Meu livro sumiu

Estava por volta da metade de Mulher Perdigueira, livro de crônicas do Carpinejar, li durante algmulher_perdigueira_1276035850bumas horas na tarde de sábado e resolvi tirar um cochilo, era véspera de natal e eu estava em casa. Meu marido resolveu arrumar a casa para me agradar e guardou meu livro. Quando acordei perguntei pelo Carpinejar, ele respondeu que lembrava do livro, mas não sabia onde o havia colocado.

Hoje, segunda feira, ele continua sumido. Minha leitura está parada no meio do livro, não sei se marco como abandonado no Skoob ou se deixo lá como lendo até o retorno dele.

Posso começar a surtar com a probabilidade de uma leitura involuntariamente abandonada, o sumiço de um livro na minha casa e o esquecimento (aparentemente sem solução) do meu marido?

 

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Book haul de dezembro de 2016

Olá, leitores!

Hoje vim mostrar para vocês os livros que chegaram por aqui durante o mês de dezembro, espero que gostem do vídeo. ❤

Bingo literário

 

 

Livro de janeiro para o Leia Mulheres -CE

No último encontro do Leia Mulheres de Fortaleza (veja aqui) ficou acertado que leríamos Quarto de Despejo, da Carolina Maria de Jesus. O livro foi construído a part"Quarto de Despejo - Diário de uma favelada"ir de diários da autora, onde ela relatava seu cotidiano na favela Canindé, em São Paulo.

O livro foi ideia do Jornalista Audálio Dantas, que queria escrever sobre a favela e acabou por encontrar Carolina e seus diários. O que seria mais real do que a visão de uma mulher que morava lá? Os moradores locais estranhavam e viam com maus olhos o costume que Carolina tinha de escrever, pois era uma das poucas pessoas alfabetizadas do local. Seus vizinhos ficavam com raiva quando ela dizia que eles estavam em suas histórias, ela até os ameaçava “saiam daqui ou os colocarei em meus livros”, o que era um absurdo para os que não entendiam o que tudo aquilo significava.

Vista como uma mulher a frente de sua comunidade, Carolina marcou a literatura brasileira por trazer retratos reais da favela para os livros.

Além do Quarto de despejo, mais três livros foram publicados em vida: Casa de alvenaria, Pedaços de fome e Provérbios. Postumamente mais quatro livros foram lançados: Diários de Bitita, Meu estranho diário. Antologia pessoal e Onde estais felicidade.

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O primeiro encontro de 2017 ocorrerá na livraria Leitura do shopping Del Passeo, às 19h (horário local), no dia 28 de janeiro.

 

Desafio literário 2017

Olá, leitores!

Em 2016 comecei o ano com mil projetos e desafios de leitura, mas em 2017 quero fazer diferente. Tentarei cumprir o BINGO que está aqui abaixo e um projeto pessoal que mais tarde postarei aqui no blog explicando os detalhes (ainda em fase de elaboração, mas já adianto que envolve Clarice Lispector ♥).

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O BINGO literário propõe a leitura de diferentes gêneros e tipos de livros (biografia, romance, mais de 500 páginas etc). Os itens a seres cumpridos são:

  1.  Clássico;
  2. Um livro que esteve na sua estante por mais de 3 anos;
  3. Saga;
  4. Um livro que todo mundo leu menos você;
  5. Comédia;
  6. Autor nacional;
  7. Fantasia;
  8. Adaptado para TV/ Cinema;
  9. Mais de 500 páginas;
  10. Distopia;
  11. Autor Nobel;
  12. Thriller (Terror/ Suspense);
  13. Biografia;
  14. Romance;
  15. Poesia;
  16. Ficção científica;
  17. Best seller;
  18. Suspense;
  19. Um livro que vai te ajudar na carreira;
  20. Criaturas sobrenaturais (vampiros, bruxos etc);
  21. Policial;
  22. Autor velho – livro novo;
  23. Baseado em fatos reais;
  24. Continente diferente do norte americano.

Então, por hora é isso. Se quiser participar do BINGO também, vamos publicar e divulgar os posts com a #BINGOliterario2017 . 🙂

P.S.: Peguei essa ideia no blog Poetriz.

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Leia Mulheres CE | dezembro

Em 2014 a americana Joanna Walsh propôs um projeto para ler mais autoras durante o ano, intitulado #readwoman2014 (#leiamulheres2014) a ideia era ler mais livros produzidos por mulheres ao longo daquele ano.

A iniciativa deu tão certo que a ideia saiu dos Estados Unidos e perdurou pelos anos seguintes, afinal de contas por que ler mais mulheres apenas em 2014? No Brasil o Leia Mulheres vem ganhando proporções consideráveis e levando clubes do livro mensais a vários estados do país.

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Em Fortaleza o projeto tem cerca de um ano e meio, acontece sempre no último sábado de cada mês e os encontros são mediados pela Alessandra Jarreta, estudante de Letras na Universidade Federal do Ceará.

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Skoob

Em dezembro (o evento ocorreu um pouco antes do último sábado por causa das festividades de final do ano) o livro discutido foi o “A guerra não tem rosto de mulher”, da ucraniana Svetlana Aleksiévitch, que traz a Segunda Guerra Mundual sob a perspectiva das mulheres que participaram do Exército Vermelho.

Ao final do evento desse mês houve amigo secreto, claro que no mês do natal não poderia faltar, em?! Ganhei o Hibisco Roxo, da Chimamanda Ngozi Adichie, o que foi só amores porque há meses eu o desejava. ❤

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Eu li: A viagem

A viagem , primeiro romance da inglesa Virginia Woolf, conta a história da jovem Rachel Vinrace que foi criada pSAMSUNG CAMERA PICTURESelo pai pelas tias de forma protetora sem muito contato com pessoas diferentes, apenas aquele habitual grupo de amigos.

Rachel passa a conhecer novas pessoas quando viaja com sua tia Helen para o Brasil. No livro não diz, especificamente, que vieram para o Brasil, mas as referências nos faz supor que o seja, pois elas estão às margens do Amazonas e os barcos saem de lá carregando borracha, o que caracteriza o norte brasileiro.

O leitor percebe o crescimento da protagonista quando ela passa a tomar decisões sérias por conta própria, como quando ela resolve que não mais irá à igreja e expõe seus argumentos, antes dessa nova percepção, Rachel ia à igreja fielmente por costume familiar e nunca havia parado para pensar a respeito daquilo.

As relações interpessoais compõem o ponto que mais chama a atenção do leitor durante a leitura, principalmente quando Rachel começa a perceber as nuances de cada personagem de acordo com seus quartos e o que cada aposento pode revelar de seus hóspedes. As conversas de cada personagem, que não são poucos, também enriquece essa diferenciação de caráter e manias.

– Assim que alguma coisa acontece… pode ser um casamento, um nascimento ou morte… de modo geral preferem que seja morte… todo mundo quer nos ver. Insistem em nos ver. Não têm nada a dizer; não dão a mínima para nós; mas temos de ir ao almoço, chá ou jantar, e se não vamos somos condenados. É o cheiro de sangue – continuou – Não as culpo; apenas, se eu poder evitar, não terão o meu! P. 457

Virgínia Woolf consegue com maestria a máxima dos escritores de mostrar e deixar o leitor tirar suas próprias conclusões sobre os sentimentos envolvidos em cada cena ao invés de apenas descrevê-la. Uma cena que revela bem isso é quando Rachel está transtornada e senta-se numa mesinha ao final do corredor e se pergunta o que ela está fazendo ali, do que vale tudo aquilo que ela está vivendo? O sentimento passado ao leitor é de profunda angústia e auto conhecimento.

A viagem pode parecer um romance enfadonho aos que buscam apenas uma história superficial onde coisas acontecem, mas para extrair a essência de Virgínia é necessário olhos atentos e pacientes, pois a história em si não tem muitos clímax ou reviravoltas (apenas uma, ao meu ver), mas a construção da narrativa e a forma de nos contar são únicas.

Um adendo: para quem conhece a história da autora encontrará pequenas nuances que remetem a sua vida, a Fran do blog Livro e Café chegou a chamá-las de preságios. A mesma frase que está em sua carta de despedida ao marido, escrita um pouco antes do suicídio, a descrição da sensação de estar se afogando e também sua relação com mulheres (quando ela fala que é complicado se relacionar com homens e que Terence nunca entenderia o que ela sente).

– Talvez eu peça demais – continuou. – Talvez não seja realmente possível ter o que eu quero. Homens e mulheres são diferentes demais. Você não pode entender… não entende. P. 448

Fiz diário de leitura para esse livro, então você pode conferir mais quotes e minhas impressões durante a leitura nesse link.

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TOP 5 | As melhores leituras de 2016 + resumo do ano

Olá, leitores!

Hoje mostrarei as melhores leituras que fiz em 2016. Esse ano não li muitos livros e poucos me arrebataram, então foi menos difícil escolher apenas cinco títulos como os preferidos do ano.

SEJAMOS_TODOS_FEMINISTAS__1421353639414193SK1421353639BSejamos todos feministas foi é um livro curtinho que mostra as pequenas coisas que denotam uma sociedade machista e como isso é tóxico. O exemplo que mais mexeu comigo foi o da conta do restaurante, em que, geralmente, o garçom entrega a conta ou a nota fiscal para o homem. Esse e outros exemplos abriram meus olhos para coisas simples que para mim eram normais, mas que na realidade são carregados de significados por trás.

 

 

02 História infantil que me cativou enormemente, a pureza e descontração dos anões e de todos os encantos da Terra Média me fizeram sonhar com Smaug e florestas. Esse é o tipo de livro recomendado para todas as idades.

 

 

 

 

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Os primeiros amores da infância, o ressentimentos de primos que são melhores e a convivência com fatos que os adultos pensam que a criança não vai entender. A ciranda da vida, que faz você encarar uns, mas jamais a outros. Eu resumiria esse livro em (re)sentimento recorrente e lembranças.

 

 

 

  • A Viagem, da Virgínia Woolf

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A viagem é o romance do ano, com toda certeza no mundo. Até antes de eu começar a leitura desse livro imaginava que Ciranda de Pedra seria o melhor do ano, mas todas as descobertas de Rachel Virance e as relações inter pessoais entre os personagens me transportaram para a hora do chá inglês e conversar sobre futilidades aristocráticas e pensamentos poéticos.

 

 

 

  • Tá todo mundo mal, da Jout Jout

05 O livro das crises da youtuber Jout Jout poderia ser chamado também de o livro de todos nós. As várias crises aqui relatadas conversam com as nossas indecisões e fraquezas diárias. A crise que mais me marcou foi a que ela fala sobre faculdade e como algumas pessoas podem ser bem sucedidas e felizes (a parte mais importante) sem nem ser formada em cursos regulares. Há algumas crises bobas, que achei até desnecessárias, como a do pum ou a da sarna, mas a maioria dos textos da Jout Jout conversam bem com o leitor.

 

 

Até hoje, dia 16 de dezembro, as estimativas das minhas leituras:

  • 59,26% autoras mulheres
  • 40,74% autores homens
  • 40,74% autores nacionais, desses 18,18% são cearenses
  • 59,26% autores internacionais

As porcentagens saíram iguais para algumas categorias, mas foi pura coincidência, rs.