Itaú inova nesse mês das crianças

Todos os anos o banco Itaú disponibiliza livros infantis no mês das crianças para incentivar os primeiros passos dos pequenos no mundo da imaginação que a Literatura proporciona.

Nas últimas três edições pedi meus exemplares físicos e recebi em casa, eram dois livros por ano feitos com muito amor e dedicação. Agora em 2017 o Itaú resolveu acompanhar as tendências tecnológicas, disponibilizou mais livros em formato digital que podem ser lidos no celular.

Cada uma dessas obras possuem grandes nomes por trás, como os irmãos Grimm, a Fernanda Takai (vocalista do Pato Fu), o Luis Fernando Veríssimo, o Antônio Prata, dentre outros. No total são sete livros com diferentes temáticas.

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Não fique de fora, garanta seus exemplares e seja responsável por momentos de diversão e de boas lembranças na vida de uma criança. Quem sabe daqui alguns anos esse pequeno não dirá “meu primeiro contato com os livros foi quando fulano lia para mim os livrinhos do Itaú pelo celular, eu ficava ouvindo e me imaginando ali dentro, de lá pra cá essa relação só ficou mais forte… ” 😉

Para conferir: http://www.euleioparaumacrianca.com.br/

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A mulher desiludida, da Simone de Beauvoir

O livro A mulher desiludida, da Simone de Beauvoir, publicado no Brasil pela Editora Nova Fronteira é composto por três contos A idade da desilusão, Monólogo e A mulher desiludida. Simone é conhecida por seu discurso forte e cheio de personalidade, principalmente sobre a condição humana, como a velhice e o ser mulher, por exemplo.

O primeiro conto, A idade da desilusão, é narrado em primeira pessoa por uma professora de literatura aposentada que hoje escreve livros sobre Rousseau e Montesquieu. Uma intelectual que começa a questionar os fatores mais banais da vida ao chegar à terceira idade. Afinal de contas, o que é envelhecer? O corpo já não lhe é mais o que se tinha o costume de ver ao espelho, as pessoas ao seu redor mudam, se adaptam, mas e você?

“’ Olha lá, você está engordando!’ (Ele não parece haver notado que eu recuperei minha forma.) Comecei um regime, comprei uma balança. Nunca imaginei outrora que me incomodaria com o meu peso, mas me sinto obrigada a me ocupar com ele. Quanto menos eu me reconheço em meu corpo, mais me sinto obrigada a me ocupar com ele. Está a meus cuidados e eu o trato com uma dedicação aborrecida, como a um velho amigo meio desfavorecido, meio diminuído, que precisasse de mim.” (P.15)

Sua vida começa a parecer se esvaindo de seus dedos quando seu filho resolve ser carreirista, se dedicar a um trabalho e galgar ascensão visando o retorno financeiro, logo Philippe a quem tinha planejado todos os passos na academia, haveria de ser intelectual igual a mãe, mas a quebra dessa linha tão bem arquitetada levou a protagonista a se sentir incomodada por atuar naquilo, passou até a cismar com o marido, André:

“Todo mundo o aborrece. E eu? Ele me tinha dito há muito, muito tempo: ‘Desde que a tenho, não poderei jamais ser infeliz’ Mas não parece muito feliz. Não me amava mais como antes. O que é amar, para ele hoje? Tornei-me um velho hábito que não lhe dá mais nenhuma alegria.” (P. 23)

Engraçado que Simone escreveu uma frase nesse conto que ainda é muito atual, principalmente na atual conjuntura social em que nos encontramos “O telefone não reaproxima, confirma distâncias” (P.41). Quem nunca pensou na máxima de que as redes sociais costumam aproximar quem está longe e distanciar quem está perto? Pois bem, o telefone, o smartphone e as redes sociais compõem o tripé dessa estruturação e confirmação de distâncias interpessoais.

O segundo conto pode parecer um pouco estranho por se tratar de um fluxo de pensamento constante. Sabe quando nos deitamos para dormir ou divagamos durante uma viagem no coletivo? Pensamos mil coisas aleatórias e meio segundo depois não lembramos de nada, seguimos nossa vida como se aquele pequeno momento filosófico nem tivesse acontecido. É mais ou menos isso que acontece em Monólogo, o frenesi de pensamentos é marcado também pela escassez de pontuação e de paragrafação.

O terceiro conto é o que dá título ao livro, A mulher desiludida, e traz o diário de uma mulher que descobriu a traição do marido. Tentando não abrir mão do homem que foi o seu grande amor durante anos. É angustiante acompanhar as pequenas lutas da protagonista, que tenta encontrar onde foi que ela errou durante o relacionamento e como tudo mudou bem debaixo de seus olhos. O relacionamento entre casais e entre pais e filhos são repassados em diversos momentos do texto e nos fazem refletir sobre a condição delicada da unidade familiar “Os pais nunca têm as filhas de seus sonhos, pois fazem delas certa ideia, à qual elas deveriam se curvar. As mães aceitam-nas como são” (P.110).

Nos três contos fica nítido toda a angústia feminina diante de seus relacionamentos sociais, um furacão emocional que acaba por exercitar a força da mulher em suportar muito. A inquietação, a luta e a força de vontade são características marcantes nessas três mulheres, bem como o intelecto cultural apurado.

Esse foi o primeiro livro da Simone de Beauvoir que leio e me surpreendi com a carga de sentimentos que nutrem essas poucas páginas. Não é um livro para se ler numa sentada, A mulher desiludida exige um coração aberto e empatia para se caminhar ao lado dessas figuras propostas.

Fiquei com vontade de ler… [2]

Estou acompanhando a Tetralogia Napolitana, da escritora italiana Elena Ferrante, e a cada página me encanto mais pela forma de contar histórias dessa mulher tão misteriosa. Para quem não sabe, a Elena faz questão de não se mostrar na mídia, concede poucas entrevistas e considera estar satisfeita com suas publicações.

Soube que a Editora Intrínseca publicou aqui no Brasil o Frantumaglia, que reúne textos mais pessoais dessa autora que está ganhando cada vez mais leitores, inclusive ela explica sua decisão de se manter no ‘anonimato’.

A capa de Frantumaglia me lembrou um pouco aquele medo da Lila de perder os contornos , rs.

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Cartas, entrevistas e trechos inéditos oferecem visão única de uma das maiores escritoras da atualidade.

Elena Ferrante, voz extraordinária que provocou grande comoção na literatura contemporânea, tornou-se um fenômeno mundial. O sucesso de crítica e de público se reflete em artigos publicados em importantes jornais e revistas, como The New York Times, The New Yorker The Paris Review. Ao longo das últimas duas décadas, o “mistério Ferrante” habita a imprensa e a mente dos leitores, mas, afinal, quem é essa escritora?

Nas páginas de Frantumaglia, a própria Elena Ferrante explica sua escolha de permanecer afastada da mídia, permitindo que seus livros tenham vidas autônomas. Defende que é preciso se proteger não só da lógica do mercado, mas também da espetacularização do autor em prol da literatura, e assim partilha pensamentos e preocupações à medida que suas obras são adaptadas para o cinema e para a TV.

Diante das alegrias e dificuldades da escrita, conta a origem e a importância da frantumaglia para seu processo criativo, termo do dialeto napolitano que sempre ouvira da mãe e, dentre os muitos sentidos, seria uma instável paisagem mental, destroços infinitos que se revelam como a verdadeira e única interioridade do eu; partilha ainda a angústia de criar uma história e descobrir que não é boa o suficiente, e destaca a importância do universo pessoal para o processo criativo. Nas trocas de correspondência, nos bilhetes e nas entrevistas, a autora contempla a relação com a psicanálise, as cidades onde morou, a maternidade, o feminismo e a infância, aspectos fundamentais à produção de suas obras.

Frantumaglia é um autorretrato vibrante e íntimo de uma escritora que incorpora a paixão pela literatura. Em páginas reveladoras, traça, de maneira inédita, os vívidos caminhos percorridos por Elena Ferrante na construção de sua força narrativa.

O livro tem 416 páginas e custa em torno de R$ 49,90.

 

História do novo sobrenome, da Elena Ferrante

FERRANTE, Elena. História do novo sobrenome. São Paulo: Biblioteca Azul, 2016.

Tradução de Maurício Santana Dias

Então eu concluí a leitura dessa série viciante. Sempre gostei de narrativas realistas, que não se perdem muito em floreios e dedica-se ao cotidiano friamente, a série Napolitana tem sido um prato cheio pra mim principalmente com essa forma de contar história da Elena Ferrante que nos leva a um estado de topor viciante.

            Depois do casamento de Lila com o dono da Charcutaria o relacionamento do casal não apresentou avanços, muito pelo contrário, o marido começou a mostrar-se agressivo e intolerante aos caprichos de Lila. Logo no início do livro podemos notar a vergonha e os esforços da jovem casada para esconder os hematomas no rosto. E há trechos de se ficar boquiaberto, principalmente diante da banalidade que a agressão parece ter no bairro que desde sempre foi violento, crianças que cresceram vendo o pai espancar a mãe e vez ou outra levar algumas esparrelas também, agora repetem os mesmos atos agressivos por força da criação.

            Lenu continua estudando, depois de uma fase meio cansada de tantos testes e daquela sensação de incerteza sobre o seu futuro, ela retorna às atividades do Liceu e logra êxito, chegando à Universidade. Os familiares, principalmente a mãe, começam a demostrar orgulho da filha, que é a pessoa mais estudada do bairro a partir dali.

            Os relacionamentos amorosos da adolescência começam a mostrar a verdadeira face, nem tudo são fores e beijinhos adocicados. A necessidade de trabalhar e de fazer vínculos sociais que antes pareciam impossíveis marcam a transição para a vida adulta.

            Outro ponto interessante em História do novo sobrenome é quando Lenu arranja um namorado na faculdade que é filho de professores universitários e como tudo pra ele é tão mais fácil por já ter nascido no meio acadêmico, sua monografia virará livro e ele já tem uma cadeira reservada para lecionar na Academia. A meritocracia sempre tão gritante nos pormenores de Ferrante, os esforços elevados à máxima potência de Lenu para esconder o sotaque Napolitano, de estudar mil vezes mais para se destacar porque ela veio de uma formação seca, sem muitas leituras extracurriculares e por causa disso, pouco conhecia sobre o mundo, diferente da família de professores que dedicavam parte da renda mensal para comprar jornais e livros que os permitissem discorrer sobre política, ativismos, dentre outros assuntos que permeiam a mesa de intelectuais.

            Quando Lenu escreve o livro sobre a própria vida e a sua escrita é tão envolvente que logo consegue publicá-la, me pareceu que ali a autora pode ter colocado muito dela na protagonista, escrever sobre a infância no bairro violento como uma espécie de metalinguagem, algo assim, mas como pouco ou quase nada se sabe a respeito da vida pessoal da autora, creio que não temos ainda como afirmar nada ao certo se essa teria faz algum sentido. Rs

            Assim como no primeiro livro houve uma parte maçante sobre a história da confecção do sapato que ganhou vários capítulos e como aquilo estava influenciando a vida de cada um dos personagens, tive a mesma sensação com os dias que se passaram na casa de praia, aquela rotina me pareceu enfadonha do meio para o fim, mas compreendo como cada um daqueles dias influenciou o desenrolar da história. Elena Ferrante não dá ponto cego, isso é um fato e sua maneira de nos contar é hipnotizante.

            Continuo amando essa série tão cheia de assuntos polêmicos e tão inspiradora por parte da determinação e esforços da Lenu para continuar seus estudos. Pretendo ler o terceiro volume muito em breve. 😉