O outro lado da moeda | Oscar Wilde | Hedra

Olá, leitores!

Na minha última visita à biblioteca do Centro de Humanidades da UFC me deparei com o O outro lado da moeda e eu precisava levá-lo para casa, pois ao final das contas se tratava de uma obra do Oscar Wilde que eu nunca tinha ouvido falar sobre e, mais ainda, um romance homoerótico, gênero totalmente novo para mim.

O outro lado da moeda foi publicado anonimamente em 1893 e imagino o alvoroço que essa obra deve ter causado na época, pois as cenas de sexo são descritas ricamente e o romance homossexual dos protagonistas é muito lindo.

Oscar Wilde já havia relatado em uma de suas cartas que ‘o que se faz em quatro paredes haverá, um dia, de ser proclamado algum dia’, pois bem, aqui temos o fruto da declaração. Mesmo respondendo a processos por suas atitudes, Wilde não titubeou ao escrever O outro lado da moeda, obra que alguns estudiosos correlacionam com a paixão que o autor teve pelo jovem acadêmico Lord Alfred.

Esse livro repercutiu tanto que foi um dos responsáveis pela conscientização e alteração das leis inglesas referente ao homossexualismo. Em diversos momentos o autor trabalha essa questão com comentários que seguem a linha do “que mal estou fazendo para as outras pessoas? Estou apenas amando e sendo feliz”. O que, de fato, é bem lúcido e vanguardista para a época.

A história desse livro pauta-se no romance entre o aristocrata francês Camille e o pianista René. Essa relação é construída com traços shakespearianos de amor avassalador acima de qualquer coisa. Como René possui uma alma artística, cigana e até mesmo muito supersticiosa, a relação do casal é cheia de misticismo que mais parece novela das 6, aquela coisa forte de almas gêmeas que sentem as mesmas emoções e tal.

Um beijo é algo mais do que o primeiro contato sensual entre dois corpos; é a emanação de duas almas enamoradas.” P. 134

A narrativa é feita por Camille contanto sua história com René muitos anos depois de ocorrida. Ele conversa com alguém que não é nomeado, mas faz perguntas e interage com o narrador.

Como um bom romance erótico, a história é cheia de paixão e as cenas de sexo são consequências de tudo o que os personagens passam. Indo além disso, há cenas, como quando Camille visita a casa noturna que são puramente sexo, sem a romantização de praxe. Ou seja, mesmo seguindo a linha romanesca, o autor demonstra que ele está escrevendo para mostrar a realidade do que acontece, tanto na vida amorosa de um casal homossexual, como a triste vida de uma dama da noite que sofre de tuberculose.

Gostei muito de ter lido O outro lado da moeda, pois ele é um misto de características marcantes e inovadoras para a sua época. É romântico, sensual e naturalista, ou seja, mesmo imbuído de elementos característicos do romance erótico traz ainda as mazelas da sociedade inglesa da época.

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