Um conto de natal | China Miéville | Boitempo

MIÉVILLE, China. Um conto de natal. São Paulo: Boitempo editorial, 2018.

MIÉVILLE, China. Um conto de natalChina Miéville é um dos grandes nomes da atualidade no gênero New Weird, principalmente com seus livros A cidade e a cidade e Estação Perdido. Em 2018 publicou esse pequeno conto de natal, que foi publicado originalmente pela Pan Books, chegou ao Brasil pela Folha de São Paulo e agora ganhou uma edição pela Editora Boitempo.

Apesar da história curtinha, o autor apresenta ao leitor um cenário futuro onde as empresas privatizaram tudo relacionado ao natal e as frentes revolucionárias de esquerda tentam a todo custo lutar pelo direito de comemorar essa data festiva como antes.

O mais interessante é perceber a naturalidade como os conceitos sofreram grandes alterações, pois a data mais capitalista do nosso calendário virou alvo de reivindicação do lado mais “social” e menos “lucros”. Ao final das contas será mesmo que isso já não ocorre singelamente atualmente?! Independente da faixa salarial, o clima natalino não pega a todos? E se, de fato, o capitalismo chegar a comprar os direitos dos itens de natal? Impossível??

“Vemos com desdém as tentativas patéticas da velha Esquerda de reviver esta cerimônia Cristã. A ideia de que o governo ‘roubou’ ‘nosso’ Natal é tão somente um aspecto do domínio dessa Cultura do Medo que rejeitamos. Chegou a hora de uma reavaliação além da esquerda e da direita, e de forças dinâmicas revigorarem a sociedade. No mês passado, nós do IIMV organizamos uma conferência no ICA sobre por que greves são chatas e por que a caça à raposa é o novo pretinho básico…”

Miéville, China. Um conto de Natal . Boitempo Editorial. Edição do Kindle.

Isso me lembra a questão do sono e de como somos inúteis ao capitalismo quando estamos dormindo e como cada vez mais aparecem subterfúgios para que as pessoas durmam menos, ocupem mais o seu tempo, passem mais tempo ao celular antes de dormir… Estão, aos poucos, comprando até mesmo o nosso sono, acredite.

Além dessa questão capitalista, é possível refletir também sobre a construção das bolhas sociais em que grupos as vezes lutam por causas parecidas, mas não conversam entre si, pois há muito perderam essa capacidade de dialogar com aqueles que pensam um pouco fora do seu padrão.

Esse conto reúne várias críticas à sociedade atual com uma narrativa tão leve que em pouco tempo o leitor já se encontra submerso nessa realidade sem precisar de muita explicação. Os detalhes simplórios são o que cativam e traz a história para mais perto de nós, como as Aspidistras tão comuns na Inglaterra e os presentes clichês de natal.

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