História de quem foge e de quem fica, da Elena Ferrante

Olá, leitores!

Finalmente eu li o terceiro livro da série Napolitana, o História de quem foge e de quem fica, da enigmática Elena Ferrante.

Nesse livro Lila e Lenu vivem o início da vida adulta. Lila colhe os amargos frutos de suas escolhas impulsivas em Ishia e Lenu galga alguns passos adiante após sua formação na Faculdade, seu noivado com o filho dos airota e seu rompimento com as misérias de sua infância.

Aqui Elena Ferrante desenvolve sua história em meio a um cenário caótico do pós primeira guerra, onde grupos socialistas e comunistas entravam em combate verbal e físico contra os fascistas. Vale ressaltar as condições precárias dos ambientes de trabalho.

Além do mal estar causado pelo cenário político, a autora nos mostra a subalternidade da mulher nesse período e alguns pontos que chamaram minha atenção sobre esse assunto fora: 1) quando os homens acham que o corpo das mulheres está ali para que eles possam passar a mão ou agarrar quando bem entendem (isso fica claro, principalmente, quando Lenu é agarrada no elevador e quando o pintor deita em sua cama); 2) quando Lenu, que agora é formada e está casada com um homem que veio de família de intelectuais, se abdica de seus trabalhos acadêmicos para cuidar da casa e dos filhos, há até uma passagem em que Nino comenta sua posição:

“O desperdício de inteligência. Uma comunidade que acha natural sufocar com cuidado dos filhos e da casa tantas energias intelectuais femininas é inimiga de si mesma e não se dá conta.” P. 357

3)quando Lila descreve as condições das operárias que estão sujeitas a serem agarradas por seus chefes sem o menor direito de reclamar por medo de perder o emprego e, por consequência, de o filho passar fome por falta de dinheiro.

Outro ponto que salta aos olhos do leitor é a crueza naturalista, o antagonismo dos sonhos de infância. Lenu que se formou na faculdade e publicou um livro agora perde-se em meio aos cuidados domésticos, enquanto Lila, que comeu o pão que o diabo amassou está desenvolvendo uma carreira profissional após dedicar-se à lógica de programação.

Alguns fantasmas do passado ainda pincelam esse terceiro livro, alguns de passagem, outros complementam fatos ocorridos ainda no primeiro livro e a vida dessas famílias seguem se entrelaçando.

Estou cada vez mais apaixonada pela escrita da Elena Ferrante, é algo inexplicável a sensação de passar os dias acompanhando a rotina dos napolitanos. E sobre o final desse livro eu só digo uma coisa: “Lenu!! Miga, sua louca!!”.

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