A Canção de Aquiles, de Madeline Miller

Estava numa vibe de ler textos e obras que envolvessem a Mitologia Grega devido ao Estudo Perene. Enquanto lia Odisseia, me deparei com a personagem Circe, que transformava homens em porcos, e pouco tempo depois descobri que existia um livro contemporâneo sobre ela. Claro, corri para lê-lo e foi um dos melhores livros que já li na vida, a autora mesclava vários deuses de forma tão sutil que só me animou ainda mais para ler obras que envolvessem a Mitologia.

Na sequência, peguei o A história secreta, da Donna Tartt, e me desanimei um pouco, aquele Iluminismo tóxico da academia que menospreza e massacra me deixou meio down para o tema.

Até que tive a oportunidade de ler outro livro da mesma autora de Circe, A Canção de Aquiles. Seria a minha rendição para retomar o tema com os olhos apaixonados?! Bem que eu queria que tivesse sido.

Neste livro, Madeline Miller se propõe a nos contar uma outra versão da Ilíada, dessa vez sob a perspectiva de Pátroclo, que em sua narrativa é amante de Aquiles. Sabemos que na história original eles são amigos diletos, ou seja, melhores amigos, quase irmãos, mas tudo bem, estava aberta à proposta da autora.

Acompanhamos, então, a infância, adolescência, guerra e morte de Pátroclo (isso não é um spoiler, Ilíada é um dos primeiros livros escritos da História do Ocidente, então convenhamos, não é mesmo?!), como um romance LGBT+, a autora traz as primeiras descobertas amorosas e sexuais do jovem, porém a caracterização do protagonista me deixou com um pé atrás, pois Pátroclo é um guerreiro atuante na Guerra de Troia, mas Madeline o tornou tão sensível e sentimental que ele mal consegue usar uma lança.

Esse detalhe começou a me incomodar ao longo da leitura, Tétis e Briseida são outras personagens que se descaracterizaram bastante sob seu olhar, talvez tenha sido a forma que a autora encontrou de fazer o romance principal da história fluir.

Confesso que tantas mudanças na essência dos personagens me desagradaram, além de que a inserção dos personagens, que foram tão maravilhosas em Circe, soaram um pouco truncadas e lentas, em vários momentos parei para ver quantas páginas faltavam para acabar os capítulos (sinal claro de enfado durante a leitura).

Para quem não se incomoda tanto com a descaracterização de personagens clássicos, esse livro pode ser uma boa leitura de entretenimento e até mesmo para conhecer alguns deuses da Mitologia Grega, mas se você precisar escolher, sugiro que opte por Circe.

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