FLIP homenageará Euclides da Cunha em 2019

A 17° Festa Literária de Paraty  (FLIP) homenageará Euclides da Cunha, um renomado escritor pré modernista que ficou conhecido principalmente pelo seu relato antropológico e sociológico sobre a guerra de Canudos em Os Sertões, livro publicado em 1902 e que já caiu em domínio público (dá pra ‘comprar’ o e-book de graça na Amazon).

Nesse ano, a Flip terá a curadoria da jornalista Fernanda Diamant. A FLIP é realizada anualmente em Paraty e conta com um repertório cultural rico e um cenário inspirador às margens do rio Perequê-Açu, cada edição homenageia um escritor brasileiro e proporciona tendas de conversa num clima mais descontraído com autores e apaixonados por Literatura.

Há anos tenho vontade de ler Os Sertões, mas nunca dei oportunidade à obra tão aclamada. Decidi que quero lê-lo em 2019 para aproveitar o embalo da FLIP. Eis que surge mais um objetivo literário para esse ano e quem sabe um Projeto de Leitura anual?!

163738-050-1C018320Euclides da Cunha (1866 – 1909) foi professor, escritor e jornalista, sua obra mais importante, Os sertões, nasceu de um trabalho jornalístico quando foi enviado pela Folha de São Paulo para cobrir a sangrenta guerra na cidade de Canudos. Em 1903 entrou para a Academia Brasileira de Letras ocupando a cadeira de número sete.

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Obra póstuma de Ariano Suassuna foi publicada pela Nova Fronteira

Ariano Suassuna é um escritor brasileiro mais conhecido por sua peça teatral que virou filme, O Auto da Compadecida, que mesclou ironias ao divino e aos costumes interioranos do nordeste.

Em 2014 Ariano faleceu e deixou uma série de livros inacabados que trazem o alter ego do autor. Certa vez ele revelou que começou a escrever o Romance de Dom Pantero no palco dos pecadores ainda na década de 80 e apesar de ter se dedicado anos a fio, concluiu apenas dois livros (a ideia original era fazê-lo em 7 volumes). Escritor detalhista, fez questão de desenhar todos os desenhos contidos nessa série, o que levou ainda mais tempo para concluir os livros.

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Aqui Suassuna se permitiu misturar estilos, desde os convencionais até os recurso digitais (há um QC que redireciona o leitor a uma vídeo aula). Uma pena que ele tenha deixado seu projeto A ilumiara inacabado, mas a boa notícia é que a Editora Nova Fronteira lançou em novembro esses dois volumes escritos, mesmo sem a conclusão da história.

Eu li: Memórias póstumas de Brás Cubas

ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Abril, 2010.

Muito ouvia falar de Machado de Assis, mas não entendia bem como ele conseguia arrancar tantos elogios. Não sei se a inocência das primeiras leituras difíceis me impusessem certo caminhar trôpego aos Clássicos, mas me redimi. Depois da quinta tentativa de ler Memórias Póstumas, finalmente consegui extrair a ironia, o desdenhar e a classe Machadiana.

Brás Cubas é um defunto autor, não um autor defunto, como ele mesmo faz questão de frisar logo nas primeiras páginas, resolveu contar os episódios de sua vida terrena, os desamores e os benefícios de ter nascido numa família abastarda brasileira do século XIX. Desde criança Brás apresenta traços de mesquinharia e egoísmo, não se distancia muito disso durante a vida adulta, Machado de Assis apresenta os primeiros traços da escrita Realista brasileira, fugindo dos padrões românticos de protagonistas e amores perfeitos.

O livro é escrito em pequenos capítulos, alguns tão curtos que não chegam nem até metade da página. Brás faz constantemente referências metalinguísticas e me parece que ele repassou a sua vida numa publicação e aos poucos vai se dando conta de seu jeito mesquinho, como quando ele vai dar uma ajuda financeira a um antigo colega de infância e faz questão de escolher a nota mais surrada para lhe confortar um pouco, ou algo que o valha.

Longe de impor uma obrigação de leitura, como muitas escolas o fazem, aproveito o ensejo para ressaltar que caso você tenha a oportunidade e disposição, dê uma chance à Machado.

TOP 5 | Autores brasileiros

Olá, leitores,

no dia 1° de maio, segunda-feira dessa semana, comemorou-se o dia da Literatura Brasileira, então vim aqui elencar o top 5 autores brasileiros que mais gosto/gostei de ler atualmente. Lembrando que a lista não está em ordem de preferência.

1. Clarice Lispector

Claro que eu não poderia deixar de mencionar a diva da Literatura Brasileira, moser-the-true-glamour-of-clarice-lispector-1200-630-18124604modernista e introspectiva, Clarice é detentora de uma escrita única que arrebata o leitor ao seu íntimo e ao mesmo tempo ao mais distante. Estou conduzindo um projeto de leitura aqui no blog que consiste em ler toda a obra da autora.

2. Rachel de Queiroz

rachel-de-queiroz-lRachel é minha conterrânea, fala das dores e personagens caricatos que os cearenses tanto reconhecem em seu dia a dia, foi um dos poucos autores que me fizeram chorar (de verdade) ao ler um livro. Ainda quero fazer um projeto especial para ela aqui no blog. ❤


3. Lygia Fagundes Telles

Li pouco Lygia, mas sua força e sua feminilidade são tão palpádownload (1)veis em seus escritos que me encantei desde o primeiro conto. Após assistir ao documentário sobre a autora produzido pela TV Cultura, fiquei ainda mais motivada a conhecer toda a sua bibliografia.

4. Carlos Heitor Cony

Conheci Cony ainconyda no colégio, Rosa, vegetal de sangue foi um dos meus livros preferidos do ensino médio. Hoje, sempre que tenho oportunidade leio Cony, recentemente comprei uma bibliografia do autor publicada pela Leya <3.

5. Monteiro Lobato

Não conheço ninguém que não retire o chapéu ao Lobato. Um dos poucos autores nacionais que criou um universo tão mágico e que perdurou por monteiro lobatogerações. O autor fez parte da infância de muitos brasileiros com o Sítio e sempre buscou ensinar às crianças de forma descontraída e divertida. Acho que ele é o autor mais “TV cultura” que eu conheço, rs.


Eu poderia elencar aqui tantos outros autores brasileiros que fazem parte de uma lista que muito estimo, como o Ziraldo, o Jorge Amado, o Manoel Bandeira, o Luiz Galdino…Mas por hora deixo a indicação desses nomes.

E vocês? Quais os seus autores nacionais preferidos?

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Assisti: Lygia, uma escritora brasileira

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Ontem, dia 21 de abril, a TV Cultura apresentou um documentário inédito sobre a Lygia Fagundes Telles, claro que eu não poderia ter deixado de assistir.

Lygia, uma escritora brasileira teve uma hora de duração e foi composto por trechos de entrevistas com a autora, relatos de familiares, críticos e amigos da Lygia. A produção fez um rápido tour sobre a personalidade e carreira dela, pontou a representatividade de alguma de suas obras e sua paixão pela escrita.

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Lygia se entregou à Literatura desde muito cedo, seu primeiro livro foi publicado aos 15 anos ao custeio do pai, de uma forma avassaladora, tinha um emprego fixo (ela era Procuradora do Estado do Ceará e fez um trocadilho a respeito do cargo, passou 30 anos procurando não sabia o que e nunca havia se achado ali), mas queria viver só dos livros, o que lhe rendeu alguns percalços financeiros.

A autora escreveu de forma feminina, inovadora e política sem tornar-se apelativa. Mostrou uma personagem lésbica em seu romance, Ciranda de Pedra, laçado em 1954 e em o Seminário dos Ratos fez alegorias ao período da ditadura (ela diz que o livro estava tão chato que o responsável pela censura na época nem chegou a lê-lo por completo, ainda bem!).

Ao longo da produção, Lygia fala ainda sobre a sua amizade com a Clarice Lispector e com a Hilda Hilst, três mulheres tão diferentes e com tantas coisas em comum. Clarice, conhecida por sua introspecção; Hilda, por sua loucura imediatista; e Lygia, a doçura e simpatia em pessoa. Esclarece também o seu patriotismo e as dificuldades que o Brasil impõe aos seus filhos, o que concebe a constante necessidade de lutas advindas do povo.

Alguns críticos literários lamentam que a academia do Nobel de Literatura nunca tenha enxergado Lygia com toda a sua força e feminilidade, mas quem sabe um dia, né?!

Eu fui: XII Bienal Internacional do Livro do Ceará

Ontem, dia 15 de abril, aproveitei o sábado lá na Bienal do Livro de Fortaleza, o evento deveria ter ocorrido no ano passado (para cumprir a periodicidade bienal), mas devido a alguns problemas financeiros alegados na época, o evento foi prorrogado para esse ano e só digo uma coisa: super valeu a pena esperar um pouco mais.

A bienal desse ano estava maior, com mais stands de livros e com atrações imperdíveis.

No sábado, o dia que eu fui, houve três mesas que me empolgaram muito para assistir, que foram: Lira Neto e Tércia Montenegro, Socorro Acioli e Luiz Ruffato e Valter Hugo Mãe e Claudene Aragão. Uma pena enorme que não consegui pegar a apresentação do Valter Hugo Mãe, pois já era tarde e eu precisei vir embora, mas as outras duas mesas foram muito boas, divertidas e emocionantes.

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A mescla de autoras cearenses com autores sulistas foi muito gratificante, pois de um lado tivemos o lado mais frágil da literatura (não no quesito qualidade, mas no quesito visibilidade): cearense e mulher e do outro, homens sulistas, o resultado? A conversa foi tão agradável que nem deu para notar qualquer diferença, eram escritores fazendo o que todos nós, que estávamos lá, amamos: falar sobre literatura.

Lira Neto faz Jornalismo Literário e é publicado pela Editora Companhia das Letras, seus mais recentes trabalhos são: História do Samba e a Biografia de Getúlio Vargas, seu site é: http://www.liraneto.com/.

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A Tércia Montenegro escreve para o Jornal O Rascunho, é professora da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Ceará e o seu trabalho mais recente é Turismo para cegos, publicado pela Companhia das Letras. Blog pessoal da autora: https://literatercia.wordpress.com/.

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A Socorro Acioli é cearense, assim como a Tércia, jornalista de formação, tem uma coluna semanal no jornal O Povo, ministra oficinas (ateliês, como ela prefere chamar) sobre escrita criativa e a sua obra mais recente é A cabeça do santo, publicado pela Companhia das Letras. Engraçado que a Socorro escreve sobre causos cearenses e o mítico popular que é tão rico nas bandas de cá, os estudiosos enquadram sua obra em Realista Fantástico, mas nada mais é do que a realidade por aqui (Moreira Campos e Caio Porfírio Carneiro que o digam). Blog da autora (está desatualizado): https://socorroacioli.wordpress.com/.

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O Luiz Ruffato é mineiro, colunista do jornal El País, onde escreve sobre política atual, sua formação é em mecânica e quando se apaixonou pela Literatura não pensou duas vezes em trabalhar com isso. Seu trabalho mais recente é o Inferno Provisório, publicado pela Companhia das Letras. Interessante que Ruffato fez um micro guia sobre a Literatura Brasileira há um tempo e ao falar sobre a Literatura Cearense (sim, apesar de curto, o texto é bastante rico, pois enumera autores de todas as regiões brasileiras) ele elenca quatro escritoras que estão fazendo bonito por aqui e duas delas são: Tércia Montenegro e Socorro Acioli. Foi muito amor numa tarde só. Blog pessoal do autor onde ele comenta suas leituras: http://lendoosclassicosluizruffato.blogspot.com.br/.

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Em relação a compras, aproveitei pouco, pois os stands de R$10,00 estavam super-hiper-mega-power lotados, pois tinham livros que estão no auge, como O orfanato da srta. Peregrine para crianças peculiares e Star Wars. Citando esses dois títulos já deve dar para imaginar a loucura que estava por lá.

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Aproveitei para completar a série Desaparecidos da Meg Cabot, eu só tinha o primeiro volume e encontrei os outros três por R$10,00 cada (não foi no stande específico desse preço, pasmem!), o que me deixou bem surpresa já que os livros da autora são bem salgadinhos aqui no Brasil.

Comprei também três livros técnicos que poderão ser úteis na minha faculdade, que foram: Comunicação Corporativa, do Rivaldo Chinem, Marketing no Brasil, do Riccardo Morici, e A economia irracional, organizado por Paul Slovic. Para quem não sabe, eu curso Secretariado Executivo na UFC.

Havia stands de Universidades brasileiras, como a UFMG, a UFC e a UNICAMP; de editoras grandes, como a Panini e a Companhia das Letras. Sem contar nos stands temáticos: cultura italiana e espanhola, religiosos, regionalista (o cordel, como sempre, estava bem chamativo) e infantil.

A exposição de livros ficava no térreo, no primeiro andar havia salas temáticas com exposições bem interessantes, como miniaturas, robôs, fósseis e apresentações circenses, uma pena que o tempo não me permitiu visitar essa ala. O segundo andar inteiro foi usado para as apresentações dos autores visitantes. O evento está sensacional.

A XII Bienal Internacional do Livro do Ceará está acontecendo no Centro de Eventos do Ceará, do dia 14 ao dia 23 de abril. 🙂

Raduan Nassar recebe prêmio Camões de Literatura e critica governo

Raduan Nassar é um escritor brasileiro nascido em 1935 que consagrou-se na Literatura com suas obras Lavoura Arcaica e Um Copo de Cólera. Mesmo tendo publicado apenas três livros, Raduan sempre é mencionado ao lado do nome de outros grandes autores brasileiros.

O autor foi votado para receber o prêmio Camões de Literatura, que é instituído pelos governos do Brasil e de Portugal, o juri alegou que o autor merece o prêmio pela “extraordinária qualidade da sua linguagem e da força poética da sua prosa”. Nessa sexta, 17 de fevereiro, Raduan Nassar participou da cerimônia para receber suas merecidas condecorações. Em seu discurso, Raduan aproveitou para criticar o atual governo do presidente Temer, disse que o considera ilegítimo, e alfinetou também a indicação de Alexandre de Moraes ao Superior Tribunal Federal (STF).

O ministro da cultura do Brasil, Roberto Freire, que estava na ocasião para entregar o prêmio, foi vaiado pelos presentes e respondeu às criticas de Raduan “é fácil fazer manifestação num país democrático como este”.