Liberta-me (Shatter me #2), de Tahereh Mafi

MAFI, Tahereh. Liberta-me. Ribeirão Preto: Novo Conceito, 2013.

Olá, leitores!

Depois de exatos cinco anos de que li o primeiro volume da trilogia Estilhaça-me, dei uma chance à continuação da história. Lembro que eu não tinha gostado muito do final do primeiro livro e isso me fez desanimar em ler os próximos, mas com o projeto ‘tirando a poeira’ resolvi dar uma chance a Liberta-me.

Liberta-me acontece dentro do Ponto Ômega, uma espécie de refúgio para pessoas com dons, que nada mais são do que poderes especiais do tipo super força, invisibilidade e etc. A protagonista Juliette está tentando se adaptar a ver sua condição como algo positivo enquanto que precisa resolver sua conturbada vida amorosa.

Vamos por partes. Os personagens principais dessa história são adolescentes em uma faixa etária entre 15 e 20 anos, são bem jovens e uma das principais preocupações deles é estar com o amor da sua vida e coisas do tipo. A Juliette, em específico, não tem experiência alguma em relacionamentos sociais e se vê agora tendo amigos e namorado, algo totalmente novo.

O triangulo amoroso da história é muito bonitinho e é válido lembrar que estamos lidando com um livro jovem adulto, então o seu foco principal é sim o romance e o cenário distópico é só o pano de funo. Entendo a proposta da autora, mas creio que isso acabou tornando a história MUITO superficial, pois a Tahereh tem um baita conteúdo a explorar que são pessoas com poderes especiais numa sociedade distópica e enquanto o mundo está um caos, estamos presos no Ponto Ômega compartilhando os conflitos internos da Juliette sobre não poder beijar o namorado. Bem desestimulante em certo aspecto.

Ok, mas deixando de lado a falta que senti em ler sobre formação social e política desse cenário que a autora propôs, temos a mente da Juliette que é depressiva e insegura. A partir dessa perspectiva acompanhamos seu romance que mais parece novela da Globo, mas não digo isso em um sentido pejorativo, pelo contrário, a narrativa da autora é tão viciante que eu PRECISAVA virar as páginas para saber o que aconteceria em seguida.

Então, senti falta de vários elementos que enriquecessem a história, mas entendo a proposta da autora e concluo dizendo que como romance jovem adulto esse segundo livro é maravilhoso, mas como distopia nem tanto.

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Preciso desse livro! Clarice Lispector todas as crônicas

Olá, leitores!

Passei aqui só para deixar registrada a segunda vez em que a Rocco deixou meu coraçãozinho de leitora abalado. A primeira delas, claro, foi no lançamento do Clarice Lispector todos os contos, que, como o próprio nome sugere, é uma coletânea com todos os contos dessa escritora fenomenal.

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Agora desfruto da impaciência de adquirir o Clarice Lispector todas as crônicas. Sim, dois anos após do lançamento de Clarice todos os contos, nós temos que lidar com a ansiedade de ler o Clarice todas as crônicas.

Eu já li um livro de crônicas da autora (comentário sobre ele aqui), que foi publicado pela mesma editora, e fiquei marcada por alguns pensamentos dela, como o “E se eu fosse eu… “. Já imagino as digressões proporcionadas por essa nova edição! Preciso, definitivamente preciso desses textos em mão.

Aparentemente a editoração de Todas as crônicas segue o estilo de todos os contos, então ficarão lindos lado a lado na estante!

Unboxing! Livros que comprei na Book Friday

Olá, leitores!

Comprei três livros na Book Friday da Amazon e fiz vídeo abrindo a caixa para mostrar a vocês. Todos eles eu estava super ansiosa para ler, então provavelmente lerei muito em breve, rs.

 

Espero que vocês tenham gostado. Ah, sim, consegui acertar o papel no rosto!! xD

Violino, da Anne Rice || Editora Rocco

RICE, Anne. Violino. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Anne Rice é conhecida por suas crônicas vampirescas, que inicia-se com o livro Entrevista com o Vampiro, obra que rendeu a clássica adaptação cinematográfica sob atuação de Brad Pitt e Tom Cruise. A autora tornou-se referência na literatura sobrenatural por causa de suas criaturas noturnas.

Fiquei com vontade de ler Violino por causa da temática:  fantasma no Brasil. A oportunidade de desfrutar a criatura, até então explorada por vários autores clássicos e contemporâneo, sob a perspectiva da Anne. Confesso que não gostei muito do personagem, mas esse livro acabou mostrando outro viés como foco principal.

Esse livro foi escrito pela Anne e para Anne, ela se transcreve na pele da protagonista e conta em parte sua biografia e entrelaça suas memórias com ficção. A narrativa é pesada, dramática e triste, o que pode tornou a leitura um pouco cansativa.

Conhecemos Triana (três Annes, daí a referência da autora a si mesma) em um momento delicado, no pós morte de seu segundo marido, ela tem um contato muito próximo com a morte, seus parentes mais próximos faleceram de forma marcante, inclusive sua filha quando ainda criança. A protagonista deixa a vida levá-la sem muita ambição, sua relação com a música clássica é que a sustenta emocionalmente, embora sua frustração também parta da música, pois ela nunca aprendera a tocar seu instrumento favorito, o violino.

O surgimento do músico fantasma leva Triana a mergulhar em suas memórias e a reconhecer seu próprio eu, o enfrentamento aos seus fantasmas pessoais toma o foco da narrativa e conduz o leitor ao seu momento de crescimento.

De maneira geral Violino tem uma história bonita, emblemática e poética, mas a narrativa é dramática em demasia, o que pode causar estranhamento ao leitor e dificultar o andamento da leitura.

Vlog de leitura da independência

O  blog Rascunhos Críticos fez uma maratona literária nesse feriadão do dia 7 de setembro, comecei a participar já finalzinho do projeto, peguei a última madrugada.

Essa foi a minha primeira tentativa de participar de uma Read-a-thon (maratona literária), mas não consegui concluir as seis horas estipuladas, então o vídeo de maratona resultou em um vlog rapidinho para registrar três horas de leitura. rs

Espero que gostem.

 

Sobre o conto | O poço e o pêndulo, de Edgar Allan Poe

POE, Edgar Allan; O poço e o pêndulo. In: POE, Edgar Allan; Edgar Allan Poe: Medo clássico: coletânea inédita de contos do autor. Rio de Janeiro: DrakSide Books, 2017.


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É sempre perturbador mergulhar nas histórias de Edgar Allan Poe, aquela aflição perene não me larga em nenhum momento. Não foi diferente em O poço e o pêndulo, primeiro conto dessa edição maravilhosa da Dark Side Books que conta com ilustrações Ramon Rodrigues e tradução de Marcia Heloisa, não posso deixar de parabenizar a Dark Side pelo cuidado editorial aqui empregado, o livro é maravilhosamente lindo e bem editado.

O poço e o pêndulo começa com o protagonista (e narrador) recebendo sua sentença de morte e, de tão debilitado, desmaiando e caindo em profunda escuridão. Tendo acesso a apenas algumas reminiscencias de consciência enquanto é carregado, ele luta para descobrir a que tipo de morte foi destinado. A história se passa durante o século XIX, na inquisição espanhola, é possível aferir essa informação a partir do aparecimento do general francês Lesalle, que entrou em Toledo para combater a Inquisição por volta de 1808.

Ao acordar em uma cripta completamente escura, a angústia de saber que sua morte se aproxima e ao mesmo tempo a incapacidade de reconhecer o local onde se encontra leva o protagonista a embates interiores. Aqui o autor nos mostra sobre a necessidade humana de se situar sobre suas condições, de querer saber onde está e o que tem a seu alcance, sobre a relação do homem com suas experiências sensoriais.

Aos poucos ele vai descobrindo suas condições, mas de maneira vã, pois ele está sendo observado e constantemente o cenário da cripta se adapta. A descoberta do poço sugere um suicídio, entregar-se à morte de uma vez ou esperar por sua chegada pelas mãos de terceiros?

“Havia, para as vítimas de sua tirania, a alternativa de optar por uma morte com as piores agonias físicas ou uma morte com seus piores horrores morais, Eu estava destinado à segunda. Devido ao longo sofrimento, meus nervos encontravam-se à flor da pele, a ponto de tremer com o som de minha própria voz, tornando-me , sob todos os aspectos, uma vítima perfeita para o tipo de tortura que me aguardava. ” P. 42

A exaustão física, emotiva e psicológica do protagonista é um dos fatores que mais o atormenta, a natureza humana tenta sobreviver, enquanto as condições do ambiente dizem o contrário. O sofrimento presente no processo de espera da morte é torturante e a observação lúcida dessa maldade é ainda mais angustiante para ele.

A narrativa de Poe expõe o ser humano aos seus medos em cada detalhe, demonstra de maneira fria a nossa fraqueza física e psicológica. É impossível ler esse conto e não se envolver com os sofrimentos ali descritos, seja sensorialmente com os sons, cheiros, escuridão e formas abstratas ou com a iminência inesperada da morte.

Esse conto é magistral e incrível. Poe é um mestre naquilo que ele se propõe a escrever, suas obras serviram de inspiração para gerações futuras no gênero de horror, terror e suspense. Não vou dizer aqui que todos precisam ler esse conto, pois não acredito em leituras obrigatórias, mas deixo aqui o convite para se deliciar nessa obra de arte em forma de conto.

 

 

O pecador, de Tess Gerritsen

GERRITSEN, Tess. O pecador. 2° ed. Rio de Janeiro: BestBolso, 2012.

A detetive Rizzoli precisa tomar a maior decisão da sua vida ao mesmo tempo em que tenta solucionar o assassinato da freira Camile, quem poderia querer a morte de uma jovem freira? O caso toma proporções maiores do que o esperado, tanto pelo assédio midiático quanto pelas novas pistas que surgem ao longo da investigação.

Ao mesmo tempo, Isles, a patologista do Instituto Médico Legal, enfrenta antigos temores com a volta de Victor à cidade. A médica é uma mulher destemida e forte que não exita tomar atitudes que vão ao encontro de seus princípios morais.

A personalidade das protagonistas da história são de duas mulheres independentes e fortes que lutaram para ser reconhecidas em seus ambientes de trabalho, que em geral são dominados pela presença masculina. Em alguns momentos do livro a autora até mesmo aborda essa questão de gênero.

A narrativa é construída aos poucos, com pistas sendo lançadas desde o comecinho da história, nada aqui é em vão, tudo é utilizado para refazer a cena do crime, Tess monta esse quebra cabeça com maestria. O embate filosófico entre religião e ciência é constante nessa obra, de um lado a crença dos integrantes do convento e do outro, os testes de laboratório de Isles. É sempre maravilhoso ler um trhiller da Tess Gerritsen e de todas as características de sua narrativa, uma que sempre chama a minha atenção é a riqueza de detalhes das autópsias, pois a autora é formada em medicina e ela faz questão de caprichar nessas cenas que envolvem o corpo humano.

Li O pecador de maneira frenética, pois além da curiosidade em saber quem matou Camile, as pistas revelavam cada vez mais uma trama de arquitetura em camadas e as cenas ação foram realmente alucinantes. Como um suspense médico, Tess desenvolveu sua obra de maneira ímpar.