros

Meu texto foi publicado no Jornal do Leitor do Jornal impresso O Povo em 12 de julho de 2017.

O Brasil “quebrou a Internet” com o clipe Swish Swish Bish, música da Katy Perry, em que a Gretchen apareceu como estrela principal, o vídeo foi lançado segunda-feira, dia 3 de julho e, em menos de 24 horas, já estava com mais de 5 milhões de visualizações. E, como o melhor do Brasil são os brasileiros, claro que o complemento à apresentação da rainha do bumbum (e dos gifts) são os milhares de comentários hilários.

Nosso país é conhecido como o país do Carnaval, mas, na verdade, é o país da zoação, zoamos com o 7 x 1, zoamos com a Gretchen fazendo fama internacional e zoamos com a política bizarra que temos. Entre guerras internacionais de memes e delações premiadas, o brasileiro está rindo para não chorar da desgraça política em que nos encontramos. Ah, e antes que eu me esqueça: Fora Temer!

Online em: O Povo

Eu li: Mulher perdigueira, do Carpinejar

Mulher perdigueira é o segundo livro do Carpinejar que tenho a oportunidade de ler, sua sensibilidade não mudou, embora aqui haja exageros.

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Carpinejar chamou minha atenção inicialmente por seu estilo diferente, logo fui procurar o que el fazia, vi que tinha programa de TV e que escrevia crônicas. Ótimo, adoro crônicas. Logo de início a sensibilidade do autor nos cativa, nos faz ver pequenos enormes amores em detalhes do nosso dia a dia, ele nos desperta para esse olhar romantizado das coisas, faz crescer em nós a vontade de fazer poesia com as coisas simples da vida.

A maneira como um casal se senta, as maneiras de trocar carícias, as manias e os afetos, tudo isso pode gerar um turbilhão de sentimentos, de comentários e de análises para o Carpinejar. Mesmo me agradando bastante dos pensamentos do autor, algumas crônicas me irritaram, principalmente quando ele demostra ciúmes doentios, como por exemplo quando ele descreve seu ciúme por um sabonete que a sua namorada não o deixava usar, como se o sabonete tivesse algum tipo de acesso exclusivo o lhe proporcionasse algo que ele não seria capaz, bobagem.

Carpinejar não fala só de relacionamentos amorosos em Mulher perdigueira, há também crônicas engraças, como quando sua filha disse que gostava de meias (diante do contexto apresentado) ou quando ele deu uma cédula errada ao flanelinha (quem nunca?).

Mulher perdigueira é uma leitura rápida e divertida, ideal como livro de cabeceira, aquele que você lê um pouquinho antes só para descontrair um pouco a mente antes de dormir.

Mudanças

As pessoas crescem e mudam. Depois de anos construindo a nós mesmos, notamos singela nuances de que o nosso antigo eu, que antes era motivo de orgulho por ser um poço de personalidade, já se encontra meio abandonado pelos cantos da casa.

As mudanças mais visíveis são aquelas que nos levam a tirar roupas do armário e objetos da casa que já não nos identificamos mais. Aquela satisfação de alma leve e tranquila após despachar essas tralhas que algum dia já foi motivo de querencia.

As sutilezas que custamos a aceitar na etapa de mudança são as que nos radicaliza internamente e assinam o atestado de óbito do antigo eu. Preferir outras cores, começar a gostar de músicas e filmes que antes passavam despercebido. As vezes o que nos falta é certo refino.

Lembro que em certa época eu só gostava de livros grandes e norte americanos. Hoje? Hoje eu amo literatura nacional, sobretudo os regionalistas. Os livros da editora da UFC com autores cearenses são um verdadeiro amor. Mudei e me aproximei da realidade que eu custei a aceitar.

Quero minha liberdade de volta

É incrível como as redes sociais sugam a nossa vida. Pode parecer clichê repetir pela milésima vez que hoje as pessoas preferem uma tela do que o contato físico com os seus amigos. Já não é raro ver rodas de amigos em que os cinco ou seis integrantes nem ao menos se olham nos olhos, estão todos vidrados no mesmo objeto, mas cada um no seu, compartilhando individualmente.

A cena é clássica, marcar um café com a “galera” (ainda usam essa palavra?) e quando está lá, meche no celular enquanto os outros chegam, meche no celular enquanto a comida vem, meche no celular enquanto terminam de comer, rola uma foto para registrar o evento e todos vão para casa. Poucas palavras ditas, algumas digitadas e nenhuma grande emoção vivida.

As redes sociais e o fácil acesso a elas ao longo do dia nos rouba um tempo precioso e nos priva de experiências singulares. Você não aproveitar uma saída é ruim, nada muito lamentável, mas tente imaginar as proporções a que isso pode chegar.

Por experiência própria, atrevo-me a listar alguns casos:  preciso estudar várias páginas, mas a concentração não toma forma porque meu pensamento vagueia em assuntos pendentes que deixei no Facebook ; reclamo da falta de tempo para atualizar minhas leituras e obrigações acadêmicas, mas sempre que sento ao computador perco várias horas checando inutilidades que muitas vezes não me acrescentam nada; a importância dada ao selfie para registrar momentos ao invés de aproveitá-los melhor, guardá-los na memória ou nas páginas de um diário ou blog, alternativas que não privam a possibilidade de tirar uma foto mas que não necessitam do tal selfie seguido de vários #.

Todo o tempo desperdiçado só pende desfavoravelmente para nós, mas ninguém quer virar um eremita social e ficar por fora das últimas novidades dos amigos. É complicado viver em uma sociedade tão exageradamente informatizada, mas que é recheada de informações inúteis, tantas informações em tão pouco tempo e a impossibilidade de reter as essenciais.

A libertação pode surgir em meio a restrições autoimpostas ou delimitação de tempo, mas só seremos libertos quando não houver necessidade de privação, como alcançá-la?