O que pretendo ler em fevereiro

Janeiro começou bom para minhas leituras, mas do meio para o fim o negócio perdeu o ritmo, uma pena. Pretendo pegar um pequeno impulso nas leituras de fevereiro, principalmente por causa do feriadão do carnaval (oba!).

Em janeiro eu pretendia ler quatro livros, como você pode conferir aqui, mas da lista que montei li apenas dois e o saldo só não foi tão desanimador porque li dois fininhos que não estavam na meta (me burlei, mas pelo menos permaneci no número estipulado).

O livro indicado para o Clube dos Clássicos Vivos de janeiro eu não consegui terminar, que foi o Dom Quixote, e acho que a leitura dele se estenderá por meses a fio. O Frankenstein eu nem comecei por ter ficado empacada no Dom Quixote.

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Vamos ao que interessa… Pretendo ler três livros em fevereiro, pouquinhos porque não quero forçar muito a barra já que minha rotina ainda está passando por adaptações.

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Os três que pretendo ler em fevereiro

O Clube dos Clássicos Vivos escolheu o Razão e Sensibilidade, da Jane Austen, como leitura para fevereiro e por sorte eu ganhei esse exemplar no ano passado. 😉

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Leitura para o Clube dos Clássicos Vivos

A nova edição de O Alquimista ficou tão charmosa que eu não resisti e dei uma chance ao livro. Eu não tenho o costume de ler Paulo Coelho e sei do enorme preconceito que ele sofre aqui no Brasil, mesmo sendo bem vendido tanto aqui quanto no exterior, então resolvi ler sem o filtro do conceito pré estabelecido.

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Nova edição de O Alquimista

No mês passado eu li um livro de poema para o Desafio Leia Mais Mulheres em 2016 e em fevereiro lerei a categoria de não ficção com o livro Por uma vida inteira, o que será bem útil até mesmo para a disciplina que estou lecionando no momento, dois coelhos de uma única vez.

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Livro para o projeto Leia Mais Mulheres em 2016

Detalhe que a mão nas fotos individuais é do maridão. rs

Vocês cumpriram suas metas metas literárias para o mês de janeiro?

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Eu li: Fortaleza digital, do Dan Brown

Este é o segundo livro que leio do Dan Brown e já senti aquela sensação de “mais do mesmo”.  Uma investigação que dura 24 horas, capítulos curtos, suspense, decifração de códigos e uma corrida contra o tempo com várias vidas em risco. Até parece uma receita de bolo, não?

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3 estrelas no Skoob

Eu poderia ter dado quatro estrelas para ele no Skoob, mas apenas um ponto nesse livro me prendeu até quase o fim: o mistério sobre NDAKOTA, quando isso foi revelado, só terminei a leitura porque já estava mesmo perto do final.

Em boa parte do livro temos uma corrida contra o tempo para encontrar um anel que guarda a chave para desencriptar o Fortaleza Digital, concomitante a pesquisa para descobrir quem é NDAKOTA. Ao finalzinho Dan Brown arregaça as mangas para fazer seu show de revelar as coisas obvias que ninguém vê sobre o tal código.

Os personagens que trabalham na NSA são bem construídos, suas características condizem com seus atos, embora em alguns pontos o senso de humor de David, namorado de Susan, é um pouco forçado e até bobo para o seu personagem, um culto professor universitário, mas algo bem O.K.

Fortaleza Digital tem adrenalina suficiente para tornar a leitura muito rápida com suspense e descontração.

Rua da padaria, de Bruna Beber

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Imagem retirada do Skoob

“Rua da padaria” é nostalgia desde a capa, que lembra aquele papel em que o senhor da budega enrolava os ovos comprados a 10 por um real, relembra a infância em seus momentos mais simplórios e inesquecíveis. Quem nunca ficou com aquele chavão de um parente guardado na memória? A marca roxa que se forma depois de uma pancada e vai esverdeando ao longo dos dias, a toalha bordada com teu nome (um item indispensável na vida), pequenos detalhes que marcam.

Tolstoi já disse “se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”, e foi isso que Bruna fez, pintou sua realidade, as nuanças da rua da padaria, o resultado? Um livro de poemas que te leva de volta para aquela bendita calçada onde você correu e gargalhou durante muitos anos da sua vida.

Esse livro é muito fininho, daqueles que a gente lê numa ida à livraria (ou biblioteca) e faz o dia valer a pena.

Eu li: Ciranda de Pedra, de Lygia Fagundes Telles

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Lido em e-book

Lygia foi consagrada como contista da década de 40 e apenas dez anos depois (1954, para ser mais precisa) publicou seu primeiro romance, o Ciranda de Pedra, que já ganhou duas adaptações homônimas pela Rede Globo, uma em 1981 e outra em 2008. O sucesso na escrita de estórias curtas foi além, se estendeu para outros gêneros e resultou nessa incrível obra, clássico da Literatura Brasileira.

Considerando sua época de publicação, Ciranda de Pedra é um romance existencialista transgressor, que aborda temas pouco citados até então, como: homossexualismo, traições, doenças psicológicas, desestruturação familiar e questões femininas.

O livro é divido em duas partes, que marcam a infância e o amadurecimento de Virgínia. Quando criança, a protagonista vive situações difíceis de lidar, como a loucura da mãe, o perene sentimento de rejeição vindo do pai e o deslocamento social na presença das irmãs e dos amigos.

Após concluir os estudos, Virgínia volta para a casa do pai e tem que encarar de frente tudo aquilo que a afligia na infância. As coisas mudaram, mas a protagonista ainda guarda muitos sentimentos daquele tempo antigo, o que a surpreende em alguns momentos.

A trajetória de Virgínia é marcada por perdas e ressentimentos, mas sua força de vontade demostra a força de uma mulher para superar seus medos e vencer na vida sem depender de ninguém. Um exemplo muito claro disso é que as irmãs de Virgínia, Bruna e Otávia, são invejadas pela beleza quando crianças, mas são sustentadas pelo pai quando adultas mesmo depois de casada, enquanto que Virgínia, escarnecida por ser diferente e nunca se enquadrar em nada, é a única que se forma e que faz questão de ganhar seu próprio dinheiro (lembrem-se de que estamos falando da década de 50).

Poucas palavras poderiam definir Ciranda de Pedra, bem como todas elas talvez não conseguissem descrevê-lo por completo. A narrativa simples, cheia de lembranças e as emoções carregadas, nada é meio termo nesse romance, é calmaria ou fúria.

Desafio de leitura para 2016

Geralmente o começo do ano é sempre assim, cheio de metas e desafios. Há algum tempo tenho a meta de não participar de muitos desafios para não me sentir frustrada no final do ano. Como estou participando de apenas dois grupos de leituras, o Clube dos Clássicos Vivos e o #LeiaMaisMulheres, creio que dá pra encaixar mais um.

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Os blogs Prosa Espontânea e #Leiamaismulheres organizaram um desafio com 12 itens em cada livro lido deve ser de autoras (sim, apenas mulheres).

Apesar de 12 remeter a um por mês, pretendo cumprir o desafio no meu tempo (claro, desde que eu termine até o final do ano), pode ser que eu realize a leitura referente a dois ou três tópicos em um mês, como também pode acontecer de eu não ler nenhum. Vamos com calma, em?

Aviso para quem for participar: postagens em redes sociais devem ser acompanhadas da hastag #DesafioLendoMaisMulheres2016!

Para facilitar:

  1. um livro de poesia;
  2. um livro de literatura infantil;
  3. um livro não-ficção (biografia, ensaio ou reportagem);
  4. um livro ganhador do Jabuti;
  5. um livro ganhador do Nobel;
  6. uma HQ;
  7. um livro de autora independente;
  8. um livro de autoria A. L. M. E. (asiáticas, latinas e minorias étnicas);
  9. uma autora negra;
  10. uma autora contemporânea;
  11. uma autora conterrânea;
  12. uma autora estreante.

Eu li: Harrison Bergeron, de Kurt Vonnegut

HARRISON_BERGERON_1394998252BUm conto distópico escrito em 1961 em que o autor mostra uma sociedade nivelada por baixo. O governo usou a “equidade” para tirar a “vantagem” de certas pessoas, assim todos poderiam ser iguais, ninguém mais forte ou mais inteligente do que os outros, por exemplo.

Para conseguir isso, o governo estipula “contrapesos” para balancear essas diferenças. Se a pessoa é mais inteligente do que o padrão tido como normal, um aparelho auditivo intervirá quando ela fizer certas conexões neurais mais intensas. Se é mais rápida, pesos são acrescentados para diminuir a velocidade; se mais bonita, recursos a tornam mais feia…

A estória se passa em 2081, 120 anos depois de quando foi escrita e com uma diferença secular já previa uma atitude que se tornaria comum. Não adianta tentar negar e dizer que esse nivelamento “por baixo” não exista, pois vejo um exemplo claro disso nos cinemas, em que só há um horário (geralmente o último) para filmes legendados porque as pessoas geralmente reclamam que não conseguem ver o filme e ler a legenda ao mesmo tempo…

Esse livrou trouxe reflexões básicas mas pertinentes, o governo pode até tentar nos nivelar por baixo, mas muitas vezes isso começa a partir de nós mesmos. Quantas vezes não ouvimos um “ainda bem que tirei a média”, “vai assim mesmo, tem gente que nem fez nada”, “vou pegar o resumo na internet”… Pois é, as vezes as pessoas se nivelam por baixo sem nem precisar de imposição para isso.

Diversas indagações surgem durante a leitura dessa estória, principalmente “por que não usar recursos para melhorar os menos capazes e nivelar com base nos que se destacam?”, “será que ter a média verdadeira não seria melhor?”, e por aí vai.

2081Esse conto é curtinho e tem disponível na internet, para ler online ou para baixar, e é o tipo de estória ideal para discutir com os amigos e parar para refletir. Ah, o curta 2081 é a adaptação de Harrison Bergeron.

Skoob

Texto original (em inglês)

Texto traduzido para o português.

Além dessa questão do nivelamento, o autor abordou ainda alguns outros pontos que sempre são criticadas em diversos ambientes e não apenas em distopias,  como: a cultura de massa por meio da televisão, como a mídia influencia no que as pessoas pensam, a banalidade e manipulação dos acontecimentos, dentre outros.

O que pretendo ler em janeiro

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Quatro livros para janeiro

No primeiro mês do ano pretendo ler quatro livros, um para o Clube dos Clássicos Vivos, um para o #LeiaMaisMulheres e terminar os dois que comecei no finalzinho do mês de dezembro.

A indicação para janeiro no Clube dos Clássicos Vivos foi Dom Quixote, um dos grandes que eu sempre quis ler, mas por algum motivo ficava encostado na estante. Sei que esse é o livro que me exigirá mais tempo e dedicação.

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Leitura de janeiro para o CCV

Depois de assistir a série Penny Dreadful me bateu um arrependimento de ainda não ter lido Frankenstein e aproveitando o projeto #LeiaMaisMulheres, lerei Shelley no primeiro mês do ano.

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Shelley para o #LeiaMaisMulheres

Os dois livros que já comecei em dezembro e quero terminar agora no comecinho de janeiro são: Ciranda de Pedra, da Lygia Fagundes Telles (lendo mais mulheres, em?) e Fortaleza Digital, do Dan Bronw.

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De dezembro para janeiro
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Lendo em e-book

Espero que janeiro seja gentil e que eu me discipline o suficiente para cumprir a meta literária do mês. 😉