Para retomar a leitura em setembro

Olá, leitores!

Agosto foi um mês de libertação para mim, creio eu. Libertação? Sim, não acho essa palavra forte demais para esse momento, pois foi quando me dei conta de como eu havia mudado minhas prioridades e como isso me afetara a ponto de eu sentir falta de algo que eu sempre amei fazer: ler.

Em virtude desses contratempo que mencionei no último post, parei a leitura de Mrs. Dalloway.  Esse livro da Virgínia Woolf mostrava-se excelente, porém de leitura difícil e bastou uma pedra no caminho para eu abandonar essa leitura. Uma lástima.

Pretendo recomeçar esse livro em setembro e agora com mais determinação.

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Três coisas que me roubam o tempo e metas para revertê-las

Olá, leitores!

Publiquei um texto aqui sobre ter tempo para ler, pois caí numa armadilha terrível que está roubando meu tempo de leitura. Em 2018 me coloquei como meta não ter meta numérica de livros lidos e isso foi libertador, o problema da vez é que, por conta de alguns hábitos, diminui minha leitura a algo próximo a zero.

Não estou preocupada com o número de livros lidos mensalmente, mas me peguei diversas vezes pensando “Droga, se eu tivesse trazido meu livro, estaria lendo!”. Então, vamos aos três hábitos que estão me deixando incomodada por ter deixado a leitura um pouco de lado:

  1. Pokémon Go!
    O primeiro item não poderia ser outro. Comecei a jogar Pokémon Go e isso toma a minha viagem de ônibus todos os dias. Eu não jogo muito, mas jogo no único horário que eu tinha disponível para minhas leituras: viagens de ônibus. Por causa desse vício apaguei até mesmo o app do Kindle do meu celular para liberar espaço para o jogo (me sinto péssima por ter feito isso).
  2. Estudos
    Sei que diferentemente de Pokémon Go, os estudos me trarão algum retorno futuramente e é isso que tenho feito no meu horário de almoço do trabalho e nos tempos disponíveis aos finais de semana.
  3. Canais no Youtube
    Antes eu lia antes de dormir, hoje assisto a canais no Youtube. Geralmente acompanho os canais enquanto faço minhas atividades domésticas (cozinhar, varrer, lavar a louça etc), porém isso estendeu-se também aos 30 minutinhos de antes de dormir.

A pior (ou melhor, ainda não sei) parte é que eu sei como mudar essa realidade.

É difícil parar de jogar o Pokémon Go assim, do nada, pois o jogo foi um motivo que encontrei para rever amigos e sair para me descontrair, muito embora eu vivesse completamente satisfeita em me divertir com os livros antes de conhecer esse jogo. A minhas propostas para diminuir o tempo jogando são:

  1. Escolher uma viagem (ida ou volta) para cada uma das atividades, se jogo na ida, leio na volta;
  2. Reinstalar o Kindle no celular;

A parte dos estudos não tenho como reduzir, então deixa aqui no cantinho.

Quero restringir meu tempo para o Youtube ao horário de atividades domésticas novamente, pois quando sento para assistir vídeos o relógio voa sem que eu perceba.

O que anda roubando o tempo de leitura de vocês, leitores?

A elite do atraso, do Jessé Souza

SOUZA, Jessé. A elite do atraso: da escravidão à Lava Jato. Rio de Janeiro: Leya, 2017.

A elite do atraso, do Dr. Jessé Souza, foi escrito em 2017 para mostrar o cenário político brasileiro que sofreu um golpe em 2016 travestido de Impeachment. No ano seguinte de sua publicação, foi usado como inspiração para o desfile carnavalesco da escola de samba Tuiuti, que ficou em segundo lugar em 2018.

Iniciando com um apanhado histórico da construção social brasileira, Jessé Souza nos apresenta como a escravidão contribuiu para a criação de classes burguesas que se acham merecedoras de crédito, mas que na realidade vivem de se aproveitar das casses mais baixas.

Aqui o autor apresenta sua proposta em que a sociedade é dividida não por valores de renda, mas pela construção sociocultural, havendo, assim, a classe alta (que faz lobby político visando o crescimento de seu patrimônio), a classe média (que se acha pura e merecedora de tudo o que há de bom, crê que um dia fará parte na classe alta), a classe trabalhadora (a que sofre com as reformas feitas recentemente na legislação trabalhista, bem como para conseguir pagar os impostos ganhando tão pouco) e os excluídos (pessoas que de alguma forma são marginalizados da sociedade, em geral a classe média e alta tem dificuldade de enxerga-los como serem humanos). A partir daí ele destrincha as relações que acontecem entre cada uma dessas classes.

“Os excluídos, majoritariamente negro e mestiço, é estigmatizado como perigoso e inferior e perseguido não mais pelo capitão do mato, mas, sim, pelas viaturas de polícia com licença para matar pobre e preto. Obviamente, não é a polícia a fonte da violência, mas a classe média e ala que apoiam esse tipo de política pública informal para higienizar as cidades e calar o medo do oprimido e do excluído que construiu com as próprias mãos.” P. 83

Na escrita de Jessé não há meio termo, ele expõe o que se passa na atualidade brasileira de maneira crua e direta, sem metáforas e sem delicadezas. Se você faz parte da classe trabalhadora, muito provavelmente seus filhos precisarão trabalhar enquanto fazem a faculdade para conseguir se manter, diferente dos filhos da classe média que possuem renda suficiente para comprar tempo livre para os filhos. E dessa desigualdade surgem jovens de classe média que acham que todos possuem a mesma chance que ele de vencer na vida, como seria justo aplicar a meritocracia numa sociedade tão desigual?

“A suposta superioridade moral da classe média dá a sua clientela tudo aquilo que ela mais deseja: o sentimento de representarem o melhor da sociedade. Não é só a classe que merece o que tem por esforço próprio, conforto que a falsa ideia da meritocracia propicia; mas, também, a classe que tem algo que ninguém tem, nem os ricos, que é a certeza de sua perfeição moral” P. 133

Se você faz parte da classe trabalhadora, amará esse livro, pois mostra claramente tudo aquilo que observamos na mídia, nas redes sociais e nas relações pessoais, ideias de superioridade que muitas vezes irritam e entristece. Seja no discurso do candidato político que prega a morte aos moradores do morro ou nas atitudes da classe média de fechar os olhos ao próximo e achar que alguém é pobre porque é preguiçoso.

“[…] os privilegiados não querem apenas exercer o privilégio, mas querem também que esse mesmo privilégio seja percebido como merecido e como um direito. “ P. 147

Uma parcela da população brasileira, que considera a manobra política de 2016 um Golpe, se envergonha da atuação da classe média para alimentar todo esse teatro que só quer a prisão de políticos corruptos se eles forem de partidos X, Y ou Z, pois se for de partidos W, M ou D fecham os olhos como se não estivesse acontecendo nada. É a seletividade no discurso de “não à corrupção” que corrompe a sua fala. Essas pessoas gostarão bastante de se deleitar em A elite do atraso.

É notório que esse livro foi editado às pressas, pois em diversos momentos há a repetição de ideias e até mesmo de frases inteiras, o que me deixou um pouco chateada durante a leitura, pois foram gastos espaços que poderiam ter sido dedicados a mais discursão. Entendo que devido ao tema era necessária uma publicação rápida, mas faltou cuidado editorial aqui, em Leya.

A crítica social exposta em A elite do atraso é real, mesmo que os comentários sejam tendenciosos para o pensamento esquerdista, ela demonstra a vergonha que vivemos hoje com toda a discriminação incutida nos detalhes do cotidiano. Vale a leitura para abrir os olhos e refletir sobre a sociedade brasileira atual.