Desconstrução de uma leitora

Em 2018 não estipulei lista de livros a ler, muito menos números de volumes ou de páginas. Estou em processo de libertação do quantitativo e em busca do qualitativo.

Não quero mais a bendita meta de ler um por semana ou a de ler 50 páginas por dia, estou mais em busca do prazer da leitura, nem que ela utilize dois meses no mesmo livro, não me importo.

A grande questão não está centrada em elevados números de livros lidos, já que eu nunca concluí 60 lidos em um ano e considero 100 um número inalcançável ao levar em consideração minha rotina. O cerne dessa transformação que busco é simplesmente me desapegar dos “lidos” e aproveitar os “lendo”.

Ler um excelente livro de 300 páginas que me trouxe muita reflexão ao longo de um mês é muito mais saudável para mim do que ler 6 livros que resultaram em 600 páginas que engoli para bater metas que estipulei por motivo de: sei lá, talvez para mostrar uma pilha de livros no instagram ou atualizar o meu Skoob.

Nunca deixarei de invejar quem consegue ler 100 livros durante o ano, eu estaria no céu se conseguisse o mesmo feito com louvor, mas não rendo tanto assim. Aqui vem o clássico “cada um tem o seu próprio ritmo/ tempo / necessidades”.

E esse povo de humanas que não pode ver questão problematizável que já começa a auto-desconstrução. Desculpa aí, mas meu lado leitor ainda está em (re)formação como tantos outros aspectos por aqui.

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Qual é a da Livraria Cultura?

Se existesse uma revista de fofoca literária, o boom da semana seria a compra do Estante Virtual pela Livraria Cultura!

Para quem não conhece, o Estante Virtual (EV) é um site que reúne sebos de todo Brasil. A plataforma é conhecida por proporcionar aos leitores livros a preços mais acessíveis e títulos difíceis de encontrar em lojas físicas mais próximas.

Pelo menos no meu caso, adoro o EV para comprar livros técnicos baratinhos, enquanto um exemplar custaria R$ 300,00 ou R$ 500,00, consigo comprar por R$ 50,00 ou R$ 120,00, sem brincadeira. O site é confiável, já comprei livro técnico que estava esgotado até na editora por menos de cem reais. Não tenho o costume de adquirir livros de Literatura por lá, pois geralmente as promoções da Amazon são mais atraentes, a não ser que só exista lá mesmo.

Os vendedores de sebos acabam vendendo mais por expandir sua clientela a nível nacional, podendo competir com outras lojas do ramo. Ainda não consigo conjecturar as mudanças que poderão ocorrer no Estante Virtual, mas a Livraria Cultura não dá ponto sem nó.

capa_edicao_116Acabei por lembrar da revista de Setembro de 2017 da Livraria Cultura (edição 116), que foi dedicada aos 70 anos da marca. O herdeiro e CEO Pedro Herz discorre sobre as diversas mudanças ocorridas na Livraria durante as sete décadas e ainda arrisca sobre o que ele espera das livrarias no futuro. Em certos momentos falou sobre o pico de venda dos livros digitais e do atual perfil dos frequentadores das filiais espalhadas em todo país.

Herz chegou a cogitar as Livrarias mais como pontos de encontros para apaixonados por Literatura do que um local para comprar livros (talvez isso seja só uma consequência de tais reuniões culturais). Um pensamento que vai ao encontro da maior vendedora de livros, a Amazon.

Isso porque, de acordo com o CEO, a maior parte da venda de livros e produtos será feita por meio de comércio eletrônico, enquanto às lojas físicas caberá o papel de socializar as experiências. “É para encontrar gente, para sair de casa, o ser humano não perderá essa característica de ter um ambiente assim, de diversão e interação,
no futuro. A loja do futuro será social, pura. E muito menos especializada; você terá muitos produtos, capazes de complementar a experiência da leitura.”

 (REVISTA DA CULTURA – set de 2017, P. 56)

A Amazon chegou ao Brasil há alguns anos e já faz a cabeça dos leitores nas mega promoções e quando se pensa em leitor digital. Não bastando ser um dos líderes no segmento, ainda ampliou sua rede para itens que leitores podem gostar, como utensílios geek para casa ou aparelhos eletrônicos.

A meu ver a Livraria Cultura enveredou pelos caminhos de sucesso da Amazon ao anunciar a ampliação de suas categorias no site, conforme campanha de marketing enviada por e-mail aos assinantes de seu feed.

A parte boa disso tudo é ter mais uma grande marca proporcionando tais produtos diversos para compras acessíveis online, mas sem deixar de lado os tradicionais ‘encontrinhos’ nas lojas físicas. Que a Cultura possa unir os benefícios dos dois mundos, o físico e o digital.

A questão que fica no ar é: “Será que o EV continuará o mesmo?”, o que vocês acham?

Livros para ler o mundo

O site El País Brasil divulgou nessa semana uma lista com 144 livros em que representam os 193 Estados reconhecidos pela ONU. O trabalho foi criado por Backforward24, usuário do fórum Reddit.

Para leitores viciados em desafios de listas literárias, eis aí uma boa oportunidade. Se não for para tanto, a lista serve também como informativo para apresentar obras de países que nunca lemos até então. 😉

Os livros citados são:

EUROPA

Noruega: Fome, de Knut Hamsun

Islândia: A Voz, de Arnaldur Indriðason

Suécia: A Saga de Gösta Berling, de Selma Lagerlöf

Finlândia: Soldados Desconhecidos, de Väinö Linna

Dinamarca: Senhorita Smilla e o Sentido da Neve, de Peter Høeg

Letônia: Nāvas Ena, de Rūdolfs Blaumanis

Estônia: Verdade e Justiça, de A. H. Tammsaare

Lituânia: White Field, Black Sheep: A Lithuanian American Life, de Daiva Markelis

Belarus: Vozes de Tchernóbil: A História Oral do Desastre Nuclear, de Svetlana Alexievich

Ucrânia: A Morte de um Estranho, de Andrei Kurkov

Moldávia: Educação Siberiana, de Nivolai Lilin

Romênia: A Floresta dos Enforcados, de Liviu Rebreanu

Bulgária: Sob o Jugo, de Ivan Vazov

Polônia: Pan Tadeusz, de Adam Mickiewicz

Alemanha: Os Buddenbrook, de Thomas Mann

Países Baixos: A Descoberta do Céu, de Harry Mulisch

Bélgica: The Sorrows of Belgium, de Leonid Andreyev

Luxemburgo: In Reality: Selected Poems, de Jean Portante

Reino Unido: Grandes Esperanças, de Charles Dickens

Irlanda: Ulisses, de James Joyce

República Checa: O Bom Soldado Svejk, de Jaroslav Hašek

Eslováquia: Rivers of Babylon, de Peter Pišťanek

França: O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas

Espanha: Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes

Portugal: Memorial do Convento, de José Saramago

Áustria: O Homem sem Qualidades, de Robert Musil

Suíça: Heidi, de Johanna Spyri

Itália: A Divina Comédia, de Dante Alighieri

Eslovênia: Alamut, de Vladimir Bartol

Croácia: Café Europa, de Slavenka Drakulic

Hungria: Eclipse of the Crescent Moon, de Géza Gárdonyi

Bósnia e Herzegovina: O Diário de Zlata, de Zlata Filipovic

Sérvia: O Dicionário Khazar, de Milorad Pavić

Montenegro: Montenegro, de Starling Lawrence

Albânia: O General do Exército Morto, de Ismail Kadaré

Macedônia: A Irmã de Freud, de Goce Smilevski

Grécia: Ilíada, de Homero

Rússia: Guerra e Paz, de Liev Tolstoi

AMÉRICA

Canadá: Anne of Green Gables, de L. M. Montgomery

Estados Unidos: O Sol É Para Todos, de Harper Lee

México: Pedro Páramo, de Juan Rulfo

Guatemala: Homens de Milho, de Miguel Ángel Asturias

Belize: Beka Lamb, de Zee Edgell

Honduras: Cipotes, de Ramón Amaya Amador

El Salvador: Aroma de Café Amargo, de Sandra Benítez

Nicarágua: O País Sob Minha Pele, de Gioconda Belli

Costa Rica: La Isla de los Hombres Solos, de José León Sánchez

Panamá: Plenilunio, de Rogelio Sinán

Colômbia: Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez

Venezuela: Dona Bárbara, de Rómulo Gallegos

Guiana: O Palácio do Pavão, de Wilson Harris

Suriname: Hoe Duur Was de Suiker, de Cynthia McLeod

Guiana Francesa: Papillon, de Henri Charrière

Equador: Huasipungo, de Jorge Icaza

Brasil: Dom Casmurro, de Machado de Assis

Peru: Lituma nos Andes, de Mario Vargas Llosa

Bolívia: Raza de Bronce, de Alcides Arguedas

Paraguai: Eu o Supremo, de Augusto Roa Bastos

Argentina: Ficções, de Jorge Luis Borges

Chile: A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende

Uruguai: Futebol ao Sol e à Sombra, de Eduardo Galeano

Cuba: Havana, de Martin Cruz Smith

Haiti: Breath, Eyes, Memory, de Edwige Danticat

República Dominicana: A Fantástica Vida Breve de Oscar Wao, de Junot Díaz

Bahamas: The Measure of a Man, de Sidney Poitier

Jamaica: A Breve História de Sete Assassinatos, de Marlon James

Puerto Rico: When I Was Puerto Rican, de Esmeralda Santiago

Pequenas Antilhas: Vasto Mar de Sargaços, de Jean Rhys

Groenlândia: Islands, the Universe, Home, de Gretel Ehrlich

ÁFRICA

Argélia: O Estrangeiro, de Albert Camus

Líbia: No País dos Homens, de Hisham Matar

Egito: Entre Dois Palácios, de Naguib Mahfuz

Marrocos: O Menino de Areia, de Tahar Ben Jelloun

Mauritânia: Silent Terror: A Journey into Contemporary African Slavery, de Samuel Cotton

Mali: Soundiata ou L’Épopée Mandingue, de Mamadou Kouyaté

Níger: Sarraounia, de Abdoulaye Mamani

Chade: As Raízes do Céu, de Romain Gary

Sudão: Lyrics Alley, de Leila Aboulela

Nigéria: O Mundo se Despedaça, de Chinua Achebe

Camarões: O Velho Negro e a Medalha, de Ferdinand Oyono

República Centro-Africana: Batouala, de René Maran

Sudão do Sul: They Poured Fire on Us from the Sky, de Benson Deng, Alephonsion Deng,

Benjamin Ajak e Judy A. Bernstein

Etiópia: Sob o Olhar do Leão, de Maaza Mengiste

Somália: O Pomar das Almas Perdidas, de Nadifa Mohamed

República Democrática do Congo: L’Ante-Peuple, de Sony Labou Tansi

Uganda: Abessijne Kronieken, de Moses Isegawa

Quênia: Pétalas de Sangue, de Ngũgĩ wa Thiong’o

Tanzânia: Desertion, de Abdulrazak Gurnah

Angola: A Gloriosa Família – O Tempo dos Flamengos, de Pepetela

Zâmbia: Scribbling the Cat: Travels with an African Soldier, de Alexandra Fuller

Moçambique: Terra Sonâmbula, de Mia Couto

Zimbábue: The House of Hunger, de Dambudzo Marechera

Namíbia: Born of the Sun, de Gillian Cross

Botsuana: Agência Nº 1 de Mulheres Detetives, de Alexander McCall Smith

África do Sul: Desonra, de J. M. Coetzee

ÁSIA

Turquia: Meu Nome É Vermelho, de Orhan Pamuk

Geórgia: O Cavaleiro na Pele de Pantera, de Shota Rustaveli

Armênia: The Fool, de Raffi

Azerbaijão: Blue Angels, de Chingiz Abdullayev

Irã: Shahnameh, The Epic of the Kings, de Ferdowsi

Iraque: The Madman of Freedom Square, de Hassan Blasim

Síria: The Dark Side of Love, de Rafik Scahmi

Líbano: The Hakawati, de Rabih Alameddine

Israel: Mornings in Jenin, de Susan Abulhawa

Kuwait: A Map of Home, de Randa Jarrar

Emirados Árabes Unidos: The Sand Fish, de Maha Gargash

Arábia Saudita: Cities of Salt, de Abdur Rahman Munif

Qatar: The Emergence of Qatar, de Habibur Rahman

Iêmen: The Hostage, de Zaid Damaj Mutiee

Omã: The Turtle of Oman, de Naomi Shihab Nye

Cazaquistão: The Book of Words, de Abay Qunanbayuli

Turquemenistão: A Tale of Aypi, de Ak Welsapar

Uzbequistão: Chasing the Sea, de Tom Bissell

Quirguistão: Jamilia, de Chingiz Aitmatov

Tajiquistão: Hurramabad, de Andrei Volos

Afeganistão: O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini

Paquistão: O Fundamentalista Relutante, de Mohsin Hamid

Nepal: Palpasa Cafe, de Narayan Wagle

Índia: O Deus das Pequenas Coisas, de Arundhati Roy

Butão: The Circle of Karma, de Kunzang Choden

Bangladesh: Uma Era de Ouro, de Tahmima Amam

Myanmar: Smile as They Bow, de Nu Nu Yi

Laos: On the Other Side of the Eye, de Bryan Thao Worra

Tailândia: Four Reigns, de Kukrit Pramoj

Vietnã: The Sorrow of War, de Bao Ninh

Camboja: First They Killed My Father, de Loung Ung

Taiwan: Green Island, de Shawna Yang Ryan

Sri Lanka: Anil’s Ghosts, de Michael Ondaatje

Mongólia: The Blue Sky, de Galsan Tschinag

Coreia do Norte: The Aquariums of Pyongyang, de Kang Chol-hwan

Coreia do Sul: A Vegetariana, de Han Kang

Japão: Coração, de Natsume Soseki

China: Dream of the Red Chamber, de Cao Xueqin

Malásia: The Garden of the Evening Mists, de Twan Eng Tan

Brunei: Some Girls: My Life in a Harem, de Jillian Lauren

Indonésia: Child of all Nations, de Pramoedya Ananta Toer

Filipinas: Noli Me Tangere, de José Rizal

Timor Leste: The Redundancy of Courage, de Timothy Mo

OCEANIA

Austrália: Cloudstreet, de Tim Winton

Papua-Nova Guiné: Death of a Muruk, de Bernard Narokobi

Vanuatu: Blackstone, de Grace Mera Molisa

Ilhas Salomão: Suremada, de Rexford T. Orotaloa

Fiji: Tales of the Tikongs, de Epeli Hau’ofa

Nova Zelândia: The Bone People, de Keri Hulme

Fonte

O impossível de Cocteau e Gaiman

Engraçado quando começamos a ler um autor e nos deparamos com pensamentos parecidos aos nossos, mais atordoante quando o autor fala de maneira tão eloquente exatamente o que você vem pensando há um tempo  que conclui a frase pensando “era exatamente isso que eu queria dizer quando pensava nisso!!”.

Espantoso, singular (?), curioso. Quantas pessoas podem pensar a mesma ideia em níveis diferentes?

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Instagram 

Parei para pensar nisso quando estava lendo o discurso Faça boa arte, do Neil Gaiman, e me deparei com a frase:

“Se você não sabe que é impossível fica mais fácil fazer” (o livro não é paginado)

E, claro, lembrei da célebre frase de Jean Cocteau que tanto rodeia pelo Facebook:

“Sem saber que era impossível, ele foi lá e fez”

Tá, influencias podem existir, isso é óbvio e nada mais do que normal, mas o que me chamou atenção foi como as palavras soaram mais reais para mim na voz de Neil Gaiman. Lia e relia a frase de Cocteau e a achava bonita, inspiradora, mas sem nenhum significado factual plausível para o meu dia a dia, talvez por hipossuficiência minha de conseguir chegar a essas entrelinhas ou apenas me identifiquei por causa do contexto em que li a frase de Gaiman, ainda não sei.

Frases soltas nos trazem esse efeito de beleza e incompletude. Palavras bonitas que tem um significado rico em seu contexto, mas que perdem parte de seu valor ao se desprenderem, típico das inúmeras frases retiradas do livro O pequeno príncipe. Para quem retirou os quotes dos livros aqueles pensamentos são completos, mas é delicado topar com essas frases por acaso, vocês não acham?

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Desafio de leitura para 2016

Geralmente o começo do ano é sempre assim, cheio de metas e desafios. Há algum tempo tenho a meta de não participar de muitos desafios para não me sentir frustrada no final do ano. Como estou participando de apenas dois grupos de leituras, o Clube dos Clássicos Vivos e o #LeiaMaisMulheres, creio que dá pra encaixar mais um.

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Os blogs Prosa Espontânea e #Leiamaismulheres organizaram um desafio com 12 itens em cada livro lido deve ser de autoras (sim, apenas mulheres).

Apesar de 12 remeter a um por mês, pretendo cumprir o desafio no meu tempo (claro, desde que eu termine até o final do ano), pode ser que eu realize a leitura referente a dois ou três tópicos em um mês, como também pode acontecer de eu não ler nenhum. Vamos com calma, em?

Aviso para quem for participar: postagens em redes sociais devem ser acompanhadas da hastag #DesafioLendoMaisMulheres2016!

Para facilitar:

  1. um livro de poesia;
  2. um livro de literatura infantil;
  3. um livro não-ficção (biografia, ensaio ou reportagem);
  4. um livro ganhador do Jabuti;
  5. um livro ganhador do Nobel;
  6. uma HQ;
  7. um livro de autora independente;
  8. um livro de autoria A. L. M. E. (asiáticas, latinas e minorias étnicas);
  9. uma autora negra;
  10. uma autora contemporânea;
  11. uma autora conterrânea;
  12. uma autora estreante.