Heroínas negras brasileiras| Jarid Arraes | Pólen

ARRAES, Jarid. Heroínas negras brasileiras: em 15 cordéis. São Paulo: Pólen, 2017.

Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis

Antes de tudo quer pedir que, caso você trabalhe em escola, tente levar esse livro para seus alunos, ele é mais do que necessário!

Jarid fez um trabalho de mestra, reuniu histórias de mulheres negras que participaram da construção do nosso país, isso é um marco e uma leitura essencial para todos. Isso porque já é difícil se ter heroínas, negras então são quase raras, isso ficou bem evidente pra mim quando li a história de Aqualtune, princesa africana que foi vendida como escrava de procriação para o Brasil, lutou mesmo grávida para proteger Palmares e (pasmem!) foi avó de Zumbi dos Palmares (só lemos sobre ele na escola, sua mãe também foi guerreira na luta contra a escravidão).

O livro é composto de ilustrações em xilogravura, cordéis que contam a história dessas figuras inspiradoras e um breve resumo da vida delas em texto corrido, para quem se interessar em pesquisar mais depois.

E depois de conhecer 15 mulheres maravilhosas, fiquei a imaginar a quantidade de nomes que se perderam por puro racismo e misoginia, esse trabalho deve ser constante e espero ver mais obras assim no mercado.

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O desvio | Gerbrand Bakker | Rádio Londres

BAKKER, Gerbrand. O desvio. Rio de Janeiro: Rádio Londres, 2019.

O desvio

Ao ler o nome do autor, não consegui identificar se seria homem ou mulher, provavelmente por causa da origem holandesa, ainda tão estranha pra mim. Comecei a leitura assim, às cegas, mas logo percebi que se tratava de um autor homem, isso porque é latente o fetichismo em cima de uma mulher que mora sozinha.

Digo isso por causa de algumas cenas, como por exemplo: homens desconhecidos entram na nova casa da protagonista e ela fica bem a vontade com isso, se fosse a descrição de uma mulher seria bem mais real, no mínimo ela teria ficado com medo de morrer e ligado para a polícia ou corrido para pegar uma faca na cozinha. Além de usar o corpo nu da mulher como marcador de eventualidades, o arrepio ocorre no mamilo, não no pescoço, no braço ou em qualquer outra parte do corpo; constantemente ela fica nua ao ar livre; quando com frio, abraça os seios.

A história se passa em dois meses mais ou menos, quando Emily (ou Agnes, como preferir), foge de sua vida de esposa e acadêmica após descobrir uma doença e de estourar um escândalo na Universidade em que ela trabalha (ela havia ficado com um estudante ou algo parecido).

De um lado acompanhamos Emily e sua solitude na nova casa grande bem interiorana, de outro lado, o marido que tenta descobrir o paradeiro dela para pedir que volte. O afastamento de Emily muito conversa com a biografia de E. Dickinson, seu objeto de estudo na academia. O marido diz que ela estava com problemas e por isso o traiu e quis mudar de vida, será que realmente é necessário haver um problema para querer largar tudo?

No primeiro mês de nova estadia, percebe-se um momento de transição entre a vida urbana e a rural, a sinestesia dessa nova vida é melancolicamente bonita, quase wiccana, como as observações e descrições dos animais e do ambiente (até mesmo do cheiro da antiga dona da casa).

“Ajoelhou-se e olhou para o céu. Nunca tinha visto tantas estrelas antes. Também nunca antes olhara para elas nua e de joelhos no fim de novembro.” P. 73

A história é um aglomerado de segredos e de fatos aleatórios, não sabemos qual a doença que ela tem, nem o que de fato aconteceu na Universidade, não entendi o propósito de se deitar nua numa pedra e de tanger um texugo (que aliás, qual o intuito desse texugo na história?).

Ao final das contas, é interessante perceber os detalhes em comum na vida das três mulheres e a solitude como protagonista, mas a narrativa excessivamente masculina do autor me incomodou, bem como os diálogos fracos. Ah, achei que rolou um sentimento entre o marido e o policial, você também ou é coisa da minha cabeça?

Cidadã de segunda classe | Buchi Emecheta | Dublinense

EMECHETA, Buchi. Cidadã de segunda classe. Porto Alegre: Dublinense, 2018.

Cidadã de segunda classe

Esse livro se passa na década de 60, na Nigéria e na Inglaterra, porém é mais atual do que podemos supor e presente em mais lugares do que imaginamos. É assustadoramente duro e real.

Em Cidadã de segunda classe, Buchi conta a história de Adah, a jovem que sempre foi posta de lado na sua família porque não possuía o mérito de ser um menino. Depois de fazer tudo para ser aceita pelos mais próximos, consegue, a troncos e barrancos, a oportunidade de estudar, algo muito difícil para as meninas nigerianas.

Estudar era algo que deixava Adah satisfeita consigo. Sua instrução tornou-se, então, o seu diferencial e por conta disso arranjou um casamento que aparentava ser sua melhor opção, mesmo a contra gosto do irmão. Dedicada e esforçada, ela passa a sustentar o marido, que estudava para conseguir a certificação de contador.

O sonho de Adah, como o da maioria dos nigerianos, era se mudar para a Inglaterra. Depois de alguns anos ela consegue realizar esse sonho, mas a realidade mostra-se diferente do que ela imaginava, pois mesmo com o seu grau de instrução e com um bom emprego na Biblioteca, ela não passa de uma “cidadã de segunda classe” que precisa morar em estabelecimentos insalubres porque são os únicos locais que aceitam pessoas negras.

Ao longo da narrativa, a protagonista passa a entender a dureza de ser  uma “cidadã de segunda classe”, pois que o termo foge de tudo o que ela almejou para a sua vida. Por ser negra e mãe, esperava-se um padrão de vida abaixo do que Adah imaginava que teria na Inglaterra.

O racismo é latente em cada momento, bem como o machismo. Adah é um exemplo de mulher forte, que luta diariamente pelo seu espaço, mas que não consegue quebrar os grilhões sociais impostos por um péssimo casamento. Ser negra pesou muito mais num país em que ser branco era sinal de dignidade. “O conceito de ‘brancura’ acobertava um sem-número de pecados” p. 68

O desenvolvimento pessoal dela se faz em meio ao sofrimento da maternidade sem apoio e do pouco dinheiro que precisa ser dividido também para pagar os estudos do marido que em nada contribui para o bem estar familiar.

Assim como em As alegrias da maternidade, podemos perceber a influência do cristianismo trazido pelos britânicos para a população nigeriana. O machismo que já era cultural do local ganha mais subterfúgios para manter-se vivo.

“Aqueles malditos missionários! Haviam ensinado a Adah todas as coisas boas da vida, haviam lhe ensinado a Bíblia, segundo a qual a mulher deve estar disposta a ceder ao seu homem em todas as coisas, e que para o marido ela deve ser mais preciosa que rubis.” P. 41

Buchi aproveita o ensejo da religiosidade exacerbada para criticar os privilégios do povo branco. “Algumas pessoas eram criadas com todas as coisas boas prontinhas à espera delas, outras apenas como enganos. Enganos de Deus.” p.167.

Ao observar a vida dos brancos, principalmente depois de sua estadia na maternidade, ela percebe as injustiças acarretadas só por causa da cor de sua pele. Desenvolve um olhar mais crítico sobre a sua condição e desperta a jovem de personalidade forte que estava latente.

Fiquei super ansiosa para ler a continuação desse livro, que a Dublinense publicou nesse primeiro semestre de 2019, o No fundo do poço. Cidadã de segunda classe é um retrato vivo da condição de muitas mulheres que sofrem com relacionamentos abusivos, machismo e racismo.

 

Jude, o obscuro | Thomas Hardy | Companhia das Letras e TAG Curadoria

HARDY, Thomas. Jude, o obscuro. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

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Jude, o obscuro, publicado inicialmente em 1895, foi escolhido pela Fernanda Montenegro para a Tag Curadoria no mês de maio de 2019. Quando li a sinopse de Jude, logo fiquei empolgada para mergulhar nessa história, pois me lembrou bastante os conflitos encontrados em “A flor da Inglaterra”, do George Orwell,e eu amo essa temática Vida acadêmica – Trabalho – Sociedade. A ideia da formação acadêmica como algo essencial para alcançar uma estabilidade financeira ou realização profissional é algo que detém certa complexidade que me fascina.

Jude é um órfão que foi criado de maneira rígida pela tia e nutria muita admiração pelo seu professor do colégio. Tal admiração chegou ao ponto de influenciá-lo a sonhar com o seu futuro, queria estudar na mesma faculdade que levou seu mestre a mudar de cidade.

O tempo passou e Jude manteve seus estudos autodidatas com as gramáticas de Latim e Grego que conseguia comprar de vendedores ambulantes, porém a realidade de sua condição social o impeliu a dedicar-se ao trabalho árduo, inicialmente ajudando a tia e depois como entalhador.

A necessidade financeira para sustentar a si e a Arabella, a filha do criador de porcos a qual ele namorou por um tempo e acabou casando sem um real interesse, o levou a uma vida medíocre,onde o cansaço e as obrigações muitas vezes minava o pouco tempo que ele teria aos seus amados livros. Aqui é interessante ressaltar como a criação de Arabella influenciou a maneira como ela lidou com o sonhador Jude e seus livros, por vezes fazendo troça e até ameaçando dar fim em seus exemplares, pois para ela aquela dedicação intelectual não valia de muita coisa.

Depois de algum tempo, Jude conhece Sue, uma jovem de alma livre que, além de prima e amiga, torna-se uma grande paixão. Percebe-se nesse livro que os relacionamentos são construídos com base na personalidade de cada um dos personagens, mas que sempre vão discutindo ou sendo modelados pelas convenções e imposições sociais. Certos embates com as tradições e a luta em libertar-se de algumas amarras são palpáveis, embora por vezes cruéis. Não é de se estranhar que a obra tenha sido bastante criticada na época, principalmente pela igreja. A relação quase aberta que Sue mantém com o professor quebra os padrões de uma época em que a mulher deveria fornecer servidão indiscutível ao seu marido (um amigo chega a questionar se ela o enfeitiçou com a ideologia do matriarcardo).

“[…] Segundo a cerimônia impressa ali, meu noivo me escolhe livremente, a seu gosto; mas eu não escolho. Alguém me entrega a ele, como uma jumenta ou uma cabra ou qualquer outro animal doméstico. Santificadas sejam vossas iluminadas opiniões a respeito das mulheres, ó Homens da Igreja! […]” P. 164

Mesmo com as aspirações libertárias dos personagens, os grilhões sociais falam mais alto, aprisionam e massacram o indivíduo que tenta caminhar com seus próprios pés. Isso aproxima bastante a história da realidade que vivemos até hoje (seja em relação as mulheres ou as dificuldades impostas à Jude para que ele siga o seu sonho de estudar).

Como falei inicialmente, gostei bastante da proposta de Thomas Hardy e confesso que se eu não tivesse esse apreço pelo tema, Jude teria sido uma leitura bem difícil e arrastada, pois a melancolia do cotidiano e o vai e vem da história acabou me cansando um pouco.

Todos nós adorávamos caubóis | Carol Bensimon | Companhia das Letras

BENSIMON, Carol. Todos nós adorávamos caubóis. São Paulo:Companhia das Letras, 2019.

Todos nós adorávamos caubóisEsse livro foi indicado pela Noemi Jaffe para a TAG Curadoria do mês de agosto de 2019. É um romance a lá Road Trip de uma escritora brasileira contemporânea.

As duas protagonistas, Cora e Julia, são bem diferentes em termos de personalidade. Cora é a autêntica grunge (lápis nos olhos, botas, calça jeans justa e jaqueta vermelha), já Julia, como a própria narradora a descreve, é aquela moça certinha que tem coragem de levantar a mão para fazer uma pergunta faltando cinco minutos para terminar a aula.

Elas se conheceram na faculdade de jornalismo e logo fizeram amizade apesar da criação tão distinta, enquanto Cora viveu os privilégios de uma vida classe média, pois o salário do pai como médico supria todas as necessidades da família e mesmo no período de recessão, em que todos passaram por dificuldade, ela viveu tranquilamente. Julia,  por outro lado, veio de uma família do interior e sua formação foi em colégio religioso.

Depois alguns anos de amizade, Julia recebe a oportunidade de estudar no Canadá e Cora aproveita para largar o curso e ir estudar moda na França. Ambas se reencontram e resolvem tirar do papel a viagem pelo Sul do Brasil que tanto sonhavam.

Durante a viagem as duas jovens relembram momentos de sua juventude e os dissabores de suas relações familiares. O relacionamento entre as duas retoma algumas fagulhas e tenta se reestruturar mesmo depois de tanto tempo.

O amadurecimento delas é visível em suas conversas, na coragem de encarar temas antes jogados para debaixo do tapete, como o assunto Família, que passa a ser enfrentado e visto com outros olhos, até mais compreensíveis, posso dizer.

Este é um romance de formação, em que as protagonistas crescem ao passo que vivem o presente e relembram o passado. A escrita é carregada do sotaque sulista com os seus “tu”, “teu” e “guria”, bem como a paixão pelo chimarrão e pela bombacha, por vezes tive a sensação de ouvir a voz de Cora carregada de sotaque e tão cheia de amor por tudo isso.

Todos nós adorávamos caubóis é um prato cheio para quem gosta do estilo Road Trip e de conhecer um pouco mais sobre o próprio país.

As cidade visitadas durante a viagem foram:

  1. Porto Alegre;
  2. Antônio Prado;
  3. São Marcos;
  4. São Jorge da Mulada;
  5. São Francisco de Paula;
  6. Cambará do Sul;
  7. Caçapava do Sul;
  8. Minas do Camaquã;
  9. Bagé;
  10. Soledade.

 

Projeto de leitura | O mito da beleza | Cap. 3 – A cultura

Esse post faz parte do projeto de leitura do livro O mito da beleza, de Naomi Wolf.

No capítulo 3, titulado A Cultura, a autora ressalta mais uma vez sua visão classe média branca, em que as principais preocupações podem não passar de futilidade para outras classes.

Aqui Naomi Wolf desenvolve seu pensamento acerca da mulher como ser recipiente que está apta a receber as mais diversas influências, já que são seres sem personalidade e facilmente manipuláveis.

Inicialmente o capítulo critica o dualismo da figura feminina que paira entre a mulher cheia de atitude e inteligente e a mulher vazia e muito bonita. Ou seja, quando uma mulher demonstra personalidade e inteligência, aparentemente ela deixa de ser desejável para a sociedade machista. Naomi ilustra essa premissa com diversas cenas da Literatura.

Logo em seguida a autora retoma às grandes vilãs da classe média manipulável, já tanto criticadas por ela, as revistas e as propagandas. É interessante a linha histórica aqui demonstrada, em que antes da 2° Guerra as revistas femininas tinham o papel de domesticar a mulher para desejar alcançar o tripé mãe-esposa-dona de casa. Com o advento da guerra, as mulheres passaram a trabalhar fora de casa para garantir o sustento familiar, o que foi um verdadeiro tormento para os homens e para as campanhas publicitárias, uma vez que ao voltar da guerra os homens encontraram o mercado saturado de mão de obra barata, já as revistas, perderam sua força de manipulação, pois as mulheres trabalhadoras eram mais críticas.

Então, por volta da década de 60, as campanhas publicitárias encontraram uma maneira de trazer a mulher de volta às rédeas da manipulação. A ideia central era fazer com que a mulher passasse a odiar o próprio corpo e comprasse cada vez mais produtos de beleza em uma luta injusta, pois as revistas passaram a apresentar mulheres de 40 anos como se tivessem 65, a tratam as imagens de artistas escondendo qualquer mínimo “defeito” e a gerar um mal estar geral do tipo “nossa, como estou acabada!”.

A autora reflete também sobre como é complicado para uma revista falar sobre empoderamento feminino se na página seguinte o anunciante precisa de uma consumidora insatisfeita com o próprio corpo para se interessar pelos produtos dele. As revistas poderiam levar o feminismo da academia para um público maior, mas infelizmente é refém do capital.

É interessante quando Naomi fala que as mulheres substituíram os conselhos da própria mãe pelos dados em revistas, uma vez que as genitoras falharam no papel de não envelhecer. Daí o texto também traz os perigos das propagandas televisivas, da indústria pornográfica e da censura velada nos meios de comunicação.

Apesar da visão focal perene na obra, até agora a autora tem discutido de maneira construtiva o tal do mito da beleza, pois ela traz recortes históricos para demonstrar como chegamos até aqui. Esse capítulo, em especial, conversa muito com o nosso cotidiano, principalmente por causa das propagandas. Porém, por outro lado, também podemos levantar outra questão mais atual, como a de que produtos de beleza estão usando a pauta do empoderamento feminino e de auto aceitação para vender os produtos que servem para “corrigir” falhas, como produtos de maquiagem, por exemplo. É necessário olhar para tais manifestações com um olhar crítico, pois muitas vezes usam a bandeira do feminismo como máscara para continuar sua prática de massacrar a mulher.

Mulheres e poder | Mary Beard | Planeta do Brasil

BEARD, Mary. Mulheres e poder: um manifesto. São Paulo: Planeta do Brasil, 2018.

Mulheres e Poder - Um Manifesto

Mary Beard é uma historiadora e feminista  de prestígio na atualidade que publicou em Mulheres e poder duas de suas palestras sobre as raízes da misoginia em relação ao silenciamento feminino e na sua atuação como figura de puder.

O primeiro texto, denominado A voz pública das mulheres, traça a construção histórica da mudez feminina, como o seu local de fala foi apagado durante séculos pelo patriarcado, e hoje, mesmo conhecendo termos como mansplaining, ainda é duro conquistar o nosso espaço e o reconhecimento nos grupos em que nos inserimos, pois historicamente o discurso publico sempre foi atrelado a figura masculina.

“[…] as mulheres, mesmo quando não são silenciadas, ainda pagam um preço muito algo para ser ouvidas […]” P.20.

O segundo, Mulheres no poder, discorre sobre a figura feminina em papeis de liderança e o quanto precisamos nos desdobrar ainda mais que os homens para conseguir uma parcela de reconhecimento. Principalmente no ambiente de trabalho, ser mulher é uma luta constante para demonstrar suas competências e não ser reduzida a estereótipos de beleza, como discutimos no capítulo 2 do livro O mito da beleza.

“Em outras palavras, não temos modelo para a aparência de uma mulher poderosa, a não ser que ela se parece bastante com um homem.” P. 63.

Ambos os temas são mais comuns do que podemos imaginar, diariamente lido com o público e percebo como é difícil, principalmente homens mais velhos, aceitar a fala de uma mulher. Diversas vezes já disseram pra eu “chamar meu chefe”, e quando MINHA chefe (não um homem como ele imaginava) chegava e dizia que sim, a pessoa tinha que fazer como eu estava dizendo, era uma indignação só. Ou quando a pessoa chega para o rapaz que senta ao meu lado e pergunta se pode scanear um papel, mas a scanner esta na MINHA mesa e não da dele. Enfim, com certeza você também tem uma história desse tipo para contar, infelizmente.

É interessante como Mary traz temas atuais, seja de casos que passaram na televisão ou de figuras políticas, que conversam com os exemplos trazidos dos Clássicos da Literatura, e ao mesmo tempo com cenas tão corriqueiras no cotidiano. Essa viagem histórica e cultural nos permite entender a construção social que molda a figura feminina em locais de liderança e os fantasmas que ainda precisamos combater diariamente.