Projeto de Leitura | O mito da beleza

Olá, leitores!

Hoje trouxe para vocês um projeto de leitura conjunta para o livro O mito da beleza, da Naomi Wolf.

Esse livro foi escrito em 1991, mas mesmo depois de quase 30 anos ele permanece atual e presente no cotidiano de todos.

As lutas feministas muito avançaram ao longo dos anos e diversas conquistas foram realizadas. Hoje, muitas mulheres conseguiram se libertar da opressão do fogão e sair à luta de seus direitos e de seu espaço, mas infelizmente a maioria ainda é escrava do espelho. Por isso, a leitura desse livro é fundamental.

O intuito da autora ao escrever esse livro foi tentar desconstruir os mitos pessoais de beleza que nos colocamos como meta e mostrar que a mulher pode escolher a aparência que deseja ter sem obedecer a imposições do mercado e da indústria da beleza, ou seja, proporcionar uma consciência de beleza para que a mulher possa distinguir o que lhe está sendo imposto e decidir se realmente quer acatar ou tal tal característica.

Falar sobre o mito da beleza é necessário, pois esse padrão idealizado é responsável pela morte de jovens na mesa de cirurgia plástica clandestina ou pelo desenvolvimento de distúrbios alimentares.

Tem-se no imaginário popular de que as mulheres que criticam o mito da beleza estão fora do padrão (são gordas, feministas, feias, lésbicas, não brancas), mas a luta pelo fim dessa opressão é de todos, pois hoje até mesmo os homens estão sendo escravizados pelo ideal de beleza, cada vez mais vemos revistas masculinas que impõem um estilo, um corpo padrão, sem contar que os procedimentos estéticos também os alcançaram.

É incrível como o ideal de beleza sempre foi e sempre será inalcançável, pois ele é mutável ao longo do tempo. Isso porque ele sempre será usado contra as mulheres. Vejam só, se uma mulher resolve se dedicar a algo que não seja a beleza, podemos citar o seu lado profissional ou acadêmico, mesmo que ela seja a melhor naquilo, se ela não estiver no padrão de beleza, justamente isso será apontado “mas bem que ela poderia usar umas roupas mais femininas”, “ela se garante, mas deveria fazer as sobrancelhas”.

Então, é isso. Tudo o que eu comentei aqui está na apresentação e na introdução desse livro. Se vocês se interessaram, convido-os para participar desse projeto de leitura. 🙂

Vamos ao cronograma:

Cronograma semanal

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Mangá | Witches

Olá, leitores!

Hoje vou falar sobre dois mangás incríveis que compõem essa pequena (em tamanho, porém grandiosa em conteúdo) série. Witches tem apenas dois volumes, foi escrita por Daisuke Igarashi e chegou ao Brasil pela Planet Mangá/ Panini Comics.

36552193O primeiro volume é composto pelas histórias Spindle (em duas partes), Kuarupu e A bruxa montada no pássaro. A primeira tem como protagonista uma bruxa pagã muito poderosa que precisa  enfrentar seu pior inimigo, ela mesma, que com toda a sua soberba não a permite se desenvolver melhor na magia e no seu autoconhecimento. Aqui o autor trabalha muito o embate entre a cultura pagã e a tentativa do cristianismo de se apropriar de seus elementos.

Em Huarupu, a protagonista é uma Xamã da Amazônia (sim, se passa no Brasil) e a história gira em torno da luta dela e de uma tribo indígena em lidar com ou enfrentar a entrada do homem branco na floresta. Muito interessante um ponto levantado sobre os espíritos dos animais depois que eles morrem.

A bruxa montada no pássaro aparenta não ter protagonista feminina até ser revelado que o místico está na mulher que aparece apenas para seu familiar.

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Nesse segundo volume, a estrutura do mangá permanece a mesma, três histórias sendo a última bem curtinha e protagonistas mulheres que se envolvem com o sobrenatural.

A primeira história que esse mangá traz é a Pedra da Reprodução, ou Pedra Genitalix. Uma bruxa da floresta e sua aprendiz começam a sentir algo de diferente no ar e todos os sinais indicam para a chegada da Pedra da Reprodução na Terra. O vaticano as convidam a resolver os problemas causados pela pedra, mesmo a contragosto, já que suas práticas vão de encontro ao cristianismo. Então, podemos perceber como as pessoas se aproveitam da sabedoria das bruxas em momentos de desespero, mas não as respeitam.

Essa questão da falta de respeito fica bem clara quando a pequena Alicia visita a cidade e ela é motivo de certo alvoroço por conviver com Mira.

Ladra de canções é o título da segunda história, que se desenvolve com a premissa de reencarnações e autoconhecimento.

Hinata é uma colegial que passa pelos dias sem realmente vive-los, como ela mesmo diz “[…] apenas assisto ao programa chamado ‘meu cotidiano’. Apenas assisto. ” P. 17. Então, ela rouba um dinheiro da escola e resolve viajar com Yuji, nessa viagem ela conhece Chitaru, que a ajuda a desperta seus sentidos para começar a realmente viver. As duas mulheres têm seus destinos entrelaçados nessa viagem de maneira transcendental.

A última história, que é bem curta, chamada Praia, nos leva a refletir sobre o limiar entre a vida e a morte. Contendo mais elementos visuais do que texto em si, os poucos diálogos aqui postos deixa o leitor matutando sobre o que realmente aconteceu ao gatinho.

Então, é isso. Amei a série Witches,  se você também gosta de histórias de bruxas, com conteúdos sobrenaturais ou com protagonistas femininas fortes, esse mangá é um prato cheio para você.

Feminismo para os 99 %|Boitempo

ARRUZZA, Cinzia; BHATTACHARYA, Tithi; FRASER, Nancy. O feminismo para os 99 %: um manifesto. 1° ed. São Paulo: Boitempo, 2019.

818.jpgO Feminismo para os 99% foi uma das melhores leituras que fiz em 2019, esse livro foi publicado mundialmente em março em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Foi escrito por Cinzia Arruzza, Tithi Bhattacharya e Nancy Fraser, e chegou ao Brasil pela Boitempo, sob tradução da Heci Regina Candiani, numa edição linda, toda colorida e decorada.

Abertamente inspirado no Manifesto do Partido Comunista, de Karl Marx, o Feminismo para os 99% herdou a característica de manifesto, as capitulações em formato de Teses, a crítica a selvageria do capitalismo e as propostas para solucionar esses problemas, mas aqui a solução é o Feminismo para os 99%.

É sabido que estamos vivendo a 4° fase do feminismo, na era globalizada e antenada em redes sociais e o Feminismo para os 99% é a proposta de um feminismo mais abrangente, que não lute apenas um uma segmentação de pessoas. Vou explicar melhor, esse manifesto demonstra as diversas áreas em que as feministas podem lutar para conquistar um mundo melhor para todos, seja na luta de gênero, de classes ou de raça, pelo bem do ecossistema ou pelo fim da crise humanitária que tanto assola os refugiados. Você já parou para pensar na condição da mulher refugiada ou da mulher escravizada por grandes corporações?

O Feminismo é o movimento de luta mais longo da história e sua adaptação é necessária para auxiliar cada vez mais os que precisam de voz. O livro começa cerceando o Feminismo Liberal e passa por temas como o direito ao próprio corpo (sim, a questão do aborto), o trabalho gratuito de cuidados com o lar incutido como tarefa feminina e daí desponta para temas mais globais, como: crises sociais, crises ambientais….  Tudo converge para o grande responsável: o capitalismo.

Você pode estar pensando agora, “vixe, livro de comunista”, te respondo com um “sim e não, talvez”. O Feminismo para os 99% não levanta a bandeira do comunismo, nem do socialismo, ele apenas demonstra os males sociais causados pelo capitalismo que vão além da, já tão batida, exploração de mão de obra. Se o Feminismo conseguir frear a ganancia do capitalismo para que a vida de todos sejam boa e não apenas a de 1% da população, muito bem.

Por sua característica de manifesto, assim como o de Marx, as autoras trazem ideias e sugestões para melhorar o convívio nesse sistema tão predatório. O tom utópico é tênue, embora o leitor possa sentir que tudo isso é sim possível de resolver com o Feminismo.

A conscientização é o primeiro passo, acho que a divulgação desse livro é essencial para quem se interessa por um mundo melhor para TODOS.

Mangá | Ela e o seu gato

ela e o gatoQuando vi que esse mangá tratava da relação de uma mulher com o seu gato, logo fui atrás de saber mais sobre. Parecia ser muito bom.

A história de Ela e o seu gato é contada sob a perspectiva de Chobi, o gato encontrado na rua, que passou a morar com sua atual dona. O gato é apaixonado pela relação estabelecida entre eles.

A protagonista está tentando se adaptar a rotina estressante de sair diariamente para trabalhar, cozinhar e ainda ter tempo para relações sociais. Em seu cotidiano, é o amor de seu gato que traz certo alívio para ela. Pouco sabemos sobre o que se passa no trabalho dela, pois a narrativa é feita pelo gato, mas em alguns momentos também acompanhamos um encontro dela com uma amiga.

O mangá possui um tom melancólico em sua narrativa e os traços não são perfeitos, proporcionando ao leitor uma sensação de rotina e preguiça, algo típico dos gatos, rs. A história não traz grandes acontecimentos, sua proposta é mostrar a rotina de uma mulher e o seu gato, o que pode parecer monótono para alguns, mas algo sensível, verdadeiro e delicado para outros.

 

 

LiterArte | Antes do começo… A Mesopotâmia e a China

Olá, leitores!

Se você acompanha o blog no Instagram, deve ter visto a divulgação do Projeto LiterArte, onde vamos correlacionar o estudo das Artes Plásticas com a Literatura.

Resolvemos dar início com a leitura das obras clássicas gregas: Ilíada, Odisseia e Eneida. Porém, antes mesmo da expressão artística grega, houveram outras civilizações que tanto criaram artes plásticas, como escreveram livros também.

Então, trouxe a indicação de duas obras que precederam esse trio maravilho que leremos nesse semestre.

  • Epopeia de Gilgamesh

Essa obra é datada de 2.000 a.C e tida como o livro mais antigo de todos, ao lado do Livro dos Mortos, e originou-se na Mesopotâmia (atual Iraque).

A civilização suméria é conhecida pela criação da escrita cuneiforme, primeira linguagem escrita da história, bem como pela estruturação da primeira religião.

A Epopeia de Gilgamesh é composta por doze placas contendo cerca de 300 versos em escrita cuneiforme, onde é contada a história do relacionamento entre Gilgamesh e Enkidu, homens selvagens que foram criados por deuses e evitavam a opressão na cidade de Uruk (governada pelo rei Gilgamesh na época).

Aqui, podemos relacionar a história da Epopeia com o Marco da Vitória de Naram-sin (artista desconhecido, obra produzida em arenito rosa, hoje encontra-se no Museu do Louvre, em Paris), onde mostra a liderança do rei de Acádia, Naram-sin, que governou entre 2.334 a.C. a 2.279 a.C., e seu elo com o divino.

mesopotamia

Ambas as obras, tanto a literária quanto a plástica, representam uma característica político, religiosa e cultural da época, a teocracia. Característica essa que repercutiu também na arquitetura local, com a utilização dos Zigurates.

A Literatura Mesopotâmica serviu de inspiração para o primeiro poeta europeu registrado, Hesíodo, por volta de 700 a.C (olha só nosso gancho para a Grécia ❤ )

  • A arte da Guerra

Sem dúvida alguma, A arte da guerra é um dos livros mais conhecidos do mundo. Com táticas de guerra que podem ser adaptadas a várias áreas da vida, a obra chegou a servir como guia para ensinar as empresas a lidar com a concorrência.

A China foi a primeira civilização a trabalhar com o metal em táticas de guerra, fortalecendo, assim, suas armaduras e técnicas de combate. Em virtude dos vários confrontos, um de seus períodos históricos foi batizado como Período dos Reinos Combatentes (475 a.C. – 221 a.C.). Nessa mesma época, a filosofia chinesa também ganhava forma com o Confucionismo, Taoísmo e Legalismo.

a arte da guerra

Dada a realidade local, a arte laca Chinesa desenvolveu-se como uma utilidade para a proteção de bens de madeira, tornando-as mais resistentes e duráveis.

O primeiro imperador chinês, Qin Shi Huangdi, 259 a.C – 221 a.C., para sentir-se protegido, mandou construir um salão subterrâneo com um Exército de Terracota (artista desconhecido) construído em barro. O complexo de soldados conta com cerca de 8.000 figuras em posição de combate.

O cenário político da época também marca a produção artística local, dessa vez com sua vertente voltada à guerra.

Bom, é isso, pretendo trazer mais posts assim, indicando obras literárias a partir da história da arte, o que vocês acharam? 🙂

Um teto todo seu | Virgínia Woolf | Tordesilhas

WOOLF, Virginia. Um teto todo seu. São Paulo: Tordesilhas, 2014.

images.livrariasaraiva.com.br Quando Virginia Woolf já era mais conhecida como escritora de livros e resenhista em jornais, foi chamada para ministrar uma palestra em uma faculdade sobre as Mulheres na Literatura.

O discurso proferido pela autora, tornou-se o livro Um teto todo seu, que posteriormente ganhou também algumas páginas de seu diário onde ela fala sobre os livros que estava escrevendo na época.

Para desenvolver sua fala, a autora cria uma personagem, Mary Beton, que muito se mistura com a Virginia. Ela tece seus comentário aos passear por uma estante de livros, retira exemplares, lê trechos e o leitor pode acompanhar seus pensamentos a respeito da Literatura através dos séculos.

O texto da Virginia é composto por uma gama de comentários sobre Literatura produzida por mulheres. A grande questão que a autora levanta é: onde estavam as mulheres antes do século XIX? Não haveria nenhuma mulher produzindo peças tão bem quando Shakespeare?

Quando a autora explora a questão da mulher na Literatura, ela deixa bem claro que não é sobre a mulher como assunto ou como consumidora, mas como produtora de obras literárias. Ela, então, ambienta a condição social imposta para as mulheres de responsáveis pelo lar como um fator limitador nessa produção intelectual feira pelo sexo feminino. Seria necessário que a mulher conquistasse sua independência financeira, tivesse “um teto todo seu” para poder ter a autonomia de sentar e libertar o que está em sua mente.

Esse livro é fundamental para quem gosta de literatura e assuntos feministas. Um excelente texto para tratar sobre as dificuldades impostas pela sociedade que impediram a produção intelectual das mulheres durante tantos anos. Essa punição fez com que as mulheres fossem vistas apenas como consumidoras de romances açucarados, sem voz e sempre subserviente.

 

Mangá | Wotakoi – O amor é difícil para otakus

41zQ0atEftL._SX341_BO1,204,203,200_Assim que li a primeira resenha sobre esse mangá, já corri para comprar o meu exemplar. Wotakoi é composto por seis volumes e chegou em março ao Brasil como uma publicação bimestral pela Panini Comics.

Esse mangá é uma mistura de Shoujo e Slice of life, onde o romance bonitinho dos shoujos adoçam a rotina de dois casais que trabalham no mesmo escritório.

Narumi e Hirotaka, o casal principal, estudaram juntos no colégio e se reencontraram no local de trabalho. Eles decidem sair para colocar os assuntos em dia e falar sobre a dificuldade de otakus em manter um relacionamento. Naru é viciada em mangás e até escreve histórias para vender em feiras temáticas, já Hiro é um gamer aficionado.

Taro e Hanako formam o casal secundário, que é muito engraçado. Eles vivem brigando porque competem por tudo. Me identifiquei bastante com Hana, bem… vejam só, ela também gosta mais de personagens secundários, rs. Hana também gosta de mangás e até faz cosplay.

Algo interessante que eu nunca tinha visto em qualquer outro mangá, é que ele traz frases ao pé da página que resume comicamente o que está se passando na história, então, depois de terminar a página, sempre me pegava rindo da frese ao lado da paginação. Além disso, a Hiro quebra a quarta parede e mostra que tem consciência de que está num mangá.

Pretendo acompanhar o desenrolar de Wotakoi. A história em si é bem simples, mas o clima de pós expediente com aquela vontade de relaxar nos vícios de otaku me deixou saudosista e com um sentimento tão tranquilo, que já quero o próximo volume. 🙂

 

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