Eu li: Memórias póstumas de Brás Cubas

ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Abril, 2010.

Muito ouvia falar de Machado de Assis, mas não entendia bem como ele conseguia arrancar tantos elogios. Não sei se a inocência das primeiras leituras difíceis me impusessem certo caminhar trôpego aos Clássicos, mas me redimi. Depois da quinta tentativa de ler Memórias Póstumas, finalmente consegui extrair a ironia, o desdenhar e a classe Machadiana.

Brás Cubas é um defunto autor, não um autor defunto, como ele mesmo faz questão de frisar logo nas primeiras páginas, resolveu contar os episódios de sua vida terrena, os desamores e os benefícios de ter nascido numa família abastarda brasileira do século XIX. Desde criança Brás apresenta traços de mesquinharia e egoísmo, não se distancia muito disso durante a vida adulta, Machado de Assis apresenta os primeiros traços da escrita Realista brasileira, fugindo dos padrões românticos de protagonistas e amores perfeitos.

O livro é escrito em pequenos capítulos, alguns tão curtos que não chegam nem até metade da página. Brás faz constantemente referências metalinguísticas e me parece que ele repassou a sua vida numa publicação e aos poucos vai se dando conta de seu jeito mesquinho, como quando ele vai dar uma ajuda financeira a um antigo colega de infância e faz questão de escolher a nota mais surrada para lhe confortar um pouco, ou algo que o valha.

Longe de impor uma obrigação de leitura, como muitas escolas o fazem, aproveito o ensejo para ressaltar que caso você tenha a oportunidade e disposição, dê uma chance à Machado.

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Eu li: Um, dois e já, da Inés Bortagaray

Por um impulso ou algo do tipo comprei esse livro a um preço tão irrisório que já imaginava se tratar de uma espécie de novela, talvez até de um conto. Tudo bem, estava aberta à proposta. Logo que tive a oportunidade de tê-lo em mão, pude logo de cara me deliciar com os caprichos da amada Cosac (o eterno amor dos leitores à você), páginas azuis e uma fonte na capa que dava certa gastura.

Inés nos conta a história da viagem de carro de uma família durante as férias. O carro, já apertado por causa da quantidade de crianças, que são quatro no total, enfrenta desavenças e afetos típicos de qualquer família.

Essa família, que não possui identificações por nome, ao que tudo indica é uruguaia e vive na época da ditadura. Não sei se pelo contexto social, a protagonista que ainda é uma criança me parece ser muito introspectiva, melancólica e cheia de digressões, como quando ela reflete sobre a morte e a perene preocupação em proteger o pai, mesmo que seja apenas baixando o pino da trava da porta do carro.

Esse livrõ não possui nada de espetacular, muito menos algo extremamente novo, mas a seu modo simplório de contar uma narrativa tão comum em diversas famílias é que o torna cativante. Confesso que me senti embreagada de sono nos momentos que o estava lendo, mas foi por lembrar das viagens da minha infância, que era regada a remédios contra enjoo para não vomitar no carro.

Eu li: Outros jeitos de usar a boca, da Rupi Kaur

Olá, leitores!

Uma amiga da faculdade me emprestou esse livro porque eu TINHA que lê-lo, segundo o seu julgamento que estendeu-se ao “na verdade, todo mundo deveria ler esse livro”, aceitei a proposta e confesso que gostei bastante de Outros jeitos de usar a boca e gostaria de nunca mais esquecer certas frases que li nele, um verdadeiro amorzinho de livro.

Vi muitos comentários, em especial no GoodReaders, desfavoráveis à Honey and Milk (título original da obra) principalmente pelo fato de que a autora denomina esse livro como uma compilação de pequenos poemas e alguns leitores não aceitaram bem essa categorização, disseram que mais parecia um compilado de frases do tumblr (Escrevi certo? Alguém mais trava quando vai escrever o nome dessa rede social?). O que não deixa de ser verdade de certo modo, mas tentar encaixotar e limitar o que significa ou não poesia é muito complicado, principalmente depois que um músico ganhou o Nobel de Literatura em 2016, quem somos nós para limitar algo, certo?!

Outros jeitos de usar a boca é divido em quatro partes, que são: a dor, o amor, a ruptura e a cura. Se o livro for lido de uma sentada só, o que não é muito difícil, é possível notar que ele traz uma história linear que começa com as frustrações emocionais e sexuais de uma garota, que é surpreendida ao encontrar um parceiro amoroso e que a respeite na cama, seguido de um término e das medidas tomadas para curar-se desse rompimento.

Toda vez que você diz para sua filha que grita com ela por amor você a ensina a confundir raiva com carinho o que parece uma boa ideia até que ela cresce confiando em homens violentos porque eles são tão parecidos com você.

-aos pais que têm filhas

Esse livro é embalado com sentimentos fortes que causaram marcas e são comuns à muitas pessoas, em especial às mulheres. Diria que é uma leitura considerável, digna de ser lida pelo maior número possível de pessoas, mas por favor, vá sem expectativas às alturas, deixe-se levar pela sensibilidade da Rupi Kaur.

Visitei | Nobre café e bistrô

Maranguape, uma cidadezinha que preserva o verde e a tradição de sentar na calçada na boca da noite, terra de Chico Anysio.

Situada na região metropolitana de Fortaleza, agora Maranguape conta com um espaço cult, agradável e super diferente de qualquer outro estabelecimento instalado no centro da cidade. Estou falando da Nobre café e bistrô, que fica ao lado da pizzaria que leva o mesmo nome e é do mesmo dono.

Estava passando na praça quando avistei o prédio com a faixada antiga restaurada e flores nas janelas, chamou minha atenção e logo vi a plaquinha indicando que se tratava de um café. Resolvi entrar.

A música ambiente, as mesas com os rostos de compositores brasileiros, o cardápio com pratos que levam nomes de escritores nacionais… pronto, resolvi ficar por ali mesmo. Me senti em Fortaleza ou em qualquer outra grande cidade que dedique certos espaços à temáticas mais culturais e tal.

O espaço é uma casa antiga, que conserva aquela característica de corredor + quartos que se interligam, cada “quarto” tornou-se um salão temático, que é puro amor, tem para amantes de música, de literatura, dentre outros. A comida estava maravilhosa, o preço estava justo e o espaço, super agradável. Tirei algumas fotos rapidamente para mostrar aqui, depois quero voltar lá com alguns amigos para apresentar a Nobre e tirar mais fotos do local para postar aqui. 🙂

 

Endereço: Rua Major Agostinho, 314. Centro – Maranguape. Funciona de terça a domingo, das 16h às 22h. Telefones: (85) 98441-2020 e 99146-2578.

Resumo do mês | Agosto de 2017

Olá, leitores!

Hoje vou mostrar o que rolou por aqui durante o mês de agosto.

Finalmente consegui bater a minha meta de leitura, que são quatro livros por mês, já fazia um bom tempo que eu não saía da oscilação entre um e dois livros por mês. Inseri livros pequenos, mas no geral foram ótimas leituras.

Livros lidos

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Lidos de agosto

Então, li um e-book, duas autoras mulheres e um clássico da literatura brasileira.

Novos na estante

Os livros novos eu já mostrei AQUI, mas segue a foto com todos eles.

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Livros novos em agosto

Extra

  • Comprei um Kindle (yey <3), comentei brevemente minhas primeiras impressões AQUI.
  • Tirei uma lição de vida assistindo How I met you mother, como falei AQUI.