O fio das missangas, de Mia Couto

o_fio_das_missangas_1236682204b Mia Couto, assim como Hugo Mãe, escrevem prosa como se fossem poesia, utilizam frases tão bem elaboradas com aquele toque de sinestesia entre o real e o imaginário, entre o místico e o palpável.

Os 29 contos aqui desenvolvidos são curtinhos e cheios de sentimentos. A imagem de seus personagens assusta de tão verossímil, as estradas e histórias que as vezes são comuns demais aos olhos do cotidiano ganham um toque a mais por meio das palavras de Mia.

Podemos admirar a beleza das miçangas, mas raramente paramos para observar o fio que as seguram e as unem. Algo que chamou bastante minha atenção desse livro fininho foi a profundidade e a poesia com que o autor trata de assuntos corriqueiramente cruéis, como a mulher que começa a se enxergar em virtude da eminencia da morte do marido que tanto a colocou em segundo plano ou o menino que escrevia versos e era reprimido pelos pais.

Tantas e tantas vidas banais, sofridas e miseráveis que tomaram um corpo embelezado graças ao moçambicano.

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