Eu li: Memórias póstumas de Brás Cubas

ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Abril, 2010.

Muito ouvia falar de Machado de Assis, mas não entendia bem como ele conseguia arrancar tantos elogios. Não sei se a inocência das primeiras leituras difíceis me impusessem certo caminhar trôpego aos Clássicos, mas me redimi. Depois da quinta tentativa de ler Memórias Póstumas, finalmente consegui extrair a ironia, o desdenhar e a classe Machadiana.

Brás Cubas é um defunto autor, não um autor defunto, como ele mesmo faz questão de frisar logo nas primeiras páginas, resolveu contar os episódios de sua vida terrena, os desamores e os benefícios de ter nascido numa família abastarda brasileira do século XIX. Desde criança Brás apresenta traços de mesquinharia e egoísmo, não se distancia muito disso durante a vida adulta, Machado de Assis apresenta os primeiros traços da escrita Realista brasileira, fugindo dos padrões românticos de protagonistas e amores perfeitos.

O livro é escrito em pequenos capítulos, alguns tão curtos que não chegam nem até metade da página. Brás faz constantemente referências metalinguísticas e me parece que ele repassou a sua vida numa publicação e aos poucos vai se dando conta de seu jeito mesquinho, como quando ele vai dar uma ajuda financeira a um antigo colega de infância e faz questão de escolher a nota mais surrada para lhe confortar um pouco, ou algo que o valha.

Longe de impor uma obrigação de leitura, como muitas escolas o fazem, aproveito o ensejo para ressaltar que caso você tenha a oportunidade e disposição, dê uma chance à Machado.

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Resumo do mês | Agosto de 2017

Olá, leitores!

Hoje vou mostrar o que rolou por aqui durante o mês de agosto.

Finalmente consegui bater a minha meta de leitura, que são quatro livros por mês, já fazia um bom tempo que eu não saía da oscilação entre um e dois livros por mês. Inseri livros pequenos, mas no geral foram ótimas leituras.

Livros lidos

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Lidos de agosto

Então, li um e-book, duas autoras mulheres e um clássico da literatura brasileira.

Novos na estante

Os livros novos eu já mostrei AQUI, mas segue a foto com todos eles.

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Livros novos em agosto

Extra

  • Comprei um Kindle (yey <3), comentei brevemente minhas primeiras impressões AQUI.
  • Tirei uma lição de vida assistindo How I met you mother, como falei AQUI.

Eu li: Contos de amor, de loucura e de morte

Minha edição é da Abril Coleções e tem a capa em tecido
Minha edição é da Abril Coleções e tem a capa em tecido

 Ontem concluí a leitura de “Contos de amor, de loucura e de morte”, do escritor uruguaio Horacio Quiroga (a quem meu cérebro insistentemente só o chama de Quigora, vai entender…), que foi publicado originalmente em 1916.

Quiroga (1879-1937) escreveu em torno de 170 contos e teve sua vida marcada por tragédias, como: a morte do pai e do melhor amigo, o suicídio do padrasto, da esposa, de seus três filhos e a descoberta de um câncer gástrico. A Editora L&PM publicou em seu site um cronograma sobre os marcos da vida do autor.

Como o próprio título sugere, “Contos de amor, de loucura e de morte” reúne 15 contos com essas temáticas que são, para mim, tão próximas. As estórias de Quiroga são marcadas pelo grotesco, com a morte sempre circundando, e pelos finais bruscos que roubam o fôlego do leitor.

O conto A galinha degolada é o texto mais famoso do autor e não é por menos. Ao terminar de lê-lo fiquei alguns minutos contemplando o nada e imaginando o desespero daquela cena final. Simplesmente fantástico! As estórias com protagonistas animais também mexeram comigo, não esqueço mais do pobre Yaguaí. Há, ainda, contos interioranos com a mata em pano de fundo e aquele linguajar mais simples dos matutos.

Quando peguei esse livro para ler, não sabia o que esperar dele, havia notado que seria uma leitura rápida por causa do tamanho dos contos, mas me surpreendi. As viradas de cena e as emoções ali transmitidas são singulares. Com certeza Quiroga ganhou um lugar especial na minha estante.