Projeto de leitura | O mito da beleza | Cap. 3 – A cultura

Esse post faz parte do projeto de leitura do livro O mito da beleza, de Naomi Wolf.

No capítulo 3, titulado A Cultura, a autora ressalta mais uma vez sua visão classe média branca, em que as principais preocupações podem não passar de futilidade para outras classes.

Aqui Naomi Wolf desenvolve seu pensamento acerca da mulher como ser recipiente que está apta a receber as mais diversas influências, já que são seres sem personalidade e facilmente manipuláveis.

Inicialmente o capítulo critica o dualismo da figura feminina que paira entre a mulher cheia de atitude e inteligente e a mulher vazia e muito bonita. Ou seja, quando uma mulher demonstra personalidade e inteligência, aparentemente ela deixa de ser desejável para a sociedade machista. Naomi ilustra essa premissa com diversas cenas da Literatura.

Logo em seguida a autora retoma às grandes vilãs da classe média manipulável, já tanto criticadas por ela, as revistas e as propagandas. É interessante a linha histórica aqui demonstrada, em que antes da 2° Guerra as revistas femininas tinham o papel de domesticar a mulher para desejar alcançar o tripé mãe-esposa-dona de casa. Com o advento da guerra, as mulheres passaram a trabalhar fora de casa para garantir o sustento familiar, o que foi um verdadeiro tormento para os homens e para as campanhas publicitárias, uma vez que ao voltar da guerra os homens encontraram o mercado saturado de mão de obra barata, já as revistas, perderam sua força de manipulação, pois as mulheres trabalhadoras eram mais críticas.

Então, por volta da década de 60, as campanhas publicitárias encontraram uma maneira de trazer a mulher de volta às rédeas da manipulação. A ideia central era fazer com que a mulher passasse a odiar o próprio corpo e comprasse cada vez mais produtos de beleza em uma luta injusta, pois as revistas passaram a apresentar mulheres de 40 anos como se tivessem 65, a tratam as imagens de artistas escondendo qualquer mínimo “defeito” e a gerar um mal estar geral do tipo “nossa, como estou acabada!”.

A autora reflete também sobre como é complicado para uma revista falar sobre empoderamento feminino se na página seguinte o anunciante precisa de uma consumidora insatisfeita com o próprio corpo para se interessar pelos produtos dele. As revistas poderiam levar o feminismo da academia para um público maior, mas infelizmente é refém do capital.

É interessante quando Naomi fala que as mulheres substituíram os conselhos da própria mãe pelos dados em revistas, uma vez que as genitoras falharam no papel de não envelhecer. Daí o texto também traz os perigos das propagandas televisivas, da indústria pornográfica e da censura velada nos meios de comunicação.

Apesar da visão focal perene na obra, até agora a autora tem discutido de maneira construtiva o tal do mito da beleza, pois ela traz recortes históricos para demonstrar como chegamos até aqui. Esse capítulo, em especial, conversa muito com o nosso cotidiano, principalmente por causa das propagandas. Porém, por outro lado, também podemos levantar outra questão mais atual, como a de que produtos de beleza estão usando a pauta do empoderamento feminino e de auto aceitação para vender os produtos que servem para “corrigir” falhas, como produtos de maquiagem, por exemplo. É necessário olhar para tais manifestações com um olhar crítico, pois muitas vezes usam a bandeira do feminismo como máscara para continuar sua prática de massacrar a mulher.

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