Mrs. Dalloway | Virginia Woolf | Nova Fronteira

WOOLF, Virginia. Mrs. Dalloway. Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 2015.

Para conseguir concluir essa leitura, comecei e recomecei pelo menos umas cinco vezes antes de engatar de vez. Não é uma leitura tão fluida quanto eu gostaria, mas é um bom livro.

A história de Mrs. Dalloway em si  não traz grandes aventuras ou reviravoltas de tirar o fôlego. Virgínia nos prende pela frugalidade do cotidiano, ela nos convida a olhar novamente para aquilo que já está despercebido e camuflado pela rotina.

Aqui temos Clarissa Dalloway, uma senhora que resolveu dar uma festa para receber conhecidos. Ela faz questão de sair para comprar as flores que decorarão sua recepção e a partir daí ela se perde em inúmeros devaneios durante o seu dia de expectativa e preparo. Como disse anteriormente, a história em si não tem nada de excepcional.

Então, o que torna Mrs. Dalloway tão aclamado e ainda tão vivo no rol dos Clássicos? A priori, o ponto que mais enaltece a obra de V. Woolf é a narrativa, o fluxo de consciência que em dados momentos está claro o narrador externo aos acontecimentos e em diversos outros, perdido nos pensamentos dos personagens.

A criação dos personagens é outra característica marcante nesse livro. Dois protagonistas que são tão diferentes e ao mesmo tempo tão próximos que mais parecem os dois lados de uma única moeda. Há Clarissa, a senhora rica que prepara recepções para os amigos, a mulher casada que optou por uma vida insossa ao lado de um homem que nem ao menos ela ama de verdade, um passado também simplório à exceção de uma única vez que se permitiu beijar uma mulher. Os tons cinza da vida de Clarissa embalam a calmaria desse livro. Septimus, por sua vez, é ex combatente de guerra e já viveu momentos intensos , sentindo-se agora preso à uma vida em que ele vive à expectativa de um acontecimento enquanto ouve a esposa falar das pessoas a sua volta, quanta futilidade.

Os dois protagonistas não interagem durante a história, eles seguem suas vidas como qualquer um. E aí está o charme de Mrs. Dalloway, o cotidiano trabalhado sob diferentes perspectivas. A vida é isso, um dia após o outro acompanhado de certa ânsia, de lembranças, de desejos…

Ao final, gostei de ter lido Mrs. Dalloway pela sensibilidade narrativa da autora e de suas reflexões sobre coisas que ainda existem na atualidade. As construções sociais e críticas aqui empregadas são ricas e demonstram as peculiaridades que o homem nunca conseguiu se desvencilhar.

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