História do novo sobrenome, da Elena Ferrante

FERRANTE, Elena. História do novo sobrenome. São Paulo: Biblioteca Azul, 2016.

Tradução de Maurício Santana Dias

Então eu concluí a leitura dessa série viciante. Sempre gostei de narrativas realistas, que não se perdem muito em floreios e dedica-se ao cotidiano friamente, a série Napolitana tem sido um prato cheio pra mim principalmente com essa forma de contar história da Elena Ferrante que nos leva a um estado de topor viciante.

            Depois do casamento de Lila com o dono da Charcutaria o relacionamento do casal não apresentou avanços, muito pelo contrário, o marido começou a mostrar-se agressivo e intolerante aos caprichos de Lila. Logo no início do livro podemos notar a vergonha e os esforços da jovem casada para esconder os hematomas no rosto. E há trechos de se ficar boquiaberto, principalmente diante da banalidade que a agressão parece ter no bairro que desde sempre foi violento, crianças que cresceram vendo o pai espancar a mãe e vez ou outra levar algumas esparrelas também, agora repetem os mesmos atos agressivos por força da criação.

            Lenu continua estudando, depois de uma fase meio cansada de tantos testes e daquela sensação de incerteza sobre o seu futuro, ela retorna às atividades do Liceu e logra êxito, chegando à Universidade. Os familiares, principalmente a mãe, começam a demostrar orgulho da filha, que é a pessoa mais estudada do bairro a partir dali.

            Os relacionamentos amorosos da adolescência começam a mostrar a verdadeira face, nem tudo são fores e beijinhos adocicados. A necessidade de trabalhar e de fazer vínculos sociais que antes pareciam impossíveis marcam a transição para a vida adulta.

            Outro ponto interessante em História do novo sobrenome é quando Lenu arranja um namorado na faculdade que é filho de professores universitários e como tudo pra ele é tão mais fácil por já ter nascido no meio acadêmico, sua monografia virará livro e ele já tem uma cadeira reservada para lecionar na Academia. A meritocracia sempre tão gritante nos pormenores de Ferrante, os esforços elevados à máxima potência de Lenu para esconder o sotaque Napolitano, de estudar mil vezes mais para se destacar porque ela veio de uma formação seca, sem muitas leituras extracurriculares e por causa disso, pouco conhecia sobre o mundo, diferente da família de professores que dedicavam parte da renda mensal para comprar jornais e livros que os permitissem discorrer sobre política, ativismos, dentre outros assuntos que permeiam a mesa de intelectuais.

            Quando Lenu escreve o livro sobre a própria vida e a sua escrita é tão envolvente que logo consegue publicá-la, me pareceu que ali a autora pode ter colocado muito dela na protagonista, escrever sobre a infância no bairro violento como uma espécie de metalinguagem, algo assim, mas como pouco ou quase nada se sabe a respeito da vida pessoal da autora, creio que não temos ainda como afirmar nada ao certo se essa teria faz algum sentido. Rs

            Assim como no primeiro livro houve uma parte maçante sobre a história da confecção do sapato que ganhou vários capítulos e como aquilo estava influenciando a vida de cada um dos personagens, tive a mesma sensação com os dias que se passaram na casa de praia, aquela rotina me pareceu enfadonha do meio para o fim, mas compreendo como cada um daqueles dias influenciou o desenrolar da história. Elena Ferrante não dá ponto cego, isso é um fato e sua maneira de nos contar é hipnotizante.

            Continuo amando essa série tão cheia de assuntos polêmicos e tão inspiradora por parte da determinação e esforços da Lenu para continuar seus estudos. Pretendo ler o terceiro volume muito em breve. 😉

2 comentários em “História do novo sobrenome, da Elena Ferrante

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