História da menina perdida | Elena Ferrante | Biblioteca Azul

FERRANTE, Elena. História da menina perdida. São Paulo: Biblioteca Azul, 2017.

Finalmente eu concluí a tetralogia Napolitana. Estava com pena de terminar a história e por isso protelei por vários meses esse último volume, até cheguei a comprá-lo duas vezes de tanta expectativa pela leitura. Os títulos dos livros que compõem a série são: A amiga genial, História do novo sobrenome, História de quem foge e de quem fica e A história da menina perdida.

O livro A história da menina perdida é dividido em duas partes, sendo a primeira composta pela maturidade das duas amigas e a segunda, pela velhice. O leitor que acompanhou a formação e caminhar dessa amizade, percorrendo altos e baixos agora desfruta dos últimos anos do relacionamento entre Lila e Lenu.

A primeira parte do livro, Maturidade, faz diversos retrospectos dos acontecimentos dos livros anteriores, como a exemplo a explicação de Lila sobre a desmarginação (Lenu nos conta isso no primeiro livro e diz que a amiga só viria explicar esse sentimento muitos anos depois). Então, em vários momentos da leitura é possível experimentar um sentimento de saudosismo e de nostalgia pelo começo da história.

Aqui Lenu está, finalmente, se relacionando com Nino. Uma aspiração que vem desde de menina e que se concretiza somente na vida adulta. O interessante é que essa relação não é, nem de longe, tudo o que ela sonhou, apesar de sua visão apaixonada dos fatos, o stresse dela é evidente . A vida de Lenu, mesmo depois de tantos anos estudando, ainda passa por percalços emocionais, financeiros e intelectuais.

Lila se depara com um acontecimento inesperado, o sumiço inexplicável da filha, evento este que dá título ao quarto livro. Para mim esse evento tem forte ligação com as primeiras páginas do primeiro livro, em que Rino liga pra Lenu para informar sobre o sumiço da mãe, penso que Lila nada mais fez do que tentar se aproximar do desaparecimento da filha.

Essa primeira parte me pareceu um pouco repetitiva e até mesmo enfadonha em determinados momentos em que Lenu criava ciclos de rotina (levar as meninas pra escola, tentar escrever, viajar, brigar com as filhas, ouvir as brigas de Lila…).

A segunda parte do livro mostra-se mais madura, Lenu já passou por desilusões e diversos outros acontecimentos que a marcaram profundamente, como a fuga da filha e a morte de amigos. Elena faz, então o desfecho da tetralogia de maneira calma, sem atropelos, e bonita.

Nesse livro final foi possível reacender em mim a imagem de que a admiração que Lenu sente por Lila não é nada se comparada a admiração que Lila sente por Lenu, isso fica muito claro com o apelido que Lila coloca na filha e com o reaparecimento das bonecas de infância. Então fica a questão do primeiro título, quem realmente é a tal da Amiga Genial?

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2 comentários em “História da menina perdida | Elena Ferrante | Biblioteca Azul

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