Eu Li: O Purgatório, de Mário Prata

Meu primeiro contato com Mário Prata foi em uma entrevista que ele concedeu ao Jô Soares e achei suas tiradas incríveis, depois de algum tempo tive a oportunidade de ler o Cem Crônicas Escolhidas e bolei de rir de seus comentários tão banais e tão engraçados.

Então, quando vi O Purgatório em promoção, não exitei em comprá-lo, seria risada na certa. Não me enganei. Mário Prata não perde o seu bom humor e aproveita para fazer uma adaptação (sic) satírica de A Divina Comédia (como ainda não li esse clássico, não sei até que ponto o autor se inspirou nele para criar a narrativa de seu romance).

Dante Alberto é um bancário que não se dá muito bem com a esposa, Gemma, uma mulher de quase dois metros de altura que nunca parou de crescer, e quando o seu grande amor da adolescência reaparece em sua vida, a bailarina Beatriz, Dante considera que essa é a sua segunda chance de reviver o amor verdadeiro.

O problema é que Beatriz morreu e está tentando guiá-lo aos purgatório, para que possam se reencontrar e viver juntos pelo resto da eternidade. Preocupado com sua passagem ao além, Dante tem que lidar com suas obrigações na terra e seu objetivo no além mundo.

O Purgatório é um livro divertido, uma comédia pastelão, que utiliza detalhes do cotidiano para fazer graça. Alguns pontos me incomodaram, como algumas brincadeirinhas com as religiões (não é por moralismo) e alguns momentos em que o autor parecia estar escrevendo o roteiro de uma mini série da globo.

 

Eu li: O Alquimista, do Paulo Coelho

LivrosNo ano passado, quando a Editora Sextante lançou essa edição maravilhosa de O Alquimista não pude resistir, em poucos dias estava com o livro em mão.

Alvo de muito preconceito literário no Brasil, Paulo Coelho é odiado por alguns e amado por outros. Em geral vemos pessoas que nunca leram nada do autor e já torcem o nariz para seus livros.

Eu só tinha lido dois livros do autor, o Verônika Decide Morrer e o Adultério, gostei do primeiro e detestei o segundo. Sabendo que O Alquimista é um dos principais livros da bibliografia do Paulo Coelho, talvez esse fosse o divisor de águas para esse meu impasse se eu gosto ou não dos livros dele.

Ao final das contas minhas dúvidas permanecem fortemente e vou explicar. O Alquimista tem uma proposta muito bacana com direito a diversos ensinamentos sobre como lidar com nossas ansiedades do dia a dia, mas ao mesmo tempo a escrita do autor me incomodou horrores.

Sério, me incomodou a ponto de eu abandonar a leitura por dias  e quando retornar só conseguir ler umas cinco páginas, o que me renderam meses para ler um livro curto, mas que poderia ter sido escrito em forma de conto, no máximo em dez páginas. O autor repete suas ideias diversas vezes ao longo do livro, chegando ao ponto de repedir várias vezes na mesma página, parecia que o protagonista era tão lento que precisava de dias e dias remoendo a mesma coisa para, enfim, compreendê-la e depois de compreendê-la, precisaria de mais um tanto refletindo sobre isso.

Impossível negar que O Alquimista é um ótimo livro para quem não tem muito o costume de ler muitos livros, mas adora estórias motivadoras e levinhas de ler.

 

Eu Li: O Tempo em Estado Sólido, da Tércia Montenegro

Apesar do trocadilho com o livro do sociólogo Zygmunt Bauman, O Tempo em Estado Sólido não tem a proposta de desmentir teorias sobre a sociedade moderna nem nada do tipo. Ele é, na ve13427896_1037000099699641_3529101958537950954_nrdade, uma reunião de contos da escritora cearense Tércia Montenegro.

O livro é curtinho, a linguagem da autora e a diagramação contribuem para uma leitura muito rápida e fluida. Esse é o terceiro livro da Tércia que leio e diferentemente de seu romance Turismo Para Cegos, ela não se transcreve tanto em meio aos personagens, mas, assim como em Linha Férrea, ela deixa transparecer bastante suas principais influências literárias (talvez seja uma característica de suas estórias curtas, mas creio que ainda preciso ler mais obras dela para chegar a essa conclusão).

Em O Tempo em Estado Sólido os contos são intercalados entre narrativas em primeira e terceira pessoa e também entre personagens que aprecem hora como protagonista hora como personagem secundário. A brincadeira com o a solidez das coisas e dos sentimentos são tidas em alguns poucos contos, mas bem presente nessa brincadeira de vai e vem de personagens, o que o outro está fazendo enquanto isso acontece, o que os levou até ali etc.

 

Leitura Coletiva de A Viagem

Olá, leitores!

A Fran, do blog Livro e Café, está organizando uma leitura coletiva das obras da Virgínia Woolf no Clube de Leitura.

A Viagem é a segunda leitura coletiva do Clube, a primeira foi composta por dois contos, e o primeiro romance da Virgínia. A estória é ambientada na boca do Amazonas e muitas pessoas supõem que ela se passe no Brasil, mesmo que as casas e outras descrições não façam jus ao que tínhamos por aqui, parcas noções culturais e geográficas (mas nada que comprometa a grandiosidade da obra).

A leitura de A Viagem deve ser iniciada no dia 26 de junho e vai até o dia 24 de setembro, há bastante tempo para concluir o livro, mesmo que ele seja grossinho (548 páginas nessa edição da Novo Século) e estejamos falando do fluxo de consciência da Virgínia. Vamos tentar.

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Para mais informações, acessem a página: http://virginiawoolf.com.br/leitura-coletiva/

O Hobbit, as impressões de quem assistiu ao filme primeiro

Então finalmente eu li O Hobbit, de J. R. R. Tolkien, estória “infantil” que antecede aos acontecimentos da trilogia O Senhor dos Anéis.

Tratei “infantil” entre aspas porque Tolkien escreveu o livro para o seu filho, mas ele se passaria muito bem por uma fantasia para adultos tranquilamente, apenas dois pontos me fizeram perceber esse teor infantil, que foram: a leveza da narrativa e a ausência de cenas violentas ou de guerras. Calma, vou explicar melhor.

anão.JPGO Hobbit traz aventura de como um Hobbit, ser tão pequenino e pacato, ajudou um grupo de anões a recuperar suas terras, tomadas há muito tempo pelo temível Smaug, um dragão vaidoso e sedento por riquezas.

Tolkien escreve de maneira leve em O Hobbit, nada de partes enfadonhas ou linguajar difícil, o que torna a leitura rápida e dinâmica aos adultos e possível para crianças.  Característica que torna o livro fascinante, pois é possível apresentar um universo encantador para crianças, que podem tomar gosto pela leitura e ao mesmo tempo se deliciar o universo da Terra Média. Tolkien é conhecido por suas canções poéticas, em sua Trilogia O Senhor dos Anéis, elas não somem em O Hobbit, mas são bem mais simples.

Bilbo e os anões seguem suas aventuras de maneira inesperada, estradas perigosas e inimigos a espreita, mas ao mesmo tempo leais amigos e uma boa dose de sorte. As empreitadas em que eles se metem geralmente são resolvidas por sorte, magias ou provisões divinas, como você preferir chamar, o que tornou possível a resolução de impasses que aparentemente levariam a boas guerras e muito sangue.

Claro que como assisti ao filme antes de ler o livro senti falta do estimado Légolas e ver/ler mais elfos na estória. Uma pena. Mesmo assim a aventura dos anos não perdeu seu encanto em nada, muito pelo contrário, pois há diversos pontos dissonantes com a adaptação, o que torna a leitura cheia de pequenas surpresas e mais rica de detalhes.

O Hobbit é assim, uma ótima indicação de leitura para todas as idades, leve, engraçado e cheio de aventura.

Eu li: O Menino Mágico

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O Menino Mágico, de Rachel de Queiroz

O Menino Mágico, livro infantil da Rachel de Queiroz, foi selecionando pela Unesco, em 1971, como um dos livros para representar o que há de melhor em literatura para crianças e jovens de até 14 anos (livros “excepcionais que serviriam para melhor compreensão entre povos), foram selecionados livros de 57 países, sendo 10 livros de cada um. Como não resisto a uma boa literatura local, não podia deixar de ler mais um da Rachel.

Raquel de Queiroz conta a estória de um menino que tinha seus desejos de “faz de conta” realizados de maneira inesperada, que muitas vezes deixa o leitor em dúvida se as feitorias são mesmo mágicas ou acasos do destino, mas ao final é possível ter certeza se o menino é mesmo mágico ou não (claro que não vou contar, né?).

Como todo livro infantil, Rachel aborda temas pertinentes do cotidiano infantil com aquele tom de aprendizado ao final, as típicas lições sociais de não mentir, confiar na família etc.

Alguns motivos que me levariam a ler O Menino Mágico (ou indicar) para uma criança são: Rachel não empobrece a linguagem escrita para falar para crianças; o livro estimula a imaginação infantil, principalmente por trazer uma fantasia com um toque de verossimilhança (quem nunca brincou de faz de conta e viu nitidamente suas ideias tornando-se quase reais?); e as lições não são escancaradas como nas fábulas, mas trazem vários ensinamentos de maneira sutil ao longo da narrativa.

As ilustrações do livro também trazem a estória para mais perto das crianças, pois não temos aqueles trabalhos gráficos super caprichados, mas personagens desenhados em linhas simplórias, como os desenhos da maioria das crianças.

Então, O Menino Mágico está mais do que indicado para a criançada e se o leitor for cearense, está mais indicado ainda, principalmente pela oportunidade de aprender o significado de algumas palavras locais que já caíram um pouco em desuso, mas que fazem parte da história do estado em que vive.