Eu li: A amiga genial, da Elena Ferrante

Então, Elena Ferrante nos últimos anos tem sido uma das autoras mais comentadas na internet, tanto pela qualidade de seus textos quanto pelo mistério que ela criou a seu respeito.

Sem título.png
Instagram 

A amiga genial é o primeiro volume da tetralogia Napolitana e nos apresenta a infância e adolescência de duas amigas, Lenu (apelido de Elena) e Lila (Rafaella), que cresceram no bairro violento de Nápoles (daí o nome da tetralogia). Lenu resolve nos contar a sua história com Lila depois que a amiga resolve fugir sem deixar vestígios, isso quando ambas já estão com idade bem avançada.

Lenu e Lila são amigas desde os 4 ou 5 anos e aos olhos de Lenu, Lila sempre se destaca em tudo mesmo sem se esforçar muito, seja na escola ou nas brigas contra os meninos do bairro. Espirituosa, inteligente, durona e única, todas essas características de Lila sempre deixam Lenu com a sensação de que ela jamais conseguirá ser como a amiga, o que gera um sentimento de inveja sempre presente na relação das duas.

Em certo momento da história, Lenu continua seus estudos e vai para o Ensino Médio, mas a família de Lila não tem condições de bancar os seus estudos da menina além do Fundamental, então ela começa a estudar sozinha os conteúdos que Lenu vê na escola e chega até mesmo a superar a amiga que frequenta regularmente o colégio. Esse autodidatismo de Lila é realmente fascinante.

Em concomitância a essa narrativa simplória de Lenu criança e adolescente que só tem olhos para Lila, a autora também nos apresenta a violência e pobreza do bairro de Nápoles, as brigas sangrentas que acontecem por bobagens e a luta por uma ascensão financeira (quase impossível) nos negócios da família, pois o filho do sapateiro será sapateiro e o filho do charcuteiro será charcuteiro, exceto os filhos de algumas famílias em que os pais não têm um negócio próprio e acabam sendo contratados como pedreiro e balconista na papelaria, por exemplo.

Elena Ferrante nos apresenta também a uma enxurrada de personagens, são tantas famílias (com quatro ou cinco integrantes mais ou menos, diga-se de passagem) que entrelaçam os acontecimentos entre Lila e Lenu que muitas vezes a narrativa desfoca um pouco das protagonistas, o que tornou esse primeiro livro alongado demais e quase impossível de trazer grandes acontecimentos. Excetuando os estudos de Lenu, as peripécias de Lila em tentar estudar sozinha ou criar uma linha de sapatos para a sapataria do pai e as relações sociais e financeiras entre as famílias, nada de muito emocionante acontece em A amiga genial.

Como livro introdutório à série Napolitana, A amiga genial me envolveu bastante, principalmente por eu gostar de narrativas com um ar naturalista, que retrata um recorte social de maneira crua e realista, mas esse tipo de estrutura pode incomodar a muitos leitores e chegar a tornar-se enfadonha e cansativa.

Publicidade

3 comentários em “Eu li: A amiga genial, da Elena Ferrante

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s