Eu li: Marina, do Carlos Ruiz Zafón

Sem uma sinopse bem definida, composta por um parágrafo do prólogo apenas, e um comentário inicial, escrito pelo autor, informando que este é o seu livro preferido, embora A sombra do vento tenha feito bem mais sucessomarina.png do que ele, “Marina foi o quarto romance que publiquei. Foi lançado originalmente na Espanha em 1999 e é provavelmente o meu favorito entre todos os que escrevi” p. 5. Sério, eu não sabia o que esperar de Marina, mas ao final das contas me senti numa montanha russa em menos de 200 páginas.

O prólogo nos inicia à história em um evento posterior ao que se passa no livro. Óscar passou uma semana longe de sua rotina e mergulhou num mundo inacreditável. Marina é desenvolvido num cenário de suspense com seres dignos de uma ficção científica, necromânticos, e, claro, um romancezinho só para dar aquele “owww <3”.

“Vi ele pegar uma seringa, enchendo-a com um líquido esmeralda que guardava num frasco. Nossos olhos se encontraram brevemente e, então, Mihail enfiou a agulha no crânio do cadáver. […] As pestanas de uma das pálpebras estremeceram. […] De repente, o corpo da mulher se ergueu num espasmo violento. Um berro animal inundou a sala, ensurdecedor. Fios de espuma branca desciam dos lábios negros, inchados. […] “ P. 147

Embora estranho aos olhos de quem está acostumado com os outros livros do autor, principalmente por possuir um teor mais jovial, Marina não faz feio, muito pelo contrário, Záfon continua a nos encantar com suas conjunções frasais poeticamente bem compostas “Florán sorriu tristemente. Dava para ler trinta anos de remorso naquele olhar” p. 100.

Impossível não fazer comparações, em Marina os elementos que não pude deixar de notar como semelhanças escancaradas em relação à Sombra do vento foram: aquele poder aniquilador do fogo; um personagem fisicamente deformado por uma tragédia; e, claro, a metalinguagem que deixa o leitor achando que o livro que temos em mão é o mesmo em questão ao longo da narrativa (quem nunca foi pesquisar se o livro A sombra do vento, mencionado no homônimo que estamos lendo, existia de verdade?).

Marina deixa o leitor num frenesi crescente, imersos em memórias e acontecimentos sinistros. Por diversas vezes me encontrei tão envolvida no livro que me dava uma chateação por o autor não se aprofundar ainda mais nos personagens, talvez ele adotou essa medida por estar escrevendo para jovens e desejar uma leitura mais leve.

Então, Marina é uma leitura rápida, empolgante, mas não tão excepcional como eu esperava que fosse. Fica a dica de uma leitura envolvente, enérgica e emocionante.

Quotes:

“O tempo faz com o corpo o que a estupidez faz com a alma” P. 83

“Se as pessoas pensassem um quarto do que falam, o mundo seria um paraíso” P. 83

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3 comentários Adicione o seu

  1. Kéziah Raiol disse:

    Esse livro é tão amorzinho. Além dessa capa lindissima. Ontem mesmo a minha amiga esta lendo ele *-* fiquei na vontade de reler.

    Beijos,
    Paixão Literária

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  2. Lulu disse:

    Muito boa suas impressões, Samantha! “Marina” parece ser um romance interessante.
    Até hoje nunca li nada do Zafón (U_U). Acabei de ver que a editora Suma de Letras irá relançar a série “O cemitério dos livros esquecidos”. Se não me engano “A Sombra do Vento” será republicado no final de maio. Então será uma boa oportunidade. Esse tu já leu?
    Beijos!

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