O pecador, de Tess Gerritsen

GERRITSEN, Tess. O pecador. 2° ed. Rio de Janeiro: BestBolso, 2012.

A detetive Rizzoli precisa tomar a maior decisão da sua vida ao mesmo tempo em que tenta solucionar o assassinato da freira Camile, quem poderia querer a morte de uma jovem freira? O caso toma proporções maiores do que o esperado, tanto pelo assédio midiático quanto pelas novas pistas que surgem ao longo da investigação.

Ao mesmo tempo, Isles, a patologista do Instituto Médico Legal, enfrenta antigos temores com a volta de Victor à cidade. A médica é uma mulher destemida e forte que não exita tomar atitudes que vão ao encontro de seus princípios morais.

A personalidade das protagonistas da história são de duas mulheres independentes e fortes que lutaram para ser reconhecidas em seus ambientes de trabalho, que em geral são dominados pela presença masculina. Em alguns momentos do livro a autora até mesmo aborda essa questão de gênero.

A narrativa é construída aos poucos, com pistas sendo lançadas desde o comecinho da história, nada aqui é em vão, tudo é utilizado para refazer a cena do crime, Tess monta esse quebra cabeça com maestria. O embate filosófico entre religião e ciência é constante nessa obra, de um lado a crença dos integrantes do convento e do outro, os testes de laboratório de Isles. É sempre maravilhoso ler um trhiller da Tess Gerritsen e de todas as características de sua narrativa, uma que sempre chama a minha atenção é a riqueza de detalhes das autópsias, pois a autora é formada em medicina e ela faz questão de caprichar nessas cenas que envolvem o corpo humano.

Li O pecador de maneira frenética, pois além da curiosidade em saber quem matou Camile, as pistas revelavam cada vez mais uma trama de arquitetura em camadas e as cenas ação foram realmente alucinantes. Como um suspense médico, Tess desenvolveu sua obra de maneira ímpar.

 

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Eu li: O cirurgião, de Tess Gerritsen

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O cirurgião é o primeiro livro da escritora Tess Gerritsen e como romance de estreia a autora pareceu já ser mestre em Thriller policial.

Não sou muito fã de romance policial, geralmente acho enfadonho e quase sempre desisto da leitura. Mesmo com essa rixa ao gênero, senti-me empolgada do começo ao fim do livro, não tive os momentos de “bler” que eu costumo ter aos livros policiais, fiquei encantada com o desenrolar da investigação, pois mesmo supondo e acertando diversas coisas vira e meche aparecia algo para me surpreender.

Em O cirurgião a autora apresenta os casos de um assassino que não se contenta em matar mulheres, ele remove o útero de suas vítimas antes de mata-las, o mais estranho é que esse psicopata havia morrido há dois anos numa tentativa mal sucedida de completar o seu ritual prazeroso. A vítima sobrevivente começa, então, a sentir-se ameaçada novamente e a polícia de Boston terá uma corrida dupla que consiste em capturar O cirurgião e proteger a médica Catherine.

Com comentários ácidos sobre o quão mais uma mulher tem que se esforçar para se destacar em sua profissão, ainda mais quando não se tem atrativos físicos e está dentro de uma repartição predominantemente masculina, como na delegacia. Rizzoli faz questão de dar acima do seu melhor para ser reconhecida pelo seu trabalho bem feito, mesmo que ela precise ralar trezentas vezes mais do que os colegas.

Interessante também é a forma como Tess nos apresenta o seu psicopata, a forma como ele conversa com o leitor, sempre introduzindo seus pensamentos com conhecimentos de mundo e analogias ao que ele considera como certo ou sagrado. Nada de palavras, conhecemos O cirurgião apenas pelas suas ideias e motivações.

O livro é isso, uma mistura de investigação criminal, doses cavalares de anatomia e procedimentos médicos ( a autora era médica e ela não se acanha em usar seus conhecimentos para descrever as cenas no hospital ou do corpo das vítimas que passaram pelas mãos d’O cirurgião), romance e a luta feminina na sociedade contemporânea.

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