O exorcista | W. P. Blatty |Harper Collins

BLATTY, William Peter. O exorcista. Rio de Janeiro: Harper Collins, 2019.

O ExorcistaLer o exorcista foi um misto de sensações de leitura que transitou entre a expectativa da investigação e do suspense, a leveza da comédia e a apreensão da histórias de terror. Foi um livro que não me permitiu largar antes do final, levei até mesmo para o refeitório do trabalho na hora do almoço porque eu não queria parar de ler nem para comer.

Esse livro foi escrito na década de 70 inspirado em uma história de exorcismo real e deu origem ao clássico do cinema O exorcista. Aqui temos a história de Chris, uma triz e mãe solteira, que tem os seus problemas de rica, como comprar ou não um carro x, até que a sua filha começa a apresentar comportamentos estranhos. Chris, que é ateia, procura vários médicos e psiquiatras para conseguir tratar a filha. E aqui ressalto uma característica incrível desse livro que é o cientificismo, pois ele passa mais tempo mostrando como a maioria dos casos suspeitos de possessão não passam de alterações cerebrais facilmente resolvidas com remédios.

Porém, depois de vários exames e de descartar todas as possibilidades, o próprio psiquiatra sugere a convocação de um padre, pois aquilo já não estava mais em sua jurisdição. E vejam só, até o padre inicialmente caminha pelas trilhas da lógica e da medicina antes de dar o braço a torcer.

Em paralelo à possessão de Regan, acompanhamos a investigação da morte de um amigo da família de Chris com um detetive um pouco estranho, que não decora nomes, mas é perspicaz. Também conhecemos mais sobre as profanações ocorridas na missa negra e esses textos disponibilizados são até mais pesados do que o caso de possessão em si.

Sobre essa edição, ela está MUITO linda em preto e o contrastante verde limão, que tem uma explicação para a escolha dessa cor! Confesso que nunca fui tão observada no metrô enquanto lia um livro, fui até encarada por uma senhora que lia a Bíblia na minha frente, mas tudo bem, sobrevivi, rs. Algo que me incomodou um pouco foi em relação a diagramação, pois não colocaram aquele espaçamento para separar um acontecimento de outro e acabou que em uma linha um personagem estava em um local x com um diálogo e na linha seguinte já estava em outro recorte temporal, no começo precisei voltar algumas vezes porque achava que tinha perdido algo, mas depois percebi que era só falta de uma melhor diagramação.

Amei acompanhar a narrativa bem humorada e assombrosa de Blatty! Uma leitura muito fluida e interessante para quem não tem problema com a temática demônios e profanações (se você é muito religioso, ficará abismado com o que vai encontrar nessas páginas).

“- Ah, entendo – respondeu ele, assentindo. – Bem, então talvez devamos nos apresentar. Sou Damien Karras. Quem é você?

– Eu sou o Diabo!

-Ah, ótimo – disse Karras, assentindo com aprovação. – Agora podemos conversar.”

P. 204

 

[SPOILER]  ——–>Achei que a parte do Pazuzu poderia ter sido melhor explorada, uma vez que o livro traz ele nas contracapas e o prólogo também o menciona, achei que a escultura que Regan fez era um Pazuzu, porém isso é meio que deixado de lado. Nada que comprometa a história, só opinião de leitora.

 

Publicidade

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s